Shipping Back to Boston
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– EU NÃO TE TRAÍ!VOCÊ TEM QUE ACREDITAR EM MIM! — Maura gritava e chorava ao mesmo tempo,seu coração apertado dentro do peito
– ENTÃO COMO EXPLICA ISSO?! — Jane gritou de volta e jogou o envelope em cima da bancada da cozinha,se virando de costas em seguida,passandos as mãos pelo cabelo
– Você sabe que a medicina erra,Jane!Principalmente nesses casos... por favor,por favor,acredite em mim... — ela se levantou do banquinho e foi até a morena,colocando a mão em seu braço mas logo foi repelida — Por favor,Jane... — sussurrou quando sentiu uma nova onda de lágrimas chegar
– Nã-só,não me toque agora. — Jane arrancou o braço do alcance de Maura e apoiou as duas mãos na bancada,respirando fundo e fechando os olhos — Meu deus... como eu fui burra...
– Jane,por favor...
– Pensar que eu poderia satisfazer você. — Jane suspirou mais uma vez — Logo você,Dra. Isles,médica legista chefe,bonita,todas as medidas no lugar,estudada,sonho de consumo de qualquer homem
– Não,Jane,não! — a legista balançava a cabeça negativamente,enquanto tentava,em vão reprimir soluços — Você sabe que isso não é verdade!
– Quer dizer,o que eu poderia dar à você? — a detetive continuou,ignorando a loira — Eu sou apenas a detetive pavio curto italiana,que não foi à faculdade,que sempre viveu dura,filha de um encanador e uma dona de casa,que aliás,não são nada como os seus pais ou dos seus antigos pretendentes;sem casas na Europa,sem reconhecimento e respeito internacional — sua voz falhou e Maura sabia que ela estava segurando as lágrimas — Eu devia saber que eu não ia conseguir te segurar,até porque amor não paga as contas no fim do mês,não arca com as despesas de um casamento à sua altura... — ela fez uma pausa e a legista observou suas costas tremerem e seus punhos se fecharem,a ponto de os dedões ficarem vermelhos e a as cicatrizes quase explodirem da pele — e principalmente,não arcam com as despesas de um filho — a morena completou entre dentes,a voz mais grave e rouca do que o normal
– Jane,por favor,me escute. — Maura se aproximou e tocou o ombro da detetive
– NÃO,MAURA! — Jane explodiu — VOCÊ ME ESCUTE!SE EU NÃO ERA O QUE VOCÊ QUERIA,POR QUE NÃO DIZER DESDE O INÍCIO?POR QUE DEIXAR EU ME ILUDIR A PONTO DE TE PEDIR EM CASAMENTO E PLANEJAR TER UM FILHO JUNTAS? — ela começou a andar em direção à legista,encarando-a,até que a imprensou contra a pilastra ne entrada da cozinha — O que se passou nessa sua cabeça?"Nossa,o que temos pra hoje?Ah,já sei,iludir a babaca da detetive,fingir que o sentimento é recíproco mas enquanto isso tneho um caso por fora!Ela nunca vai notar que o filho não é dela!" Realmente,Maura,eu esperava mais de você — Jane praticamente cuspiu aquelas palavras
– JANE,CALA ESSA SUA BOCA,EU NÃO TE DOU O DIREITO DE FALAR COMIGO ASSIM! — Maura gritou,mesmo sentindo uma pontada na parte inferior do abdômen
– NÃO,MAURA!VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE ME PEDIR QUALQUER COISA,OK?! — a detetive berrou,apontando o dedo no rosto da loira — Deus,como eu fui burra! — e levantou um punho,socando a pilastra da cozinha em um ponto a milímetro da cabeça de Maura,se virando em seguida — Eu não acredito nisso,eu não posso acreditar nisso
– Jane... — Maura sussurrou,suplicando,levando uma das mãos no local onde agora a dor era insuportável,como se alguém a estivesse esfaqueando por dentro — Jane,por favor! — ela tentou mais uma vez chamar a atenção da morena,que se mantinha de costas e murmurava xingamentos para si mesma — JANE! — foi tudo o que conseguiu falar antes de cair no chão
– O QUE AGORA MAU — a morena se virou e tudo o que tinha pra dizer ficou preso em sua garganta,ao ver a legista caída no chão sentada,desacordada contra a pilastra,envolta em uma poça de sangue que escorria das coxas.O coração de Jane parou por alguns segundos e ela se deu conta do que estava acontecendo — O bebê... MAURA! — e correu em direção à loira,já tirando seu celular do bolso — Aqui é a detetive Rizzoli,eu preciso rápido de uma ambul-O QUE?É CLARO QUE É URGENTE!EU TENHO A VOZ DE QUEM ESTARIA BRINCANDO?UMA AMBULÂNCIA,SEU IDIOTA!RÁPIDO! — e desligou o telefone,depois de passar o endereço ao atendente,sem esperar uma confirmação — Vamos lá,Maura,por favor acorde... — ela sussurrou e segurou a legista,enquanto lágrimas começavam a cair,fazendo seus olhos arderem
Minutos seguintes a ambulância chegou e um time de paramédicos encaminhou Maura para o hospital.Jane foi atrás com o carro,o mais rápido que pode e chegou na hora em que os médicos entravam pela porta da emergência,com Maura em uma maca,ainda desacordada.
– Ela vai ficar bem? — Jane perguntava,impaciente,acompanhando a maca,enquanto os médicos corriam pelos corredores do hospital,falando mais palavras do que seu cérebro podia captar naquele momento — ELA VAI FICAR BEM? — ela gritou quando ninguém pareceu lhe dar atenção e logo foi parada pelo médico,na entrada de uma porta que dava para um outro corredor,onde os enfermeiros desapareceram com Maura
– Detetive Rizzoli,por favor.Aqui não é o seu trabalho,portanto,não pode demandar ordens.A única coisa que pode fazer,é sentar em uma daquelas cadeiras e deixar que eu faça o meu trabalho. — o médico disse firme,olhando-a nos olhos — Quando eu tiver notícias da sua noiva,eu venho lhe comunicar.Por agora,tudo o que pode fazer,é rezar. — e dito isso,desapareceu pelo mesmo corredor
Jane deixou o corpo cair em uma das cadeiras e foi uma questão de segundos até Angela e Frankie aparecerem,seguidos por Korsak e Tommy.
– Jane... — Angela sussurrou,tocando o ombro da filha de leve e tentando ao máximo segurar as lágrimas — Maura...ela...
– Eu não sei,mãe... — a morena disse com a voz falhando e,ao olhar nos olhos lacrimejantes da mãe,não conseguiu mais segurar as próprias lágrimas,desabando nos braços de Angela
Horas se passaram,até que a porta se abriu de novo,e o médico passou por ela.Todos se levantaram de seus lugares,apreensivos e com os corações a mil.
– C-como ela está? — Jane perguntou,seu coração quase saindo pela boca com medo da resposta — E... o bebê? — completou com a voz falhando
– Por que não...entra e fala com ela? — o médico respondeu,hesitante e aquilo fez a respiração da detetive pesar mas ela conteve qualquer que fossem as emoções tentando derrubá-la e seguiu em direção ao quarto onde Maura estava
Jane parou a centímetros da porta do quarto indicado e deu duas batidas leves na porta.Quando ninguém respondeu,ela abriu a mesma devagar e viu Maura deitada na cama;pálida,os lábios sem aquele vermelho natural,as bochechas sem aquele rosado saudável e olhos,perdidos,fitavam a janela do lado direito da cama.
A morena umedeceu os lábios,procurando palavras ou por onde começar.Começou a andar em direção à cama mas a legista pareceu notar a sua presença,e falou primeiro.
– O que vocês está fazendo aqui? — disse,seca
– Maura,eu...
– Acho que você já disse tudo que tinha pra dizer.
Jane respirou fundo e expirou ruidosamente.
– O que?Está se segurando para não ter outro ataque de fúria e pular em cima do meu pescoço,detetive? — a legista continuou,soltando um riso irônico
– Maura,por favor,não faça isso ficar mais difícil do que já está. — a morena voltou a andar em direção à loira
– Ok. — foi tudo o que Maura respondeu e se virou de costas para Jane
– C-como você está? — a detetive perguntou
– Bem. — a loira respondeu,novamente seca
Jane assentiu,mesmo que ela não pudesse ver,e susrpirou mais uma vez,se preparando para a próxima pergunta.
– E...o bebê? — ela perguntou e pode jurar que a respiração de Maura parou por um segundo e seus ombros se contraíram,como se estivesse reprimindo um soluço repentino — Maur — a chamou quando depois de algum tempo ela não respondeu
– Que bebê? — a legista a cortou,a voz levemente embargada,fazendo o coração da morena parar
Jane sentiu o peito queimar e lágrimas surgindo.Sabia o que aquilo significava mas sua consciência não a deixava acreditar e a fazia querer com todas as forças que fosse apenas uma brincadeira de mal gosto por parte da loira;de muito mal gosto.
– O que?... — as palavras deixaram seus lábios mesmo antes que pudesse digerir a informação
– É isso que você ouviu.Não tem bebê,Jane. — Maura lutava para parecer o mais fria possível mas sentia as lágrimas já escorrendo
– Como assim,Maura? — Jane não processava aquilo — Eu vi o exame,confirmava que você estava grávid-
– ISSO MESMO,JANE!EU ESTAVA GRÁVIDA,ESTAVA! — Maura se virou de supetão na cama,o rosto vermelho,as lágrimas escorrendo pelo rosto de porcelana pálido e deixando marcas — E se você ainda não entendeu o que isso significa,significa que eu perdi o bebê! — completou,levando as mãos ao rosto e soluçando
– Maura,eu... — Jane sentiu o gosto salgado das próprias lágrimas em seus lábios e se aproximou da legista,a fim de abraçá-la mas foi repelida
– Chega,Jane. — a loira respondeu,soluçando e fitando os pés da cama — Você não precisa me consolar.Não há mais nada que ligue você a mim,talvez nunca houve nada,não é mesmo? — ela lhe direcionou um olhar machucado;em anos Jane nunca havia visto Maura assim — Você mesma disse,como foi mesmo?Ah sim,eu iludi a detetive babaca,não foi isso?
– Maura,não.Eu... — a morena sentiu a voz falhar e em sua cabeça um único pensamento ecoava: "O que foi que eu fiz?"
– Já chega,Jane.Você pode ir agora. — a loira se pronunciou,engolindo os soluços e reprimindo qualquer emoção
– Maura.
– SAIA,JANE! APENAS SAIA! — ela gritou,as lágrimas votlando como um tsunami devastador.Quando viu que a detetive ainda estava lá,não aguentou e gritou o mais alto que pode — SAIA!
Jane começou a andar de costas em direção à porta,os soluços ecoando pelo quarto,as lágrimas quentes descendo por suas bochechas.Ela abriu a porta e olhou o amor de sua vida;devastada naquela cama e,de repente,flashes do que acontecera mais cedo começaram a passar,enquanto a detetive fechava a porta.O mesmo pensamento de antes,continuava sendo único a povoar sua mente."O que foi que eu fiz?"
Ao ouvir a porta fechar,Maura deixou as emoções tomarem conta de si.Chorando copiosa e desesperadamente,o corpo tremendo com cada soluço,ela se agarrou ao tecido,na altura da barriga,da camisola do hospital e olhou para a porta.
– Me desculpe,Jane... — ela sussurou,enquanto tentava recuperar o ar — Me desculpe...
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– Mãe?
Maura acordou de supetão,quando sentiu uma mão em seu braço,assustando Matt em seu colo,que se revirou,choramingando.
– O que? — ela perguntou,abrindo os olhos devagar e se deu conta de que o jato não estava mais em movimento,e sim parado em um lugar escuro;se não fosse por um feixe mínimo de luz que vinha de algum lugar acima deles,não teria distinguido a silhueta da filha — Onde estamos?
– Eu não sei,mãe. — Alex respondeu num sussurro;assustada,a voz mais rouca do que nunca — Nós aterrissamos deve ter algum tempo porque quando acordei,já estávamos aqui dentro.
– O piloto? — Maura perguntou,tentando manter a calma
– Saiu do jatinho.Eu ouvi algumas vozes do lado de fora,parecia que ele estava conversando com mais dois ou três pessoas,não sei se são todos homens,não consegui distinguir o timbre da voz. — ela pausou por um momento e se aproximou mais da mãe — Mãe,eu estou com medo...por favor,me diga o que está acontecendo.Quem são essas pessoas,por que nossa casa explodiu,por que você parece tão em pânico mas ao mesmo tempo tão conformada com isso?Mãe,por favor... eu-
A garota foi interrompida pelo som da porta do jatinho de abrindo e rapidamente voltou a seu lugar.
– Vamos,está na hora de ir. — o homem de touca falou,seco
Como estava escuro demais para fazer um reconhecimento facial do homem,Maura lutava para forçar a memória e tentar lembrar do timbre de voz dele,porém nada lhe parecia familiar.A única coisa que tinha certeza era de que ele deveria ser de muita confiança e próximo de Paddy para fazer o trajeto deles dali até onde quer que o líder da máfia irlandesa do sul de Boston estivesse escondido;um membro antigo talvez?
A legista desceu do jatinho,seguida pela filha e caminharam em silêncio,sendo escoltadas pelo capanga,até chegarem a uma espécie de garagem,onde já havia uma van prateada os esperando.De repente,o homem os fez parar no meio do caminho e fez uma chamada rápida no celular.Minutos depois,uma segunda van,preta dessa vez,apareceu e parou atrás da primeira.
O capanga foi até a janela do lado do motorista e trocou algumas palavras rápidas que,apesar de quase inaudíveis e indecifráveis,Maura pode jurar ter ouvido algo parecido com 'separar'.Ela não entendeu,até que o homem voltou até eles e se pronunciou.
– Passe o menino para a garota.
– O que? — a legista instintivamente se agarrou à Matt
– Você me ouviu. — ele respondeu,ríspido — Passe-o para ela.A partir daqui vocês vão em carros separados.
– Como assim?Eu não vou me separar dos meus filhos!Eu já fui louca o suficiente em aceitar vir até aqui,eu exijo uma explicaç-
A loira foi interrompida por um estalido seco.Seu sangue gelou e ela olhou na direção do homem,apenas para vê-lo cair no chão com um tiro na cabeça.Mais estalidos e Maura percebeu que eles ficavam cada vez mais perto e que se o capanga acabara de levar um tiro,era porque um dos atiradores estava dentro da garagem.De repente,um cantar de pneus ensurdecedor,que fez Matt começar a chorar,se fez ouvir,seguido de um farol próximo,que ela identificou como sendo da segunda van.
– Merda! — ela pode ouvir uma porta batendo e o segundo motorista se aproximou correndo,seguido de um outro homem,que saíra da porta traseira do automóvel — Merda,eles vieram até aqui! — o homem de feições quase amigáveis,que não tinha mais que 35 anos,estava desesperado — Esqueçam ir em carros separados,vocês vem todos na segunda van.Merda! — esbravejou mais uma vez e se virou para o segundo capanga,acenando com a cabeça e este começou a empurrar Alex,enquanto ele empurrava Maura,que tentava acalmar Matt
O segundo homem abriu a porta da van e tentou empurrar a menina para dentro mas ela parecia petrificada no lugar,enquanto o barulho dos tiros se aproximava cada vez mais.
– Ande,menina! — o homem esbravejou
– MAMA,STA SE DESVA?! (mãe,o que está acontecendo?,em sérvio) — ela perguntou gritando e em lágrimas,o olhar amedontrado fixo em um ponto no escuro à sua frente,enquanto os tiros ficavam cada vez mais perto
– NE ZNAM,DRAG! (eu não sei,meu amor!) — Maura,balançava Matt,e chorava
– Vocês duas querem bancar as estrangeiras agor-
– ARMA! — foi tudo o que Alex conseguiu gritar antes que uma bala,vinda de frente,passasse raspando por sua bochecha e acertasse o capanga do seu lado,que caiu morto imediatamente,bem no pescoço,fazendo-a gritar e ser empurrada,junto com Maura e Matt,para dentro da van,com a porta sendo fechada atrás de si
O capanga correu para o banco do motorista e acelerou,saindo em disparada da garagem,bem na hora em que mais dois carros chegaram e começaram a disparar contra a van preta.A única coisa que Alex ouviu antes de cair desmaiada foi o homem olhar pelo espelho do carro para Maura e dizer algo como "Ele vai ficar em ver como cresceram."
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