Shizuo in Wonderland
1 Capítulo ùnico: Abaixo de Ikebukuro
Notas iniciais
Heiwajima, Shizuo.
Já era noite quando recebi ordens para levar a última entrega ao último destinatário. Estava gostando desse emprego novo. Nada de ter de lidar com pessoas, apenas transportar mercadorias daqui a ali garantindo que nenhum metido à besta tocaria na encomenda. Bem diferente daquele último emprego de atendente naquele maldito fastfood. Argh! Só de lembrar já ficava irritado. Quem aquele desgraçado pensava que era para me fazer repetir todos os sabores de pizza que possuía o estabelecimento para, no fim, só querer uma água? Maldito! Ele pediu por aquela surra! E eu pedi para ser demitido. Tsc... Mas... agora era diferente! Trabalhar para pessoas suspeitas em Ikebukuro tinha as suas vantagens! Não precisava lidar com ninguém agora, precisava apenas cortar as ruas com rapidez em sua moto novinha e entregar coisas em lugares ainda mais suspeitos que meus próprios misteriosos patrões. Que se dane. O salário chegava limpinho no fim do mês, era tudo o que importava! Quem precisa conhecer quem paga?
Peguei, sem mais demoras, a caixa de papelão pesada que depositaram à minha frente e amarrei-a à traseira da moto, montando-a e seguindo para o endereço indicado no cartão que me entregaram. Era uma rua de Shinjuku. Tsc... Mais lembranças ruins. Como mesmo que Celty havia me dito para agir nessas horas? Ah! Isso mesmo... Respirei fundo e contei até dez tentando limpar a minha mente que se infestava de pulgas.
Liguei a moto. O roncar de seu motor em ação fez-me sentir algo deliciosamente prazeroso por dentro, de modo que dei a partida e, em menos de cinco minutos já me encontrava na avenida movimentada em direção àquele maldito distrito.
Foi quando aquilo aconteceu. Rápido demais para que eu entendesse o que diabos estava havendo! Uma leve sensação espalhou-se por minha nuca, como uma respiração quente, próxima demais para não incomodar. Olhei rapidamente para trás, sem descuidar-me do transito movimentado, seguindo agora por um espaço mais estreito, com bem menos carros que a avenida.
Não havia ninguém na moto atrás de mim. Algo me surpreendeu quando voltei meu olhar para a minha frente. Havia um vulto negro parado e eu ia em sua direção, a velocidade alta. Freei bruscamente impedindo o choque e deixando o trânsito um pouco caótico em minha retaguarda. Demorei um pouco a voltar a mim depois de descer da moto. Seria melhor que não tivesse voltado. Tsc...
— Ora, ora, ora! Está indo me fazer uma visitinha, Shizu-chan? —Aquela maldita voz! Aquela maldita silhueta! O ódio me tomou de uma forma tão avassaladora que mal notei que, da cabeça daquela pulga miserável, saíam longas e brancas orelhas de coelho!
—Maldito! Vai se arrepender de ter cruzado meu caminho hoje... —precisei de um esforço sobre-humano para articular as palavras de modo inteligível, caso contrário soaria apenas como um grunhido, e o que eu mais queria era que aquele miserável entendesse bem minha ameaça. Ameaça não! Premonição.
—Que cruel, Shizu-chan! É assim que recebe um velho amigo que não vê faz tempo?
—Vou fazer você... —aproximei-me de um poste próximo, arrancando-o de maneira lasciva de seu lugar, empunhando-o como um delinquente empunharia, ameaçadoramente, uma simples barra de ferro. —...calar essa sua maldita boca... —avancei como um animal em fúria na direção do meu inimigo. —...PARA SEMPRE!!!!!
Ele esquivou. Lógico que se esquivaria. Insetos são ágeis. Sua risada divertida me deixava ainda mais louco.
—Isso, Shizu-chan! Vamos começar um jogo novo! —o desgraçado correu fazendo sinal para que eu o seguisse. Não precisava daquele sinal! Eu o alcançaria! E o mataria!
—A temporada de caça ao coelho... —ele disse enquanto desviava de um bueiro aberto no último segundo, deixando-me desorientado, sem notar a presença da cratera. Minha queda foi inevitável. Ouvi de longe o eco de sua voz enquanto caía por aquele bueiro que parecia não ter fim—...está oficialmente aberta!
Merda. Fundo demais. Isso ia doer.
~II~
Meus ossos doíam. Tinha os fraturado mais uma vez, podia sentir! Inferno! Sentia um piso gelado nas minhas costas, apoiando minha inércia. Esgotos tinham piso? Abri meus olhos para ver melhor onde estava. Tinha caído no teto. Sim, no teto! E, agora, caía corretamente no chão. Mais dor.
Ergui-me daquela loucura analisando a sala onde me encontrava, agora, não mais de cima e sim da posição certa.
Era grande. Absurdamente grande. Uma daquelas salas de entradas de casarões dos granfinos de outros países do século passado que, geralmente, apareciam naqueles filmes mela-cuecas de romance baseados em livros mais mela-cuecas ainda. Tsc... O que diabos aquilo fazia no subsolo de Ikebukuro? Nada fazia sentido!
Havia uma grande mesa no centro daquela sala. Tinha algumas coisas postas para um lanche, mas ignorei ao ver de relance um par de orelhas brancas passarem por mim. Estava lá, no chão, minúsculo como o pequeno polegar, e acenava para mim com um sorriso zombeteiro nos lábios.
—IZAYAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!! —gritei correndo, desajeitado por estar todo quebrado pela queda na direção daquele rato, mas este entrara em uma porta, tão minúscula quanto ele. Obviamente, eu não passaria por ali. E tudo doía. E estava com fome.
Tsc... Aproximei-me da maldita mesa convidativa. Para minha surpresa, havia uma grande garrafa de leite com uma etiqueta enrolada ao seu redor.
“Beba-me!”
Era o que se lia no papel. Bem... Eu não perdia nada dando uns goles. Aquilo aliviaria a dor em meus ossos e deixá-los-ia mais fortes.
Desarrolhei a garrafa e tomei goles generosos dela.
Algo muito estranho começou a acontecer com o meu corpo. Todos os meus membros começaram a crescer desordenadamente, logo já estava grande demais para ficar naquela enorme sala, transformada em algo diminuto e apertado. Ela diminuíra ou eu crescera? Difícil saber. O que faria agora? Mal conseguia mover-me!
Senti algo catucar meu pé. Era uma menina de seios fartos e cabelos lisos, cortados rentes ao queixo. Já tinha a visto andando com Kida antes, mas, agora, ela possuía duas orelhas de rato e uma calda. Estava tão pequena quanto o maldito que me escapara por pouco ainda agora. Deixou algo próximo ao meu pé e correu para longe, entrando na mesma portinha que Ele entrara.
Abaixei-me com dificuldade e peguei o que a menina deixara ali. Era uma bola de queijo branco com uma nova etiqueta o embrulhando.
“Coma-me!”
Que estranho. Mais uma vez, o que eu tinha a perder? Se algo mais estranho do que aquilo acontecesse ele procuraria aquela menina e faria ela pagar. Não. Não batia em mulheres.
Apenas para experimentar, retirei o embrulho do queijo e peguei um pequenino pedaço, levando-o a boca. Tinha um gosto bom.
Dentro de minutos, estava em meu tamanho original.
Interessante. Então o leite aumentava e o queijo encolhia? Sem mais demoras enfiei o queijo quase todo na boca. Aquela pulga ordinária ia encontrar seu fim hoje! Agora nada o impedia de ir atrás dele! Estava tão pequeno que passaria sem problemas pela portinha no canto da sala. Nada o salvaria de mim, nada!
~II~
O mundo atrás da porta era muito esquisito. Parecia um imenso jardim selvagem com plantas loucas as quais eu nunca tinha visto na minha vida! Mais uma vez me perguntei como diabos aquilo podia estar embaixo de Ikebukuro esse tempo todo!
—O que faz aqui, viajante da superfície? —A voz me chamou a atenção de imediato. Era uma imensa lagarta azul, apoiada no tronco de uma árvore, distribuindo panfletos sobre uma casa de chá. No panfleto se lia “Chapeleiro Russian’s Tea”. O rosto da lagarta lhe parecia familiar. — Gostaria de provar um chá russo? O chá russo é o melhor! Venha viajante-san!
—Ah! Simon! —disse pegando um dos panfletos. Não costumava agir com tanta gentileza, mas ele era um rosto conhecido em um lugar estranho. Talvez houvesse visto a pulga maldita passar por ali.
—Ah, Shizuo! Não havia o reconhecido! —Sorriu-me a lagarta. —Quer um cupom de desconto no chá de hoje? Está um espetáculo!
—Não Simon, eu passo por hoje. Mas... Você viu alguém passar por aqui antes de mim? Alguma pulga desprezível que merece levar uma boa surra? —pela aspereza em sua voz Simon saberia, com toda a certeza de quem se tratava.
—Ah, se se refere ao coelho branco? Izaya-san esteve aqui há alguns minutos. —o sorriso de Simon começou a me irritar profundamente. Tranquei as mãos em punho.
—Para onde ele foi?
—Ele pegou um cupom de chá e se dirigiu ao Chapeleiro... A promoção está realmente imperdível hoje!
—Me dê um cupom de desconto.
Simon me vencera pela primeira vez. Eu compraria seu produto, e esperava que aquilo não fosse apenas lábia de comerciante. Ele tinha de estar lá. Preparado para morrer!
~II~
Cheguei ao local onde o panfleto me levava em algumas horas de caminhada. Não se tratava de um estabelecimento grande e luxuoso como eu tinha imaginado. Era apenas uma mesa grande, com apenas três ocupantes sentados. Todos bebericavam chá.
Reconheci de pronto a menina-rata que me dera o queijo mais cedo, sentada em uma das extremidades. Encarava-me inexpressiva e, possivelmente, sonolenta. Na outra extremidade da mesa estava sentado um jovem com longas orelhas felpudas, mas não eram as orelhas brancas de coelho que estava procurando, eram orelhas marrons, de lebre. O garoto era pequeno e franzino, possuinte de uma cabeleira curta e arrepiada completamente negra. Encarava-me meio temeroso. Parecia um ratinho assustado. O papel de rato cairia melhor nele do que na garota.
—Miiikadoô! —cantarolou uma voz que eu conhecia bem. Seu tom era alegre e divertido, bem como eu me lembrava. —Anri-chan!
Ambos os ocupantes da mesa voltaram sua atenção ao ocupante do lugar de destaque da mesa. Era baixo, loiro, meio franzino e usava uma cartola amarela que ficava meio desproporcional em sua cabeça. Masaomi Kida.
—Temos um cliente! Ora que coisa mais divertida! —Kida levantou-se e caminhou em minha direção. Nenhum sinal do coelho pulguento! Simon havia me passado para trás.
—Maldição! —verbalizei entre os dentes trancando forte as mãos. Kida arregalou os olhos e logo em seguida franziu o cenho tentando entender a minha reação estranha.
—Algum problema, Shizuo-san? —Perguntou o garoto cruzando os braços.
Eu estava fora de mim. Avancei em sua direção, segurando-o pelo pescoço, enforcando-o contra uma árvore, cego de ódio.
—Onde ele está? Onde aquele maldito coelho pulguento está? —perguntava repetidamente enquanto apertava-o ainda mais contra a árvore.
Mikado, a lebre, fora o primeiro a demonstrar alguma reação. Pulou da cadeira, segurando-me pelo braço, demonstrando uma audácia que eu jamais atribuiria a ele. Arriscava a vida para salvar seu amigo.
—Solte-o, por favor, Shizuo-kun. Posso lhe dizer onde Izaya-san está, mas solte Kida-kun primeiro. —o pivete não parecia estar blefando. Na verdade, estava muito mais seguro de si, diferente da impressão que tivera ao encontra-lo sentado à mesa. Logo, soltei o loiro, que tossiu um pouco após cair de quatro no chão, segurando a garganta que lhe doía.
—Onde está? Onde aquele maldito está? —Repeti fulminando a lebre com o olhar. Ele simplesmente apontou para um castelo que ficava no fim do horizonte.
—Izaya-san trabalha para a rainha vermelha. Ele foi na direção de seu castelo. Deve estar lá agora! Mas, advirto-lhe, o caminho até o castelo é repleto de armadilhas e perigos! Dificilmente chegará lá vivo!
Dane-se. Morreria com gosto, mas mataria o infeliz antes! Arrastá-lo-ia para o inferno juntinho comigo.
Comecei a caminhar em direção a floresta, seguindo fixamente a imagem do castelo no horizonte. Mikado, a lebre, pôs-se ao lado de Kida enquanto eu saía e, muito preocupado com seu estado, ajudou-o a pôr-se de pé, enquanto Anri, a rata, nem se movia de sua posição na mesa de chá. Parecia um robô.
Bem, nada disso me interessava. Tinha uma longa caminhada pela frente.
~II~
Estava com fome. Muita fome. Já estava caminhando há quatro horas e quanto mais eu caminhava, mais a figura do castelo tornava-se distante ao meu olhar. Aquilo me irritava ainda mais... E, quanto mais irritado, mais motivação eu tinha para perseguir aquele maldito castelo.
—Impressionante... —Eu escutava uma voz pairando no ar, mas não havia ninguém próximo a mim. —Achei que fosse desistir a qualquer momento, mas, quando pensei que finalmente o faria, você retomou suas forças e seguiu ainda mais resoluto. —uma risada divertida e impressionada soou bem próxima a mim. Virei-me. Não havia ninguém.
—Você é realmente interessante, Shizuo-kun. —disse a figura de um rapaz de óculos, feições finas e orelhas e calda de gato. Trajava um jaleco branco, segurava nas mãos uma prancheta e uma caneta. Olhava-me com excesso de interesse. Eu conhecia aquele olhar.
—Agora não, Shinra. —murmurei com um suspiro enquanto o ignorava e continuava a caminhar, com ambas as mãos nos bolsos. —Tsc... não tenho tempo para isso!
—Ainda não percebeu que quanto mais anda mais o castelo fica longe? —assustei-me com a aparição repentina de Shinra bem na minha frente como se fosse um fantasma materializado.
—Diabos! O que pretende me assustando desse jeito? —ralhei.
—Apenas fazer você enxergar! Não vê que não conseguirá chegar no Castelo de Copas por aqui?
—E como raios eu chego nele então? —perguntei, farto daquela baboseira toda.
—Posso até te dizer, mas... vou querer algo em troca. —Eu já deveria imaginar. Nada é de graça nessa vida e, conhecendo Shinra como conheço... Já até imaginava o que ele iria querer.
—A resposta é não. —Disse de forma simplória começando a caminhar.
—Ah! Não, Shizuo-kun! Só uma estudadazinha! —Shinra começou a me seguir, fitando-me de modo apologético, segurando a prancheta contra o peito como uma colegial levaria sua pasta. Ridículo.
—Não. —Mantive-me impassível.
—Como pretende chegar ao castelo sem a minha ajuda então? Vai morrer de fome! —Atacou.
—Vou chegar com as minhas próprias pernas. —Esclareci.
—Impossível. Somente eu possuo o poder necessário para leva-lo até a montanha do Castelo de Copas. Deixe de ser teimoso, homem!
—Onde está Celty? —Perguntei esperançoso. A amiga seria a única que conseguiria convencer Shinra a leva-lo lá sem mais delongas e atos desnecessários.
—Segundo a autora, ela não vai aparecer nessa fanfic! —Atalhou ele, de pronto.
Tsc... Maldita autora! Mataria ela após dar cabo de Izaya.
—Shinra, se contentaria com uma amostra de sangue, apenas? —tentei.
—É tudo o que terei de você, não é? —perguntou com o olhar meio conformista.
Assenti com um sinal de cabeça.
—Está bem, vamos lá. —estendeu a mão no ar e uma seringa e um látex apareceram como que por magia em sua mão estendida. Jogou a prancheta em um canto qualquer e amarrou meu braço.
A picada da agulha foi incômoda, mas nada que eu não pudesse aguentar. Shinra guardou o frasco com o líquido escuro e denso que retirara de minhas veias no bolso do jaleco e mandou que eu me segurasse nele.
Aproximei-me por trás, passando os braços ao redor de sua cintura de modo firme, colando nossos corpos para que não se soltassem tão cedo.
—Feche os olhos. —Comandou ele. O obedeci de pronto.
Em menos de dois segundos, Shinra alertou-me que eu já poderia abrir os olhos caso quisesse e, assim o fiz. Estávamos diante de um muro alto e luxuoso que parecia não ter começo e também não ter fim em suas extremidades. Nenhum sinal de um portão por perto.
—Bem, só tenho permissão para acompanhá-lo até aqui! —Disse Shinra dando meia volta para partir assim que o soltei.
—Espere! Como faço para passar por esse muro infernal? —perguntei antes que ele se fosse.
—Ora, Shizuo-kun, como vou saber? Nunca o adentrei antes! Sorte em sua busca! —E com uma última risada, Shinra, o gato, sumiu no ar como que feito de poeira.
Maldito seja Shinra! Precisava urgentemente espancar alguém até a morte.
~II~
Caminhei horas a fio a procura de uma entrada. Nada. O muro parecia uma fortaleza impermeável! Sentei-me próximo àquele maldito muro para descansar um pouco.
Respirei fundo e olhei para o céu. O sol parecia estacionado na mesma posição de quanto cheguei aqui nessa terra de doidos. Mas... já faziam muitas horas que caminhava por lá! Como seria isso possível? Ah! Que se dane! Astrologia nunca fora meu forte mesmo.
—Olhe Érika! Olhe quem está aqui! —ouvi mais uma voz conhecida acima de minha cabeça. Virei-me para o muro para saber de onde ela vinha.
—Shizu-chan veio salvar Izaya-san da rainha má para viverem felizes para sempre como em um conto de fadas BL! —a menina tagarelava sonhadora para o companheiro, ambos sentados em cima do muro lendo uma pilha com mais de cem mangás diferentes. Eram Yumasaki Walker e Karisawa Érika, amigos de Dotacchin. Afinal de contas, quem tinha colocado esse apelido tão idiota em Kadota?
—Hey, vocês! Não estou com paciência para piadas! Me digam como raios entro nesse lugar! —Disparei com cara de poucos amigos.
—Foi mal aí grandão! Mas temos ordens da rainha para não deixar ninguém passar! —Disse Walker, porém Érika imediatamente segurou-lhe o braço pedindo atenção.
—Não vê que ele veio atrás de Izaya-san e você está nos colocando entre ele e o amor verdadeiro? Deixe-o passar Yumasakiiiiiii! —Atacou a menina que só sabia dizer coisas irritantes e sem sentido. —Pode passar, Shizu-chan! Dê um beijo caloroso e molhado em Izaya-san assim que o encontrar! —Continuou, coltando-se para mim com um límpido sorriso nos lábios enquanto o muro a minha frente se dividia em dois, transformando-se em uma passagem.
Com certeza eu daria algo à Izaya quando o encontrasse, mas não seria um beijo. Sorri sadicamente enquanto passava por eles que voltavam a ler seus mangás despreocupadamente enquanto eu me afastava, cada vez mais perto do castelo.
~II~
O jardim no qual estava era algo totalmente diferente do restante de tudo naquele lugar. Era absurdamente parecido com Ikebukuro em seus tempos de turbulência e lutas entre gangues! Estava um caos absoluto, e garotos delinquentes enfrentavam-se em toda a parte, trajando cores vibrantes ou azuis ou amarelos. Tsc... Aquilo me deixava ainda mais irritado! Odiava profundamente a violência!
Caminhei pronto para que algum daqueles infelizes tentasse me conter, mas nenhum deles parecia ter algo contra minha entrada no castelo, pelo contrário: abriam espaço para que eu passasse.
Ainda mais estranhamente, as enormes portas do castelo vermelho como sangue abriram-se como movidas por mágica ao que parei a sua frente. Adentrei-o. Já podia sentir o cheiro de Izaya pairando no ar e aquilo me animava. Ele estava perto e eu o mataria.
—Izaya-kuuuun... —chamei-o em um ritmo melódico enquanto caminhava pesadamente pelos corredores, seguindo seu cheiro. —Izaya-kuuuun! Não adianta se esconder de mim! Sei que está aí!
—Hey, Shizu-chan... Quem disse que minha intensão era me esconder de você? Isso não seria nada divertido. —o maldito apareceu no final do corredor. Aquelas orelhas brancas de coelho movendo-se de um lado para o outro. Corri como um animal em sua direção mas ele afastou-se no último segundo fazendo-me bater com tudo na parede, quebrando-a e saindo em outro cômodo, atordoado pela batida.
O novo cômodo onde me encontrava parecia a sala principal daquele castelo. Não. Parecia algo mais do que isso. Uma espécie de arena que exibiria um espetáculo para apenas um telespectador. Esse telespectador estava sentado em um trono, muitos metros acima do chão onde me encontrava. Finalmente eu conheceria a famosa Rainha Vermelha. Estreitei os olhos para ver de quem se tratava e, quando finalmente distingui a silhueta, meu sangue ferveu em minhas veias.
—IZAYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!! —berrei, impossível de me controlar.
Izaya estava sentado majestosamente em um trono vermelho, seu casaco era da mesma cor que o assento, uma coroa na cabeça e três bonecos em seu colo. Bonecos de corda, utilizados por ventríloquos como marionetes.
—Bem vindo ao meu tabuleiro, Shizu-chan! Espero que aprecie a noite pois você é a minha peça principal! —ele exibia um sorriso cínico e desafiador quando ergueu o primeiro boneco. Era amarelo e tinha a aparência de Kida.
Instantaneamente milhares de membros da gangue dos lenços amarelos apareceram a sua direita e começaram a atacar-me.
Movido por aquela fúria que impregnava até meus ossos, abati-os com destreza de modo que poucos conseguiam chegar perto de mim. Deliciado pela visão que contemplava, Izaya erguera o outro boneco, um boneco azul, com a aparência de Mikado. Instantaneamente, milhares de pessoas descoloridas se juntaram aos membros da gangue dos lenços amarelos tornando a situação um pouco mais difícil para mim. Mas comtinuei. Acertava-os por onde apareciam e muito poucos foram os que conseguiram me ferir... Mas, quando pensei estar quase derrotando a todos, fui imobilizado por Simon, que deixara de ser uma lagarta azul para se tornar um dos homens sem cor.
—IZAYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!! O QUE PRETENDE COM ISSO SUA PULGA MALDITAAAAAAAAAAAAAAAAAAA????????????? —berrei novamente ao me ver sem ação. Izaya pulou de onde estava indo ao chão com a destreza de um gato arisco. Caminhou com passos lentos em minha direção, o sorriso jamais abandonando seu maldito rosto.
—Não é claro para você, Shizu-chan? Eu venci mais uma vez... —dizia-o com o rosto a poucos centímetros dos meus. —Logo você acordará como uma princesa de conto de fadas, mas não terá o seu emprego... Estará arruinado mais uma vez e tudo graças a mim! —caiu em uma gargalhada estridente e irritante após terminar de concluir a fala.
—Sua pulga maldita! Me solte e lute como um homem! —Brandi tentando sair do aperto de Simon.
—Sabe, Shizu-chan? É isso o que mais gosto em você. Essa sua audácia e imprevisibilidade... Nunca se dá por vencido e é realmente impossível para um bom jogador o vencer... —Lógico... —Seu sorriso cresceu enquanto exibia a última boneca. Uma réplica vermelha de Anri. —...a menos que esse jogador seja Orihara Izaya, o informante que tudo sabe, que tudo vê e tudo manipula.
Nesse instante, Anri saiu das sombras portando uma katana afiadíssima. Seus olhos estavam vermelhos como sangue, seu rosto ainda robótico e inexpressivo. Empunhava a espada contra mim. Ia cortar minha cabeça. Fechei os olhos.
—Aprecie a viagem, Shizu-chan... logo acordará como uma princesa de conto de fadas... Mas completamente arruinado. —a voz de Izaya foi a última coisa que ouvi antes que minha cabeça rolasse pelo chão.
Era muito esquisito. Eu estava morto, não estava? Então, por que sentia que havia alguém deitado sobre mim? Por que sentia lábios quentes e macios pressionados sobre os meus? De repente, comecei a sentir melhor o mundo a minha volta. Havia uma cama sob minhas costas. Sentia travesseiros sob minha cabeça. E, a presença que me beijava saiu de sobre mim ao perceber que recuperava os sentidos. Estava ainda muito atordoado quando abri os olhos e enxerguei um vulto de casaco negro felpudo correr para fora do quarto onde eu estava. O lugar tinha cheiro de pulga mas isso talvez ainda fossem resquícios do pesadelo horrível que tivera.
“Acordará como uma princesa...”
Havia sido acordado com m beijo de um desconhecido...
“E estará completamente arruinado!”
De repente me dei conta de algo. Sentei-me na cama em um sobressalto, com o coração disparado. Olhei para o lado e havia uma carta pendida sobre a cômoda do meu quarto. Sim, eu havia sido trazido para o meu quarto.
Peguei o papel, mas não se tratava de nenhuma declaração de alguma admiradora secreta, mas sim uma carta de demissão. Minha demissão do último emprego que conseguira. Motivo: “cochilar em serviço.”
Meu sangue ferveu nas veias. Naquele instante percebi que não havia sido acordado com o beijo de nenhum desconhecido! Muito pelo contrário... Conhecia muito bem aqueles lábios! Bem mais do que queria conhecer... Tsc... Aquela pulga maldita!
—IZAAAAAAAAAAAYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!! —Fora a única coisa que tive forças para gritar antes de ser impelido por um novo ataque de fúrias. Matá-lo-ia, com toda a certeza!
Notas finais
1- Quem o contratou como motoboy fora o próprio Izaya.
2- Izaya acertara um dardo tranquilizante na nuca de Shizuo enquanto ele ia para Shinjuku.
3- Izaya tem a chave da casa de Shizuo, por isso o deixou em seu quarto com tanta facilidade...
Hehehehe, essa é minha primeira fanfic a qual não utilizo personagens próprios... espero que tenham gostado! Voltem sempre!!!!!
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