Shelter
6 Lost in you
Notas iniciais
[música]
Kise havia acordado e sua cabeça rodava, sua visão estava embaçada, e... que som era esse? Ugh, respiração alta. Tudo havia sido um sonho? Não, não. Que possibilidade mais ridícula. Mas... se não era um sonho, onde ele estava?
Ryouta rodou um pouco a visão limitada e parcialmente turva até achar alguém dormindo sentado na cadeira de sua... bancada? Bom, pelo menos estava em casa.
—Ugh – grunhiu juntando forças para prosseguir com a saudação – Y-yo... – se sentia tão debilitado.
Sua cabeça doía, merda, e como doía. Já podia desistir e voltar a dormir?
—Hmm – pronunciou lentamente a pessoa que se encontrava num sono quase que profundo – Nee... – se espreguiçou – Então você acordou Bakise. – aquilo soou como melodia à mente do loiro que se encontrava em dor aguda, não havia sombra de dúvida de quem se recostava ali sonolento.
I always knew that you'd come back to get me
(eu sempre soube que você voltaria para me buscar)
And you always knew that it wouldn’t be easy
(e você sempre soube que não seria fácil)
—Oee Aominecchi – falou de forma breve e baixa que lhe custou mais forças do que dispunha.
Se a voz de Daiki era melodia aos ouvidos de Ryouta, podia se dizer o mesmo para o outro e ainda se levar em conta aquele sorriso encantador, mesmo que diminuto, do loiro.
Aomine ao ouvir aquilo caiu em sua realidade de forma tão seca que em questão de segundos após esfregar os olhos para ter certeza de sua visão, levantou-se e num salto e parou ao lado da cama, em frente à bolsa de soro, em choque. Sim, uma bolsa de soro, mas aquilo não importava a Kise naquele momento. Olhos azuis nos dourados, Aomine sorriu e abraçou o loiro. Esse abraço era aliviador. Pensando bem, aquela ideia de tudo isso ser um sonho não parecia mais tão absurda assim.
Somehow I found a way to get lost in you
(de alguma forma, eu encontrei um jeito de me perder em você)
Let me inside
(me deixe entrar)
Let me get close to you
(me deixe chegar perto de você)
Change your mind
(mude sua mente)
I'll get lost if you want me to
(eu vou me perder caso você me queira também)
Desfeito o abraço (a duras penas, diga-se de passagem), haviam ainda algumas coisas não... explicadas. Começando pelo clássico “o que estava acontecendo?”. Afinal, Ryouta estava basicamente hospitalizado em seu próprio apartamento.
—Nee, Aominecchi – disse o loiro meio incerto – O-o que aconteceu?
—Tsk – essa pergunta havia sido uma pontada no coração do moreno – Você desmaiou enquanto arrumávamos o apartamento.
Ah sim, Kise se lembrava bem daquele dia, o que fez sua cabeça doer ainda mais.
—Nee, Aominecchi... – fez menção de perguntar algo mais uma vez com medo que Aomine ficasse impaciente.
—Diga. – disse indiferente enquanto checava a bolsa de soro pra ver se não tinha acontecido nada de errado durante “o abraço”.
—Por que eu estou aqui? – agora sim o moreno havia perdido a paciência.
“Aquele loiro não podia ser tão cínico assim” esbravejava a mente de Aomine. Por pouco não se viu uma veia pulsar na testa do moreno. Nem parou pra pensar – como de costume – que o loiro podia estar apenas confuso devido ao desmaio tê-lo feito bater forte a cabeça no chão.
—Tsk, você não se lembra ou só se faz de idiota? – Kise rebateu apenas com uma cara assustada, porém ingênua.
Sabia bem o que tinha feito, mas não que aquilo fosse causar tantos danos, afinal muitos famosos que ele conheceu faziam o mesmo.
—Okay, foi o seguinte – respirou fundo e procurou uma forma sutil de falar – Você, mais do que eu – disse enfatizando bem essa parte – sabe dos detalhes que andaram acontecendo na sua vida “particular”, eu não sou tão cego Kise... Quer dizer, me importo com você...
The pain of it all
(a dor de tudo isso)
The rise and the fall
(a ascensão e a queda)
I see it all in you
(eu vejo isso tudo em você)
—V-você sem importa comigo? – Ryouta falou passando completamente por cima da fala de Aomine.
—Tsk isso não vem ao caso. – prosseguiu – Quando você não atend...
—E-eu... E-eu só não falei nada porque achei que você ia gritar e brigar comigo. – disse Kise cabisbaixo.
I remember when I said I'm nothing without you
(eu me lembro quando eu disse que não sou nada sem você)
—Claro! Quer dizer, talvez. Como talvez se eu soubesse o que andava acontecendo com o estrelinha, poderia ter chego antes e nada disso teria acontecido. – Aomine já se irritava novamente. – Você quer saber o que aconteceu? Você desmaiou, segundo o médico, por falta de sono, comida e perda de sangue enquanto estava com falta de nutrientes. Você acha que isso é forma de se descobrir? Entrando em desespero porque você desmaiou e eu não podia nem sequer chamar uma ambulância por causa da sua vida pública? Só pude esperar um médico chegar sem nenhum equipamento pra te ver! Que merda Kise! Eu achei que tinha perdido você! – Daiki praticamente gritava as últimas frases; cada vez que pronunciava “você” era como um soco no estômago.
Somehow I found a way to get lost in you
(de alguma forma, eu encontrei um jeito de me perder em você)
Kise levantou-se e num impulso agarrou o pescoço de Aomine, no ímpeto de se segurar para não ir ao chão, mas principalmente de abraçar o moreno a sua frente.
—Gomen... gomen... – sussurrava Ryouta apoiado no ombro do maior, enquanto o mesmo o segurava como algo frágil, delicado, que necessitava de suporte.
—Não faça nunca mais isso comigo, do caso contrário eu mesmo me asseguro de que você estará morto quando o médico chegar – dizia Daiki mordendo a língua – Nunca mais, onegai.
—Hai. – respondeu o loiro breve quase sem fôlego, suas pernas falharam.
Aomine segurou-o com toda a força que dispunha e o colocou novamente deitado na cama, colocou uma nova bolsa de soro e afagou os cabelos loiros.
—Nee volte a descansar que você ainda não está bem. – Kise respondeu com um simples grunhido e logo caiu num sono pesado.
Com isso, Aomine dispões de um longo tempo para pensar e nada de bom poderia resultar disso. Afinal, Daiki não era lá muito de pensar nas coisas.
Ele passou longos minutos fitando o loiro a sua frente dormir, mas havia algo que o perturbava, já há algum tempo, diga-se de passagem, era o porquê de se importar tanto com Ryouta, quer dizer, claro que eles eram amigos há muito tempo, mas a situação já estava ficando ridícula, ele vivia pensando no loiro. “Grr admita que tem algo errado nisso Aho” dizia pra si mesmo.
Aomine’s POV
Merda o que há de errado comigo? Por que será que eu me alterei tanto com esse negócio do Ryouta? Tsk parece até coisa de garota apaixonada – pensou rindo consigo mesmo. Não. Definitivamente não! Kise é um homem, que coisa mais ridícula... Mas e se fosse? Ele parece tão bonitinho enquanto dorm... Ok, vamos parando por ai, eu ainda me interesso pelos peitos da Momoi, nada de errado quanto a isso, então não posso ser... er... você entendeu. É, não, de jeito nenhum. Acho que eu ando precisando sair um pouco, isso sim.
Narrador’s POV
Já era noite quando Aomine chegou a essa (não tão) brilhante conclusão. Resolvera sair um pouco pra “colocar as ideias no lugar”, ou o coração num lixo e o resto num quarto de motel. Sim, agora parecia com o Aomine Daiki que todos conheciam. Todos, menos ele mesmo. “Tsk, loiro idiota” pensou Aomine passando pela entrada da balada. Ele precisava provar algo pra si mesmo, ou melhor, para o seu próprio ego que qualquer dia o afundaria. Mas como o destino sempre tem um modo irônico de agir na vida do nosso moreno, “qualquer dia” poderia ser bem mais próximo que se imagina.
I'm nothing without you
(eu não sou nada sem você)
Fale com o autor