Shiver

47 Capítulo 47


Notas iniciais
hello, babes ♥ esse capítulo aqui vai para a ana (holmes, especificando) por causa do jaime e porque ela é um amor de pessoa. ana ily so much ♥♥♥ boa leitura, meus amores!!

O verão em Urû’baen era absurdamente quente, Selena refletiu pelo que parecia ser a milésima vez naquele dia. Ela já havia tido semanas para se acostumar, e era grata pelos vestidos de seda mais leves que Morzan lhe dera, mas não podia evitar se lembrar de como Carvahall nunca parecera esquentar tanto. Era um dos poucos motivos que tinha para sentir falta de casa.

Passando uma mão pela testa, incomodada, ela se abaixou para examinar o colar de diamante e safira que o joalheiro lhe mostrava. Tocou com a ponta dos dedos a corrente de ouro branco, e se virou para Jaime. “O que acha?”

Ele vestia uma camisa verde que realçava seus olhos claros, e seus cabelos castanhos haviam sido bagunçados pela brisa suave. Ele se aproximou para estudar a joia com interesse educado, e ergueu os olhos para ela. “É certamente bonito.”

“Sim,” Selena concordou, considerando. E para o vendedor, “Acho que vou querer levá-lo. Tem outros acessórios que combinem? Brincos, pulseiras?”

“É claro, minha senhora,” ele disse, inclinando um pouco a cabeça, e desapareceu para o fundo da loja. Era um lugar bem cuidado, a madeira escura do balcão polida quase em excesso, as joias expostas sobre ele de imensa graça. Do lado de fora das janelas, pessoas bem vestidas passeavam pela rua.

Selena tocou um medalhão de prata com o indicador, distraída. “Acha que Morzan vai me dar algo de presente em meu aniversário?”

Jaime pareceu um tanto surpreso com a pergunta, mas assentiu. “Eu imagino que sim.” Ele tinha algumas poucas sardas no rosto que vinham sendo mais evidentes com o sol forte constante, e seus cabelos pareciam mais claros. “Seu aniversário está se aproximando, minha senhora?”

“Não.” Ela deixou escapar um suspiro, e tamborilou os dedos contra o balcão. “É no começo do inverno, só. Mas estive me perguntando se eu teria qualquer oportunidade de celebrar desde aquele último jantar, porque um aniversário em meio aos nobres é glorioso.” Selena pendeu a cabeça para o lado, lhe oferecendo um sorriso pequeno. “E o seu?”

“Meu aniversário?” Jaime repetiu. “É no outono.”

“Não tão longe, então,” ela comentou, lançando um olhar pela loja. “Outono combina com você.”

Ele riu baixinho. “E por quê?”

“Não sei,” Selena admitiu. “Todo o laranja e marrom e bege, acho, e o inverno se aproximando. É uma estação linda.” Devagar, ela sorriu. “Não quer um presente? Certamente temos opções aqui, ou poderíamos encomendar. Algo como um broche com o símbolo de Morzan, para simbolizar seu posto como capitão da guarda?”

“Realmente não é necessário, minha senhora, mas eu agradeço.”

“Tem certeza? Não acho uma má ideia.”

Jaime pareceu hesitar um instante, apoiando uma mão sobre o balcão. A outra descansava contra o punho de sua espada, um gesto comum o bastante da parte dos guardas para que Selena não tivesse nem mesmo a certeza de que eles percebiam o que faziam. “Eu tenho um.”

“Um broche com o símbolo de Morzan?”

“Sim,” ele confirmou, um quase nada de cor em suas bochechas.

Selena pendeu a cabeça para o lado. “Por que é o capitão? Ou Morzan te deu?”

“Ele me deu,” Jaime confessou. “Já faz bastante tempo. Ainda assim, eu talvez o repasse no futuro.”

Ela levou uma mão ao colar em seu pescoço, brincando com o pingente de rubi. Questionou-se se deveria continuar a importuná-lo com perguntas, mas que pudesse conversar tão normalmente com Jaime vinha sendo um alívio imensurável quando a maior parte dos guardas e servos ainda parecia insistir em manter uma distância respeitosa — até mesmo temerosa — dela. “Ele te dava muitos? Presentes, quero dizer.”

Ele assentiu devagar. “Sim.”

Selena sorriu um pouco. “Acha que eu deveria surpreender ele com um presente?”

“Se quiser, minha senhora.” Jaime não comentou que ela estaria, de qualquer forma, pagando com o dinheiro de Morzan. Ele ergueu os olhos para o joalheiro que voltava com uma nova seleção de acessórios. “Só não compre nada azul assim.”

Ela riu baixo. “Ele realmente não usa azul, não é? Você sabe por quê?” Quando ele sacudiu a cabeça, ela encolheu os ombros e se abaixou para estudar as peças. “Mas eu tenho alguns vestidos que ficariam lindos com elas, então com certeza comprarei para mim.”

O sorriso que Jaime lhe ofereceu em resposta foi pequeno, mas sincero, e ele opinou educadamente sobre cada uma das joias que Selena lhe apontava. No fim, além do colar, ela comprou também dois pares de brincos, um bracelete, e dois anéis muito delicados por que ela não conseguiu evitar se apaixonar.

Saiu da loja imensamente satisfeita, parando um instante junto à porta para pensar no que fazer a seguir. Aquela era uma parte agradável de Urû’baen, com as ruas de pedras e os edifícios bonitos, e mais adiante havia um pátio tomado por barracos coloridos de feira que Selena se permitiu considerar por um instante.

“Eu quero,” ela começou, ainda pensando, e também ciente do que precisava de fato comprar, “uma nova caixinha, para combinar com minhas novas joias. Então podemos encontrar algo para comer, e quero também um livro.”

Jaime assentiu. “E então voltaremos para o palácio.”

“Sim, acho que sim. É mais que o suficiente para um dia de compras, não acha?”

O capitão da guarda concordou em silêncio, e Selena decidiu que gostaria de lhe dar um presente em seu aniversário, por mais que com certeza nada em que pensasse pudesse se comparar com anos de presentes vindos do próprio Morzan. Agora que podia presentear quem quisesse, quando quisesse, ela percebia que considerava os objetos nas vitrines mais expectativa do que antes, se também menos investimento.

Jaime guiava os cavalos enquanto andavam em direção às barradas da feira, e ela se permitiu examinar as lojas com mais cuidado. A marcenaria não era nem de longe tão organizada quanto a joalheria, e ela torceu um pouco o nariz para o modo como os móveis e objetos eram expostos lá dentro — por mais que o trabalho em si fosse impecável, a loja parecia até mesmo descuidada.

Desviou o olhar das janelas para a feira, considerando as barracas de comida e também as de artesanato, e cruzou os braços sobre a cintura. “Não quer esperar aqui fora?” Perguntou a Jaime, a voz baixa. “Talvez aproveitar para comprar algo para comermos? Ou ver se há algo mais interessante a venda? Não devo demorar muito.”

Ele prestaria atenção também em se estavam sendo seguidos, e estaria lá para impedir que alguém espiasse o que Selena fazia, mas ela não podia lhe pedir aquilo em voz alta. Jaime sabia bem seu papel, no entanto, e só assentiu, quase distraído. “Quer algo em especial, minha senhora?”

“Torta,” Selena respondeu de prontidão. “De maçã, ou talvez amora.”

Jaime voltou os olhos pálidos para as barracas, as estudando de longe. “Procurei pela melhor,” lhe garantiu, já começando a se afastar, e ela o observou por um instante curto antes de subir os degraus até a porta.

A marcenaria era abafada, e as velas faziam mais para iluminá-la do que o sol que entrava pela janela. Selena fez com calma seu caminho até o balcão, se permitindo tomar nota da qualidade dos produtos, e tocou uma vez o pequeno sino de prata para chamar o mercador.

Ele era um homem baixo, de cabelos claros já ralos e um brilho não inteiramente agradável nos olhos azuis. A encarou com o cuidado de quem sabia quem ela era — um número ainda não tão grande de pessoas, ao menos fora da corte, mas que aumentava rapidamente — e lhe inclinou a cabeça em um cumprimento. “Senhora.”

Selena apoiou os antebraços sobre o balcão, se fazendo confortável. As mangas leves de seu vestido de seda não iam muito além de seus cotovelos, e a madeira era fria e agradável contra sua pele. Ergueu o queixo ao perguntar, “A encomenda está pronta, eu espero?”

“De fato,” ele devolveu, e se afastou com uma mesura.

Ela o observou deixar o cômodo, batendo a unha do indicador contra a madeira enquanto esperava. Atrás do balcão, a parede era coberta por um espelho de moldura bonita, e Selena considerou o corte de seu vestido vermelho, o penteado — bagunçado pela brisa — que Emma se esforçara tanto em fazer. Estava vestida como uma dama, uma princesa, mas sua postura indicava algo muito diferente.

Permitiu-se um sorriso pequeno ao ver o mercador voltar, uma caixa fina em suas mãos.

“Não vai se decepcionar,” ele prometeu, e ofereceu a peça para inspeção.

“Eu certamente espero que não.” O tampo e as laterais tinham entalhes de flores, as pétalas e as folhas intrincadas e absurdamente belas. Selena correu os dedos pelos desenhos, pelos quatro pés delicados. Abriu com cuidado o fecho de metal. “Sabe que não deve mencionar isso a ninguém.”

“É claro, é claro.” O homem tinha uma expressão orgulhosa, arrogante. “Não sonharia em incomodar tais clientes.”

“Nós ficaríamos mais que incomodados,” ela frisou. O interior da caixa fora polido até se tornar perfeitamente liso, e ela se abaixou para examiná-lo com mais atenção. “Mantenha isso em mente, além da recompensa por um trabalho bem feito.”

Desta vez, ele não lhe ofereceu resposta; apenas aguardou enquanto ela corria o polegar pela lateral mais uma vez, sentindo a textura, até encontrar a flor certa. Apertou com cautela o miolo, e apreciou o estalo suave que o fundo falso da caixa fez ao se soltar, ao se erguer um quase nada. Selena terminou de puxá-lo para cima com o indicador, e o espaço escondido abaixo era suficiente para conter apenas um pergaminho fino, uma mensagem curta.

Delicadamente, ela o encaixou de volta, e se certificou de que fenda alguma fosse perceptível aos olhos ou ao toque, principalmente agora que sabia onde procurar. Encontrou os olhos do mercador, cheios de expectativa ansiosa, tocados pelo orgulho, e decidiu que não confiaria nele de forma alguma.

“Você fez um bom trabalho, mestre Castor.” Selena fechou a caixa. “Apreciamos sua discrição.”

Os lábios do marceneiro se tornavam perturbadoramente finos quando ele sorria, e algo em seu rosto mudou quando ele ouviu o tinir do saquinho de moedas que ela depositou sobre o balcão. Selena devolveu seu olhar, muito calma, e esperou apenas que ele cumprisse sua palavra, que não a forçasse a lhe fazer outra visita.

Ela não criaria expectativas.

Notas finais
e aí, gostaram? nos vemos nos comentários ♥