Sheets For Letters
8 Cartas de Amor
Notas iniciais
(LEIA AS NOTAS FINAIS PORRA)
Só havia uma coisa que Nico amava mais do que macarrão com queijo: comer macarrão com queijo no chalé, de frente para a lareira. Ele geralmente sentava em uma poltrona confortável, se embrulhava com um cobertor quentinho e se deliciava com a comida do acampamento (ou do pacotinho, mas isso não vem ao caso). Só que hoje, mesmo com tudo isso, não conseguia relaxar.
E acho que já se sabe o motivo. Parcialmente.
Nico havia feito a maior besteira em toda a sua vida. Ele confiara em Valentinna. Não que a garota não fosse confiável, mas ela o ajudou a fazer algo totalmente estúpido. Ela o não ajudou com aquela carta. Aquele mar de sentimentos que estavam mais do que corretos, mesmo que o filho de Hades nunca houvesse contado-os para alguém. Como alguém poderia saber tanto e ao mesmo tempo não saber nada?
Naquela tarde, quando resolveu contar a Jason sobre Val e seu plano, ele realmente esperava que o loiro confirmasse a loucura daquelas palavras. Mas não. O garoto CONCORDOU com a amiga. De onde ele tiraria a desculpa para voltar atrás?
Agora ele passou a andar de um lado para o outro, tentando (por mais inútil que fosse) se acalmar. "Que ideia estúpida" pensou "Burro, burro, burro. Mas sou muito imbecil mesmo!"
Deixar uma carta de amor para Percy foi a ideia mais estúpida de todas.
Queria de todas as formas poder reverter o feito. Assim poderia encarar Percy do mesmo jeito que sempre, poderia ficar no acampamento, continuaria a passear com Jason, riria das idiotices de Valentinna e várias outras coisas.
Mas não. Nico fora suficientemente burro para escrever aquela carta e colocá-la dentro do chalé de Poseidon. E já era umas onze da noite, o que significava que Percy já havia lido seus sentimentos verdadeiros.
O filho de Hades sempre odiou cartas. Ele achava mais ridículo ainda a importância que as pessoas davam para elas. Estúpido.
Ou talvez ele fosse estúpido, afinal, pensemos na merda que fez!
Três tapas na testa e ouviu-se três batidas na porta. Se não fosse Valentinna, seria Jason. E se não fosse Jason... Bem, esqueça. Só tinha as opções "Valentinna" e "Jason" para considerar.
Ou talvez não.
Arrastou-se até a porta de madeira, que foi aberta com um rangido. Revelando uma figura alta, pele clara, musculosa e... morena. Após concentrar-se em todas essas características, admirou os olhos da criatura. Verdes. As mais belas íris verdes. Mais preciosas que esmeraldas e mais belas que o mar. Nico sentiu-se navegando em um mar tempestuoso e, ao mesmo tempo, deslumbrante. Como aqueles vistos em pinturas antigas, com navios lutando contra ondas e ventos.
Quando voltou a realidade estava sentado em uma cama, encarando Percy, sentado em outra. No exato momento, desviou os olhos. O que enxergava neles ia além de sua compreensão. Não conseguia interpretá-los.
O silêncio as vezes machuca. E o do mais velho era como uma faca percorrendo-lhe o corpo. Trouxe os joelhos até o tronco e escondeu seu rosto entre os braços, deixando lágrimas silenciosas saírem. Continuou nessa posição até ter que erguer um pouco a cabeça e murmurar um "hã?" por não ter compreendido a fala do mais velho.
— Você... roubou a minha ideia.
Então o de olhos verdes começou a rir e chorar ao mesmo tempo.
Nico franziu a testa. Como Percy tinha coragem de rir de seus sentimentos? A raiva o dominou e ele tentou inspirar e expirar, como Valentinna havia lhe dito. Então o filho de Poseidon ficou sério.
— Desculpe. — sussurrou — Eu esperava... que você... entende-se logo de cara.
O maior corou, e mais novo começou a compreender.
— Quando eu li... Eu realmente achei que tinha chegado tarde. Imaginava que já tinha ido embora. Você não vai, né? Não agora, certo?
Ele sustentou o olhar do mais velho, enfrantando-o:
— Por que diabos eu não deveria ir?
— Porque você tem vários motivos para ficar.
Então Percy aproximou-se e se inclinou, roçando seus lábios. No começo foi apenas isso. Só para poder manter as testas coladas, enquanto respiravam o mesmo ar, ambos de olhos fechados. Percy tinha alguma cor nas bochechas, mas Nico tinha muito mais.
Somente após um certo tempo, o filho de Poseidon o beijou.
Sendo iniciado de forma suave. Como um carinho: com muito amor e ternura. Nico se esforçava para acompanhá-lo. Tinha mais ou menos ideia do que estava fazendo, até Percy deslizar sua língua, pedindo passagem. O mais novo quase interrompeu, mas ao invés disso entreabriu os lábios, permitindo que o mais velho, habilidosamente, aprofundá-se o beijo. Se separaram por falta de ar, porém isso não impediu que o filho de Poseidon quebrasse o contato sugando o lábio inferior do mais novo.
Depois da cena, Nico teve medo de saber como estava encarando Percy.
O maior tocou a bochecha do moreno. Sorriu para o mesmo com uma mistura de amor, alegria e olhos de um bebê foca muito fofo. O mais novo retribuiu o gesto.
— Eu também te amo Nico, muito mesmo. — disse — E espero que acrescente isso na lista de motivos que você tem para ficar.
(LEIA AS NOTAS FINAIS! EU NÃO ESCREVI ELAS PRA VC NÃO LER CACETE!)
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