Shikai
4 A lei da mente.
Notas iniciais
Se existe algo que eu temia era a morte. O medo de não saber o que é de saber como ela te leva ao esquecimento. Esse talvez fosse o medo não só meu mais de toda criatura. O chão naquele momento estava mais próximo do que nunca, algo dentro de mim dizia para que eu acreditasse e que tudo daria certo, no susto de parar a queda coloquei os braços a frente de mim e milésimos antes de me quebrar todo algo me impulsiona e me faz mudar totalmente a direção e quebrando totalmente o impacto da queda.
Voei em direção à caçamba de lixo do beco, nunca pensei que agradeceria por algo desse tipo. Mal percebi a presença de Guiu no meu lado quando ele falou algo que me fez soltar um riso abafado:
— Você tem futuro, Tori.
— A onde foi que eu errei? Disse me levantando e tirando uma casca de banana de cima da minha blusa da sorte. Que de sorte pelo jeito não tem nada.
— Erro básico. Você se desesperou, ou seja, medo. Medo é igual a não tem certeza de que o que está prestes a fazer ou se faz é seguro. Logo vem o fracasso. Para usar-se o poder de um Shikai é preciso ter confiança em você. Mas, também tem algo bom em você. Você tem a coragem que recorrente do medo o que faz você manifestar suas habilidades com perfeição. Ou nem tanto... Nesse momento ele escondeu seu feio rosto e deu uma espécie de riso.
— Você quer dizer que eu voei? Eu consegui?
— Acredito que você possa ter aprendido a manifestar o vento ao seu favor.
— Será? Palmei o ar tentando criar alguma pressão, mas nada aconteceu Acho que não.
...
A noite finalmente tinha chegado, subi para comer algo depois de um banho e passei o resto das horas estudando sobre o vento e sobre a eletricidade. E etc... Quando vi o sol nascer novamente já estava me preparando para subir novamente. Fui até o quartinho dos fundos onde minha mãe costuma guardar coisas que ela costumava se lembrar e chorar. Olhei para o Baú enfiado atrás das caixas e o retirei. Curioso Guiu perguntou:
— O que seria isso?
— Algo de extrema importância, algo que eu não uso desde a morte do vovô O baú tinha o tamanho de um cachorro adulto, feito de bambu e bordado com bronze em escrituras japonesas e desenhos de Deuses japoneses. Ela retratava a história da mitologia japonesa. Um rio e um homem lavando os olhos um era o sol e o outro a lua, isso na parte de cima caixa à frente, era outra história uma árvore com um só fruto. Um pessegueiro. Dos outros lados criaturas espectrais e assustadoras e uma mulher de olhos fechados deitada sobre estas. Abri a caixa com cuidado, ela tinha de ser aberta pela horizontal sendo empurrada, lá dentro havia três itens. Uma estátua de buda de ouro, um livro velho feito da folha de bambu com uma capa de um tecido preto, que parecia ser couro. Preso a cordas de palha e o item que eu realmente queria, meio escondido pela palha espalhada por dentro do baú uma katana, essa espada japonesa tinha seu nome Kazedin. Meu avô a usava e me ensinou muitas coisas sobre essa arte. Aquela espada parecia fazer parte do meu destino por isso resolvi aderi-la.
— Ha, a Kazedin. A espada do qual seu avô tanto falava que um dia você iria usar.
— Que clichê, não? Disse em tom de sarcasmo.
— Sim.
— Meu avô era um possuidor do Shikai? Perguntei enquanto retirava a lâmina da bainha, ainda estava novinha em folha. Afiada como nunca.
— Não. Seu avô tinha conhecimento do EN, mas, o chama de CHI. Que é o conhecido na arte do Kung Fu.
— Entendo. Embarguei a espada de volta a bainha. E abri o livro. As três primeiras páginas estavam em branco. Na quarta tinha algo escrito:
A lei da mente é implacável.
O que você pensa, você cria;
O que você sente, você atrai;
O que você acredita, torna-se realidade.
Buda.
— Um dos mais poderosos Shikai existente...
— Ele era um Shikai, como você sabe dessas coisas? Se tinha uma coisa que eu achava estranho nesse espírito era a sua falta de personalidade. Ele era quase sempre frio e misterioso e isso me irritava. Muito.
— Está vendo aquela estátua ali? Possui um pouco do EN dele emanando tranquilidade. Você deveria deixar essa caixa guardada com isso. Shikais caçadores de itens costumam sentir a presença desses itens. E se souberem desvendar o segredo posto neles podem usar dos seus poderes. Acredite isso será útil um dia.
— ...Tá, NE. Guardei o livro e deixei a estátua onde estava na caixa só fiquei com a Katana. Empurrei-a para de baixo das caixas e então corri em direção à porta no objetivo de ir treinar. Subi pelas escadas de emergência a fim de aquecer o corpo, era talvez umas seis ou cinco e meia da manhã não sabia ao certo.
Quando chegamos à laje do prédio, alguém nos esperava vestindo uma capa negra. Sentado olhando para uma espécie de tabuleiro e alguns dados de vinte faces. Como sei? Eu costumava jogar bastante rpg com meu amigo.
— Quem é você? Disse tentando não demonstrar meu medo. Um shinigami apareceu por de trás dele, vestia um capuz negro em cima de uma nuvem escura parecendo uma tempestade.
— Sou o Influenza. Disse o shinigami. A misteriosa pessoa tirou o capuz.
— Você já me conhece... Tori. Minha perna balançava sem controle algum. Eu começava a sentir o corpo esquentar e a respiração ofegar. Aquela mesma sensação... Do banco... Era pior que o medo. Quem era ele?
Pele morena, braços longos e pernas longas, magro.
Quem era ele?
Cabelos escorridos com uma franja que tampa as sobrancelhas e olhos misteriosos que combinava com um sorriso que um dia pareceu estar vivo. Quando o capuz voou do prédio e minha boca sibilou algo eu já sabia quem era.
— Nilson? Era aquele meu amigo que eu tive que abandonar. E agora um Shikai.
— Não. Agora eu me chamo... Um vento soprou forte quando seus olhos se encontraram aos meus. A voz do seu acompanhante sincronizou quando ele falou seu nome — Influenza.
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