Shiver

1 Strange Guy


Notas iniciais
Olá! Esta é a primeira história que posto na internet e gostaria muito que vocês pudessem acompanhar e me dar dicas e fazer críticas. Além disso, os comentários de vocês farão toda a diferença no futuro desta história.

Abraço!

New Orleans — 1990

Sarah caminhava pelas ruas de Silverhood tentando não derrubar sua sombrinha. Seus cabelos ruivos esvoaçavam devido a forte ventania e seu vestido bege e discreto estava começando a sentir os fortes pingos de chuva.

"Ótimo", pensou ela, acelerando seus passos.

Não muito distante dali, um homem alto e bem vestido observava a garota de forma atenta e curiosa. Começou a segui-la, pois pensava que talvez aquele era seu dia de sorte. Quando já estava a poucos passos de Sarah, falou:

- Olá, olá! Procurando algo?

- Na verdade, estou indo para casa... — disse Sarah, virando-se lentamente para avistar o homem que a seguia.

- Posso acompanhar? — perguntou o homem, sorrindo maliciosamente.

- Não, obrigado. — respondeu Sarah, desconfiada — Eu sei o caminho.

- Ora, ora... Não se faça de difícil, nenhuma mulher anda a essa hora sozinha. — insistiu o homem.

- Amigo, não é por nada não, mas eu estava na universidade. — disse Sarah a fim de livrar-se dele logo.

- Pois eu acho que está mentindo. — comentou o homem.

- E eu acho que já está se metendo de mais onde não é chamado! — Sarah já estava com raiva e sua voz aumentou de tom.

- Tudo bem, minha cara! Deixo você ir, mas com uma condição... — ele tornou a sorrir de forma maliciosa. — Depois de fazer um servicinho para mim.

- O senhor não se atreva! — Sarah arrematou, virando-se rapidamente e partindo.

Em alguns instantes o homem a alcançou e lhe deu uma rasteira, que a fez cair. Puxou Sarah pelo braço, que se debatia, mas não adiantava, ele era extremamente forte.

Enquanto a chuva caía cada vez mais agitada, o homem apressava seus passos e cuidava do silêncio da garota, apertando sua boca como se a mesma fosse uma bonequinha.

Ela, aos poucos, parava de gritar ou tentar algum movimento. Já sabia quem ele era. Tinha se tornado uma vítima como todas suas amigas nos últimos seis meses. O Colecionador atacava novamente. E não adiantava gritar.

New Orleans — Hoje

A família Harper havia se instalado em Silverhood a uma semana. Foram muito bem recepcionados pelo Padre Klaus, o vizinho.

Quem não estava satisfeita com a mudança era a filha única de Jessica e Robert, Sophie. Era seu primeiro dia numa nova escola e desejava parecer invisível. Fazer amigos não era seu ponto forte. Estudou por 10 anos na mesma escola na California e os únicos amigos que tinha eram Melissa e Xander. Sentia falta tanto deles quanto do clima praiano, embora o mar não combinasse com sua pele pálida e seus cachos vermelho-fogo.

- Não se preocupe, Sophie. Tudo vai ficar bem! — disse seu pai a abraçando. — É uma questão de tempo e otimismo.

- O problema, pai, é que não sou otimista. — retrucou Sophie.

- Dê um crédito, filha. Viemos aqui porque seu pai recebeu uma oportunidade incrível no trabalho e ele pode ficar mais perto de de nós. — sua mãe argumentou.

- Tudo bem, vou tentar. — Sophie revirou os olhos, achando aquilo tudo ridículo.

"Coisas de adolescente", pensou Jessica.

A adolescente ruiva, então, prestou atenção numa porta que antes não tinha avistado. Movida pela curiosidade e tentação do novo, Sophie se aproximou da porta e quando tocou sua maçaneta, pôde notar que a tal estava trancada.

"Justo agora que começaria a diversão...", pensou ela. Sem saber no que iria fazer, decidiu que já estava na hora de enfrentar o desconhecido. Pegou sua mochila, prendeu o cabelo e partiu.

George não tinha saída. No momento que a viu entrar pelo portão daquela casa sentiu a vontade de protegê-la de todo mal que ali morava. Se fossem outras pessoas, sem significância, não pensaria naquilo. Mas agora, atraído pela garota de olhos verdes, precisava tomar alguma atitude em relação àquela casa.

Notou-a na aula de biologia. Ela era mesmo linda. Prestava atenção na explicação daquela professora chata e, vez ou outra, anotava algo em seu caderno. Fascinou-se com o jeito meigo e misterioso que Sophie tinha.

Então, quando tocou o sinal e todos já estavam levantando-se para dar o fora daquela escola tediosa, foi até ela, que guardava os materiais.

- O-olá. — cumprimentou George.

Sophie demorou a perceber que aquele estranho estava falando com ela e quando finalmente percebeu, deixou cair o estojo. Como um cavalheiro, George abaixou-se e entregou o estojo salvo para a garota. Eles então sorriram.

- Sou George Carrol, muito prazer...

- Bem, eu... Eu sou Sophie Harper! — ela estendeu a mão a George, que retribuiu o cumprimento.

- Quero que saiba que qualquer tipo de dúvidaaqui na escola... — George travou, ficando vermelho e tentando lembrar do que iria dizer — ou até mesmo na cidade, eu posso ajudá-la.

Sophie percebeu que George havia corado e no seu pensamento, era fofo de sua parte.

- Tudo bem, George, obrigada! — pausou Sophie, sem saber o que falar — Acho que agora vou indo, até mais.

Ela saiu tão rápido que a única coisa que ele pôde fazer foi acenar estupidamente.

Era noite. Robert e Jessica preparavam-se para deitar, porém um toque da campainha os alertou. Robert desceu as escadas e abriu a porta principal. Ninguém.

Pensou na possibilidade de uma pegadinha, então fechou a porta e voltou a subir as escadas. Jessica o esperava no quarto.

Sophie lia Anna Karenina entusiasmada em seu quarto, até que ouviu passos lentos no corredor. Parou de ler e levantou-se num salto. Foi até a porta e a abriu.

Uma mão a impediu de demonstrar o susto que tinha levado. Era George Carrol, porém a razãode ele estar lá era um mistério. George arrastou Sophie ao quarto e trancou a porta. Ela iria gritar e espernear, mas ele continuava a impedi-la.

- Fique calma. Só tô aqui para te contar uma coisa. — disse ele, tirando sua mão da boca de Sophie.

- Ficou louco? Quer que eu chame polícia? Por que até onde eu sei, você poderia ser um serial killer... O que você tá fazendo aqui? — o susto não deixava a garota parar de fazer perguntas.

- Calma! Eu vou te responder tudo, mas quero que você fique calma e não me ache um louco.

- Impossível! Você invadiu a minha casa! Afinal, como você entrou aqui?

- Dei um sustinho no seu pai, mas isso não vem ao caso. Eu quero te contar o que sei sobre este lugar.

- A minha casa? Já sei de tudo! — Sophie disse com um tom alto de sua voz.

- Já? — indagou George, surpreso.

- Sim. Sei que antes era um orfanato que, que é uma casa linda, que todos almejariam morar aqui... O quê mais preciso saber?

- Bem, isso tudo é muito superficial! Eu vim aqui para te contar a verdade. — disse George.

- Que verdade? — perguntou Sophie, desconfiada.

- Sua casa é amaldiçoada. Têm gente morta aqui.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado!

P.S. O primeiro capítulo não é muito emocionante, mas é o ponto de partida para a história de Silverhood começar a ser contada...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.