Shelter
12 Shelter
Notas iniciais
[música]
Podia se perceber alguns raios de sol adentrando pela janela, já estava amanhecendo, o que raios Daiki fazia acordado uma hora daquelas? “Podia ter fechado a janela BaKise!” pensou abrindo os olhos lentamente.
—Ooe Kise?! – falou rouco num susto ao olhar para o lado.
I find shelter, in this way
(eu encontro abrigo, dessa forma)
Under cover, hide away
(debaixo das cobertas, me escondendo)
Desde quando o loiro estava ali? Tsk droga de remédio forte. A fala do maior foi suficiente para despertar aquele se encontrava entre seus braços.
—Nee ohayo... Aominecchi – respondeu lentamente se espreguiçando e tornando em direção ao moreno.
Can you hear, when I say?
(você pode me ouvir, quando eu falo?)
I have never felt this way
(eu nunca me senti desse jeito)
Ficaram cara a cara, Kise corou violentamente e Daiki reagiu com uma risadinha discreta e logo em seguida um selinho no loiro, que ficou mais vermelho.
—Yo Ryouta... – disse de forma mais rouca e sensual ainda com seu sorriso de canto habitual.
Could I be, was I there?
(poderia ser eu, eu estava lá?)
I felt so crystal in the air
(me senti tão cristalino no ar)
Aquilo era melodia na cabeça do loiro, aliás, naquele momento ele nem sabia a qual delas podia estar se referindo. Daiki apertou ainda mais o abraço, fazendo Kise sentir sua ereção matinal, recebendo um gemido envergonhado em troca.
—A-Aominecchi, a-acho que... acho que você... – vermelho, amarelo, roxo, todas as cores, o loiro estava afundando em vergonha.
—Nee você poderia me ajudar com isso não acha melhor R-y-o-u-t-a? – retrucou o maior lenta e pausadamente em seu ouvido, o fazendo estremecer – Brincadeira BaKise – mentira – não precisa de tanto nervosismo – disse o maior numa risada leve – Nee, já volto – terminou, dando um beijo na lateral do pescoço do menor.
Ryouta permaneceu na cama, embrulhado em um dos lençóis, afinal, seu sono havia sido estupidamente conturbado e aquele remédio realmente tinha derrubado o Aho, caso contrário, teria acordado com os movimentos bruscos e sussurros durante a noite.
—Oe Kise, acorda – cutucou o menor que já voltara a dormir.
—Hmm não... – disse preguiçosamente em resposta.
Daiki respirou fundo, devia haver alguma coisa que pudesse fazer para o loiro esquecer a noite anterior, como havia algo que ele precisava pra esquecer aquela maldita noite: tinha nome, sobrenome e cabelos loiros. “Tsk, preciso ajudar Kise primeiro” o moreno ponderou, mas depois seria sua vez, afinal, tinha suas necessidades também.
—Oe anda – falou cutucando-o mais uma vez – Tava pensando... er... nós podíamos sair pra tomar café, o que acha? – terminou meio encabulado.
Era uma ideia boba, devia admitir, mas quem sabe poderia fazer o menor parar de esconder tanto o que se passava na sua cabeça, eles podiam simplesmente aproveitar uns minutos de conversa boba e bebidas quentes naquele dia que esfriava cada vez mais, como nos velhos tempos. “Ah sim” suspirou.
—Hm você falou comida? – disse o loiro de forma manhosa abrindo um sorriso.
—Magrelo de ruindade – brincou o maior – Hm... e quem sabe depois a gente podia passar na doceria... – falou cutucando o outro lhe causando cócegas.
E então os dois começaram a rir trocando caricias e brincadeiras. Kise derrubou o moreno na cama, que ficou por cima de si. Ah droga, por que era tão difícil se controlar perto daquele loiro? Segurou seus braços na cama numa provocação, fazendo Ryouta soltar um gemido, algo de errado soou no ouvido do moreno.
—S-solta A-aomin... – não precisou nem pedir.
Daiki caiu por terra: aquilo havia sido um gemido de dor. Com medo que tivesse feito algo levou um choque ao olhar o lugar que há pouco segurava. “A-aquilo de novo não... por favor, não...” a dor dos socos e chutes que havia levado não se comparava àquilo, era como ser queimado por dentro, ele simplesmente estagnou encarando os machucados que sobrepunham os anteriores.
—Oe gomen Aominecchi – Kise virou a cabeça evitando olhar o moreno e começou a chorar da forma mais silenciosa que pôde, quase como se sua franja que caíra sobre seus olhos pudesse o separar do resto do mundo – Gomen...
It's spiraling down
(é uma espiral para baixo)
Biting words like a wolf howling
(palavras cortantes como um lobo uivando)
But we're still sleeping like we're lovers
(mas ainda estamos dormindo como se fôssemos amantes)
Daiki não tinha reparado no braço do loiro de tão inebriante que havia sido a sensação de acordar com ele ao seu lado. Na verdade, já até tinha se acostumado com as cicatrizes daquele dia, elas já estavam sumindo, mas sem dúvidas aquilo havia sido uma segunda dose do que provavelmente foi o pior sentimento pelo qual passou a sua vida toda. Não podia chorar e muito menos gritar ou quebrar alguma coisa. Olhando para o teto, organizou um pensamento e respirando fundo levou o queixo do menor próximo de si, selando seus lábios.
—Xiu seu loiro chorão – disse Aomine tentando fazer uma brincadeira, ou sabe-se lá o que – Eu to aqui por você, lembra? Nós vamos superar essa juntos, hai pequeno? – terminou em meio a um sorriso abraçando o loiro.
I still want to drown, whenever you leave
(eu ainda quero me afogar, sempre que você deixar)
Please, teach me gently, how to breathe
(por favor, me ensine suavemente, como respirar)
Provavelmente havia sido a coisa mais gay e amorosa que já tinha falado em toda sua vida, mal podia se reconhecer. O amor deixava as pessoas idiotas mesmo, talvez fosse disso que ele precisava. Não digo de amor propriamente dito, mas daquele loiro.
“Pequeno...” isso soava pela cabeça de Kise, seus olhos brilhavam, não por dor ou tristeza, mas sim felicidade, amor e tudo de bom que ainda restasse naquele coração. Sim, seu “pequeno”.
Tamanha fora a sutileza do outro, porque mesmo com tais palavras, os pensamentos se atropelavam na cabeça de Aomine, era tudo muito confuso, ou melhor, ele era muito confuso. Quer dizer, do que Ryouta precisava? Ele já não estava lá? Não havia prometido ficar? Ser forte pelo loiro? E foi. O que mais podia fazer? Quer dizer... ele não era muito bom com relacionamentos “nessa parte”, mas porra, o moreno estava fazendo o possível! Quando era menor, até antes dos pais se separarem, ouvia que só o amor bastava, e ele realmente havia voltado a acreditar nisso, mas não porra! Se fosse mesmo verdade ele não teria que encarar aquela cena deplorável mais uma vez! S-será... será que Kise não percebia que isso o machucava também? Afinal, Daiki o amava, talvez mais que a si próprio e isso era algo perigoso para alguém que agia por impulso.
O que acontecia na cabeça do maior, bom, nada daquilo vinha ao caso no momento, só precisava esfriar a cabeça. Aomine desfez o abraço e se dirigiu até o banheiro, onde colocou a banheira para encher e retornou ao quarto. Olhou o loiro de uma forma que nunca tinha feito antes, mal ele sabia o que era que saltava tão forte no seu peito, um misto de luxúria com amor e preocupação, mas mais amor que qualquer outra coisa. A visão de Ryouta era algo inebriante, para o moreno, era a sua droga, o seu maior vício. Inclinando-se sobre a cama e segurando a lateral do rosto do menor apenas sussurrou:
—Oe, vamos tomar um banho para ir tomar café? – com seu habitual sorriso de canto nos lábios.
Kise arfou alto, achava que ele o odiaria para sempre, mas não, Daiki estava lá, mais uma vez. Aceitou com um beijo acanhado e logo em seguida foi, literalmente, carregado pelo maior até a beirada da banheira onde foi colocado. Parecia uma criança, Aomine tirava peça por peça de sua roupa com cuidado e calma deixando-o apenas com sua boxer azul marinha, logo depois tratando de retirar a única peça que cobria a sua boxer preta. Quando deu por si, o loiro estava vermelho, evitava olhar para baixo, para os lados, para cima e acabar por encarar o moreno, na verdade não sabia onde enfiar a cara, isso realmente divertia o outro, fazendo seu sadismo subir-lhe pela espinha. “Droga ele é tão... tão gostoso” pensou Kise na sua cabeça, precisava entrar logo na água antes que algo ficasse notoriamente animado. Aomine apenas pegava algum sabonete líquido para despejar na água e quando se virou foi surpreendido com um beijo tímido, mas totalmente apaixonado do loiro. Sua sanidade foi embora, ou melhor, jogada no lixo. Separou os lábios a fim de constatar a coisa mais eminente daquele dia:
—Eu te amo Kise Ryouta – disse o moreno com os olhos fixos nos orbes dourados – Seja meu, hoje, amanhã...
—Sempre – completou o menor, enroscando-se no pescoço alheio.
[música]
Deram início a um beijo intenso. Daiki explorava todos os lugares possíveis pelo corpo do loiro com seus dedos ágeis, o contraste da pele morena com a pele pálida do outro era algo incomparável. Eram opostos unidos pelo orgulho e amor que nutriam em seus seres.
Foi tudo muito rápido, quando o loiro deu por si, estava agarrado a cintura do maior contra a parede gelada, aquilo lhe dava arrepios. “Tsk, é a primeira vez dele, no banheiro não Aho!” pensou Aomine, parecia até mentira num momento desses que ele pensaria com a cabeça certa. Rapidamente se dirigiu ao quarto deitando o menor na cama, fitando-o de cima a baixo. Seus olhos descreviam toda a luxúria que sentia com aquela visão de um anjo se entregando a ele. Com um sorriso malicioso cursou uma trilha dos lábios já vermelhos aos mamilos róseos de Kise, mordendo e sugando o pequeno local. Ryouta soltava breves gemidos, aquilo era realmente bom. Após mais alguns chupões e mordidas pela pele desprotegida e extremamente apetitosa do menor, que com certeza resultariam em altos roxos nas horas seguintes, Daiki voltou à trilha perigosa. Aomine parou por um instante, “Nee, o que ele v-vai fazer?” pensou o loiro até ter seus lábios tomados mais uma vez. Daiki estava cheio dessa pose de certinho que o outro mantinha, no meio do beijo, apertou o volume que era reprimido dentro da boxer azul, resultando num alto e despudorado gemido proveniente da boca de Ryouta. Escondeu o rosto na clavícula do menor, dando leves mordidas.
—Kise... – recebeu um breve “hm” em troca – Eu... posso? – o loiro arfou alto.
Aquilo bastou para o moreno, que tomou novamente seu rumo, dando breves beijos pelo caminho, nunca abandonando o olhar dourado. Ryouta estremeceu ao ser fitado de forma tão intensa, sentia seu corpo ser analisado centímetro por centímetro, aquilo o fazia queimar por dentro, era tão... tão bom! Aomine abaixou a boxer azul marinha com agilidade, liberando, finalmente, a excitação do loiro. Aquilo havia sido um alívio. Mais um sorriso malicioso e o moreno sugou a glande fazendo Kise estremecer. Ele queria fazer isso, mas droga, inexperiência era uma merda! Porém seus pensamentos se esvaíram quando o outro o engoliu por inteiro.
—Ngh... i-isso é tão b-bom – falou o loiro já rouco de prazer.
Daiki apenas soltou um riso de canto, sabia muito bem como aquilo era maravilhoso, mas faria ser ainda melhor.
Não demorou muito para o menor se desfazer na boca do moreno, só se podia ouvir a respiração ofegante de Kise ao fundo. Aomine se levantou e ficando em pé ao lado do menor, observou aquela cena. Definitivamente Ryouta parecia um anjo, não mais tão puro, mas certamente um anjo.
—Como você é doce – disse numa malícia eminente enquanto limpava a lateral da boca com o polegar fazendo Kise esconder a cara no travesseiro respirando alto. “Droga, eu tenho que tomar alguma iniciativa!” triturou na sua cabeça.
Ah doce e puro sadismo, aquilo ela diversão aos olhos daquela alma selvagem, Aomine foi engatinhando por cima do menor, e sussurando:
—Oee... – brincou com seus dedos pelas costas do loiro – Por que está tão nervoso? – tinha um sorriso de ponta a ponta.
Porém dessa vez Ryouta foi mais rápido, invertendo as posições e beijando como paixão os lábios do maior. Não sabia direito o que fazer e Daiki percebeu essa insegurança do menor. Lentamente foi sentando, sem separar os lábios e ficou na beira da cama.
—Nee faça ajoelhado – disse num sussurro ao desgrudar os lábios sedentos – Relaxe – falou estimulando o outro que já se animava novamente.
Lentamente Kise se abaixou e abocanhou a ereção do companheiro, tentando reproduzir exatamente o que ele fez. Ah droga, como aquilo era bom! Aomine guiava a cabeça do menor, ritmando a situação. Ele chegava a se curvar de tão boa que era a boca do loiro.
—Ahh K-Kiseee – sua voz saía rouca, inebriando os pensamentos do outro.
De repente Daiki o fez parar e o jogou (leia-se carinhosamente) na cama, ele já não podia aguentar mais. Por cima, Aomine beijou o loiro com sofreguidão, talvez até um pouco de brutalidade, mas foda-se, aquilo era bom demais, Kise era bom demais. “Tsk, esse loiro não deve ter nenhuma camisinha ou k.y.* merda” pensou o maior, teria de ser assim mesmo. Daiki foi breve na preparação, tinha medo de machucar o outro, mas raios, sua vontade era de violá-lo ali mesmo, de uma vez por todas.
—Chupe. – disse colocando três dedos na boca do menor enquanto beijava e mordiscava a pele alva.
Ryouta extremamente submisso, assim o fez. Apenas aproveitava todo aquele calor percorrendo seu corpo, todo aquele amor. Aquilo tudo era dele, pra ele, por ele, era tudo intenso demais. Aomine colocou um dedo de cada vez no orifício do menor recebendo alguns grunhidos em troca. Dessa vez quem não aguentaria muito mais tempo era o loiro.
—Pode colocar Aominecchi – pronunciou num sussurro – e-eu confio em você.
Havia sido a gota d’água. O sorriso de Daiki cresceu e colocando o loiro de quatro a sua frente falou malicioso:
—Gomen Kise... – falou entrando de uma só vez no menor.
And I'll cross oceans, like never before
(e eu vou cruzar os oceanos, como nunca antes)
So you can feel the way I feel it too
(assim você pode sentir como eu me sinto também)
Sua voz havia saído rouca de pura luxúria, aquilo talvez houvesse sido vingança, doce, gostosa, nada pura. Mas também havia sido amor. Amor com suas pontas de sadismo.
O prazer indescritível de Daiki foi a dor de Ryouta, que tinha lágrimas escorrendo dos orbes dourados, porém alguns segundos parado dentro do loiro foram suficientes para ele se acostumar.
—Nee Aominecchi, se mexa – ele estava vermelho, seus olhos brilhavam, era lindo demais para ser verdade – não vou aguentar muito mais tempo...
Não foi preciso pedir uma segunda vez. Permaneceram naquele ritmo selvagem por uns quinze minutos, quando o moreno finalmente atingiu a próstata do menor, levando os dois ao ápice.
—Aaah K-Kise – pronunciou num gemido alto e rouco, caindo ao lado do menor, se retirando dele.
—A-Aominecchi – disse ofegante – isso... – respirou procurando por ar – foi maravilhoso – terminou num sorriso largo.
Aquele sorriso era único de tão belo. O loiro havia se virado em sua direção, sendo abraçado pelo maior, enquanto os dois tentavam, em vão, normalizar suas respirações.
—Koishiteru Kise Ryouta – disse desferindo um beijo no pulso do menor e colocando-o contra seu peito.
—Koishiteru Aomine Daiki – já escorriam lágrimas dos orbes dourados.
—BaKise – falou o moreno limpando as lágrimas que escorriam daquela face angelical e dando um singelo beijo na testa do loiro.
—Aho... – terminou selando seus lábios em meio a um sorriso.
Still with eyes meeting
(ainda com os olhos se encontrando)
Still our hands match
(ainda com nossas mãos encaixadas)
Still with hearts beating
(ainda com os corações batendo)
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