Shinigami University
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Mesmo com todo o cansaço que sentia, Undertaker não conseguia dormir, algo o incomodava. Queria poder se levantar, mas Grell estava dormindo agarrado a ele. Pensou em acordar o ruivo, mas no instante em que olhou para o menor e viu a tranquilidade de seu sono, preferiu apenas admira-lo enquanto acariciava levemente seu rosto. Já eram quase 16:00 horas e Grell ainda não acordara. Undertaker sentia seu corpo doer por não conseguir se mexer. Quando decidiu que ficaria na cama imaginou que logo pegaria no sono, entretanto horas se passaram e nada. Lentamente, Undy desvencilhou-se do ruivo da forma mais sorrateira que fosse possível. Assim que pós seus pés no chão de madeira sentiu o quão gelado esta estava, e imaginou como não deveria estar o restante da casa. Foi ai que lembrou-se que esta era uma ótima oportunidade para dar uma olhada mais detalhada nos cômodos. Precisava encontrar o que incomodava-o naquele lugar, mesmo sem saber o que era, do contrário não conseguiria descansar sua cabeça. Pé por pé deixou o quarto, começando sua busca pelo segundo andar.
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–Chega! Eu preciso de um tempo! – Gritou o loiro tentando fugir do aposento.
–Nem pensar! Eu preciso de mais inspiração! – Respondeu a moça, puxando-o de volta para o quarto com toda a força que tinha – Do contrário, não vou conseguir terminar a tempo.
–M-mas essa vai ser a quarta vez seguida! – Exclamou Ronald, enquanto aos poucos era dominado e levado para cama novamente, com os carinhos da morena – P-por que não fazemos outra coisa? N-não que eu esteja reclamando.
–Aff, certo, sobre o que você quer conversar? – Perguntou ela, ainda sobre ele.
–S-sei lá... – Falou enquanto pensava em um assunto, coisa que o surpreendeu, já que sempre os tinha sobrando.
–Viu só, não temos sobre o que falar! Então não há escolha! – Retrucou a morena de volta, tentando tomar o controle da situação outra vez.
–Espera! Me fale sobre o seu livro. Sobre o que está escrevendo? – Indagou, mesmo sem ter muita curiosidade, mas assim conseguiria ao menos faze-la parar por alguns minutos.
No mesmo instante que fez a pergunta e encarou os olhos de Elyza, estes brilhavam de uma forma mais do que especial, parecia realizada na verdade.
–Q-quer mesmo saber sobre o meu livro? – Perguntou encantada.
–Claro! Todos os detalhes.
Em uma fração de segundos a morena desandou a falar como se não houvesse amanhã, e extremamente rápido, o que fez Ronald ficar até meio zonzo. O entusiasmo da jovem na cama era simplesmente interminável, mas parecia que a vontade que tinha em contar sobre sua obra superava qualquer coisa. Chegou um ponto em que o loiro acabou perdendo-se nos próprios pensamentos, pois não conseguia acompanhar a narração na velocidade que Elyza a descrevia. A única coisa que lhe vinha a mente era uma única pergunta: “Como raios isso tudo aconteceu tão rápido?!” Nunca em toda a sua vida e em seus anos de “experiência” vira uma garota tão maluca, (se é que podia chama-la assim) quanto a irmã mais nova de Undy.
No instante em que chegou a hospedaria e a jovem arrastou-o para o quarto, ele nem teve tempo de desfazer as malas, tomar um banho, ou trocar de roupa, pois a morena simplesmente partiu para cima dele com tudo que tinha e desde o momento em que chegara só o que haviam feito fora transar. Não que Ronald estivesse reclamando ou achando ruim, mas para ele, Elyza era diferente das outras garotas que conhecera, e por isso queria que as coisas fossem diferentes com ela. Teria gostado de ao menos ter trocado algumas palavras com ela antes de partirem para a “ação” daquela forma.
Quando se deu conta, havia se perdido em devaneios, mas ao voltar para o mundo real percebeu que a morena continuava falando sozinha e achou melhor começar a prestar um pouco de atenção no que ela dizia.
–Bem, então é isso, eu ainda estou com algumas duvidas sobre como vai ser o final, mas já tenho várias ideias.
–Aham... é parece ótimo! – Droga, não acreditava que não escutara absolutamente nada – Com certeza vai ser um sucesso.
–Você não ouviu nada, não é? – Questionou ela com uma carranca indignada.
–Foi mal, tem razão é melhor transarmos mesmo. – Respondeu tentando se aproximar da morena, que o impediu espalmando sua mão na cara do rapaz.
–É ótimo que tenha concordado comigo, mas agora é um pouco tarde. – Disse ela levantando-se da cama – Acabei de ter uma ideia fantástica para o próximo capitulo!
–O QUÊ?! – Questionou observando a moça pegar um caderno e começar a escrever neste.
–Dá pra fazer silêncio, por favor?! – Respondeu irritada – Não está vendo que estou tentando escrever?!
Totalmente irritado, Ronald levantou-se, vestiu uma roupa e deixou o quarto, se era isso que ela queria, iria embora.
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A pouca claridade que adentrava pelas estreitas frestas da persiana bastou para despertar o ruivo. Este espreguiçou-se manhosamente, sentindo o ar frio do ambiente em sua pele conforme descobria-se. Passados alguns instantes percebeu que algo, ou melhor, alguém estava faltando. Levantou-se rapidamente, e enquanto vestia seu hobbie chamou pelo outro.
–Undy? – Sem que precisasse repetir, o grisalho logo apareceu na porta do quarto.
–Bom dia. – Disse o maior sorrindo – Ou melhor, boa tarde. Já são quase 17:00.
–Boa tarde... – Respondeu contente da mesma forma — Onde você estava?
–Na cozinha. Pensei em fazer alguma coisa pra comermos mas...parece que quando seus pais foram viajar não deixaram nem as migalhas.
–Oh, bem... e-eles são um pouco esquisitos – Riu forçadamente – Provavelmente não queriam que nada atraísse ratos. Mas podemos sair e comprar alguma coisa para o jantar.
–Sobre isso... – Começou Undertaker passando uma das mãos na cabeça – Acho que talvez seja um pouco difícil ir lá fora.
–Por quê?
Sem dizer nada o grisalho apenas se dirigiu até a janela do quarto e destrancou-a. Assim que o fez, Grell pode ver a grande quantidade de neve que cercava a casa. Tanto a sua como a de toda a vizinhança. Estavam presos! Absolutamente tudo estava coberto de branco.
–Por que nossos planos nunca dão certo? – Queixou-se o menor suspirando e voltando a fechar a janela.
–Não se preocupe com isso. – Disse o outro sem dar importância ao caso – Com certeza amanhã vai estar melhor... eu espero...
–Eu devia ter ligado para o Jam... meu tio e pedido para ele comprar algumas coisas. – comentou Grell enquanto procurava algo mais quente para vestir.
–Bem, não sei você, mas eu não estou com fome. – Falou o grisalho tentando agradar o namorado apesar de estar faminto. Entretanto poucos segundo após terminar a frase, ele mesmo delatou-se quando seu estomago roncou alto – Isso foi só o vento...
–Tudo bem Undy, eu também estou com fome. – Confessou o ruivo – Como pude ser tão burro?! Se eu ao menos tivesse... – Grell parou abruptamente o que dizia quando uma ideia lhe ocorreu – Isso! Talvez tenha algo lá! Meu tio sempre guarda coisas lá!
Antes que o maior pudesse perguntar onde era o lugar misterioso, o ruivo saiu em disparada descendo as escadas até o primeiro andar, sendo seguido pelo grisalho. O menor dirigiu-se até os fundos da casa. Onde em um longo corredor, que dividia os cômodos, parou em frente a uma parede e empurrou-a, fazendo a mesma recuar para dentro e abrir-se, revelando uma passagem. Era muito difícil enxergar um palmo se quer, pois atrás daquela porta havia apenas uma sinistra escuridão.
Grell apanhou rapidamente uma vela dentro da gaveta de um móvel que estava próximo, e acendeu-a. Entregando a mesma para o namorado, sorriu como se quisesse que ele fosse o primeiro a entrar.
–Você pretende me matar ai embaixo? – Perguntou Undy pegando a vela das mãos do ruivo, que ainda com um sorriso dava passagem ao maior.
Porém, antes que Grell respondesse o grisalho já havia começado a descer os primeiros degraus. Assim que terminou os dois lances da escada de madeira, chegando ao final desta, pode sentir um cheiro levemente adocicado no ar. Mesmo com a chama em mãos era difícil ver muito a sua frente, então devagar, o menor passou a guiar Undy pelo escuro. O ruivo também tateava ao redor tentando localizar-se e assim que encontrou uma parede conseguiu seguir perfeitamente com seu caminho. Onde, ao fim desde encontrou um velho interruptor, e assim que o moveu tentando liga-lo a luz acabou por não acender-se. Repetiu a ação diversas vezes, mas não funcionou.
–Ahmn... O que estamos fazendo aqui exatamente? – Perguntou Undertaker enquanto observava a concentração do ruivo na pequena chave.
–Droga... – Disse desistindo – Vim ver se por acaso não tem nada aqui no porão para comermos.
–Por que seus pais guardariam comida no porão?
–É que não é apenas um porão, – Começou explicando – aqui é uma vinícola. Então saíba, que ao menos de sede não iremos morrer.
O ruivo dirigiu-se até as dezenas de garrafas que haviam ali, examinando cada uma com cuidado escolhendo a que julgava ser melhor. Como Undertaker era quem segurava a única fonte de luz daquele lugar, acompanhou o menor, enquanto olhava ao redor tentando identificar o que mais havia a sua volta. De repente os olhos de Grell avistaram uma grande preciosidade que estava ao lado da estante que guardava os vinhos.
–Estamos salvos! – Anunciou o ruivo indo até a especiaria e exibindo-a ao namorado.
–Queijo!
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Tinha que admitir que tudo que acontecera fora mais do que amedrontador. Tanto que não tivera coragem nem ao menos de levantar-se para conferir o que poderia ter ocasionado aqueles sons macabros. Exatamente os que Diana havia descrito para ele na noite passada. Jamais iria admitir, mas sabia que teria morrido de medo se não tivesse ido deitar-se com a garota. Esta, assim que viu-se acomodada nos braços do moreno adormeceu e ele continuou acordado a noite toda. Portanto estava exausto naquela manhã, a única coisa que tinha em mente era ir embora daquela casa e retornar a sua, nem que isso custasse uma nova janela.
No entanto seus planos acabaram sendo soterrados pela grossa e pesada camada de neve que bloqueava as saídas da residência. Certa parte da casa onde quebrara a vidraça para entrar estava tomada de gelo. Mesmo sendo dia, o ambiente estava escuro, deixando os cômodos com um ar sinistro.
Quando desceu e foi até a cozinha, pelo caminho, encontrou tapetes revirados, os quadros das paredes estavam tortos, e haviam cacos de um vazo espalhados pelos degraus da escada. Assim que chegou ao cômodo desejado viu que este não encontrava-se diferente do restante do caminho, pois diversos pratos e copos sujos estavam jogados na pia, além de vários restos de alimentos e especiarias estarem espalhados por toda a mesa, bancadas e entre a louça. Enquanto William tentava acalmar-se e não ter um AVC ao ver tamanha anarquia, a garota de cabelos rosados juntou-se a ele.
–Diana, já pensou em limpar a casa de vez em quando?! – Perguntou sarcástico.
–O que?! Ora, eu não... deixa pra lá. Quer comer alguma coisa?
–Eu queria, mas perdi o apetite. – Disse ele ainda enojado com a cena – Só vou querer um café.
–Então, alguma ideia? – Indagou a moça enquanto pegava as coisas necessárias para fazer a bebida.
–Pra que?
–Para o que fazer hoje enquanto esperamos a neve diminuir. – Falou ela.
–Não havia pensado nisso. – Confessou o moreno – O que acha de começarmos a estudar para as cadeiras do novo semestre?!
A garota nem se deu ao trabalho de responder, apenas pôs suas mãos na cintura e deslizou-as até os tornozelos trazendo algo junto e entregando para William.
–Vou lhe dar uma dica. – Disse entregando sua calcinha a ele enquanto deixava a cozinha com uma xicara de café e dirigia-se para o quarto.
–Acha que só por que me deixou dormir aqui uma noite, sou obrigado a lavar sua roupa?!
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