Shiver

66 Capítulo 66


Notas iniciais
helloo, my loves! sentiram minha falta? (citando[ish] o morzan no último capítulo, mas faz tanto tempo que não sei nem se vocês lembram sjaksjak a tragédia gente,,,,,) estou devendo um pedido de desculpas assim ENORME para vocês, e nem sei por onde começar. não atualizo há séculos por motivos de tcc, mas logo logo termino a parte escrita dele e espero que fique as coisas melhorem ao menos um pouco depois disso. prometo que fiquei pensando em vocês (e me sentindo culpada demais kk) esse tempo inteiro e que estava morta de saudades ♥ espero que gostem do capítulo!

Chovia do lado de fora das paredes do castelo da Senhora Lorana, mas Selena acordou se sentindo muito aquecida e muito confortável. Sentou-se na cama devagar, erguendo os cobertores para se proteger do ar frio, e perdeu alguns instantes olhando em volta e relembrando a noite anterior. Precisou tatear junto ao pé da cama em busca de sua camisola, e vestiu também o seu robe vermelho antes de se levantar, amarrando os cordões dourados em volta da própria cintura com um nó frouxo.

Morzan estava sentado no sofá do centro do aposento, um pergaminho em uma mão e uma bandeja com o desjejum na mesa baixa à sua frente. Ela se sentou ao seu lado, dobrando os joelhos e juntando os pés sobre o sofá, e ofereceu a ele um sorriso pequeno e tentativo. “Bom dia.”

Ele sorriu como se se divertisse. “Dormiu bem?”

“Sim,” Selena respondeu, e então se demorou no fato, considerando se seria surpreendente. “A noite passada foi... diferente,” disse, como se precisasse explicar. “Eu fiquei absurdamente feliz em te ver, é claro, mas mesmo antes. Fiquei menos perturbada do que esperava ficar.”

Morzan parecia absurdamente satisfeito, mas disse apenas, como se não houvesse esperado nada diferente, “Eu disse que ficaria mais fácil.”

“É, bem...” Selena encolheu os ombros, e então escolheu um biscoito da bandeja e se aninhou melhor contra ele. Cuidadosamente, apontou, “Eu ainda preciso visitar Aroughs. Combinamos que você só me buscaria na última cidade.”

“Eu vou com você,” ele disse, com pouco caso, afastando com facilidade o comentário. “Quero você de volta em Urû’baen comigo.”

“Está tudo bem?”

Morzan se limitou a assentir. “Você disse que queria conversar?”

“Sobre Aleifar,” ela confirmou, mas já mais hesitante. “E Lorana. Você chegou a saber o que aconteceu naquele primeiro jantar, no dia em que ele chegou à Feinster?”

“Adam relatou tudo a Jaime, é claro,” Morzan respondeu, e Selena mordeu o interior da bochecha, incomodada. “Mas ele considerou que não era urgente, então decidi esperar que você me contasse em pessoa, como pediu.”

Ele não soava preocupado.

“Aleifar disse que Lorana não gosta muito de nenhum de vocês,” Selena contou. “E que ela estava tentando me influenciar, e conseguindo a ponto de eu fazer o que ela queria, em vez de o quê você me mandou aqui para fazer. Eu pensei que ele talvez estivesse certo, porque, bem, eu não havia percebido nada sobre os ataques aos guardas, e se deixei passar algo assim, poderia ter deixado passar algo pior, não poderia? E Lorana conseguiu me fazer pensar um pouco sobre o modo como fazemos as coisas.”

“Isso é tudo?”

“Eu não queria te decepcionar.”

Morzan riu pelo nariz. “Eu não poderia nunca dizer que as intrigas de Lorana e Aleifar me agradam, mas, Sel, você se saiu perfeitamente bem. Eu não te mandei a Feinster para salvar a pele dos guardas de Lorana, afinal de contas, e embora seja verdade que isso significasse uma falta de atenção a algumas coisas, você havia acabado de chegar aqui. E se adequou perfeitamente quando Aleifar chamou sua atenção, não foi?”

“Seria possível dizer que apenas fiz o que ele queria, em vez de atender aos desejos de Lorana,” ela respondeu, devagar. “Lidar com bandidos não era meu propósito aqui.”

“E você pediu minha permissão antes de aceitar ajudar Aleifar, o que era exatamente o que precisava ter feito.”

“Mas como isso nos serviu?”

“Ajuda a construir sua reputação, se não mais nada, e ensina Lorana a não se meter onde não deve.” Morzan encontrou seu olhar, e tinha os olhos díspares brilhando. “Além do mais, eu queria ver como você se saía lidando com Aleifar.”

Selena não retornou seu sorriso tão pequeno. “Sobre isso...”

Ele riu baixo, e era incrível como não parecia se incomodar. “Sim?”

“Ele insinuou algumas coisas, e não sei nem mesmo se consegui entender todas.” Ela hesitou, estudando seu rosto com cuidado. “Principalmente coisas sobre você. No fim, ficou um tanto transparente, e acho que tudo o que ele queria era criar problemas entre nós, mas eu gostaria de te perguntar sobre algumas coisas, de qualquer forma.”

Porque ele havia concordado em lhe contar algumas coisas, ao menos, e ela não queria abrir mão disso; porque Selena pensava que talvez houvesse facetas da corte e do favor do rei que ainda não entendia; e porque ela se lembrava de sua mãe lhe dizendo, desde quando ela não passara de uma criança, que evitar conversar sobre as coisas servia apenas para criar ressentimento.

Morzan não parecia impressionado com as ações de Aleifar, mas não demonstrou qualquer irritação para com ela. “Sim?” perguntou de novo, e era impossível não reparar em seu bom humor, em como ele se mostrava aberto e indulgente.

Selena pensou na noite anterior, em como ela mesma adormecera facilmente em seus braços, e em como ele se prontificara a ir com ela a Aroughs, e era possível que Morzan houvesse sentido sua falta, também.

“Bem, teve algumas coisas sobre Alexis; sobre como você estava passando tempo demais com ela e isso ser algo com que eu deveria me preocupar.” Morzan riu pelo nariz, sem nem ao menos tentar esconder seu revirar de olhos, e ela se permitiu um sorriso muito pequeno. “Não me impressionei muito com isso. Quero dizer, me fez pensar um pouco sobre Alexis, e Aleifar também, mas não é nada que eu precise discutir tão cedo. Ele disse algo sobre Jaime, também, porém mais importante foi que pareceu sugerir que sua posição como favorito de Galbatorix não é assim não segura, e que você sabe disso, mas preferiu não me dizer.”

As sobrancelhas escuras de Morzan se ergueram um quase nada. “O quê sobre o rei?”

Selena hesitou, tentando colocar os pensamentos em ordem. “Aleifar estava dizendo que Fäelan não seria capaz de atacar os elfos agora, porque precisaria que o rei...” Ela não tinha certeza. “Terminasse seu projeto atual antes? Para que fosse possível? Algo assim. E que ele não quereria de qualquer forma, porque precisaria ter certeza que o rei o escolheria para controlar os elfos, e Galbatorix normalmente daria essa posição a você. Mas que isso poderia mudar, e que você não tem também muitas garantias de nada. Que Galbatorix gosta de vê-los competir, e por isso não te contou que Fäelan estava prestes a voltar à corte, porque o rei sabia, não sabia?”

Morzan demorou um pouco para responder.

“Não é algo tão simples, Sel.” Ele lhe ofereceu uma mão, e Selena entrelaçou os dedos nos dele, muito grata. “Eu sou o favorito do rei, não tenha dúvidas sobre isso, mas isso não significa que Galbatorix vá me favorecer sempre. Todos nós — os Treze — aproveitamos de uma posição vantajosa na corte, o que eu sei que você sabe; o rei também não poderia evitar recompensar um servo valioso, e é claro que seria possível que se decepcionasse comigo, a depender do que acontecer.”

“Isso já aconteceu? Você já o decepcionou?”

Ele deu de ombros, como se não se importasse. “Seria difícil nunca decepcioná-lo,” respondeu, “mas não seriamente. Necessitaria de um erro um tanto extremo.”

“Mas ele gosta de vê-los competir?”

Morzan sorriu. “E você não acha os jogos e as intrigas da corte interessantes? Não são desinteressantes de assistir.”

“Me parece um pouco cruel,” ela disse, duvidosa, embora não fosse capaz de discordar por inteiro.

“Nos mantém atentos.”

“E em oposição.”

Ele riu daquilo. “Não poderia ser diferente. Nunca trabalhamos bem juntos.” Morzan pendeu a cabeça para o lado, considerando, e então perguntou, “O que Aleifar disse sobre Jaime?”

“Não foi sobre Jaime, especificamente. Algo sobre como você talvez fosse gostar de ser capaz de nos tornar imortais, mas como não gostaria que um dragão nascesse para algum de nós. Alguma coisa sobre ovos, também; só parecia querer provar que te conhece bem e que eu deveria duvidar que você se importa de verdade comigo.” Ela sorriu um quase nada, olhando para seus dedos entrelaçados. “Eu te disse, não me impressionei.”

Mas Morzan estudava seu rosto com maior cuidado. “Não te incomodou?”

“Deveria ter incomodado?”

“Posso confiar em você, Selena?” Quando toda a resposta que ela lhe deu foi um leve franzir das sobrancelhas, ele sorriu. “Existem coisas que ainda não te contei. Algumas que não posso te contar, ou ao menos não ainda, mas outras que eu poderia. Uma delas é que, durante a Queda, o fim dos dragões ou dos Cavaleiros nunca foi exatamente nosso objetivo: Galbatorix não só estaria disposto como gostaria de reconstruir a ordem, sob seu controle. Para ter Cavaleiros, porém, você precisa de dragões.”

“Ovos,” Selena disse, muito baixo. “Sempre pensei que não houvesse mais nenhum.”

Existiam os dragões dos Treze, mas ninguém parecia contar com eles; ela suspeitava que tivesse algo a ver com a perda de seus nomes, e não ousava perguntar.

“Existem três.” Morzan encontrou seu olhar, muito calmo, e Selena o encarou de volta com os lábios entreabertos, sem acreditar. “Resgatados durante a Queda. Deveriam haver mais, mas o prédio onde eram guardados foi destruído em uma explosão, e nós os perdemos.”

Ela não tinha certeza que entendia bem.

“E seria possível que eles nascessem para qualquer um?” Engoliu em seco, juntando coragem para perguntar. “Para mim?”

“Não seria impossível,” Morzan respondeu, devagar, observando-a com atenção, e parecia estar esperando algum tipo de reação. “Mas é muito improvável. Se Galbatorix acreditasse que existisse qualquer chance, a mínima possibilidade, ele teria exigido que você tentasse, e eu não teria sido capaz de negá-lo.”

Improvável. “Um pequeno milagre,” ela disse baixinho, considerando a informação. E um milagre de que ela mesma tinha certeza que Morzan não gostaria, e não era difícil entender por quê. “Mas já tive o suficiente deles.” Ofereceu-lhe um sorriso mínimo. “Não preciso de mais nenhum, e estou satisfeita com o que já tenho.”

Os olhos de cores diferentes de Morzan brilhavam, seus cabelos escuros pareciam muito macios, e ela não poderia estar mais feliz em tê-lo ali.

“Algo mais?” Ele lhe perguntou.

“Jaime sabe? Sobre os ovos?”

Morzan assentiu lentamente. “Sim.”

Não era surpreendente. “Como ele está?”

“Jaime? Bem.” O sorriso de Morzan era muito pequeno. “Muito ocupado se preocupando com tudo, como sempre, e ainda terrivelmente eficiente. Bem.”

Selena sentia falta dele, também. Mordeu um pouco o lábio, considerando, e então, “Só mais uma coisa. Aleifar disse algo sobre você não ser verdadeiramente um nobre?”

Morzan riu alto, quase como se não acreditasse. “Aleifar é desprezível. Meus pais eram mercadores, se é o que quer saber. Mercadores ricos, mas mercadores.” Pareceu ler a próxima pergunta de Selena em seus olhos. “Eles já haviam morrido muito antes da Queda.”

Era possível que ele se irritasse se ela lhe oferecesse qualquer tipo de condolências. “Bem, você é um Cavaleiro, e Aleifar disse que isso é tudo o que realmente importa.” Selena se permitiu sorrir verdadeiramente. “Obrigada por me contar.”

A resposta de Morzan veio muito macia: “Eu disse que iria.”

Notas finais
E aí, gostaram? Me contem como vocês estão, se estão bem, etc! Senti saudades demais ♥