Shut Up!
27 2ª Fase: Cápitulo 12 - Deveria ser eu
Notas iniciais
Edward PDV
Isabella correu sorrindo, correu feliz e sem medo nenhum de tropeçar, o que era muito provavel já que ela era desastrada demais. Mais não vou mentir que por um momento uma coisa me dizia que ela corria pra mim. Mas a raiva assumiu o lugar dessa coisa assim que ela parou o tal do Jacob, acariciou seu rosto, o puxou pelo casaco e o beijou, minha vista doeu, a vontade de vomitar era grande, aquela merda toda ia acabar me matando. Essa era a mais pura verdade. E a outra verdade era que eu não deveria ter deixado os caras me arrastarem de casa, não deveria observar ela se roçar no Jacob, e não deveria tá pouco me lixando pra essas merdas que ela insistia em fazer. Mas a verdade que superava todas era aquela, a idéia que eu gostaria de estar no lugar do Jacob, a idéia que deveria ser eu segurando a sua mão, a fazendo rir, a beijando, deveria ser eu. Deve ser por isso que eu estou morrendo aos poucos.
Não vou tentar parar de admitir nada pra mim mesmo, é que eu tô completamente louco por ela. Como nunca estive por ninguém.
Eu só queria que alguém corresse atrás de mim quando eu fosse embora, queria valer algo pra alguém. Algo pra mim mesmo. Quero que alguém se importasse. Era como se alguma parte do meu corpo estivesse sendo esmagada aos poucos, doía pra caralho. Como se eu acabasse de perder alguém. Mas... Não tem como perder algo que não é seu, que você nunca quis que fosse seu. E que agora pertence a outra pessoa que pelo menos merece. A que você nunca mereceu.
–Uh, perdeu! — ouvi alguém falar.
–É... — sussurrei.
– Perdeu, perdeu Paulzinho! — me virei e encarei o Sam zoar o Paul.
–Perdeu o que? — perguntei e eles riram. Fechei meu rosto numa expressão irritada.
–A idéia foi do Sam... — Paul começou e Sam fechou o punho, como se o ameaçasse. — Fizemos uma aposta aí.
–Que aposta? — perguntei.
–Apostamos que sua irmã era uma vadia — Sam bateu nas costas de Paul — Cinquentinha.
–O que? — encarei Sam.
–Ah, você ficou defendendo ela dos seus amigos aqui, mas olha o que ela faz por trás de você. A verdade é que ela dá pro primeiro que aparecer — Sam riu e eu o olhei com raiva.
–Repete a merda que acabou de falar! — me descontrolei.
–Ah, qual foi Edward? Foi só uma aposta bacana! Pra passar o tempo sabe? — ele riu indiferente — E além do mais, foi a contestação do óbvio.
–Cala essa boca imunda! — berrei.
–Eu não entendo porque a defende tanto, ela nem é sua irmã de verdade Edward, e além do mais ela se cuida sozinha, e ah se cuida mesmo hein Paul? Piteuzinho — ele deu um risinho descarado enquanto a olhava.
–Cala boca Sam, eu tô pedindo. — tentei me acalmar.
–E se eu não tiver a fim? Vai fazer o que? Me bater? Ah, Edward. Todos sabem que você é um fracote, e que só bate nos mais fracos — ele ria, e aquilo de certa forma era verdade, eu costumava bater naqueles que não tinham força ou coragem pra se defender.
–Se não retirar o que disse não vai precisar se machucar... — falei. Uma coisa era eu julgar a Isabella e outra coisa completamente diferente era alguém fazer o mesmo. Aquilo me deixava irritado.
–O único que irá se machucar é você com meu punho no meio da tua cara — ele falou e eu fechei minhas mãos em punho. Tudo bem que ele era meu amigo, mas ele merecia uma bela de uma surra pra tomar vergonha na cara. Não perdi tempo, nem calculei, apenas usei toda minha força pra acertar o meio da sua cara, mas ele foi mais rápido que eu e conseguiu se esquivar. Sei que o Sam é bem mais forte que eu, mas aquilo não iria ficar assim — A verdade é que você sempre foi um fracote, Edward.
Dessa vez eu ri dele, ri da sua afirmação, e agora havia se tornado um desafio pra mostrá-lo quem era o fracote da história, não perdi nenhum segundo, enquanto ele me encarava eu atribui toda minha força num soco no nariz que o fez cambalear e gritar de raiva, ele passou a mão no nariz e encarou o sangue. Eu havia quebrado.
–Seu filho da puta! — rosnou.
–Lembra quando éramos pequenos? Você lembra? Bricávamos de tantas coisas carro, pipa, bicicleta. Daí fomos crescendo e começamos a brincar com as mulheres. Nunca nos separamos, tanto que quando eu me mudei você fez o mesmo. E ah, olha o que isso virou agora! Um batendo no outro, xingando o outro. Olha a merda que virou. Eu estou começando a achar que eu tenho conserto, agora você... Nunca vai deixar de ser desprezivel — dessa vez eu ri dele e sua expressão se fechou numa de completo ódio.
–Você conserto? Você é igual a mim Edward — ele riu forçado. Olhei em volta e vi Paul, ele estava perplexo, nada fazia, apenas encarava a cena, parecia estar muito longe dali. Foi tempo suficiente pro Sam me golpear com um murro na boca, sorte a minha que não foi tão forte, eu pessoalmente cheguei a pensar que ele acabaria comigo. Balancei a cabeça e ri dele, sabia que isso o deixava muito irritado. O local queimava, mas eu não estava ligando pra nenhuma dor física nem emocionais, eu era igual a ele mesmo, mas pelo menos eu não estou brigando porque eu quero, eu estou brigando porque tenho uma causa pra isso. Sam ria infantilmente, eu sentia o sangue quente correr nas minhas veias.
E eu ia acabar com ele.
Fechei a cara de repente, o que fez ele questionar minha expressão, não esperei nada. Dei-lhe um soco tão forte que o fez cair no chão e gritar de dor. Era isso que esse filho da puta merecia, de alguém que te ensinasse o que era dor, já que nunca apanhou, deve ser por isso que ele é assim.
–Paul — ele rosnou — Acabe com ele...
Eu não acreditava que o Paul seria capaz de qualquer coisa contra mim, ele não era igual o Sam, pelo menos era o que eu achava, era o menos agressivo do grupo. Ele me olhava com pena. A Isabella disse que todos iriam me abandonar, e eu não me surpreenderia se o Paul fizesse isso.
–Vamos seu fracote! — rosnou Sam.
A pena dele desapareceu dando lugar ao ódio. Fiquei preparado pra um murro na cara, mas ele me surpreendeu esmurrando minha barriga e me fazendo gemer de dor, fiquei sem nenhuma defesa, tentei me manter empé enquanto ele me batia. Ele estava irreconhecivel, esse não era o Paul que eu conhecia, nós éramos parceiros. Gemi com as pancadas dadas no meu estômago, e por um segundo ele parou de me bater, enquanto eu tentava controlar a dor que sentia para não gritar. Talvez ele tenha se cansado. Fechei meus olhos quando vi que ele me bateria novamente, é incrivel como dói mais quando um amigo seu bate em você, a pancada dessa vez me levou ao chão, e nele eu me contorci de dor, tentei abrir meus olhos numa tentativa falha. Ouvi risadas vindo do Sam enquanto eu gemia involuntariamente. Fiquei esperando por mais, não deveria ter a esperança que eles cansariam de mim tão fácil. Senti alguém puxar meu cabelo com raiva, erguendo minha cabeça e provocando mais uma dor e fazendo meu couro cabeludo latejar, em seguida senti as mãos deslizarem e o meu rosto caiu no chão com tudo. Eles iriam acabar comigo e eu não tinha e nem queria ter forças pra reagir.
Bella PDV
Acho que foi a única coisa certa que fiz na vida, eu ia ficar muito mal se o Jake ficasse magoado, já que ele sempre me ajudou e me apoiou enquanto eu falava do Edward. O tempo todo. Mas parecia que naquele campo não existia nada além de uma amizade forte que foi vista com outros olhos por ele. Mas eu não poderia ferir o sentimentos de alguém como ele, ele não merece isso. O abracei forte, ele era tão quente. Havia esquecido até do Edward, ele devia ter visto toda cena e agora passaria na minha cara o porquê desconfiava de nossa amizade, mas eu não ligava, e ligava ao mesmo tempo. Com esse intuito eu me virei pra onde ele estava.
Observei sua cabeça ser arrancada do chão e em seguida ser solta com toda força na calçada, senti doer como se a pancada fosse em mim, e eram seus próprios amigos que praticavam a agressão. Um arrepio tomou conta de mim e eu não consegui mecher um músculo, minhas pernas tremiam, tremiam muito. Eu não deveria deixar isso acontecer, eu não posso.
[Música: Savin me]
–Porque está tremendo Bella? — Jake perguntou.
–Oh meu Deus, oh meu Deus! — uma lágrima sofrida caiu dos meus olhos. Não perdi nenhum segundo, corri na direção onde Edward e os animais que o rodeavam estavam, o Edward parecia desacordado, e nem assim os animais pararam de espancá-lo.
–VOCÊS SÃO UNS MONSTROS — senti minhas palavras se misturarem com lágrimas. Me ajoelhei no asfalto enquanto o desespero tomava conta do meu corpo inteiro. Eu não desejaria aquilo nem ao meu pior inimigo.
–Saiam daqui seus animais — ouvi a voz de Jake e levantei a cabeça temerosa que eles o machucassem também. Mas eles só deram as costas e sairam.
–Edward... — minha voz mostrava todo o desespero que sentia naquele momento.
–Eu sabia que isso ia acontecer, ele não deveria andar com eles — Jake falou. Ao ver seu rosto chorei mais ainda, vários ematomas rodeavam seu rosto. Seus lábios sangravam, sua testa estava com um corte, seus olhos estavam fechados, sua bochecha estava ferida.
–Jake, faz alguma coisa, por favor– os soluços eram impossiveis de controlar. — Por favor, Jake.
–Vou avisar a sua família — ele saiu correndo.
–Edward, fale comigo — passei meus dedos pela sua face e ele pareceu tremer. Levantei sua cabeça e pus no meu colo. Ele gemeu o que me fez chorar mais ainda.
–Eu vou fazer essa dor passar — meus olhos já se enchiam de
lágrimas de novo — Calma.
–Isabella — finalmente ele disse algo, sua voz estava rouca, baixa e sofrida. — Desculpe.
–Pelo o que Edward? — solucei.
–Tudo — ele sussurrou enquanto forçava suas palpebras a se abrir.
–Edward. Você... Não me diga coisas assim. Você vai ficar bem, vou te levar ao médico e... — os soluços aumentaram.
–Isso é tão irônico — ele tentou sorrir — Eu achei que morreria só por dentro. Eu te fiz tão mal e agora está chorando, eu não mereço isso.
–Seja forte — sussurrei.
–Não há motivos — seu tom de voz era irreconhecivel.
–Eu me importo — solucei e continuei — Seja forte, pessoas se importam, eu me importo. Não brinca assim. Todas as feridas irão se curar. — tentei conter o nervosismo que sentia.
–Um monstro — ele colocou a mão no estômago e gemeu.
–Minha opinião nunca valeu nada pra você. Mas dá pra escutá-la pelo menos uma vez? Edward, eu sei que você parece não amar ninguém. Mas Edward, você vai encontrar alguém que vai te ensinar, já que eu falhei nisso. Você sempre encontrará motivos pra morrer, então não os procure. — falei e ele tentou sorrir novamente.
–Não tenho conserto — ele sussurrou.
–Eu te amo... — Os sentimentos voltam a se rebelar quando você sente que pode perder essa pessoa de vez. Fechei meus olhos pra que uma lágrima caísse. — Eu faria tudo pra você ficar forte, mesmo que volte a me pisar, me humilhar, me massacrar, me julgar, me odeiar. Eu não ligo, contanto que esteja bem e de pé.
–Edward! — ouvi a voz de Carlisle e virei olhando todos ali, todos mesmo. Até a Ardolina e o Orlindo estavam lá.
–Ele está sofrendo muito, por favor. — Carlisle parecia apavorado com o estado do filho.
–Quem foi que bateu no meu brother? — Emmett olhou pra mim e eu neguei com a cabeça. — Vou acabar com esse desgraçado!
–Oh não! — minha vó se despencou no chão e começou a se abanar com a mão — Sou viúva do meu futuro marido. Oh, tão cedo! Droga, que velha azarada eu sou, todos morrem. Não consigo fisgar. — tentei entender o que ela dizia — É, bem... Não consiguir fisgar o peixe do aquário da loja hoje. Não que eu tenha tentado fazer isso.
(...)
Eu, o Carlisle e o Jake levariamos o Edward pro hospital, o resto ia em outro carro. Fui no banco de trás com Edward, tinha que o manter consciente, mesmo ele me odiando tanto, talvez eu conseguisse mantê-lo acordado, quanto ao Jake de muita má vontade foi no banco da frente.
–Edward, você está bem? — acariciei seu cabelo devagar, numa coisa involutaria, eu sentia a necessidade de confortá-lo.
–Vou ficar — sorrir ao ouvir essas palavras, por mais baixas que fossem, ele tinha dito algo de positivo, talvez ele tenha encontrado motivos pra não desistir. Os dedos dele começaram a tremer freneticamente, entrelacei nossos dedos na intenção de o acalmar. E deu certo.
–Já estamos chegando — lhe avisei e ele assentiu levemente, senti ele apertar minha mão aos poucos e sorrir.
(...)
Já se passavam das 11 horas da manhã, resolvi comer alguma coisa, eu não podia ficar fraca ou algo parecido. O Edward passou por uma série de exames, vários curativos, três pontos no corte da testa e ainda tomou vários remédios para que parasse de gemer e gritar de dor, durante toda madrugada e agora estava de repouso. Todos dormiram no banco de espera, menos eu que não consegui pregar os olhos a noite inteira, pensei em milhões de coisas, dentre elas que se eu não estivesse beijando o Jake ele sofreria menos, apanharia menos e ganharia menas cicatrizes, mas maioria do que eu faço era errado e não restava ficar me lamentando por outra burrice. Eu não sabia quantas lágrimas derramei durante a noite, e nem gostaria de saber. Só queria que ele ficasse bem.
Sentei numa mesa e Jake sentou ao meu lado esperando o que pedimos chegar. Eu só havia pedido um café pra me manter acordada, não tava nos meus planos dormir.
–Bella, você tem que dormir um pouco — a expressão de Jake era de preocupado. Era bonito essa preocupação que ele tinha comigo, mas chegava a ser excessiva.
–Não tô a fim de dormir — falei e ele me fitou.
–Seus olhos estão vermelhos. — ele falou e eu assenti, olhando pro nada, seus olhos me torturavam, era incrivel como ele descobria tudo que eu sentia só num olhar. -Bella, porque se importa tanto com alguém que não faria o mesmo por você? — ele perguntou e eu olhei pro nada ignorando a pergunta que eu não sabia resposta. Aquilo era algo automático meu. Eu nunca deixaria ninguém sofrer deixaria? Ah, estou enganando a quem? Era o Edward que eu disse esquecer e sentir desprezo na semana passada... — Gostaria que me respondesse.
–Eu tenho que dar uma justificativa a tudo que disser? — me irritei — Eu me importo pra caramba e pronto. Se eu pelo menos pudesse controlar... Eu não controlaria mesmo assim — falei continuando tentando evitar contato visual com ele.
–É isso que eu admiro em você. Mesmo que te machuquem, pisem, te humilhem. Você continua se importando com quem você ama. Mas Bella, o Edward não merece. Não merece essa maquiagem manchada por causa do choro. Você chorou a noite toda não foi? Ele sequer te traria pro médico, você tem que se importar com quem se importa e não com quem só quer seu mal. — ele sorriu.
–Que droga Jacob — chamei pelo nome como não o chamava há muito tempo — É a mesma coisa que pedir "Não respire Bella". Deixa eu me importar com quem eu quiser, você está sendo egoista, o Edward a essa hora está deitado, sofrendo, cheio de cicatrizes. E quer saber mais? Seus melhores amigos que fizeram isso. Como se sentiria hein? Como? Você anda com eles a vida toda e de repente eles quase te matam de pancada — minha voz aumentou chamando atenção de duas garotinhas que tomavam café.
–Me desculpe. É só... Ciúmes — ele falou e a moça me entregou meu café, tomei um grande gole.
–Tá aí, nem começamos a namorar e já está escolhendo com quem devo ou não me importar. Não sei se percebeu, mas não sou uma propriedade — bebi um gole de café.
–Nunca te tratei como uma propriedade, só preciso de alguém que pertença a mim e a mais ninguém. — ele falou.
–Foi isso que disse a Embry naquela noite? — perguntei.
–Não. Ela estava me perguntando o que você tinha que ela não tinha. — ele falou e continuou — Eu respondi que você tinha o meu coração. — ele me olhou e encarou minha expressão vazia e sem palavras pra responder o que ele me disse. Ele sempre se superava e me deixava cabisbaixa e desprevinida.
Ouvi alguém pigarrear atrás de mim e me virei, era o médico. Um senhor que aparentava ter 60 anos, com bigode e cabelo grisalhos.
–O Edward está acordado — suspirei aliviada — Recebeu muitas pancadas, teve alguns ferimentos e ematomas. Fizemos uma série de exames e constatamos que ele não quebrou nada, está com um pouco de dor de cabeça, devido a pancada, mas logo vai passar. Fez bem em mantê-lo consciente. Já dei a noticia a sua família, mas ele chamou por você. — Observei Jake encarar o vazio. — Pode me acompanhar?
–Bella, você ainda não comeu nada — Jake falou e eu ignorei o comentário seguindo o doutor até o quarto do Edward.
[Música: That should be me]
Entrei no quarto sozinha e esperei que ele me notasse, foi de imediato, em poucos segundos seus olhos verdes esmeralda me fitavam. Eu deveria estar mesmo um caco, tinha chorado muito e minha maqueagem deveria estar borrada, meu cabelo deveria estar bagunçado, isso não me preocupava, eu só precisava vê-lo para confirmar que estava bem. Observei todos os curativos, o na testa, o na boca, na bochecha.
–Está melhor? — perguntei e ele assentiu — Lembra de alguma coisa?
–O médico me disse que eu poderia entrar numa aminésia temporária, o que era normal — aquilo de certa forma me aliviou, eu disse coisas que não deveria ter admitido — Mas eu lembro de cada golpe, de cada palavra, de cada gesto. Como se isso tivesse sido escrito e arquivado em segurança no meu cérebro. — ele sorriu de canto o que me fez sorrir automaticamente.
–Eu não entendo porque chamou a pessoa que mais odeia aqui — falei. Eu de fato não sabia.
–Eu também não sei... Eu só sei que perdeu uma grande oportunidade de acabar comigo. Poderia ter ajudado o Paul e o Sam... — ele riu com minha confusão — Mas você se importou.
–Todos se importaram — falei.
–Não os que eu pensava ser meus amigos — ele engoliu em seco.
–Foi por algo grave ou algo banal? — me referi ao motivo da briga e acho que ele entendeu, porque passou a encarar o nada, mas depois me olhou no fundo dos olhos.
–Eu faria tudo de novo, acho que foi a única atitude certa da minha vida — ele falou e continuou — Um dia vai saber porque eu briguei, ou melhor, por quem. Ou talvez nunca saiba.
–Está bem? — perguntei e ele riu.
–É a segunda vez que me pergunta isso. — ri constrangida. — Sente aqui — ele apontou pra cama e tentei ajeitar meu cabelo. O prendi com um coque mal feito no alto da cabeça. Edward me encarava como se quisesse falar e ao mesmo tempo não quisesse — Eu lembro de ter te pedido pra não chorar. Mas você é teimosa, tão teimosa que quando não era pra fazer nada você foi lá me ajudar. Vamos, não sou um cara tão mal assim pra sentir isso, depois de tudo, tudo. Seria impossivel isso não me tocar, aqui... Mesmo eu ignorando a presença dele por tantos anos — ele pôs a mão no coração — Ele bate, ele bombeia o sangue pra todo meu corpo, ele acelera, Bella. Mas ele não ama. — pela primeira vez ele tinha dito meu nome em completa lucidez — E sabe o que mais? Eu acho que ele tem conserto, e acho que ele pode ser aberto, e que pode saber o que eu guardo dentro dele, e os motivos pra ele ser tão oculto. Acho que eu devo conversar com alguém e libertar todo esse rancor dentro dele. Posso tá cometendo o pior erro da minha vida, posso estar me humilhando. Mas eu não ligo, eu só precisava de um choque pra isso. E agora... Talvez seja a hora. — aquele não era o Edward, será que ele estava sob efeito de algum remédio ou algo parecido? — Sei que deve estar pensando não ser eu. — tomei um susto e ele riu — Mas, é esse que sou eu. Minha máscara cai aos poucos. Tudo que eu te fiz passar... Não pode ser apagado.
–Já foi apagado — falei.
–Não se apaga assim, Bella. Se apagasse eu não sofreria com meu passado. Eu cheguei a ponto de pensar que se tornaria alguém como eu, isso nunca vai acontecer. Nem eu me salvaria. — ele falou.
–Ninguém te deixaria sofrendo, é desumano — falei.
–E todos os humanos agem como humanos Bella? Se você estivesse no chão eu não te salvaria, nem cuidaria de você só pra não dar o braço a torcer. — ele me encarou.
–Dá pra parar com isso? Eu não fiz nada demais Edward, que droga — falei.
–Ficou comigo todo tempo. Acredite pra mim isso é muito. Você não deve saber, mas eu sofri muito no passado. Quando eu tinha 7 anos minha mãe começou a sair de casa sem meu pai saber, ele pensava que ela era a mãe e esposa perfeita, mas era uma fachada. Vários caras iam lá em casa e a levava pra sair, se algo acontecesse na casa a culpa era minha, tinha que cuidar da Rose e do Jas que eram apenas bebês querendo colo da mãe. Era difícil olhar pro lado de fora e ver todos terem uma infância e eu não. Eu era ameaçado constantemente pra não contar nada a meu pai, ela me batia muito porque muitas vezes eu não conseguia me conter e explodia, dizia que contaria tudo, que não era justo e sabe o que eu ganhava? Um tapa na cara. Uma criança de sete anos apanhando na cara só porque defendia o pai. Perdi minha infância sendo um adulto. E o pior que todos dias meu pai olhava pra mim e perguntava como tinha sido meu dia e eu sempre respondia que tinha sido ótimo. Mas você sabe o que é sua própria mãe te chamar de lixo? — meus olhos já se enchiam de lágrimas com a declaração do seu passado — Foi ela que me ensinou o que era amor. Ela olhava nos olhos do meu pai todos os dias e dizia que o amava, e ele acreditava, ele sempre acreditou. Ela dizia que com aquelas palavras banais conseguia tudo que queria. Não demorou muito e eu acordei e dei de cara com meu pai chorando segurando uma carta nas mãos, ela tinha ido embora e contava toda a verdade na carta, eu peguei a carta e li tudo, ela falava que nunca o amou, que nunca foi feliz com ele, e que éramos bastardos. Eu só queria que ele parasse de sofrer por ela, mas eu também sofria — observei seus olhos se encherem de lágrimas — Homem não chora.
–Meninos não choram, homens choram.– falei.
–Eu prometi a mim mesmo que nunca amaria alguém, eu não queria ficar chorando pelos cantos que nem meu pai depois de dar meu coração pra uma mulher que não merecia. — ele respirou pesado — Pow, era a minha mãe apesar de tudo. Eu não sei se acredita mais eu sofri bullying por conta disso, garotos me enchiam só porque tinham mãe e eu não. Alguns até me perguntavam sem intenção de machucar "Onde está sua mãe?" Eu corria quando me perguntavam isso, seria bem mais fácil falar que ela faleceu do que falar que fugiu. Era incrivel a carência de amor de mãe que eu sempre senti, tudo bem que meu pai fazia de tudo pra nos dar do bom e do melhor, mas faltava uma mãe, faltava uma mulher que te abraçaria, faria seu curativo quando caisse, que te dissesse um "boa noite" ao dormir, que te defendesse, mandasse usar o casaco quando saisse de casa, um chocolate quente a noite, um "vai dormir que tá tarde". O único "eu te amo" que eu confiaria... — ele passou a mão num dos olhos molhados e eu o olhei com ternura — Quer que eu continue? — ele perguntou e eu assenti. — Comecei a andar com o Sam, ele não me zoava, e com ele ninguém me zoava. — ele olhou pro nada — Era incrivel como a cada dia eu ficava mais frio, egoista, indiferente. Andava pelos corredores da escola achando que era melhor que todo mundo. Nos meus 9 anos eu dei meu primeiro beijo na garota mais bonita da escola, ah eu era só uma criança. Ela tinha 12 anos. Sam quase me obrigou a isso porque disse que ser BV na minha idade era coisa de boiola. Eu não estava preparado.
–O que você sentiu? — perguntei.
–Nada, não senti nada. Eu não conhecia a garota. Tudo na minha vida aconteceu tão rápido. Quando eu tinha 13 anos tive minha primeira vez, foi numa festa e eu mesmo me obriguei a fazer isso, eu mesmo queria ser o"fodão" — ele fez aspas com as mãos — Foi numa festa para maiores, no banheiro feminino com uma garota maior de idade.
–Por simples prazer?- perguntei e ele assentiu.
–Com o tempo fui aperfeiçoando minha frieza, egoismo. Achando que era "foda" por não senti nada com ninguém. Foda? — ele riu irônico — Eu cresci um monstro. Achava um bullying uma básica piada pra aumentar IBOPE e pra meus amigos rirem, batia nos fracos, os trancava no armário, os humilhava. Achava que todas mulheres mereciam ser tratadas como vadias que não valiam nada, achavam que todas eram iguais a minha mãe. Descontei meu passado em gente que não merecia, como por exemplo você... Essa culpa está me pertubando.- abaixei meu olhar, mas percebi que ele me fitava. Eu não prestava mesmo.
–Vivia falando sobre julgamentos — fitei seus olhos verdes — Conteúdo importa, embalagem não importa e foda-se — falei e continuei — Mas porque eu me apaixonei? Ah, nunca me questionei nisso. Mas eu me apaixonei pelo seu cabelo, seus olhos, seu sorriso. Sua perfeição. Seu cárater não estava escrito na sua testa — abaixei a cabeça — Sempre te julguei pela beleza, primeira pensei que você era um anjo perfeito e depois um porco egoista idiota. Você entende? Não parei pra entender que podia haver algo atrás do seu coração de gelo, ou de pedra como eu costumava falar. Não parei pra pensar que atrás disso tem um trauma. Você não nasce mal, você adquire isso por conta de algo. Eu sinto culpa também — falei e ele me olhava em silêncio.
–Eu te beijava só por te beijar. Algo doentio, divertido, estimulante. Logo após por atração. — ele falou.
–Sente atração por mim? — perguntei e ele riu.
–Isso é óbvio até pra mim que sou péssimo em admitir as coisas. Chego a um ponto que seus defeitos sumiram e eu comecei a inventá-los, tipo quando eu te chamei de vadia e você mandou eu me foder — eu ri e ele acompanhou — Eu fiquei perplexo. Tipo, aquela foi a melhor cortada do ano — ele brincou e eu ri.
–Fico feliz que esteja bem — falei, eu não me sentia bem mesmo de tê-lo julgado daquela maneira.
–Você quer ir embora não é? Você também...? — o seu olhar triste fazia meu coração doer.
–Todos não estão te abandonando, tá certo que umas fizeram isso Edward, mas as outras foi você mesmo que se afastou, como por exemplo o seu pai, seus irmãos, o Emmett que ontem se importou muito e jurou quebrar no pau quem fez isso com você — ele riu — Você só tem que dar valor as pessoas certas. Você estava fazendo isso errado. Edward, há tempo de recomeçar, arrumar alguém, se divertir da maneira correta e parar de pegar todo mundo, dá tempo de ligar pra ela, e olha-la nos olhos e ver neles o sentimento que sente por você. Há tempo de ser o Edward.
–Tem razão — ele sussurrou — Tem mesmo razão.
–Por onde vai começar? — perguntei.
–Com você, por você — ele falou o eu o encarei com curiosidade.
Continua...
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