Shiver

51 Capítulo 51


Notas iniciais
hellooo meus amores ♥ aqui estamos aproveitando as notas de capítulo enquanto elas existem. algumas coisas antes da leitura de vocês: a) mil desculpas pela demora!! como vocês sabem computador quebrado + faculdade + vida = pouco tempo para escrever. i am so, so sorry, mas espero que vocês gostem desses caps aqui! b) hoje é aniversário de dois anos de shiver!!! o que diz mais coisas ruins sobre meu ritmo de escrita, mas fingimos que não. por isso, e pra compensar a demora, e também é claro porque eu tinha um capítulo extra pronto, hoje tem atualização dupla!! hope u like it 2.0 c) oababys e afins, parabéns, e esses são pra vocês ♥ e eh isto. boa leitura shiver babes ♥

Os nobres abriam caminho para o elfo como se em reverência, parando a dança e partindo os pares para deixar livre o espaço entre Fäelan e o rei. Mas Morzan não se moveu, parado com uma mão firme ao redor do pulso de Selena, se mantendo à frente dela de uma maneira que certamente não passaria despercebida, por mais discreta que fosse sua pose.

A túnica de Fäelan, tal qual as roupas que Enduriel usava, parecia uma mistura das modas humanas e algo mais, algo diferente, com certeza resquício das roupas élficas às quais eles estiveram acostumados um século antes. O tecido era de um cinza tão escuro que poderia se passar por preto, e padrões de folhas e vinhas estavam bordados em fios de cobre e ouro, bronze e prata. Seus cabelos caíram por suas costas, prateados, e seus olhos eram escuros, frios e sem cor. Ele se aproximou em passos lentos e calculados, todos os seus movimentos graciosos, encontrando primeiro o olhar de Morzan antes de se permitir um instante para observar Selena.

Não havia expressão alguma em seu rosto além de um leve desdém, e ele se afastou na direção do rei sem dirigir a eles uma única palavra, sem pausar por um instante que fosse. E, enquanto Fäelan não parecia mais do que arrogante, Morzan o assistia lhe dar as costas e se aproximar de Galbatorix com ódio nos olhos díspares. Na mesa principal, Aleifar se erguera para parar atrás da cadeira de sua irmã, as mãos firmes no encosto, orgulho e proteção claros em sua postura.

Enquanto Fäelan se curvava para o rei, Selena desvencilhou seu pulso da mão de Morzan e entrelaçou os dedos nos dele, apertando um pouco numa carícia que esperava ser reconfortante. Ele não desviou o olhar do elfo ainda por alguns segundos, o observando ser cumprimentado por Galbatorix, e se voltou para ela apenas para a reassegurar com um aceno rápido de cabeça antes de fechar os olhos.

Seu rosto era difícil de ler por baixo da máscara, mas ela percebia seu maxilar apertado, as linhas tensas de seu corpo. Selena afagou sua mão mais uma vez, e perguntou num murmúrio, “O que está fazendo?”

Morzan encontrou seu olhar, e ela sentiu sua mente tocar a sua. Chamando Jaime de volta, veio a resposta, e sem maiores explicações. Ele soltou sua mão para passar o braço por sua cintura. Vamos. A guiou por entre os nobres de volta para a mesa principal, parando atrás da própria cadeira ao lado do rei para olhar para Fäelan de cima. No salão, a dança e as conversas recomeçavam timidamente.

“Lorde Fäelan,” Morzan cumprimentou, seco. “Está de volta.”

“Não estive longe por tanto tempo,” o elfo respondeu, perfeitamente educado, cuidadosamente distante, a voz curiosamente fria. Com ele parado diante de Galbatorix, era possível perceber que as cores de suas vestes se aproximavam das do rei de uma forma que Morzan não alcançava, não com a capa vermelha sobre um ombro. “E posso te assegurar de que planejo ocupar meu lugar de direito na corte.” Seus olhos cinzentos pararam em Selena por um instante. “Mas percebo que algumas coisas mudaram no seu meio.” E então, para ela, “Senhora Selena, não é? Já passava da hora de nos conhecermos.”

“É um prazer, meu senhor.” Selena lhe ofereceu seu melhor sorriso. “Conheci um de seus agentes.”

“Foi o que ouvi,” Fäelan devolveu. “E também que você está se provando uma figura impressionante, nova como é. Uma surpresa agradável, certamente.” Ele voltou a atenção para Morzan mais uma vez. “Qual foi o fim do garoto que você costumava trazer consigo?”

Morzan pendeu a cabeça para o lado, como se considerasse a pergunta curiosa. “Jaime ainda é meu.”

Galbatorix riu baixinho para a resposta, parecendo se divertir, mas Selena apenas franziu a testa. Sentou-se de volta na própria cadeira, tentando não procurar nas palavras de Morzan um sentido que não estava de fato de lá, e então engolindo em seco ao refletir sobre a pergunta de Fäelan. Olhou em volta, procurando por um criado que enchesse novamente sua taça de vinho; não começara a noite esperando por nada daquilo.

Tocou os pensamentos de Morzan mais uma vez. Jaime não está em perigo, está?

Ele se sentou também, terminando de responder um comentário do rei que Selena não ouvira, e sacudiu a cabeça uma vez. Cobriu a mão de Selena com a sua própria onde ela a repousara sobre a mesa, traçando círculos sobre sua pele com o polegar, quase distraído enquanto assistia a conversa entre Fäelan e o rei. Ninguém está em perigo ainda.

Mas Selena podia sentir, apenas pelo contato com sua mente, que ele estava incomodado; não preocupado, exatamente, mas nada satisfeito com a volta do elfo, com a falta de surpresa de Galbatorix ao vê-lo, com a calma confiante de Fäelan. Ela mordeu o interior da bochecha, sem saber o que fazer de tudo aquilo, se recostando na cadeira e seguindo o exemplo de Morzan ao acompanhar a conversa em silêncio.

Mais além, Kialandí e Formora pareciam contentes com a situação, e o lugar de Enduriel continuava vazio desde que o elfo saíra em meio os nobres depois do banquete. Selena acreditava ter visto Dorian por lá mais cedo, mas agora não era capaz de avistar nenhum dos dois, e não fazia ideia se eles haviam partido antes ou depois da chegada de Fäelan; certamente não se lembrava se Enduriel pedira a permissão do rei para ir.

Em seu outro lado, Aleifar tinha os olhos verdes fixos à frente e os lábios apertados, e seria impossível adivinhar se ele se desagradava com o que ouvia da conversa ou de algo além, algo que captava apenas com sua mente. Já Alexis tinha a cabeça baixa e batia com o indicador na mesa em um ritmo constante, parecendo mais preocupada que os outros; às vezes lançava um olhar rápido e incerto na direção de seu irmão.

A ansiedade de Selena crescia conforme ela observava tudo, mas Morzan mantinha uma mão firme sobre a sua, a reconfortando e também a impedindo de demonstrar suas emoções de forma mais explícita, a ajudando a estudar Fäelan com mais calma. Por mais cortês e educado que se mostrasse, ele era vazio de uma forma que Selena nunca vira antes, como se houvesse algo faltando em sua voz macia e melodiosa, uma carência de emoção que ia muito além da distância que ela aprendera a esperar de elfos.

Ele sorriu quando Galbatorix lhe ofereceu um lugar ao seu lado na mesa, negando o convite para se sentar com uma graça gelada. “Eu agradeço, Majestade, mas temo precisar lidar com diversos assuntos ainda esta noite, e não posso me demorar.” Fäelan lançou um olhar rápido para o resto dos Treze. “Mas tenho toda a intenção de me juntar à sua mesa nas noites por vir; é bom estar de volta.”

“Você tem minha permissão para se retirar, então,” o rei disse, sua voz tão profunda e impactante quanto sempre; Selena não gostava de ouvi-lo falar porque suspeitava que Galbatorix carregava na voz apenas um instrumento de persuasão maior do que deveria ser possível. “E minha confiança de que será bem sucedido em seus próximos empreendimentos.” A sombra de um sorriso passou por seu rosto. “Suas habilidades e inteligência são muito bem-vindas.”

Fäelan se curvou na altura da cintura mais uma vez, o canto de seus lábios curvado para cima, e foi para Morzan que olhou uma última vez antes de girar nos calcanhares e se afastar. Selena o observou ir receosa, mas, ao se voltar para Morzan mais uma vez, viu que a raiva nos olhos do Cavaleiro lentamente se dissipava para dar lugar a um leve desdém.

Ele não se moveu ainda por um instante, porém logo desviou os olhos para fazer um comentário para o rei, a voz calma como se nada houvesse acontecido. Retomaram a conversa com naturalidade, mencionando Fäelan como se sua volta não fosse de maneira alguma uma surpresa, e nunca um desagrado. Selena deixou a respiração escapar num suspiro, se afundando na cadeira, e fechou os olhos por um instante.

Aleifar e Alexis falavam um com o outro em voz baixa, Kialandí e Formora se ergueram para discutir em um ponto mais afastado, e, à frente, o baile prosseguia. Alguns nobres se juntavam em grupos pequenos para talvez discutir os eventos, mas mais se juntavam à dança ou se serviam de mais vinho, qualquer sinal de alarme em seus rostos bem escondido debaixo de sorrisos grandes e olhos brilhantes.

Mais de uma hora se passou antes que Morzan pedisse também a permissão do rei para se retirar, puxando Selena consigo e prometendo a Alexis que se encontrariam para conferir sobre a noite cedo na manhã seguinte. Foi só quando alcançaram um corredor vazio que ele respondeu as perguntas nos olhos de Selena.

“Fäelan pensa que pode tomar meu lugar como o principal conselheiro do rei,” disse, tirando a máscara, sem se preocupar em disfarçar o desgosto em sua voz, mas também sem demonstrar grande receio. “Tenho certeza de que tem um plano ousado para conseguir o que não lhe pertence, mas ele não vai ser bem sucedido, eu prometo.”

Selena hesitou, ganhando um instante ao tirar a própria máscara. “Mas,” começou, a voz muito baixa, “Galbatorix parecia feliz em vê-lo, e pareceu apreciar sua presença também. Ele disse que tinha confiança de que Fäelan conseguiria alcançar o que quer que esteja almejando.”

“Claro que disse,” Morzan replicou. “O rei não poderia rejeitá-lo, e Fäelan é um servo valioso, se não mais nada.” Ele parou diante das portas de madeira de seus aposentos, ignorando os guardas a postos de cada lado ao se voltar para Selena e tomar seu rosto entre as mãos. “Isso não significa nada, Sel, confie em mim.”

“Mas...”

“Nós vamos nos encontrar com Alexis e Aleifar pela manhã para discutir todas as implicações e decidir quais serão nossos próximos passos, e você vai entender tudo então. Estamos bem preparados.” Ele afastou uma mecha dos cabelos de Selena de seu rosto em uma carícia suave, um sorriso pequeno em seus lábios cheios, e plantou um beijo leve em sua testa. “Você vai ver.”

Ele abriu a porta para ela, e Selena desistiu de insistir no assunto ao se retirarem para noite.

Notas finais
espero que tenham gostado ♥