Shieldmaiden

3 O Mensageiro das Sombras


Notas iniciais
Existe uma perfeita explicação lógica para a minha demora, EU JURO. Primeiro, tempo, minha vida tá uma loucura. Segundo, eu precisava de informações oficiais do jogo para este capítulo. Mesmo que eu não esteja seguindo a história do jogo à risca, eu queria pelo menos manter uma coerência, e os episódios recentes me deram a liberdade de prosseguir com a história e apresenta-las a vocês! Então vamo que vamo.

O céu noturno estava limpo e estrelado, com todas as luzes de Londres, quando não estava coberto por nuvens, Avanna nunca enxergava a vastidão do universo observável a olho nu. Apesar da novidade de poder ver as estrelas com total clareza, ainda era o mesmo céu, as mesmas constelações, a mesma lua. Ela gostava de sentar perto da cerejeira para aproveitar os raros momentos que ela tinha para relaxar.

— Eu nunca vou me acostumar com isso – ela disse baixinho – é maravilhoso.

— Não existem estrelas no mundo dos humanos? – Ezarel disse em tom zombateiro. Eles dividiam um pote de mel com os biscoitinhos amanteigados.

— Com tantas luzes na cidade, é difícil ver – ela disse emocionada – estrelas são tão corajosas, seu brilho pode ser visto por bilhares de anos após sua morte, que inveja.

— Como assim? – Ezarel se preocupava mais em comer do que olhar para as estrelas.

— Vocês não tem noções de astronomia aqui?

— Não é algo que consideramos... útil.

Avanna apontou para a estrela mais brilhante daquela noite.

— Está vendo aquela estrela? De perto, ela é como o nosso sol, talvez maior e mais brilhante, a sua luz viaja pelo espaço-tempo até chegar aqui, mas ela está tão longe... que sua luz demora milhares de anos para nos alcançar, e tudo o que vemos é nada menos do que ela era há milhares de anos atrás – Avanna continuava a explicar tudo que ela entedia sobre a vastidão do espaço, como as estrelas morriam, como nasciam, o que se tornavam depois disso, sobre o que pode estar dentro e fora da sua galáxia, e a relatividade do tempo. Também falou como os cientistas estavam corretos em teorizar a existência de universos paralelos, já que ela mesma estava em um. Ezarel não podia conter sua expressão de fascínio, tal como Avanna não podia conter a sua expressão de triunfo.

— Buracos negros supermassivos que engolem estrelas inteiras? – Ele disse horrorizado.

— Estão longe! Estamos seguros – ela ria tanto, que podia sentir suas bochechas pesarem. Esses agradáveis momentos com o elfo estavam se tornando cada vez mais frequentes. Ela sentia que conquistava o respeito e admiração do seu colega com mais facilidade do que antigamente.

— E como você sabe todas essas coisas? – ele assumiu um tom presunçoso – você não é inteligente o bastante para estudar o assunto por si mesma.

— O quê? Sou uma britânica formada em 35 temporadas de Doctor Who – ela carregou seu sotaque propositalmente.

— Acho que você já esgotou todas as coisas inteligentes que poderia dizer pelo resto da sua vida, então é melhor ir para a cama, você tem treinamento logo cedo – ele se levantou e recolheu o pote de mel.

— Desde quando você é meu chefe de guarda para me dar ordens? – ela permaneceu sentada.

— Valkyon me pediu ajuda para mantê-la na linha, acredito que até mesmo Nevra ganhou o direito de te dar ordens...

— Ai! – ela o interrompeu com um grito de dor. Ao tentar se levantar, sentiu suas costas arderem, uma dor penetrante e insuportável.

— O que aconteceu? O que está sentindo? – Ezarel imediatamente largou seu precioso mel e foi socorrer a garota.

— Minhas costas... – ela se encontrava ajoelhada no chão, ofegava, e suas mãos seguravam forte a bainha da sua roupa – isso sempre acontece.

— E o que Eweleïn disse a respeito? – ele se ajoelhou atrás dela e delicadamente a tocou com as pontas dos dedos.

— Nada, ando evitando topar com ela, se ainda não sabe – ela terminou a frase com um profundo sarcasmo e um leve rubor passou pelas bochechas de Ezarel.

— Deixe-me ver.

— É uma desculpa para tirar a minha roupa? – mesmo sentido uma dor insuportável, ela não pode se conter.

Ezarel sorriu enquanto abria parcialmente a túnica da garota.

— Não seja ridícula, você não faz o meu tipo. Prefiro mulheres com um porte físico mais delic... – ele não pôde concluir a frase diante do que via. No centro das costas de Avanna, haviam marcas quase que artísticas, dois riscos simétricos e curvados, como se fossem cicatrizes muito bem feitas e planejadas.

— Avanna... desde quando anda sentindo essas dores? – seu semblante era sério.

— Eu não sei dizer, no começo eu pensei que era o Valk arrancando meu couro no treinamento, mas ultimamente não estão mais se parecendo com uma simples dor muscular – ela sentiu a dor aliviar – mas assim, não duram muito.

— Por que não contou a ninguém? – ele a repreendeu enquanto fechava a túnica.

Avanna se levantou e fitou o elfo de braços cruzados.

— Não é nada de mais, e também, não é como se eu fosse descrever cada coisa que acontece comigo para a Miiko, por exemplo.

— Não é questão de descrever cada coisa que...

— O que foi isso? – ela o interrompeu ao ver uma sombra se locomover perto do quiosque central.

— Isso o que? – o elfo se virou na direção que ela olhava.

— Estou surpresa que não ouviu nada com essas orelhas enormes que você tem – ela se aproximou do quiosque.

— Há sempre a hipótese de que não há nada para ser ouvido – Ezarel a seguiu.

Sem hesitar, Avanna cruzou o quiosque, seus olhos estavam atentos, sentia a adrenalina aumentar em seu corpo, ela poderia correr uma maratona ali mesmo. Ezarel se esforçou para ouvir, mas não havia nada além da melodia noturna.

Desta vez, ambos viram algo correr por toda aquela parte do refúgio e sair por cima dos muros. Era assustadora a forma que a coisa se mexia, Avanna associou a coisa como algo que poderia ter saído dos livros de Harry Potter. Ela sacou sua espada automaticamente.

— Você acha que é o maluco psicopata do Ashkore querendo atenção de novo? – ela sentia calafrios só de pronunciar aquele nome.

— Ashkore não se movia desse jeito, vamos avisar a Miiko – ele fez sinal para a companheira segui-lo, mas ela não se moveu, ainda estava em posição de combate – Avanna!

— Você avisa os outros, eu vou seguir aquele troço.

Avanna estava com seu famoso ar de determinação e teimosia. Ainda com a espada em mãos, se moveu em direção à saída. Ezarel a impediu de continuar, a segurando pelo braço direito.

— Você gosta muito de me tocar desse jeito, para alguém que não gosta de ser tocado – disse irritada.

— Não é seguro – Ezarel demonstrava extrema preocupação – venha comigo avisar os outros, depois seguiremos a criatura. E além do mais, você está sentindo dores.

— Não estou mais – disse se soltando das mãos do elfo – eu sou treinada em combate, estou preparada, ganharemos tempo se eu for na frente. Avise os outros, eu vou na frente.

— Eu sou o seu superior, chefe de guarda, me obedeça e volte ao QG – ele disse com o máximo tom de autoridade que conseguiu reunir.

— Não! Sinto muito Senhor Superior Chefe de Guarda, mas seria mais prudente mandar um guerreiro à frente para verificar se há ou não perigo, pouparia tempo – ela suspirou, estava claro que ele ainda não confiava no seu potencial de combate – É isso que eu sou Ez', uma guerreira, e você sabe que estou certa.

Ela não iria mudar de ideia. Ele sabia, ele conhecia aquele olhar, e quanto mais ele tentasse dobrá-la, mais tempo seria perdido em vão, porque ela não cederia.

Avanna correu para a saída do refúgio de Eel, mas um barulho atrás de si a fez girar com sua espada em posição de defesa.

— Ezarel! O que faz aqui? Vá embora! Vá avisar os outros! – Ezarel estava com as mãos para cima em sinal de rendição, pois havia uma espada a centímetros do seu pescoço.

— Primeiro tire isso do meu pescoço – ele tocou a espada com seu indicador.

— Desculpe – disse abaixando a arma – você me assustou. Mas por que não foi buscar reforços?

— Não posso te deixar enfrentar algo perigoso sozinha.

— Eu posso cuidar de mim mesma – ela andava em direção à floresta e Ezarel tentava acompanhá-la.

— Eu não vou te deixar! Eu nunca me perdoaria se mais alguma coisa acontecesse com você – Avanna odiava esses momentos, Ezarel agia fora do costume, e essa história de precisar de proteção a irritava. Ela era forte, sabia se proteger, não precisava dele, não desta forma...

— Acontece que eu é que não vou me perdoar se algo acontecer com você!— a frase foi dita mais alto do que Avanna gostaria. Ela parou de andar. Sentia o ar gélido roçar suas bochechas, e os sons noturnos se intensificarem. Eles se encararam por um momento, completamente desconfortáveis com a situação.

— Então isso é um impasse – ele sorriu, quebrando aquele ar constrangedor. Eles poderiam ficar horas parados ali mesmo, discutindo, como sempre faziam, mas Avanna não tinha mais tempo.

— Certo, mas tente não me atrapalhar – ela recomeçou a caminhada.

— Você fala como se soubesse o que está fazendo, tente não estragar as coisas como sempre faz – ele estava voltando a agir como o habitual, e isso deixou Avanna aliviada.

Já haviam se passado vários minutos desde quando eles penetraram a floresta, ambos estavam em estado de alerta máximo. Não só pela coisa que viram, mas também por todos os perigos que a floresta escondia. Avanna possuía várias lembranças sobre essa floresta, e todas eram, no mínimo, traumatizantes. Nenhum palavra saía da boca do dois, seus esforços estavam concentrados em aguçar seus sentidos primários.

Ao chegar na clareira, a sombra tornou a aparecer, Avanna abafou um grito, a coisa tomava uma forma quase que gigantesca, ou pelo menos parecia dada a situação de pânico. Um guerreiro tomou o lugar da coisa sem forma, um guerreiro robusto, empunhando um machado. Se não fosse tão grande e não tivesse sido uma sombra sem forma antes, Avanna poderia jurar que era humano, tinha uma longa barba ruiva e trançada, usava uma armadura que parecia, aos olhos dela, a de um anão d'O Senhor dos Anéis. Mas uma coisa era certa, aquilo definitivamente não era um anão, e, muito menos, humano.

O Guerreiro levantou seu machado e gritou alto e retumbante:

LUTE!

E correu com seu machado na direção de Avanna, esta que nem mesmo teve tempo de ver a situação do seu companheiro. Ela se esquivou do ataque e rodopiou com sua espada para executar o seu próprio ataque. O Guerreiro bloqueou o ataque com seu machado, e chutou a garota, que se chocou contra uma árvore.

— AVANNA! – Ezarel estava apavorado, seu florete não seria páreo para aquilo. Mas ele não desistiria, não importava se ele não tinha poder o suficiente para combater tal ameaça, proteger a todo custo, era seu único pensamento.

Com seu florete em mãos, correu em direção ao Guerreiro, que, ao perceber a aproximação do elfo, pisou o chão com uma força imensurável, a terra tremeu e o elfo foi repelido. A sombra que o guerreiro emitia se esgueirou ao encontro de Ezarel, e o prendeu contra o chão.

— NÃO – o Guerreiro gritou com sua voz potente – SÓ UM.

Avanna já havia se recuperado do golpe e se preparava para recomeçar. Foi quando Ezarel se deu conta do que estavam enfrentando.

— É claro! Avanna, ele é um mensageiro! Por isso só um de nós pode enfrentá-lo, você precisa derrotá-lo para receber a mensagem! – Ezarel gritava para que ela o ouvisse, e apesar do alívio de saber com o que estavam lidando, e saber que não era uma ameaça em teoria, ainda temia pelo pior, e tentava se livrar do empecilho para ajudá-la.

Avanna desferiu uma série de golpes contra o poderoso guerreiro, que se defendia com exuberante precisão. Tomara que essa mensagem estúpida valha a pena, pensou. Seus chutes e movimentos de ataque eram inúteis, o método de defesa do oponente era surreal. Ela então se lembrou do que Valkyon sempre dizia nos treinamentos, ela precisava de uma abordagem estratégica. Rapidamente analisou o que o Guerreiro poderia ter em desvantagem, e notou que, apesar de fortes e precisos, seus movimentos eram, ligeiramente, lentos. Ela parou de iniciar os ataques e se focou na defesa, não era o melhor plano, considerando os danos potenciais que os ataques daquele oponente poderiam causar, mas era o que ela tinha no momento. O machado do Guerreiro passou de raspão, arranhando o tórax da garota, que aproveitou o momento para uma estocada certeira. Tendo acertado o estômago, ou se é que ele tinha um, e aproveitando do tempo que ele estava levando para se recuperar, ela rodopiou para mais um golpe, decepando a cabeça do Guerreiro.

Avanna ofegava, largou sua espada e caiu de joelhos. Ezarel, se vendo livre, correu em sua direção e a segurou.

— Impressionante.

— Obrigada – ela tentou rir, mas a dor em seu tórax a impediu.

— Você lutou bem. Você é merecedor. Você é digno.

Avanna olhou horrorizada para a cabeça sem corpo falante, tanto a cabeça, quanto o corpo explodiram em uma fumaça, exatamente como era antes de virar o Guerreiro, que tomou a forma de um corvo. O corvo voou pelo céu, e se voltou contra eles, carregava um envelope no bico. Considerando a velocidade que voava em direção aos dois, pousou com curiosa delicadeza no ombro esquerdo da garota, que pegou o envelope de seu bico. O animal voou para o céu até ser engolido pela escuridão.

— Filho da...

— Ezarel! Avanna!

Valkyon e Cameria apareceram, já com suas respectivas armas em mãos.

— Já acabou, era um Mensageiro – disse Ezarel ajudando Avanna a se levantar.

— Como... como sabiam que estávamos em perigo? – Avanna ainda gemia de dor.

— Nós ouvimos – Cameria andava pela clareira, provavelmente procurando vestígios do Mensageiro.

— Com esse escândalo, acho que até o Templo de Huang Hua ouviu – Nevra surgira das sombras.

Valkyon pegou o envelope das mãos de Avanna, que ainda estava tonta e afetada pelo combate.

— O que eles querem conosco para mandar um Mensageiro? – Valkyon analisava o envelope com a testa franzida, Avanna não teve tempo para ver o que tinha nele, ou até mesmo pensar em ver o que tinha nele.

— Q-Que tipo de civilização nos faz lutar até a morte para receber uma carta? Alguém ta precisando urgentemente de inventar a Internet – Avanna tentou brincar para esconder seu estado.

Asgardianos.

Foi a última coisa que Avanna ouviu naquela noite antes de cair inconsciente no chão.

Notas finais
Eu sei que é feio pedir isso, até porque a gente revisa o texto zilhões de vezes antes de publicar, mas sempre fica alguma coisa, então, eu peço de todo o coração que me avisem se notarem qualquer erro. Não vai ser grosseria, pelo contrário, vai estar me ajudando muito a não pagar um vexame para futuros leitores. Enfim, espero que tenham gostado. ♥