Sheets For Letters
2 Cartas de Cumprimento
Notas iniciais
Nico se recostou na porta do chalé de Hades. Ainda não tinha amanhecido, isso significava que teria o acampamento todo apenas para si. O que não importava muito, pois ele ficaria ali, pensando em quem não queria pensar.
Ele jura para Jason que isso não é masoquista, mas o loiro discorda, claro. Quem concordaria com uma alegação patética como essa. Ah, Jason... Mesmo que nunca fosse admitir em voz alta, aquele garoto era seu melhor amigo. Foi a primeira vez que Nico sentiu algo como a amizade verdadeira. Agora, o filho de Júpiter simplesmente o deixaria para voltar ao acampamento romano.
Ok, isso soou muito egoísta. Nico geralmente tentava ao máximo não ser assim, mas muitas vezes o fato de Jason ser seu único e melhor amigo o fazia pensar assim.
O garoto moreno deixou seus pensamentos fluírem... Levando-o a vários pontos diferentes e constantemente para seu próprio "mundinho" feliz. Como sempre seus devaneios acabaram guiando-o ao filho do deus do mar, obviamente irritando Nico. Que balançou a cabeça, afastando-se daquele mundo. Odiava pensar em Percy Jackson.
Levantou do chão e caminhou sem rumo algum. Esse era um dos prazeres do filho de Hades, andar sem saber para onde ir. Apenas certas pessoas conseguiriam entende-lo. Porém quando se diz "certas", quer dizer nenhuma.
Seguiu passeando pelo acampamento, vagarosamente, se quer saber. Ele queria que o tempo parasse: assim ele nunca teria que admitir "certas verdades" para si mesmo. Quando de repente, se deparou com Quíron conversando com alguém, o que Nico achou estranho, considerando que deveriam ser sete da manhã. Se aproximou, vendo que na realidade o "alguém" com quem o centauro conversava era uma garota
Ela era mais alta que Nico uns cinco centímetros. Tinha cabelos castanhos desarrumados e olhos da mesma cor, com sardas salpicadas pelas bochechas e nariz. Usava um short jeans surrado, um All Star preto velho e uma blusa com os dizeres: "AVADA KEDAVRA, BITCH!" Também carregava uma bolsa transversal vermelha com bottons e broches.
O garoto virou-se e tentou se afastar, não queria se meter com campistas novos, porém Quíron foi mais rápido:
— Bom dia, Nico! — disse — Volte aqui, não fuja.
"Santo Hades" pensou "Não existe mais paz nessa lugar?"
— Voltou-se para Quíron, cumprimentando-o sem ânimo algum:
— Bom dia. Quem é essa?
A garota olhou para ele sorrindo, os olhos dela se fecharam com essa ação. Ela estendeu a mão para ele:
— Sou Valentinna Silver. É um prazer.
Nico apertou a mão dela.
— Nico di Angelo, o prazer é todo meu. — respondeu automaticamente.
Ficaram em silêncio por alguns segundos, até que o centauro resolveu quebrar o silêncio.
— Certo, Nico... Por que você não mostra o acampamento para nossa mais nova campista?
"Como se eu tivesse opção" pensou. Porém a resposta dada a Quíron foi apenas um aceno de cabeça positivo e então moveu a mão em sinal para que Valentinna o acompanhasse. O diretor de atividades se despediu da garota e saiu em direção a Casa Grande.
Nico voltou a sua caminhada agora acompanhado e vez ou outra explicando certos lugares para a garota. Porém ela não parecia estar muito interessada. Sua expressão era de quem estava perdida em pensamentos, a milhares e milhares de quilômetros dali; ou talvez até em outra vida. O filho de Hades não se incomodou, claro, isso acontecia com ele mais frequentemente do que aparentava. Mas então aconteceu algo surpreendente, incrível e mágico: Nico di Angelo teve vontade de puxar assunto.
— E ai? — começou — Já sabe de quem é filha?
A garota olhou para ele, meio surpresa (o que Nico não entendeu direito, afinal qual o problema de um garoto depressivo, tímido e calado puxar conversa?). Mas logo depois sua expressão neutralizou.
— Já. Sou filha de Macária, deusa da morte tranquila.
— Que bacana. — comentou — Sou filho de Hades.
Valentinna deu uma risadinha.
— Então... Tecnicamente falando, eu posso te chamar de tio. — Nico riu pelo nariz — Relaxa, não vou te chamar disso.
— Tudo bem. — o garoto sorriu divertido — Sobrinha.
A garota riu e Nico a acompanhou. Essa era uma das primeiras vezes que fez uma brincadeira, que não incluísse humor negro. Ah, quem não gosta de humor negro.
— Bem, se você pudesse me mostrar onde fica o chalé de Macária, eu agradeceria.
— Claro.
Guiou-a até o chalé da deusa menor (que era, por incrível que pareça, vazio) se despediu e voltou a caminhar. Tentando não pensar em muitas coisas e, como sempre, falhando.
Principalmente quando passou pelo chalé de Poseidon e viu uma Annabeth saindo de lá com Percy. O clima entre os dois não parecia estar tão bom. Estava ao ponto de eles se abraçarem e sorrirem um para o outro daquele jeito que se sorri quando se sabe que o que falamos ou fizemos pode magoar a pessoa. Com pena e um pedido de desculpas estampado na cara.
Nico se odiava por fantasiar coisas, mas era impossível. Aquela cena fez milhares de borboletas revirarem seu estômago. Existiam chances, não é? Afinal, não é todo dia que você não vê Annie beijando Percy carinhosamente. Tudo o que ele precisa agora era confirmar o que estava pensando.
Uma chama de minúscula esperança se acendeu em seu peito.
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