Shiver
5 Capítulo 5
Notas iniciais

Selena andava de um canto ao outro de seu quarto, esperando impacientemente a noite cair do lado de fora de sua janela e ainda um tanto incrédula sobre como Morzan simplesmente a mandara de volta para casa depois de fazer aquela pergunta tão direta. “Quero que tenha certeza do que quer,” ele lhe dissera (algo que ela nunca esperara ouvir de um dos Renegados), “e estou te dando a chance de mudar de ideia enquanto está longe de mim.”
“Não vou mudar de ideia,” ela insistira em voz baixa.
Morzan sorrira de um jeito que a levou a pensar que ele acreditava naquilo. “Se não mudar,” e então ele se aproximara e abaixara a voz, “venha a mim hoje à noite.”
Selena corava e quase podia sentir os arrepios que a respiração dele provocara em seu pescoço só de pensar na cena. Mordeu o lábio e sorriu de leve para si mesma, cruzando os braços por sobre a barriga, e se deixou cair de costas em sua cama. Ela passara a tarde pensando e analisando cada palavra e ação de Morzan, e conseguira apenas se fascinar ainda mais.
Percebia também o perigo em tudo aquilo – não só pelo aviso de Eron que às vezes ainda soava, indesejado, em sua mente, não só por todas as histórias horríveis que já ouvira sobre os Renegados, não só porque algumas das coisas que Morzan lhe dissera foram perturbadoras no momento e piores em retrospecto, mas porque percebia que tudo que ele fazia era calculado e sabia que ainda não tinha condições de lidar com suas manobras. Aquilo a fazia se sentir vulnerável como nunca se sentira antes, e assim como na primeira vez em que conversaram, Selena descobria que gostava da sensação.
Ela não mudaria de ideia.
Então esperou que seu pai e seu irmão fossem se deitar e que sua casa caísse em silêncio para vestir sua capa cinzenta e se esgueirar pela porta da frente. Não se preocupou em acender uma lanterna; conseguia se guiar sem grande dificuldade apenas pela luz da lua, e não queria ser vista. As ruas de Carvahall estavam tão quietas que qualquer som parecia alto demais, e Selena não relaxou até chegar ao limiar da vila.
O acampamento dos mercadores era diferente. Nem de perto tão movimentado quanto durante o dia, mas ainda havia homens sentados em volta de fogueiras baixas, e o lugar parecia tomado por conversas em voz baixa. Selena cruzou o acampamento com o capuz erguido e a cabeça baixa, sua atenção voltada ao chão gelado e escorregadio, e só parou ao alcançar a tenda de Morzan.
Adam estava sentado junto a uma fogueira próxima, e inclinou a cabeça para ela em um cumprimento silencioso. “Só bata,” ele instruiu.
Selena respirou fundo antes de se voltar para a tenda e bater com os nós dos dedos na viga de madeira que separava as abas da entrada. Esperava que Morzan a recebesse, mas foi Jaime que afastou o tecido vermelho e saiu da tenda.
Ele a estudou com olhos verdes muito claros e disse, “Você veio.”
“Não deveria ter vindo?” ela devolveu, remontando sem hesitação o diálogo daquela manhã.
O sorriso de Jaime não tinha humor algum quando ele deu um passo para o lado e ergueu a aba para deixá-la entrar. “Não vai se arrepender.”
Aquele era um comentário estranho, e Selena franziu um pouco a testa ao passar por Jaime e entrar na tenda, mas logo o esqueceu. A primeira coisa que notou foi a diferença na temperatura; o calor de dentro nada tinha a ver com o ar gelado do lado de fora.
A segunda coisa em que reparou foi a elegância do interior da tenda. O chão estava coberto por um tapete vermelho, e todos os móveis eram feitos de uma madeira muito escura. A cama de Morzan era maior que qualquer cama em um acampamento tinha direito de ser, completa com uma colcha vermelha escura e um cobertor de peles dobrado na borda.
Morzan estava de pé junto a uma pequena mesa, servindo vinho em duas taças de prata. Ele sorriu de lado para Selena e disse muito naturalmente, “Tire os sapatos.”
Ele realmente já estava descalço, embora ainda usasse as mesmas roupas de antes. Selena se abaixou para afrouxar os cordões de suas botas, tirando uma de cada vez e as deixando uma ao lado da outra junto à entrada da tenda. O tapete era muito macio contra seus pés enquanto ela andava até Morzan e aceitava o cálice que ele lhe oferecia.
“Não teve problemas em chegar até aqui de noite?” Morzan perguntou.
“Não.” Selena encolheu os ombros de leve. “Conheço bem a vila, e nunca tive problemas em andar no escuro.”
Ele ergueu uma sobrancelha. “Mesmo?”
Selena concordou com a cabeça. Tomou um gole do vinho e disse tentativamente, “Tenho que estar de volta em casa antes do amanhecer.”
“Temos tempo,” Morzan respondeu calmamente.
Ele bebeu o resto de seu vinho de uma vez e colocou o cálice sobre a mesa antes de andar até a cama e se sentar com as costas apoiadas na cabeceira. Naquela posição, seus olhos se perdiam em sombras e pareciam ambos escuros como a noite.
“Antes de fazermos qualquer coisa,” Selena começou hesitante, “eu gostaria de te perguntar uma coisa.”
Morzan examinou seu rosto, e ela teve a sensação de que ele sabia do que ela falava. “Me perguntar uma coisa ou me pedir uma coisa?”
Selena esvaziou seu cálice de uma vez e o deixou ao lado do dele antes de se aproximar da cama. “Ambos, acho.”
“Pergunte, então.”
Selena abriu a boca para falar, e a fechou de novo. Era algo muito simples, mas tão difícil de dizer. “Você me disse que eu não deveria desperdiçar uma oportunidade de deixar Carvahall, e... E eu estava pensando se você estaria disposto a me levar com você quando partir.”
Morzan ergueu uma sobrancelha. “Esse é um pedido um tanto extravagante, não acha?”
Selena engoliu em seco e se sentou na cama. “Eu te daria tudo o que tenho.”
Ele riu. “Não imagino que você tenha algo que possa me interessar.” Quando Selena abaixou os olhos, ele tocou seu queixo com os dedos e ergueu seu rosto gentilmente. “Eu estaria, no entanto, interessado em tudo que você é.”
Ela hesitou. “O que quer dizer?”
Morzan correu seu polegar sobre o lábio inferior de Selena. “Acho que você sabe.”
Sabia? Selena não tinha tanta certeza. “Sim,” respondeu.
Ele fechou a distância entre eles e tocou os lábios nos dela muito lentamente, e Selena fechou os olhos, sentindo apenas seu toque; sua mão em seu pescoço, sua boca na dela. Ela pôs a mão sobre seu pulso, entreabrindo os lábios, e deixou escapar um suspiro suave quando Morzan se afastou.
Os olhos dele estavam próximos e escuros quando ele percorreu seu maxilar com os nós dos dedos. “Tem certeza que é isso que quer?”
Sim, sim, sim. Sem confiar em si mesma para falar, Selena concordou apenas com um aceno da cabeça. Dessa vez havia certa urgência no beijo, como se Morzan estivesse se contendo para não avançar rápido demais. Ela abriu os lábios para lhe dar espaço, e ele tinha o gosto rico daquele vinho que dividira com ela.
Ele correu uma mão por suas costas, puxando-a mais para perto, e Selena se permitiu enterrar os dedos nos cabelos dele e ver que eram tão macios quanto ela imaginara que fossem. Morzan deu uma mordida muito leve em seu lábio inferior antes de começar a trilhar beijos de seu maxilar a seu pescoço, e Selena pendeu a cabeça para trás, suspirando e segurando os cabelos dele com um pouco mais de força.
Morzan começou a soltar os botões do vestido dela, um por um, para abrir caminho para seus lábios, expondo cada vez mais a túnica branca e fina que era tudo que ela usava por baixo. Um pouco insegura e querendo muito tocá-lo, Selena escorregou uma mão por baixo da camisa dele, explorando os músculos definidos de suas costas. Sentiu um sopro de respiração contra sua clavícula que podia ter sido o começo de um riso silencioso, e Morzan se afastou para deixar que ela tirasse sua camisa.
Com a respiração rápida, Selena correu os olhos por seu torso nu, absorvendo cada detalhe. Quando ergueu novamente o olhar para seu rosto, encontrou Morzan a observando com os lábios levemente entreabertos e olhos ilegíveis. “No que está pensando?” ela perguntou.
“No momento, só em você.”
Ela lhe ofereceu um sorriso fraco; ele lhe devolveu um muito mais confiante. Morzan empurrou para baixo o vestido já frouxo de Selena, e ela se ergueu um pouco para permitir que ele o tirasse por completo. Ele deixou que a vestimenta caísse no chão sem qualquer cerimônia antes de voltar a beijá-la, e Selena percebia só os pontos onde ele a tocava. Eles se moveram mais para trás na cama, até que Selena se recostou sobre os travesseiros e ele se pôs parcialmente por cima dela.
Morzan subia uma mão por sua perna, erguendo junto o tecido fino de sua túnica, e Selena se encontrou imaginando por um instante se ele também não se daria ao trabalho de removê-la por completo. Estendeu uma mão para os cordões que seguravam a calça dele, mas Morzan a parou.
“Ainda não,” disse, e sorriu para a expressão confusa de Selena. “Confie em mim.”
Ela hesitou, então concordou com a cabeça. Morzan ergueu sua túnica lentamente, e ela sentiu arrepios percorrerem seu corpo quando o ar tocava sua pele exposta. Olhou para ele, se sentindo mais vulnerável do que nunca e também insegura, mas não viu em seu rosto qualquer traço de desgosto ou desapontamento.
Morzan correu as costas dos dedos contra o lado externo de uma de suas pernas, e Selena prendeu a respiração e fechou os olhos, se inclinando contra seu toque. Soltou o ar em um suspiro quando os dedos de Morzan pararam em seu quadril, e abriu os olhos novamente para vê-lo muito próximo. Seu beijo foi apenas um toque muito leve no canto da boca de Selena, e logo ele estava traçando um caminho com os lábios na linha de seu maxilar.
Ele correu o nariz por seu pescoço, e Selena nunca experimentara uma sensação tal qual aquela. Entrelaçou os dedos de uma mão pelos cabelos escuros de Morzan e segurou com a outra a manta suave que cobria a cama. Quando os lábios dele chegaram ao topo de um de seus seios, ela não pôde evitar se segurar a ele com mais força, quase como se ele fosse tudo que a ancorasse ao mundo.
Morzan tocou um de seus mamilos com a língua, lenta e provocante, e Selena deixou escapar um gemido abafado. Ele não precisou parar o que fazia para dizer, “Não se preocupe com o barulho.”
Ela tinha dificuldade em formar um pensamento coerente. “Quê?”
Ele ergueu o rosto para ela. “Não vão nos ouvir.”
Selena deixou que sua mão escorregasse pelos cabelos de Morzan e a apoiou em seu ombro. “O tecido de sua tenda é tão grosso assim?” perguntou, a voz bastante fraca.
Morzan só sorriu. “Não é o tecido.”
Ela franziu um pouco a testa, mas ele não lhe deu mais explicações – não que Selena as quisesse, no momento. Não conseguia pensar em nada além dele enquanto Morzan continuava a beijar seu seio, traçando círculos leves sobre o outro com as pontas dos dedos. Os lábios dele passaram a plantar beijos cada vez mais baixos, e Selena fechou com força o punho sobre a manta em antecipação.
Ele beijou o interior de sua perna, correndo também os dentes por sua pele.
“Morzan–,” seu nome saiu parte suspiro, parte gemido, e inteiramente um pedido.
Ele aquiesceu, e Selena gemeu alto ao sentir a língua dele tocá-la tão lentamente. Ela estendeu uma mão para ele, apenas tocando seus cabelos macios, e com a outra continuou a segurar com força o tecido abaixo dela. Se permitiu aproveitar a sensação enquanto Morzan a beijava com maestria, sugando e provocando, mas nunca deixando que sua língua mais do que começasse a penetrá-la.
A sensação de prazer se intensificou mais e mais, e só quando Selena começou a pensar que não suportaria mais um instante Morzan se afastou. Ela o observou, trêmula, enquanto ele terminava de se despir, calmo como se tivesse todo o tempo do mundo. Selena engoliu em seco e molhou os lábios ao vê-lo nu, tentando em vão controlar o ritmo de sua respiração.
Morzan se pôs sobre ela, e Selena ergueu a cabeça para beijá-lo, segurando seus cabelos negros firmemente com uma mão, correndo a outra por seu abdome definido. Ela cruzou as pernas ao redor de seu quadril, e ele a adentrou lentamente, os olhos sempre nos dela. Selena precisou de todas as suas forças para manter seus olhos abertos enquanto ele entrava mais e mais fundo.
Morzan pausou, então, e ela sussurrou, “Não pare.”
A voz dele também estava um tanto fraca quando ele respondeu, “Não vou.”
A boca de Morzan voltou ao encontro da dela, e ele começou a se mover, para fora e para dentro, devagar de início, e então acelerando. Selena não conseguia tocá-lo o suficiente; correu as mãos por seu pescoço, por seu peito, por suas costas. Morzan se movia cada vez mais rápido, abandonando a boca de Selena e beijando seu pescoço, e ela sentia todo seu corpo queimar. E então ela o calor a preencheu por inteiro, êxtase e alívio, e ela deixou escapar um gemido alto.
Morzan abafou o próprio gemido rouco nos cabelos dela quanto ele se empurrou com força contra Selena uma última vez e se esvaziou dentro dela. A respiração dele em seu pescoço era tudo que Selena sentia, até que Morzan se afastou e se deixou cair deitado de costas ao lado dela, e todo o som na tenda eram suas respirações ainda ofegantes.
Selena moveu a mão para roçar as costas de seus dedos contra os dele.
Ele respondeu ao toque apenas enganchando seu indicador no dela.
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