Shunkashuutou
10 kyuuchi
Notas iniciais
Quando ouviu o sinal seguido de vozes lá fora e o barulho da porta abrindo, Shou empurrou Saga com uma certa força para longe, fazendo-o bater de costas em uma classe. Um grupo de garotas entrou, dando risadinhas e olhando para os dois. Shou sentiu o chão desabar, estaria tão óbvio? Saga lançou-o um olhar incomodado, esfregando as costas no lugar onde havia batido na mesa, Shou disse um silencioso “desculpe” e o outro riu, deixando a irritação de lado. Voltaram a sentar enquanto o resto da turma entrava. Hiroto pulou do seu lado:
— Onde você foi, caramba? Eu comprei chocolate! – Hiroto falava num tom verdadeiramente ofendido. Shou riu, menos tenso.
— Te conto depois, Hiroto.
Hiroto cruzou os braços:
— Tá... Mas se você não me contar todo esse segredo HOJE, eu juro que nunca mais compro chocolate. – e com isso se recostou na cadeira, ainda parecendo extremamente ofendido o resto da aula.
[...]
Saga o estava esperando no portão, na hora da saída. Shou o avistou de longe – parecia estar atento à sua figura sempre –, e interrompeu Hiroto, que já havia esquecido seu chocolate e agora falava sobre qualquer coisa relacionada a dinossauros. Em circunstâncias normais estaria prestando atenção, mas não havia como com tantas coisas acontecendo. Puxou Hiroto pelo ombro, fazendo-o parar e encará-lo:
— Que foi? – piscou, olhando para Shou com curiosidade.
— Eu... Vai na frente, depois eu te alcanço! – Shou tentava parecer natural, mas não sabia enganar Hiroto. Este o encarou com o mesmo ar desapontado e irritado de antes, não falou nada e deu as costas a ele, rumando sozinho para casa. Shou se sentiu extremamente mau por ter que tratar Hiroto assim, mas andava realmente com a cabeça muito cheia. E, de qualquer jeito, explicaria tudo depois.
Andou devagar até Saga, tendo certeza de ser discreto. Saga o esperava sorrindo.
— Saga, desculpa por aquela hora... eu não quis empurrar você com força...
— Tudo bem. – Saga ainda sorria, abraçou delicadamente Shou pela cintura, puxando-o bem pra perto e deu um pequeno beijo em sua bochecha.
Shou pulou pra trás, olhando em volta:
— Eu acho melhor a gente não fazer isso aqui...você sabe, sempre tem alguém por aí olhando.
— Certo, certo. – Saga pareceu se culpar por um momento. Nunca tivera realmente que estar escondido com alguém, mas gostava da idéia – Então... quer ir pra outro lugar?
— Pra onde? – Shou o fitava curioso, falando baixo inconscientemente.
— Não sei...talvez almoçar em algum lugar, depois dar uma volta. Tem um restaurante ótimo umas duas quadras daqui.
Shou concordou, claro. Os dois almoçaram juntos e depois foram para um parque qualquer, caminhar. Saga sabia que não devia forçar a barra com Shou, mas conseguiu roubar-lhe um beijo ou dois atrás de uma árvore. Shou se sentia muito bem, e muito idiota por ter pensado que Saga o evitaria. Despediram-se e cada um foi pro seu lado. Daí então Shou lembrou que ficara de contar tudo para Hiroto. Suspirou e continuou andando.
Bateu na porta da casa na frente da sua, e dessa vez foi Hiroto que o atendeu.
— Hiroto! Bem... eu disse que ia te contar tudo sobre mim e o Saga, e...
— Não precisa. – Hiroto ainda parecia muito irritado, talvez mais que antes.
— Como? – Shou pensou não ter entendido. Hiroto parecera tão curioso pela manhã.
— Não precisa Shou, se não quer me contar não precisa. – mas o tom não era de compreensão.
— Mas... eu quero te contar! Só não quis te contar na escola, no meio de todo mundo...
— Na real? Eu não quero saber, Shou. Pode fazer o que quiser com o Saga porque eu não ligo! Só queria que você voltasse a ser como era... – Shou teve a impressão de ver lágrimas nos olhos de Hiroto, mas não pôde ter certeza, pois este fechou a porta com força quando acabara de falar.
Ficou mais um tempo ali, olhando a porta fechada, pensando em bater de novo, mas acabou atravessando a rua e indo para a casa. Pensou talvez que Hiroto tivesse o visto com Saga e não aprovasse, e não pôde evitar de ficar um pouco desesperado pensado no que aconteceria se tivesse que escolher entre a amizade de Hiroto e Saga. Ficou um tempo se torturando pensando nisso, enquanto as lágrimas desciam, até alguém bater na porta de seu quarto. Era Hiroto.
[...]
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