Should Have Asked For Directions

10 Capítulo 9: Maio - Último ano


Podemos parar? Eu tenho que ir ao banheiro.

Depois de edredons, cestas de roupa, coisas para banheiro, um tapete grande, lençóis e toalhas, Quinn imaginou que ela e Rachel teriam uma ideia muito clara de para onde estavam se encaminhando. Mas não, de alguma forma as coisas estavam ainda mais turvas.

Algo dentro dela se sentia livre e alegre. Observando Rachel rir, provocando-a, importunando-a, lembrando delas juntas, isso fazia Quinn ficar leve. Ela queria aquilo todos os dias e a cada minuto de todos os dias.

Mas então aquela sensação de divertimento se enrolou sobre si mesma e se desfez em seu estômago. Pensamentos a inundaram, pensamentos dos seis meses que ela estava tentando esquecer. Ela se encolheu enquanto pensava sobre os feriados mais recentes e o término delas. Tudo tinha ficado tão bagunçado e tão rápido. Ela mal conseguia olhar para Rachel naquela época por medo do que veria.

Lentamente elas estavam tentando desembaraçar essa bagunça, mas como uma garota de dezoito anos e uma de quase dezoito começavam a desembaraçar algo tão grande? Quinn não fazia ideia. Em todos os dias dos últimos seis meses ela se sentiu perdida. E se fosse ser honesta, isso começou até mesmo antes. Começou em setembro quando elas visitaram Juilliard.

Quinn balançou sua cabeça com a memória. Aquela viagem a destruiu, a destruiu para valer. Ela deveria ter esperado por isso, certo? Pelo menos ela sentia como se devesse ter esperado. De alguma forma pensar que ela deveria ter previsto as coisas a fazia se sentir mais justa.

Não funcionou. Ela ainda se sentia infeliz com a forma com que agiu e com o que tinha feito e deixado de fazer. As sensações se espalharam por ela e seu queixo ameaçou a se soltar novamente. Quando ele pararia de tremer do nada?

Controle Quinn, ela tinha que ter controle.

A um passo de cada vez elas resolveriam aquilo. Elas resolveriam juntas e tudo ficaria bem. Tudo ficaria bem.

“Q?” ela escutou. Ela se virou para a porta do seu quarto quando ela se abriu e uma cabeça loira olhou para dentro.

“Hey Britt,” ela sorriu e mudou de posição na cama. “Entra.”

Brittany sorriu aquele sorriso gigante e inocente e se lançou para dentro do quarto antes de cair com um baque na cama de Quinn. Ela se espreguiçou de costas, esticada em suas roupas das Cheerios, e suspirou de forma relaxada.

“Como foi o treino?”

“A treinadora Sylvester está tentando nos matar,” Brittany murmurou, “e no final de semana! Com certeza isso é ilegal em Ohio.”

“Ela não machucaria vocês de verdade. Você é o pão e a manteiga dela.”

“Ela não quer comer a gente, ela quer nos matar. Ela me colocou em um estilingue humano e a única razão pra ela não ter me atirado foi porque a Santana escondeu o corta-corda dela, o machado que ela ia usar.”

“Oh.”

“Yeah! Então ao invés disso, ela fez a gente correr na pista e disse que a gente não podia parar até chegar ao final. Eu desmaiei antes de conseguir. Eu nunca desmaio!”

“Espera, final do que?”

“Da pista.”

“A pista é um círculo,” Quinn disse e observou as engrenagens girarem lentamente, bem lentamente atrás daqueles olhos azuis brilhantes e mechas loiras. Depois de alguns segundos longos e curiosos, a luz se acendeu por detrás deles.

“Você tem toda a razão.”

“Uhum. Desculpa, B. Ela te pegou nessa.”

“Estou tão cansada de ser pega. É exaustivo,” ela gemeu e aconchegou sua cabeça na curva do braço estendido de Quinn. Balançando-a, Quinn passou os dedos nas mechas loiras de sua melhor amiga, emaranhando algumas. Ela e Brittany se tornaram inseparáveis quando tudo foi abaixo no último inverno. Ela foi a única membra do glee club a consolar Quinn.

Mas Quinn nunca esperou nada menos dela; Brittany a consolou no último ano exatamente como tinha consolado na quinta série durante a aula de ginástica. Quinn girou em volta da barra elevada, perdeu seu equilíbrio e caiu de cara nas esteiras embaixo. Ela as atingiu, forte, como uma panqueca na frigideira, e após rolar, ela olhou para o teto fluorescente brilhante enquanto grunhia e seus olhos pousaram em olhos faiscantes e um sorriso ainda maior.

“Você parece o meu tio Ned depois do Dia de Ação de Graças,” foram as primeiras palavras que saíram da boca de Brittany. Quinn conseguiu controlar seus grunhidos e soltou uma risada. Isso iniciou as coisas de uma forma linda para elas. A inocência de Brittany era intoxicante. Combinava perfeitamente com o entusiasmo de Quinn pela vida na época e seu vínculo com o atletismo as mantiveram lado a lado pelos anos que viriam.

No dia em que tudo com Rachel acabou, oficialmente, Brittany apareceu e Quinn sabia que ela seria aquela amiga do colegial que ela manteria consigo para sempre. Era simples assim. Não haviam jogos com Brittany. O que você vê é o que você tem. Quinn amava nunca ter que duvidar, questionar, ponderar, encontrar coisas subentendidas em suas ações. Nunca havia um nível escondido para analisar.

Brittany amava de forma pura; isso era claro. E, francamente, era tudo o que Quinn sempre quis de todo mundo: amor puro. Então com Britt, ela achou aquilo muito, muito fácil de retribuir. A amizade delas decolou e nunca tropeçou, mesmo nos dias em que Sue fazia de tudo em seu poder para quebrar o espírito das garotas.

“Olha Britt, que tal na sexta a gente roubar o troféu de Treinadora do Ano dela e gelatinar? Podemos deixar na mesa dela na manhã de segunda. Que tal?”

“O que ‘gelatinar’ significa?” Brittany perguntou.

“Fazemos uma grande bacia de gelatina e colocamos o troféu no meio antes que ela endureça.”

“Endureça.”

“Sacudimos forte. E depois tiramos um grande molde das sacudidas, com o troféu dentro, e colocamos na mesa dela,” Quinn sorriu e Brittany se iluminou.

“Isso parece perfeito. Estou dentro,” ela sorriu, se aconchegou mais perto, e deixou seus olhos vagarem pela cama de Quinn. Revistas estavam espalhadas entre livros, um jornal, e pilhas de roupas. “O que está fazendo exatamente?”

“Absolutamente nada.”

“Seu ‘absolutamente nada’ parece muito diferente do meu.”

“Eu deveria estar escolhendo cores de tinta para o meu dormitório.”

“Espera aí, nós nem mesmo nos formamos ainda Q,” ela disse com desdém. “Por que está planejando as coisas para a faculdade? É daqui a três meses. Podemos apenas aproveitar o resto do colegial, por favor?”

“Dois. É daqui a dois meses e porque a minha mãe está me fazendo fazer isso. Ela acha que é terapêutico eu me manter olhando para o futuro. Eles estão tentando me fazer ficar animada por ir embora.”

“Ainda não está entusiasmada com isso?”

“Não estou entusiasmada com nada, na verdade,” ela murmurou.

“Hmm, isso é uma mentira,” Brittany riu e arqueou as sobrancelhas. “Como foi fazer compras no último final de semana com… com a Rachel?” Brittany acrescentou hesitante, esperando que o antigo botão do gatilho estivesse finalmente sem efeito. Houveram tantos momentos nos últimos seis meses quando ela disse o nome da garota e sua amiga se quebrou bem na sua frente. Ela nunca tinha certeza do que estava bem quando mencionava “a garota” para Quinn, mas a chamada de telefone entusiasmada que Brittany recebeu no segundo em que Rachel pisou fora do fusca a contou que esse tópico poderia estar ficando simplesmente um pouco menos delicado.

E cara ela estava feliz com isso.

Ela abraçava mais Quinn no passado, quantos dias tinham seis meses? Seis vezes trinta, às vezes trinta e um, risque o zero… Não, deixe o zero. Risque o um ao invés disso e então, coloque o zero do lado. Espera, onde ela estava?

De qualquer forma, ela abraçou mais Quinn nos últimos muitos dias do que em sua vida inteira. Ela a encontrou em banheiros. Ela a encontrou embaixo das arquibancadas. Ela a pegou chorando no meio da noite durante noites do pijama. Ela até mesmo a encontrou em seu banheiro uma vez e ela estava mais chocada pelo fato de que ela estava chorando enquanto estava sentada na privada do que o fato de que ela estava… sentada na privada.

Cada uma das vezes quebrou seu coração um pouco mais. Era como assistir pinguins bebês perderem suas mães quando elas migreavam pela Antártica.

Migreavam?

Hmm… Pinguins. Eles são tão fofos.

“Foi muito, muito bom em alguns momentos e muito ruim em outros,” Quinn finalmente respondeu e Brittany assentiu em entendimento, sem ter muita certeza do que elas estavam conversando originalmente.

“É assim que eu me sinto assistindo Uma Galera do Barulho,” Brittany constatou. Quinn tropeçou em seus pensamentos.

“Uma Galera do Barulho?”

“Sim. É muito bom quando eles fazem a pista de obstáculos para a semana dos oficiais da reserva e é muito, muito ruim quando o Zach e a Kelly terminam no baile. É de quebrar o coração,” ela choramingou. Quinn apenas balançou a cabeça.

“Certo. Eu e Rachel somos exatamente assim.”

“Ela é tão Kelly nesse relacionamento,” Brittany riu.

“Isso me faz ser o Zach Morris!” Quinn bufou.

“Sim?”

“Eu não sou o Zach Morris.”

“Você é loira, irritável, tem uma bunda grande e poderia manipular um pedaço de sujeira se quisesse! Sem mencionar o seu cabelo perfeito. Você é tão Zach Morris.”

Quinn não tinha palavras, nenhuma.

Nenhuma, qualquer que fosse.

Ela revirou os olhos de brincadeira e aumentou seu aperto na lateral do rosto da garota. Ela amava o conforto puro que sua quase-gêmea dava a ela. Ela poderia ficar assim para sempre. Na verdade, elas passaram muitas noites nos últimos seis meses fazendo exatamente aquilo.

Elas tinham deitado no quintal de Quinn, na entrada da casa de Brittany, no campo de treinamento de 50 jardas da treinadora Sylvester. Estendidas no chão e com medo do mundo por duas razões muito diferentes, elas conversaram infinitamente. Elas contaram estrelas, renomearam constelações porque Quinn não conseguia lembrar o nome delas e Brittany não as entendia. Era como se elas se retirassem do mundo.

Quinn certamente precisava daquilo. E Brittany voava para onde quer que ela fosse.

Ela não se importava se Quinn a levava para as nuvens com ela, contanto que estivesse com Quinn. Na verdade, se Quinn fosse honesta, Brittany era provavelmente a única razão para ela ter evitado o colapso mental pós-Rachel. Haviam tantos momentos nos quais ela quase afundou em um, mas então lá estava Brittany, pronta para reluzir a sua inocência e amor alegre sobre Quinn.

Brittany a salvou de si mesma, de novo e de novo. A amizade delas era o seu lugar feliz. E hoje, na tarde de sábado delas. Quinn não conseguia pensar em nada melhor.

Bem, até a porta abrir e a cabeça de Rachel Berry aparecer.

Aquilo era melhor.

“Rach!” Brittany guinchou. Ela rolou para fora da cama, agarrou a morena em um abraço rodopiante, Rachel guinchando quando ela fez isso, e então a largou.

“Brittany,” ela balbuciou, a timidez a tomando a cada girada de cabelo.

“Wow, é bom escutar você, ver você, tudo isso.”

“Você me vê no glee o tempo todo!”

“Britt,” Quinn advertiu. Ela sabia que o glee não era a mesma coisa. Rachel se sentava no fundo, mal falava, e tentava não se importar. Não era a mesma coisa, não mesmo.

“Não, ela está certa. Você está certa. Eu só estou feliz em te ver aqui, só isso. É legal,” Rachel sorriu e entrou um pouco mais no quarto que não entrava há seis meses. Cada pedaço dele a lembrava delas. Ela já podia sentir o ar escapando de seus pulmões.

Enter sufocamento.

Seus olhos cruzaram os de Quinn por um segundo apertado e pesado e então encontraram a cama bagunçada.

“Wow! Explosão. O que no mundo você está fazendo?”

“Ela está fazendo absolutamente nada. É assim que o seu absolutamente nada parece?” Brittany perguntou. Rachel levantou seus olhos para Quinn e a observou dar de ombros com um pequeno sorriso.

“Não, Britt. O meu não se parece com isso. O que está acontecendo?”

“Planejamento de dormitório.”

“Então você vai?” Rachel jorrou, muito rápido e de forma muito desesperada.

“Quem sabe?” Quinn murmurou e Brittany riu.

Você deveria saber. É a sua faculdade, sua decisão. Por que outra pessoa saberia?” ela cantarolou. Rachel sorriu; não podia realmente argumentar com Britt naquela questão.

Quinn falhou em responder e o silêncio trouxe a tensão para o quarto. Rachel acomodou uma coxa na beirada da cama e deixou seus olhos caírem seguramente em algumas revistas. Se não, ela olharia em volta e veria fotos delas, tantas fotos esquecidas delas. Ela veria presentes dados, bilhetes, Polaroids, e suas roupas antigas.

Revistas eram seguras, muito seguras.

Quinn a consumiu, olhando-a de cima a baixo descaradamente. Ela estava tentando tanto não se lembrar delas quando tudo no quarto gritava elas. Quinn queria tirar a foto picante delas se beijando do seu quadro de avisos e jogar na cara de Rachel. Dizer, “Olhe o que nós somos! Isso é o que nós somos! Lembre-se de nós!”

Brittany se empoleirou em sua posição a três metros de distância, observando Rachel tentando não olhar para Quinn e Quinn incapaz de evitar olhar para Rachel. Quando aquelas duas iriam perceber que eram a lagosta uma da outra?

Deus, isso era ainda mais exaustivo que a treinadora Sylvester. Esqueça.

“Eu vou indo,” ela disse.

Ambas as cabeças chicotearam em sua direção. Isso chamou a atenção delas!

“Britt, não. Você não tem que ir. É sábado,” Quinn lembrou.

“Sim, mas…” ela sorriu, gesticulando ligeiramente para Rachel. A morena compreendeu o significado do gesto e afastou os olhos. Ela deveria ir embora, ela sabia. Ela estava se impondo no dia delas que costumava ser o dia dela. Ela definitivamente deveria ir embora.

Então por que ela não estava indo embora?

Seus olhos encontraram as revistas novamente.

Quinn assistiu todo o processo de pensamento acontecer em seu rosto culpado, mas sem remorso. A loira queria abraçar aquele rosto sem remorso por estar sem remorso. Aquela era a garota de Quinn. Ela sabia o que queria e ela não arredava o pé.

Quinn lançou seu olhar para Brittany e se desculpou com um olhar. Brittany revirou os olhos de brincadeira, soprou um beijo para sua amiga e piscou para Rachel.

“Vocês duas se divirtam. Por favor,” ela acrescentou enquanto pulava para fora.

“Obrigada, Briiiitt,” Quinn gritou enquanto a porta cortava suas palavras.

E novamente, lá estavam elas.

O silêncio do quarto vazio se sedimentou sobre elas outra vez. Rachel encontrou os olhos de Quinn, sorriu levemente e então pegou uma revista. Teria sido confortável se não fosse pelo elefante branco extremamente estranho no canto do quarto… chorando… enquanto se tocava… e cantando “Killing Me Softly”.

Isso que era um elefante estranho!

Elas precisavam de normalidade para ficarem bem.

E elas ficariam bem, Quinn se lembrou. Elas podiam fazer aquilo.

“Hey Rach?”

“Sim?” ela perguntou e levantou a cabeça para Quinn.

“Quer dar uma volta?” Quinn perguntou, erguendo um ombro de forma tímida. Ela não tinha outras ideia ou sugestões e ambas sabiam disso. Rachel sorriu e jogou a revista na cama.

“Eu amaria dar uma volta.”


Quando elas chegaram no parque, o parque delas, elas caíram em sua rotina muito necessitada: uma leve caminhada pela direita descendo o caminho pelas árvores até o lago. Era para lá que elas sempre iam. Bem, era para lá que elas sempre costumavam ir.

“Eu não tenho estado aqui desde o último outono quando nós tivemos aquele jogo de futebol com bandeiras,” Rachel admitiu. “Eu ainda odeio aquele jogo. Ele arruinou a minha linda bandeira.”

Quinn assentiu, segurando o sorriso dentro de si.

“Eu, hm, vim aqui no Dia de Ação de Graças.”

“Ah.”

“Sim,” Quinn murmurou.

Jesus, elas poderiam dançar em volta de seus problemas de forma mais deliberada? Isso dava um aperto de ferro em seu coração e elas caminharam pelas árvores, aleatoriamente chutando folhas espalhadas e pedras enquanto andavam. Os braços de Rachel cruzados sobre o peito e os de Quinn jogados ao seu lado. Eles se contraíram até os bolsos dela, ansiando o esconderijo confortável. Um pássaro passou rápido e pousou no pinheiro acima.

Os olhos de Rachel vagaram até ele e então voltaram para a trilha.

Elas andaram em direção ao familiar banco de piquenique e conjunto de balanços de madeira. Elas passaram tantos dias naqueles balanços. Quinn se lembrava do verão antes do terceiro ano quando o namoro delas trocou a marcha para uma mais alta, muito mais alta. Elas apalparam uma a outra como as adolescentes que eram enquanto estavam no balanço. Algo no lugar meio público, no cenário e no movimento do balanço as excitou além da imaginação.

Quinn riu ao se lembrar de uma mulher idosa que passou por ali um dia e as flagrou. Suas sobrancelhas ficaram da altura das do RuPaul e ela deu um solavanco com o seu pequeno poddle de volta para a trilha e voou para o estacionamento. Quinn enlouqueceu, inicialmente, e começou a se retorcer para longe, mas Rachel disse logo depois, “Se você tirar a sua mão do meu seio você nunca vai colocar de volta,” e Quinn esqueceu a mulher completamente.

Ela esquecia muitas coisas quando se tratava da proximidade de Rachel e seus seios, se fosse ser honesta.

“Você acha que a gente precisa conversar sobre as coisas?” Rachel perguntou, interrompendo os pensamentos lindos de Quinn, e vagou para fora da trilha para se sentar na mesa de piquenique. Quinn estufou suas mãos nos seus bolsos e deu de ombros. Ela nunca sabia o que dizer.

“Que tipo de coisas?”

“Quer dizer, eu sinto como se tivesse uma lista do tamanho de um livro de coisas que precisamos conversar,” Rachel grunhiu com um movimento exagerado de seu braço.

Quinn se sentou na mesa do outro lado e o fato dela sentar de frente para Rachel e não ao seu lado acendia uma luz brilhante e abrasiva do que elas eram agora em oposição ao que costumavam ser.

Nenhuma das garotas gostava daquilo. Alguém alguma vez gostou de luzes grandes e abrasivas?

“Eu não quero piorar as coisas,” Quinn confessou. Ela abaixou a mão e pegou um pedaço de folha em cima da mesa. As árvores se balançavam em volta de sua pequena clareira e Quinn engoliu o ar refrescante.

“Podemos fazer um pacto?” Rachel disse bruscamente e então bateu as mãos em seu colo. Ela ficaram ali apenas alguns segundos antes de grudarem de volta no topo da mesa.

“Depende,” Quinn respondeu.

“Do que?”

“...dos termos do pacto?”

“Oh, certo. Que tal fazermos um pacto de não ficarmos chateadas com nada que a outra disser,” Rachel colocou pra fora.

“Eu acho que isso é muito fácil de dizer e muito difícil de executar.”

“Você provavelmente está certa. Eu só… Quinn, eu sinto falta de conversar. Eu sinto falta de pensar que posso te dizer qualquer coisa. Eu sinto falta de divagar e não sentir medo. Eu sinto como se eu estivesse constantemente escoando pensamentos sobre a minha língua antes de soltá-los porque eu tenho medo de como eles vão soar nos seus ouvidos. Eu não quero me sentir assim mais. Como eu posso consertar isso? Me diga como consertar isso.”

Quinn engoliu a sua dor, esfregou uma lágrima que ameaçava a cair e estendeu sua mão tímida na mesa até a de Rachel. A garota imediatamente se afastou e Quinn prendeu aqueles olhos nos seus. Não dessa vez, Rach. Não dessa vez.

Rachel sentiu a âncora instantaneamente.

Suas mãos deslizaram para a frente e Quinn as pegou.

“Eu sei que há muito para conversar. Qualquer coisa que queira dizer, apenas diga quando quiser, okay? Eu não quero que você pense que vai machucar os meus sentimentos. Nós quebramos uma a outra até os ossos e ambas sabemos disso. Não vamos fingir que não estivemos no fundo do poço e de volta, okay? Então se você quer dizer as coisas, diga. Mas eu vou te dizer agora, eu não tenho estado mais feliz nos últimos seis meses do que quando eu fui comprar lençóis com você. Era a gente e foi divertido.”

Rachel assentiu e Quinn continuou com um leve aperto em suas mãos.

“É isso o que eu quero. Vamos apenas ser. E conversaremos sobre as coisas enquanto isso, se estiver tudo bem pra você?”

“Está tudo bem pra mim,” Rachel sorriu. Quinn sorriu de orelha a orelha, deu um último aperto nas mãos que adorava, e então relutantemente as soltou. No segundo em que o calor de Rachel sumiu Quinn ansiou pelo seu retorno. Ela engoliu isso.

“Que tal você me falar sobre o seu discurso?” ela redirecionou o assunto.

“Estou tendo dificuldades, na verdade. Eu agarrei naquele cabeçalho antes, bem antes disso tudo ir abaixo, e agora eu-”

“Você se sente como uma pessoa diferente.”

“Sim!”

“Eu também.”

“E o seu discurso?” Rachel contrapôs.

“Escrito,” Quinn declarou e balançou suas sobrancelhas uma vez para frisar.

“Como eu sei que você já tem o seu escrito?”

“Talvez seja um sinal,” Quinn cantarolou e jogou algumas folhas espalhadas para fora da mesa.

“Um sinal do quê?”

“De que eu deveria ser a oradora da turma e você deveria fazer o discurso de entrada,” Quinn zombou. Rachel gargalhou e bateu na mesa.

“Você está doida! Minhas atividades extra-curriculares sozinhas acabam com as suas!”

“É baseado na média, Baixinha,” Quinn zombou de propósito. Ela precisava forçar a familiaridade, não importa o quanto poderia ser difícil no começo. Era o que as empurraria de volta ao normal e era única coisa que daria elas uma chance de lutar por mais.

Felizmente, funcionou. Pela primeira vez em seis meses, o apelido teve uma sensação de calor em Rachel e não a de uma bigorna.

“Bem, Come-livro,” a morena começou com um sorriso, “se é baseado na média escolar então definitivamente tudo o que você fará é o discurso de entrada.”

“Eu poderia ser oradora. E eu pensei que a gente tivesse graduado Come-livro para Abelha por pontuação completamente impecável?”

“Em seus sonhos, sua nerd- em ambas as contagens,” Rachel escarneceu. “O posto de oradora era meu no segundo em que pisei naquele colégio.”

Quinn sabia que ela também era de Rachel no segundo em que a garota pisou naquele colégio. Mas aquilo, aquilo era o tipo de coisa que elas não iam dizer em voz alta. Talvez mais tarde? Em algum momento no leito de morte?

“Me fale sobre o seu discurso,” Rachel insistiu.

“Para você poder roubar as minhas ideias?”

“Hm, você vai falar primeiro; seria estúpido da minha parte roubar suas ideias. Seria evidentemente óbvio que eu as roubei. Essa falta consciência mental foi o que te fez ficar com o discurso de entrada em primeiro lugar.”

O queixo de Quinn atingiu a mesa e seu sorriso escapou.

Não, o que realmente a fez ficar em segundo lugar foi seu amor eterno por Rachel Berry e não precisar de nada além daquele sorriso enorme para respirar. Se Rachel estivesse sorrindo, Quinn estava vivendo. Logo, Quinn deixou Rachel ser a oradora.

Rachel balançou a cabeça.

“Eu estou vendo o que você está fazendo na sua cabeça agora,” ela declamou. “Eu estou vendo. Eu estou vendo você justificar isso com se tivesse dado algo para mim. Não se atreva!”

Quinn explodiu em uma risada, inclinando-se para trás, libertando-a, e agarrando seu abdômen que sacudia. Deus, ela tinha sentido falta dessa garota.

“Viu? Eu sabia,” Rachel grunhiu. “Vamos andar. Podemos andar? Você é muito irritante para eu ficar olhando,” ela sorriu e jogou uma folha em Quinn. A loira ficou parada, revirou os olhos uma vez e seguiu Rachel pela trilha de costume.

“Olha, eu não quero arruinar o meu discurso para você,” Quinn respondeu. “É um momento qualificante e será grande, para nós duas, você como ouvinte e eu como discursadora. Eu não quero tirar isso da sua experiência de graduação. Exatamente como eu não quero saber o que você vai dizer antes que você discurse.”

“Discursadora não é uma palavra, Discurso de Entrada,” ela ironizou com uma cotovelada na lateral de Quinn. A ação inocente e brincalhona forçou um rolo compressor a passar sobre o coração de Quinn.

Mas ela engoliu aquilo também. Quando o seu estômago ficaria cheio?

Ela suspirou, alcançou Rachel andando na frente, e percebeu um leve franzir se espalhar sobre aquele rosto adorável.

“O que é?”

“Não é nada.”

“Fale, mulher,” Quinn ordenou.

“É só que, eu estava com medo de passar a graduação fazendo um discurso para uma multidão de pessoas sem ninguém entre elas que se importasse comigo.”

Quinn parou, quando Rachel não fez isso ela estendeu a mão, agarrou seu pulso e a fez parar também. A eletricidade trovejou pelo contato.

“Espera, e-e-explica isso.” Ela podia ignorar o calor. Ela podia.

“Quer dizer, você sabe. Eu não tenho falado com ninguém além do Puck nos últimos seis meses. E ele é o Puck,” Rachel acrescentou e Quinn se encolheu contra a sua vontade. Ela ainda se encolhia. “Eu estava preocupada em ser tipo o fantasma do McKinley fazendo um discurso lá em cima. As pessoas virariam e sussurrariam, ‘Aquela é a garota que costumava cantar.’ Nenhuma dessas pessoas realmente me conhecem ou se importam. E você acabou de se reaproximar. Foi por isso que eu pensei-”

“Espera, eu me reaproximei? Rach, eu não parei de me importar com você nem por um segundo.”

“Desculpa. Eu não quis dizer isso, eu, isso é um ótimo exemplo do que eu estava falando mais cedo,” ela franziu o cenho e timidamente se libertou do aperto de Quinn. Ela precisava daquela mão fora de seu pulso e precisava agora. Ela precisava que o formigamento parasse. “Sinto muito. Eu não quis dizer isso.”

“Não, eu sinto muito,” Quinn suspirou. “Eu disse para que dissesse o que estivesse quisesse. E você disse. Então!” ela arquejou e passou uma mão pelo cabelo antes de girar sua cabeça para encontrar os olhos de Rachel. “Eu vou simplesmente dizer isso para o que falou: você nunca vai fazer um discurso para um auditório cheio de pessoas e não ter pelo menos uma que se importe.”

“Como você sabe?”

“Porque eu sempre vou estar lá, na frente e no centro,” os olhos de Rachel se atiraram para as suas âncoras, suas lindas âncoras em um tom brilhante de avelã. “E eu imagino que você vai fazer muitos em sua vida. Eu vou estar lá.”

Como Rachel pensava que seria capaz de superar essa garota e parar de amá-la? Ela era profundamente ingênua.

E antes que ela soubesse, ela estava dando um passo para a frente e tomando Quinn em seus braços. Ela precisava disso. Ela precisava disso por mais razões do que ela alguma vez admitiria para si mesma.

“Obrigada,” Rachel sussurrou e piscou para afastar a umidade. Ambas as garotas se contraíram de forma estranha antes de Quinn deixar Rachel envolver completamente seus braços em volta dela. A estranheza caiu por terra junto com as suas inibições e Rachel abraçou mais forte, descansou seu queixo no ombro de Quinn e se agarrou como se a vida dependesse disso. “Obrigada,” ela murmurou novamente. “Por tantas coisas.”

Quinn não conseguia acreditar; Rachel estava abraçada com ela e agradecendo a ela. Seis meses atrás ela desejava que ela estivesse morta. Agora ela estava agradecendo.

Todas aquelas engolidas se forçaram para cima e ela queria sacudir Rachel no ar, rodá-la e gritar com alegria antes de antes de colocá-la no chão, beijando-a de maneira boba, e lembrá-la de como elas costumavam se amar.

Mas não, ela deveria ficar calma. Ela deveria. Passos de bebê eram a chave. Ela podia fazer isso. Elas podiam fazer isso.

Elas podiam abraçar. Ela sabia como abraçar.

Ela deixou seus braços envolverem a cintura de Rachel. Seus ombros ficaram mais perto. Sua cabeça descansou no cabelo de Rachel. E por último, todos os seus músculos apertaram mais até que elas estivessem agarrando uma a outra por todas as razões configuradas em seu DNA.

Rachel a respirou. Se aquilo era o que sua amizade com Quinn seria, ela não tinha argumentos. Ela virou sua cabeça, enterrou-a no pescoço familiar e agarrou firme. Ela sentia Quinn a toda sua volta e ela nunca mais queria deixá-la ir embora novamente. Ela não podia suportar outros seis meses sem aqueles braços como sua rede de segurança, sem aqueles olhos como suas âncoras, e sem aquela graça como a sua leveza.

Ela ansiava por cada pedaço dela. E ela sabia que Quinn ansiava por ela também. Ela via aquilo em seus olhos. Ela via aquilo nos reflexos enterrados. Ela via aquilo no jeito que aquelas mãos se contraíam nos bolsos de Quinn apenas para se prevenirem de tocá-la. Rachel definitivamente via aquilo.

E ela sabia que a amizade apenas duraria o suficiente. Ou elas implodiriam definitivamente ou encontrariam seu caminho para casa. Mas aquela amizade, bem ali apertada como um grande saco de batatas nos braços de Quinn, aquilo bastaria por enquanto.

“Eu sinto muito,” Quinn murmurou nela. “Eu sinto tanto.”

“Eu também, Abelha. Eu também.”