Show Me The Meaning Of Being Lonely.
7 6. Shattered by broken dreams.
Notas iniciais
Respirou fundo o ar matinal. A relva estava fresca e a brisa deslizava entre a grama banhada de orvalho, o campo na qual estava era vasto, miúdas e delicadas flores adornavam os arredores, as árvores floridas balançavam seus longos e cheios galhos como se estivessem dançando.
O sol não estava alto e o calor era suave e morno na pele de seu rosto, seus olhos estavam fechados e respirou fundo, sentindo os múltiplos aromas que estavam em seu entorno. Terra molhada, grama fresca, pólen, folhas verdes, margaridas. Eram tantos cheiros que seu olfato não conseguia apreendê-los por completo e sua mente não era capaz de associar cada qual com seu responsável. Mesmo que estivesse concentrado em fazer.
Ouviu uma risada mínima, baixa e animada, enquanto seus ouvidos ouviam os passos baixos e mínimos de sapatos esmagando a grama, correndo pelas flores e dando pequenos gritinhos com o que é que estivesse vendo.
Até que depois ouviu um grito de dor.
Abriu seus olhos esmeraldas e encarou a fonte do choro de dor, viu uma ouriça pequena, talvez com seus 5 anos, suas pequenas mãos pêssego coçavam seus olhos, podia ver a mancha em seu joelho, provavelmente havia caído e ralado, se levantou de sua posição sentada e andou calmamente até a garotinha, se agachando diante dela para que seus olhos encontrassem os dela.
— Hey, qual o problema, mocinha? — Perguntou sem fazer nenhum movimento em direção dela, para que não a assustasse.
Mesmo que seus esforços fossem em vão.
Ela tirou as mãos de seus olhos e o encarou assustada, parecia aterrorizada, os pequenos olhos verdes eram idênticos aos do ouriço, esmeraldas brilhantes devido ao choro.
A pequena boquinha se abriu em choque, enquanto a menina se afastava dele, se levantando rápido, mesmo fazendo uma careta de dor pelo joelho machucado.
Sonic olhou a reação da garota paralisado, não conseguiu nem mesmo encontrar palavras que poderiam explicar o que poderia tê-la assustado. Isso nunca lhe ocorrera, desde que de seu público, ele era até melhor com as crianças que com os adultos e ver uma garotinha fugindo de si como se fosse um monstro foi no mínimo chocante.
— Papai, papai, papai! — A pequena saiu gritando, como se ele a tivesse machucado, como se ele fosse nocivo, como se fosse um monstro cruel.
— Hey, o que foi? — Ouviu a voz doce reconhecível até se estivesse debaixo d’água.
Seu coração falhou uma batida enquanto levantava a cabeça em direção da voz de seu marido, vendo se aproximar da garota alarmado, abrindo os braços para ela enquanto ela fazia o mesmo, pedindo para ser carregada por ele.
— Não chore, Maria. — Passou os dedos pelo rostinho vermelho dela. — Por que não diz ao papai o que aconteceu? — Os dedos enluvados acariciaram a cabeça da menininha enquanto ela o abraçava e fungava ruidosamente no peito dele.
Maria... Sonic olhou para a menina como se nunca a tivesse visto antes. Crescida, já sabia falar, mas ele soubera qual foi a primeira palavra dela, era como se estivesse em um universo deslocado, vendo sua própria filha fugindo de si como se fosse um completo estranho.
A mesma filha que ele carregara dentro de si, que sentiu se mexer em seu ventre, colocou a mão em sua barriga, agora vazia, seca.
Também a alimentara quando estava faminta, porém, nunca sentira seu peso em seus braços.
Seu peito se apertou ao olhar a cena, como se algo faltasse naquele quadro, como se sua família o excluísse.
Maria apontou em sua direção, seus dedinhos tremiam. Era medo? Por que sua pequena sentiria medo de seu próprio progenitor? De quem a colocou naquele mundo?
Shadow acompanhou e o encarou, os olhos carmesins encararam os verdes, primeiro surpresos, depois se suavizaram, era um olhar quente, gentil e até mesmo doce.
— Está tudo bem, Maria. Não tenha medo. — Ele passou os dedos pelas costas dela, descendo e subindo entre seus espinhos pequenos e irregulares.
Ele a apertou enquanto andava em sua direção com calma, até parar na frente, a mão livre se estendeu para a frente, as pontas dos dedos deslizando por suas bochechas, até sua mandíbula, descendo e subindo, acariciando.
A garotinha começou a gritar como se tivesse medo, como se algo a machucasse, mas Shadow a apertava perto de seu corpo e a balançava perto.
— Maria, está tudo bem. — Shadow sussurrou em seus pequenos ouvidos que estavam dobrados contra seu crânio. — É só a mamãe. — O ouriço ébano descansou sua mão na bochecha dele, sentia o toque gentil causando efeitos claros em seus batimentos cardíacos. — Como se sente, babe?
— Eu—
— NÃO, PAPAI, ME SOLTA, PAPAI! — Fora interrompido pelo grito agudo de Maria, ambos congelaram enquanto a pequena se contorcia. — MAMÃE NÃO GOSTA DE MARIA! — A pequena não parava de se remexer nos braços de Shadow.
Sonic olhou arregalado para seu marido, a mão congelada em sua bochecha, os olhos rubis estavam tão surpresos quanto os seus.
— De onde veio isso, filha? — Shadow olhou para baixo, a ouriça tremia. — Sua mamãe gosta de você sim, mas você precisa entender que ela está doente e precisa do carinho de Maria também.
O nó se formou na garganta do ouriço azul, um polegar enluvado acariciou abaixo de seu olho, recolhendo uma lágrima que não sabia que escorria.
— PAPAI, MAMÃE NÃO ME AMA, MAMÃE QUERIA MARIA MORTA! — A garota gritou outra vez, ignorando as palavras de Shadow como se ele não tivesse dito nada, pelo choque, a ouriça conseguiu se desvencilhar dos braços de seu pai e descer, correndo para longe deles e desaparecendo entre a vegetação.
De repente, o ambiente que estava agradável e morno, parecia morto, as árvores murchavam rapidamente, suas folhas caíam mortas na grama amarela, deixando os galhos nus retorcidos como garras que se estendia em direção ao ouriço cobalto, seus troncos secos pareciam caretas sorridentes encarando-lhe. A clareira tinha cheiro pútrido, pássaros mortos jaziam ao seu redor. O ar não se movia, não existia brisa naquele lugar, a atmosfera fúnebre parecia lhe engolfar, lhe afundando ao chão.
— Não, Maria... — Conseguiu sussurrar trêmulo. A mão de Shadow desapareceu de seu rosto, assim ele seu corpo. — Eu nunca te odiaria...
Soluçou, seus joelhos cedendo, então gritou dolorosamente.
.
.
Seus olhos se abriram, se deparando com o quarto claro, talvez já tenha amanhecido.
Sua cabeça estava encostada no peito de Shadow, podia sentir os pelos brancos cutucando seu nariz.
Levantou a cabeça devagar, percebendo que Shadow ainda dormia, respirando baixo e tranquilo debaixo de si, a mão que possivelmente estava em sua cintura, agora estava caída ao seu lado, saiu da cama com cuidado, prendendo a respiração para ouvir o menor ruído que ele poderia ter feito, resolvera ficar descalço, sentindo as meias quentes que provavelmente seu marido havia lhe calçado.
Sentiu a falta de algo e inconsciente tocou seu peito, sentindo o contato direto de seu pijama de algodão com seus seios sensíveis. Não soube encontrar a expressão certa para o que estava sentindo, desde que estava preso entre lisonja e constrangimento. Desde que havia muito tempo que ele não sabia o que era dormir sem sutiã, parecia estranho.
Ficou surpreso do tecido não estar molhado, desde que suas mamas costumavam vazar muitas vezes pelo acumulo de leite, sua filha se alimentava bem, mas parecia que não, desde que sempre estava com os peitos cheios.
Lembrar de sua filha lhe deu um aperto enorme, caminhou pé ante pé até o quarto, as cortinas brancas estavam fechadas, mas ainda tinha luz no recinto. Era uma área que ele pouco entrava, como um novo lugar quase inexplorado.
Tinha um cheiro calmante, de talco e lenços umedecidos. Olhou em direção ao berço e se deparou com a bebê dormindo, seu peito subia e descia lento, a boquinha aberta por onde um filete de saliva escorria. Chegou mais perto, suas mãos nuas tocando a beirada do berço caramelo, vendo sua filha dormindo tão tranquila.
Era a primeira vez que a via dormindo no berço, como o pequeno anjo que era. Seu corpinho era tão minúsculo que nem mesmo parecia que já estava no mundo faz seis meses, seus membros pequenos se contraíam com qualquer sonho que estivesse tendo, mesmo que ele mesmo nem sabia se bebês de fato podiam sonhar.
Se sentou na cadeira de balanço que estava ao lado, deu um sorriso trêmulo enquanto se recordava de ter sentado ali várias vezes, quando sentia câimbra nas pernas e balançava ali, suas mãos acariciando sua barriga redonda e murmurava músicas desafinado.
Tocou sua barriga involuntariamente, como se por instinto, sentindo apenas o acumulo de gordura que ele não fora capaz de eliminar nos primeiros meses, porque não sentia energia para nem mesmo manter seus olhos abertos.
— Quando eu estava grávido. — Murmurou baixo. — Eu tive muito medo. Na verdade eu estava aterrorizado. — Deu uma risada fraca. — Não sabia que eu era capaz de... De carregar uma vida dentro de mim, então eu entrei em pânico, não conseguia acreditar que era real. Nem eu nem seu pai sabíamos se estaríamos preparados. Seria uma grande responsabilidade.
Se recostou e fechou os olhos, como se estivesse cansado.
— Eu não sabia se seria uma boa... Mãe para um bebê meu e de Shadow. — Respirou fundo, sua respiração difícil. — E eu não fui. Te abandonei quando mais me senti sozinho, mas seu pai nunca me abandonou. Ele me manteve... Vivo, quando enlouqueci, quando a dor era tanta que eu me sentia em pedaços, Shadow me abraçava e colocava pedaço por pedaço de volta.
“A verdade, Maria, era que o segundo bebê era você. Tão pequenininha, mas tão forte, como seu pai e... teimosa como sua mãe, não se deixou vencer...” Sorriu enquanto abria os olhos e encarava sua filha, que se remexia em seu sono, como se estivesse tendo um pesadelo. “Quando seu pai pensava que eu estava dormindo, ele conversava com os médicos e eu ouvia tudo, mas isso não tornou essa dor menor...” Passou sua mão pelas frestas do berço, seu polegar deslizando pela testinha franzida, fazendo uma suave pressão. “Seu irmãozinho era maior que você, sabia? Porque ele veio primeiro e alguns dias depois você se formou entro de mim. Mas mesmo assim, ele não era fortinho o suficiente...” Respirou fundo, sua voz começou a tremer enquanto falava.
“Ele estava doente... O médico que fez a autopsia afirmou que... Mesmo se conseguisse nascer com vida... Não resistiria muito...” Soluçou colocando a mão em seu próprio peito. “E falou também que eu sobrevivi por muito pouco, a... Gestação era de alto risco. Eu poderia ter morrido a qualquer momento, meu coração não estava aguentando muito a pressão, estava com pouca energia chaos.” Os olhinhos pequenos se abriram, revelando pequenas esmeraldas brilhantes, olhinhos curiosos encararam os de Sonic.
Um pequeno sorriso involuntário surgiu nos lábios pêssego de Sonic, enquanto a pequena mãozinha segurava seu pulso e seus olhos piscavam.
— Oh. — A voz surpresa foi ouvida vinda da porta, os olhos esmeraldas se desviaram dos de sua filha e olhou para aquela direção, encarando os aqua que estavam arregalados de surpresa.
— Você? — Perguntou trêmulo, sua voz falhada sua mão esquerda foi para seu peito. Seu corpo endureceu.
Um pequeno sorriso deslizou pelos lábios róseos, enquanto ela se aproximava lentamente.
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