Shunkashuutou
12 kutsurogu
Notas iniciais
Já haviam passado alguns dias e o final de semana chegara de novo. Shou se sentia muito menos inibido com Saga sabendo que Hiroto não se importava com isso, mas não era só ele que estava o preocupando antes. Seus pais começaram a estranhar suas saídas diárias sem explicações exatas de pra onde ia. Ou com quem. Shou não era do tipo de sair muito, muito menos sem Hiroto. Mas tudo estava tão bem com Saga, os dois estavam se dando tão bem que Shou não queria estragar tudo com um ataque histérico de sua mãe nem um surto machista de seu pai. E talvez fosse esse seu maior medo: encarar sua família. Não suportaria a idéia de envergonhá-los por uma coisa que sentia. Não podia culpá-los por isso, ele mesmo às vezes se sentia envergonhado por ser diferente, só queria que o entendessem. Mas procurava não pensar nisso quando estava com Saga, procurava apenas curtir o momento e relaxar.
— 49...
— O quê? – Shou caíra de sua nuvem de pensamentos. Olhou para Saga, deitado no sofá ao seu lado contemplando distraído o teto.
— 49... foi quanto eu tirei em física com aquele trabalho que a gente fez aqui semana passada. – os dois riram. Estavam na sala da casa de Shou, seus pais haviam saído mais cedo dizendo ir visitar uma irmã de seu pai. Shou no começo ficara um pouco apreensivo com a idéia de trazer Saga para sua própria casa, mas se convencera que não era nada demais.
Mais uma vez o silêncio caíra sobre os dois, fazendo Shou perceber que Saga também não estava totalmente à vontade com a situação. Procurou inutilmente algo com que se distrair, mas não encontrou nada. Levantou-se.
— Está com sede?
Saga desviou a atenção do teto, o olhando ainda deitado do sofá:
— Estou. – sorriu, e Shou sorriu de volta, se dirigindo rapidamente à cozinha. Saga voltou a se sentar, colocando as mãos entre os joelhos. Realmente se sentia estranho sozinho com Shou em sua casa. Uma sensação tentadora e constrangedora. Mas mesmo sentindo o que sentia estava disposto a respeitá-lo. Esperou Shou voltar da cozinha com duas xícaras de chá, pegando uma e agradecendo.
Conversaram sobre coisas sem importância enquanto terminavam o chá, até Shou interromper o não muito interessante papo, indo pôr as xícaras vazias na cozinha. Já estava esperando mais um constrangedor momento sem assunto, mas quando voltou para a sala Saga o puxou pela mão, pondo-o em seu colo. Corou violentamente e encarou Saga, que riu ao ver sua expressão. Shou ainda não se acostumara com o jeito espontâneo do outro, e ainda não distinguia bem quando estava com segundas intenções ou quando estava apenas sendo carinhoso. E não parecia com segundas intenções. Shou relaxou, pondo uma das mãos em volta do pescoço de Saga e o beijando de leve. Saga podia nem sempre ter segundas intenções, mas não aceitava muito bem as discretas demonstrações de carinho do outro: intensificou o beijo, abraçando Shou com certa vontade, pressionando-o contra seu colo. Este corou novamente, mas nenhum dos dois reparou. Shou retribuíra Saga, o envolvendo também com seu outro braço, permitindo que ficassem quase em contato total. Quase. Saga havia prometido a si mesmo respeitar Shou e sua casa, mas imprevistos não estavam em seus planos. Virou-se, fazendo Shou deitar no sofá, e se curvou sobre seu corpo, para continuar o beijando. Shou abriu os olhos e o encarou, viu seus próprios olhos nos de Saga e teve certeza. Puxou-o com delicadeza até se deitar por completo sobre seu corpo e voltou a beijá-lo. Saga também teve certeza quando encarara Shou, a mesma certeza que tivera antes: o amava. O amava e voltou a beijá-lo com tanta intensidade que só percebeu quando já era tarde. Shou o empurrara com força, pondo-o ajoelhado na sua frente. Pensou em perguntar o que havia acontecido, mas o olhar apavorado de Shou para a porta já dizia tudo. Seus pais estavam parados os encarando de boca aberta, a porta de entrada ainda aberta.
[...]
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