Shelter

14 Love will tear us apart?


Notas iniciais
Eu falei que ia voltar e olha eu aqui (•⊙ω⊙•) regada a RedBull porque minha Páscoa foi levemente agitada (só tô acordada direto desde ontem after a party but isso me deu criatividade so...). O que dizer desses leitores que eu tanto amo e tanto me consideram aguentando essas minhas demoras hein? Que vocês são maravilhosos, sério (╥_╥)~♡ Sem enrolar mais nas notas, a música desse capítulo é Love will tear us apart do Joy Division. Pois é, muito nada a ver com as músicas que vem regando a fic né? Mas encarem isso como... sei lá, só não me matem (ι´Д`)ノ Eu ando muito indie, as long necks tão me parecendo muito indies, a chuva ta muito indie e pra acompanhar, minha playlist anda sendo muito indie, ah (つд`) Preciso de férias, dinheiro, carta de habilitação e ter +18, que 16 anos não tá mais funcionando pra mim não gente. Nee, voltando mais uma vez à fic, aproveitem para matar a saudade com esse capítulo com altos e baixos desse meu "ying-yang no basket", afinal, velhos hábitos nunca morrem ♡

[música]

Seu mundo estava definitivamente virando de cabeça para baixo.

Mais uma vez.

“Deixe-o” essas palavras foram afiadas no coração do moreno. “Tsk, como esse velho pode achar que isso é tão fácil?”. Era sufocante apenas cogitar a ideia, ele simplesmente não podia.

Havia passado a noite em claro após a volta do jantar. Passara longas horas remoendo em sua cabeça tal ideia absurda e observando o semblante sereno do loiro que dormia ao seu lado. E como velhos hábitos nunca morrem, revirou a mesinha de cabeceira a procura de algo. Vasculhou brevemente para então achar um maço de cigarros surrado no fundo da gaveta juntamente com o velho isqueiro. Acendeu um.

Tragou uma vez, tossiu.

“Merda de cigarro mentolado que o Kise comprou” resmungou.

A segunda foi mais profunda, amarga.

Uma nova bomba relógio havia sido instalada ali. Exatamente naquele momento, com aquele maldito cigarro. Mais uma vez se iniciava a contagem regressiva.

Proposta estúpida”.

There's taste in my mouth

(há um gosto em minha boca)

As desperation takes hold

(enquanto o desespero toma conta)

Just that something so good

(será que uma coisa tão boa)

Just can't function no more?

(pode simplesmente não funcionar mais?)

E após o segundo cigarro dormiu.

—Ohayou Aominecchi – disse o loiro de forma manhosa se dirigindo ao maior.

—Hm só mais uma vida inteira BaKise... – retrucou num sussurro rabugento, porém igualmente manhoso.

—Nee, não acha que é muito tempo Aho? – falou numa brincadeira cutucando o abdômen desnudo do moreno causando-lhe cócegas.

—Hm se bem que todo esse tempo com você não seria ruim – comentou sorrindo de canto “Eu falei mesmo isso?!”.

—Nee Aominecchi! – disse Kise já vermelho enfiando a cara na clavícula alheia – N-não diga essas coisas tão repentinamente!

—Hun – apenas pronunciou abraçando o garoto de pele alva que se encontrava sobre si – Mas não seria mesmo... – terminou quase num sussurro para logo em seguida tomar os lábios de Ryouta de forma apaixonada, quase devota.

O menor agarrou-lhe o pescoço ainda mais firme. Como Daiki conseguia fazer aquilo com ele apenas com simples palavras e um abraço? “Bem que não seria mesmo uma má ideia Aho...”.

Com o tempo o beijo tornou-se necessitado, línguas brigando por um espaço enquanto suas respirações brigavam por ar. Mas aquele gosto... havia algo de diferente ali, ou melhor, de nostálgico.

—Daicchi... – chamou o menor ofegante tendo o olhar felino direcionado a si – V-você mexeu nas minhas gavetas? – tentou disfarçar.

—Hm talvez – respondeu secamente, por que a mudança de humor tão repentina?

—Meus cigar...

—Mentolados – interrompeu com cara de desgosto.

—Por... por quê? – a cara de Kise já transmitia preocupação.

—Hum.

—“Hum” porcaria nenhuma! O que aconteceu naquela sala ontem Aomine? – a desconfiança tomava partida e o clima pesava cada vez mais.

Daiki apenas se resignou a levantar e sair andando do quarto em direção à sala, largando Ryouta sentando na cama sem entender absolutamente nada, ou quase nada. Vasculhou alguns bolsos da velha jaqueta jogada no sofá procurando seu próprio maço, encontrando-o vazio.

—Ô caralho – resmungou enquanto jogava a jaqueta com força num canto qualquer e ia em direção à cozinha, já estava ficando sem paciência e igualmente de mal humor.

Revirou a geladeira e no congelador encontrou uma garrafa de vodka já aberta. “Deve servir” completou mentalmente. Pegou um copo qualquer, serviu-se e se sentou na bancada.

—Mas que merda! Por quê?! Por que caralho?! – sussurrou após um longo gole da bebida translúcida.

Aomine apertava de forma estupidamente forte o copo em sua mão que ameaçava ceder a qualquer momento, porém sentiu seu pulso ser segurado com delicadeza, fazendo-o afrouxar o punho pousando o copo.

—K-Kise, por favor eu não quero falar sobre isso ago... – foi interrompido por um abraço, forte, apertado e aconchegante vindo do loiro.

Aquilo o acalmou, mas de forma tão repentina, e quase instantânea, fez Daiki retomar a possibilidade de perdê-lo, retribuindo o abraço de forma protetora. Mas, por alguns segundos, a verdade foi que, quem precisava ser protegido ali, era o moreno.

—E-eu não quero... – respirou fundo tentando arranjar coragem, o menor apenas fitou-o docemente – Por favor, eu não quero te perder – soltou tudo num fôlego só, apenas cogitar tal ideia era um soco em seu estômago.

Sua resposta foi simples, apenas mais um abraço e um beijo, o qual o loiro tinha dado partida. Era apaixonado e doce, incondicional. Era amor.

Definitivamente era amor.

—N-não vai – respondeu o menor corado e levemente ofegante esboçando um sorriso breve.

—Kise, precisamos conversar – encerrou apoiando seu queixo em cima da cabeça do menor.

A feição doce do loiro se transformou em questão de segundos com a constatação do moreno. Realmente algo havia acontecido lá naquela sala no dia anterior. Algo sério. E mesmo sem saber o porquê, as bases de Ryouta se sentiram ameaçadas. Ele apenas engoliu em seco e permaneceu encarando o maior a sua frente.

—Primeiro me dê mais um daqueles cigarros mentolados horrorosos – pediu Aomine com um olhar cansado que denunciava suas poucas horas de sono.

—Não te quero fumando Aho, nós já tínhamos decidido parar com isso. Aliás, se é tão ruim assim, não precisa de outro – respondeu num tom reprovador.

Ah se ele soubesse o quanto Aomine Daiki odiava ter uma “babá”... Num gesto simples e rápido driblou o loiro, pegando a garrafa de vodka tomando do gargalo um longo gole e indo em direção ao quarto. Ele pegaria mais um daqueles malditos cigarros horrorosos, independente do que Kise dissesse.

Why is the bedroom so cold?

(por que o quarto está tão frio?)

Oh you've turned away on your side

(ah, você se virou para o seu lado)

Era o último do pacote. Pegou-o e acendeu, dando uma longa tragada seguida de uma careta. “Tsk, é ruim pra caralho. Aliás, cadê essa loira de farmácia?” pensou consigo mesmo rindo logo em seguida: há quanto tempo não chamava Ryouta assim? Era divertido o ver irritado com o apelido. Tornou à sala, parando de frente à grande janela onde observou levemente à rua não muito movimentada, totalmente oposta a rua de seu apartamento que ficava numa movimentada avenida. Soltou um leve riso com a comparação.

—Oe, o que acha que está fazendo BaKise?!

—Tragando do meu cigarro, com licença – disse com descaso arrancando-o da mão do moreno, ele também precisava daquilo.

—Tsk – pronunciou irritado, dando outro gole direto da garrafa oferecendo a Ryouta, que recusou.

Is my timing that flawed?

(será que só chego na hora errada?)

Our respect runs so dry

(nosso respeito se acaba rapidamente)

Yet there's still this appeal

(mas ainda há esta atração)

That we've kept through our lives

(que mantivemos ao longo de nossas vidas)

—Velhos hábitos nunca mudam não Aho? – perguntou irônico.

—Rumpf acho que isso já é parte do nosso ser – respondeu com descaso aparente.

Aomine não se importava com aparência, ou melhor, não precisava, ao contrário do loiro. Não se importava com noites mal dormidas, bafo de cigarro e olhos de ressaca, eram seu seu charme àquela altura. Já Kise não gostava de bebidas, nunca foi chegado e bem se lembra do dia que resolveu abusar delas, o resultado foi péssimo, talvez um chute no estômago tivesse sido mais confortável. Não sabia como o Aho podia gostar tanto disso, ou necessitar, mas o cigarro já havia se tornado seu velho amigo nos momentos mais estressantes.

—Que parte mais idiota não? – finalizou irônico, dando mais uma tragada.

Aomine deu de ombros. Alguns poucos minutos se passaram ali: os dois consumindo seus problemas e observando a rua pacata. Poucos minutos que pareceram mais uma eternidade, mas fora reconfortante de alguma forma, eram dois perdidos tentando se achar no outro, doce ironia.

—Seu pai me fez uma proposta – Daiki rompeu com o silêncio assustando o menor.

—Hm, jura? – retrucou calmamente.

“Tsk, como ele pode estar tão calmo? Loiro idiota!” pensou consigo mesmo irritando-se.

—Hn – deu mais um gole.

—Se for bom pra você... – ponderou Kise abaixando o rosto escondendo-se atrás da franja, não queria demonstrar fraqueza, já estava farto disso – Quero que aceite – seu coração doía.

Aomine assustou-se, virando para encarar o menor ao seu lado, que não conseguia ver sua feição graças aos fios loiros em frente aos olhos.

—Ele me ofereceu uma bolsa de estudos integral nos Estados Unidos para jogar basquete – concluiu encarando a garrafa quase vazia em sua mão.

Só se foi visível uma fina gota escorrer pela face delicada e então cair no chão. Ryouta passou a mão direita secando os olhos para então tomar coragem.

—Q-ue maravilhoso Daicchi – virou sorrindo.

Um sorriso triste. Lágrimas escorriam pelo rosto delicado já vermelho de tanto segurar. Aomine largou a garrafa imediatamente, abraçando o menor.

—Eu não vou – falou decidido por cima da cabeleira loira.

—M-Mas... Você tem que ir! – gritou Kise se desprendendo do abraço assustando o maior – Essa é a sua chance! É tudo que você sempre quis! – essas palavras podiam ser as mais sinceras, mas por que doíam tanto?

—Não me importo, o que eu quero está aqui BaKise – falou num sorriso terno encarando o menor.

Sabia que um dia poderia se arrepender disso, mas aquela não era a hora.

—Mas eu me importo – retrucou ainda com lágrimas – Por favor, vá.

Seu olhar era suplicante. Aomine entendia que Ryouta queria seu melhor, mas ele não tinha coragem de largá-lo sozinho depois de tudo.

—E-eu não posso... – disse Daiki quase que pra si mesmo quando Kise beijou-o de forma apaixonada e confiante.

—Pode sim, meu Aho – concluiu com um sorriso breve, mas sincero.

Uma coisa era certa: ambos se sentiam despedaçados.

When routine bites hard

(quando a rotina corrói duramente)

And we're changing our ways

(e vamos mudando nossos caminhos)

Taking different roads

(pegando estradas diferentes)

Then love, love will tear us apart

(então, o amor, o amor vai nos separar)

Again

(outra vez)

Notas finais
Nee, então é isso meus caros ╮(─▽─)╭ sem comentários a mais, a pergunta fica: would love'll tear them apart? muahahah ಥ⌣ಥ oh kissus da May, até o próximo capítulo meus leitores lindos (~ ̄▽ ̄)~ *foge* Obs: não me abandonem ou eu vou puxar o pé de vocês a noite viu (*´Д`)ハァハァ tenham paciência comigo, eu prometo não decepcioná-los ᕙ(⇀‸↼‶)ᕗ~♡