Shirayuki Brothers

1 Shirayuki Brothers


Notas iniciais
Este é o capítulo piloto. Se ele for bem avaliado, eu continuo a escrever a história, ok? ;D

A bala que perfura o coração

Deixando a vida se esvair

Entre os dedos de uma pobre alma

Que não se salva da ganância humana.

SHIRAYUKI BROTHERS

O vento de outono insistia em bater sobre suas roupas, tentando se infiltrar para roubar seu calor. Lá estava ele, deitado na sacada do hotel. O vento frio fustigava-lhe os olhos, então ele estava de óculos escuros, impedindo a passagem do sopro gelado. O seu quarto quente e confortável estava logo atrás dele, mas aquilo era apenas um disfarce para seu trabalho. Não estava deitado na sacada em pleno outono por diversão. Ao seu lado jazia uma arma de fogo. Um belo fuzil M-40A3, completamente negro. Ele gostava de sentir o metal frio em contato com o corpo, era como se a arma fosse uma extensão dos seus braços. Não tirava o olho do telescópio, até que sorriu.

Do outro lado da rua caminhava um homem. Era alto e magro, com algumas mechas dos cabelos negros já esbranquiçadas. Andava um tanto curvado, e as sobrancelhas grossas estavam sempre arquejadas, como se ele estivesse tenso. Mantinha sempre a mão esquerda dentro do bolso da calça. Estava acompanhado de um brutamontes careca trajando um terno preto. Um segurança particular.

-Quem contrataria um segurança para um ex-presidiário?... – A sua voz soou rouca e bem baixa, enquanto ele falava para o nada.

Decidiu não pensar naquilo. Esperou o homem e o grandalhão pararem de andar. Estavam observando o movimento das ruas agitadas daquela metrópole. Logo um terceiro elemento surgiu.

Este por sua vez parecia uma fusão mal sucedida entre o segurança e o homem. Era gordo e baixo, usando terno risca-de-giz italiano, os cabelos penteados de lado e brilhantes, como se estivessem molhados. Falava cuspindo, e gesticulava muito. Por fim o homem mais velho olhou para cima, e o rapaz do fuzil sentiu-se observado. Os olhos do homem brilharam num tom verde, e ele sacou um revólver do bolso, disparando contra a sacada do hotel. O rapaz só teve tempo de apertar o gatilho do fuzil, atingindo o segurança, que caiu morto no mesmo instante. O homem gordo correu para se esconder, enquanto o velho continuava a disparar.

-Maldição! Como ele me viu?! – Ele resmungou, enquanto puxava o fuzil e se jogava para dentro do quarto.

Ele contou os tiros. Três, quatro, cinco, seis, e um clique. A munição havia acabado. Calculou que o velho teria entre vinte e trinta segundos para carregar novamente, e apoiou o fuzil sobre o peitoril da sacada, mirando com calma. Disparou, mas o velho correu, escapando. Então de repente ele trombou com uma figura feminina na calçada, que lhe deu um golpe no ombro. O velho soltou alguns palavrões, mas continuou a correr. A garota olhou para a sacada, e acenou sorrindo, exibindo uma pequena seringa, quase vazia.

Mal o velho chegou à esquina, e começou a tremer. Caiu sobre os joelhos, tossiu algumas vezes, e então sangue escorreu pela boca e pelas narinas. Desmoronou, inerte. A garota seguiu seu caminho, esquivando-se da multidão que se formava para ver o velho morto, enquanto o rapaz voltava para dentro.

Desmontou o suporte do fuzil, guardou a minução num fundo falso da mochila, e colocou o fuzil dentro de um guarda-chuva falso, encaixando o cabo no fuzil e o empunhando como se fosse uma bengala. Guardou os óculos escuros no bolso da jaqueta de couro, e então saiu pela porta do quarto como se nada houvesse acontecido. Entrou no elevador, deu bom dia para a recepcionista, pagando apressadamente a conta, e foi embora.

Chegando ao outro lado do quarteirão, encontrou a mesma garota, agora sobre uma moto negra de corrida. Entregou-lhe um capacete, e ele subiu na garupa, abraçando a cintura da moça enquanto ela acelerava.

-Você está bem? – Ela perguntou, com a voz doce e delicada, se referindo aos tiros que o velho havia dado.

-Eu dei sorte, muita sorte. O velho era um deles, com certeza. – Concluiu, anuindo.

-Mais cuidado da próxima vez. Você é tudo pra mim. – Ela terminou a conversa, voltando a prestar atenção nas curvas da cidade.

Por fim a moto parou. Estavam diante de uma grande casa de três andares, nos arredores dos limites da cidade. Entraram por uma pequena porta com moto e tudo, e então desceram. Encostaram a motocicleta numa parede, e subiram a escadaria que dava em uma porta de alumínio. A garota abriu a porta, que rangiu lhes dando boas-vindas.

Era uma casa espetacular: Os três andares eram divididos em uma ampla sala de estar com uma televisão de quarenta e duas polegadas, cozinha e banheiro, mais acima um quarto grande, cheio de equipamentos e armamentos e uma sala escura, na qual a única janela era coberta com um pano negro, e no último andar, uma imensa estufa, repleta de plantas e flores. A garota subiu logo para o terceiro andar, e o rapaz largou-se sobre o sofá, ligando a TV. Um repórter falava aflito sobre um suposto atentado no centro da cidade com uma vítima de envenenamento e outra baleada.

-... A vítima, um ex-presidiário chamado Jonas MacNamara, foi encontrado morto no centro da cidade hoje, há algumas horas. Marcas de tiros foram encontradas na calçada, e outras na sacada de um hotel em frente. Na mão de MacNamara, um revólver calibre 45, sem munição. Após o corpo ser levado para o IML, foi comprovado que a causa da morte foi envenenamento...

-Daniel.

O rapaz virou a cabeça para a escada. A garota estava lá, segurando algumas folhas entre os dedos finos e aparentemente frágeis das mãos. Trajava o mesmo modelo de calça de couro dele, regata branca e os longos cabelos amarrados para trás. Ele acenou para ela.

-Eu estou bem. A missão foi um sucesso.

Ela sorriu, feliz. Os dois eram muito parecidos: Ele, um rapaz alto e atlético, e ela uma moça delicada e linda. Ambos tinham os cabelos negros como o ébano e lisos, e a pele tão branca que era quase diáfana. Para completar a beleza exótica, ambos portavam belos olhos castanho-avermelhados. Eram irmãos gêmeos. Ele, Daniel Bonne, especialista em armas de fogo. Mira quase perfeita, só errava um tiro propositalmente ou se estivesse em movimento descoordenado. Ela, Annelise Bonne, botanista com ascensão para os venenos. Podia fazer uma pessoa dormir por horas ou morrer em segundos com apenas algumas plantas. Os dois juntos eram conhecidos como os “Shirayuki Brothers”, os Irmãos Branca de Neve, por sua aparência. Cobravam preços exuberantes por seus trabalhos, mas nunca falhavam. Também, pudera. Eles foram treinados por aquela que era conhecida como a maior organização militar do governo, a DEC5. Lá eles executavam experiências com jovens soldados e sobreviventes de guerra, criando supersoldados e assassinos perfeitos. Anos depois, a DEC5 separou-se do governo e tomou o nome de Caronte. Seus seguidores, agora chamados de Ceifadores, eram os assassinos mais bem pagos do mundo. Mas algo de ruim acontecia quando um dos Ceifadores fugia ou decidia trabalhar sozinho.

Ele tinha sua vida ceifada. Esta é a história de Daniel e Annelise, os Shirayuki Brothers, sobrevivendo ao mundo e ao seu passado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.