She'd Fly

18 Capítulo 17 — Desistência.


Notas iniciais
Oi, pessoas!!! Tudo bem? Então... eu sei que demorei, mas eu queria revisar o capítulo antes de postar. Vocês já podem cantar "Aleluia" em coro quando terminar de ler esse capítulo. Please, comentem, sim? Estou necessitada de reviews (e de recomendações também... hahaha) Obrigada pela paciência e por lerem! Amo vcs *corações*

Março de 2013.

Edward.

Eu não poderia estar mais insatisfeito do que naquele dia. Parecia que tudo tinha conspirado para dar errado, eu não sabia se minha paciência continuava intacta depois da conversa que tive com o Tenente Mason. Forcei-me a manter a mente limpa de pensamentos desse tipo, só para ter um pouco mais de tolerância com Carlisle já que, quando Bella terminasse de se arrumar, nós iríamos a um jantar com ele.

Meus pensamentos, no entanto, teimavam em voltar-se para uma quinta-feira eventual em que eu estava sem nada para fazer e John me chamou para o “Programa ultrassecreto” que ele fazia toda noite. Lembro-me de que eu o chamei de prostituta, afinal quem fazia “Programa noturno” era o quê? Eu costumava ter um humor ótimo, não tinha nada a esconder e minha consciência estava limpa uma vez que eu ainda não tinha começado a transar com uma mulher casada.

De começo, eu achei aquilo ótimo. Eu só tinha de ficar de olho em umas informações e passá-las para John e, ainda de quebra, podia comer Tanya com uma desculpa — não que ela soubesse dessa tal desculpa. Para ela, nós apenas tínhamos um caso. E, como se não bastasse todas aquelas regalias, eu ainda recebia dinheiro extra em minha conta todo mês.

Ninguém nunca descobriu sobre esse desvio de verba, todo mundo era bem centrado e meticuloso. Quem saía, era apagado para sempre. Inocente era eu ao acreditar que eles somente me deixariam sair… Não, inocente era uma palavra leve demais. Eu preferi fechar os olhos para as evidências em minha cara, gritantes, porque havia coisa mais agradável para se olhar: Isabella Swan, por exemplo, que apareceu timidamente na sala.

Ela tinha colocado todo o espesso cabelo para o lado e o tinha dividido de lado, havia se maquiado levemente e os lábios estavam com um batom avermelhado e os olhos brilhavam como safiras azuis. Quando eu olhei para o seu pescoço, percebi o porquê de ela ter colocado todo o cabelo para o lado: queria esconder as marcas, eu deduzia que tentar maquiar não funcionara. Foi impossível não soltar um sorriso convencido.

Bella vestia um vestido preto e, porra, como aquela garota podia ser tão bonita daquele jeito? Ela poderia estar vestindo calças e blusas surradas e mesmo assim continuaria encantadora. Para mim, pelo menos. Eu não sabia nem nunca saberia bem o que ela me causava — era um tipo de insanidade, era tudo que eu sabia.

— Pare de me olhar desse jeito. — Ela pediu, por fim.

Eu ergui as sobrancelhas, incrédulo.

— Hoje mais cedo, de madrugada, você não parecia nem um pouco incomodada.

Bella me olhou, abismada, com as bochechas coradas em um tom forte de rosa. Eu ainda estava sorrindo ao me levantar do sofá e puxar a sua nuca, beijando a sua testa fortemente.

— Estamos atrasados. — Eu a informei. — E você está linda.

Ela franziu o cenho ao procurar o meu olhar. Estava, sem dúvida alguma, surpresa com a minha repentina gentileza.

Bella passou o curto caminho todo entrelaçando uma mão com a outra, mordendo o lábio inferior e ajeitando a franja do cabelo que já estava arrumado o bastante. Parecia nervosa e eu só a tinha visto daquele jeito uma mísera vez que foi quando nós estávamos nos formando e Bella simplesmente não conseguia parar de falar e colocar o cabelo atrás da orelha. Como costumava fazer, gargalhei de seu constrangimento, dizendo-lhe que ela era a pessoa mais boba de todo o mundo.

Dias atrás, ela tinha recebido cartas de aceitação em várias Universidades. Seu nervosismo era incoerente.

Agora, no entanto, retorcendo as mãos, eu percebia que Bella tinha total razão em estar desconfortável. Minha mãe era piedosa demais, ela estava sempre dizendo que sentia muito e que se compadecia por todo o sofrimento que passara. Carlisle, por outro lado, era curioso demais — não que eu ainda o conhecesse, eu podia concluir. E eu sabia que Bella detestava aquele tipo de coisa.

— Se você morder mais um pouco o lábio, vai ter uma cratera nele. — Disse para ela, olhando-a de relance. Mas é claro que eu tinha de admitir que a boca dela talvez ficasse sexy quando ela mordia o lábio inferior. — Você não precisa ficar nervosa.

— Não, imagina. — Ela concordou com sarcasmo.

Eu fiquei olhando para as suas pernas parcialmente descobertas por causa do vestido.

— O sinal abriu, Edward.

— É claro que abriu. Eu já tinha visto.

Ela soltou um sorriso. Um sorriso de verdade.

— Sei que sim.

O restaurante que Esme e Carlisle tinham escolhido era grande e iluminado com grandes luminárias, cortinas beges e longas, garçons uniformizados e tudo mais. Bella detestava esses lugares, eu sabia disso porque ela sempre reclamava quando eu a levava em um quando era o nosso aniversário de namoro. Só aconteceu uma vez, nos dois seguintes eu a deixei escolher para onde queria ir.

Bella me esperou entregar as chaves para o frentista com os braços cruzados de frio. Eu presumia que um vestido com alças curtas não fosse muito bom para noites frias como aquela, mas era bom para mim. Ela ficava ainda mais atraente dentro dele e só estaria mais se o tirasse para mim… bem lentamente com o sorriso malicioso que ela assumia.

— E se eles virem a minha marca no pulso? — Disparou nervosamente.

Eu parei no meio do caminho em direção as portas, virando-me para ela que também parara. Peguei seus pulsos e notei que o que dava para se notar mesmo era aquela que ela havia feito verticalmente no pulso direito. As outras marcas no pulso esquerdo poderiam passar despercebidas por olhos menos atentos, já estavam quase se mesclando com a cor de sua pele.

— Esse daqui — Levantei seu pulso direito. — nós inventaremos uma desculpa caso alguém pergunte.

Ela assentiu, engolindo em seco. Bella se pareceu muito, naquela hora, com a garotinha que eu tinha ido pegar no hospital, sete anos atrás, e que tomava um café como se fosse uma adulta. Ela me olhou brevemente com os olhos temerosos e os baixou para os próprios pés.

— Arame farpado, louça quebrada… — Citei. — Temos várias possibilidades, não se preocupe.

— Certo. Eu sei. — Ela estava tentando se convencer. — A louça quebrada é ótima.

— Caso queira, eu posso falar por você.

— Obrigada. — Ela me olhou, a hesitação refletida em seu olhar azul. — Você não precisa.

— Não tem…

Fomos interrompidos por um atendente magro e de cabelos negros que ficava do lado de fora da porta para indicar em que mesa Carlisle e minha mãe estavam. Ele não nos fez nenhuma pergunta, parecia especialmente centrado em olhar na direção do peito de Bella. Eu olhei naquela direção também, perguntando-me se tinha algum tipo de colar que parecesse caro, mas não. Não tinha. Era só o volume natural dos seios dela.

Eu pigarreei e passei um braço pela cintura de Bella, a puxando para o lado do meu corpo. Era minha. Minha. Eu faria questão de soletrar se ele assim desejasse ou não percebesse aquele fato tão claro.

— O que foi? — Ela indagou.

Eu me lembrava de que Bella era malditamente distraída em certas situações e eu detestava aquilo porque os garotos da escola em que estudávamos pareciam se atrair com uma garota que já estava namorando. Eles a encaravam sem nenhuma discrição e até soltavam piadas sujas quando ela andava sozinha pelo corredor. Um dia, eu escutei uma dessas piadas porque andava atrás dela, prestes a lhe alcançar, e o babaca do garoto não percebeu.

Quase fui suspenso da escola. Teria sido se eu não tivesse um jogo no dia seguinte. De qualquer jeito, o olho do garoto ficou marcado por vários dias.

— É… — O atendente limpou a garganta. Ele tinha quantos anos? Dezenove? Eu duvidava que tivesse mais. — No nome de quem está a reserva? — Ele perguntou olhando apenas para Bella.

Ela me olhou, esperando que eu desse aquela informação.

— Esme Cullen. — Eu respondi rispidamente.

— Ah. — Seus olhos dispararam para Bella novamente, deslizando com desejo pelo rosto, pescoço, seios, cintura…

— Pode de nos mostrar onde eles estão ou vai demorar muito admirando a minha acompanhante? — Perguntei, franzindo as sobrancelhas de raiva. A mão na cintura não lhe fora esclarecedor o bastante?

— Edward! — Bella repreendeu, subindo seus olhos arregalados para mim, suas bochechas corando.

— Certamente. — O atendente disse, ruborizando.

A mesa que Esme havia escolhido estava bem no meio do salão e as que lhe circundavam pareciam meros súditos diante a um rei. Pude perceber claramente, por minha mão não ter saído da cintura de Bella, ela hesitar por um segundo antes de continuar a andar, tentando manter a expressão neutra.

Esme não se conteve, é claro, imaginei que ela não fosse o fazer. Minha mãe saiu de seu lugar o mais rápido que pôde e jogou seus braços ao redor de meu pescoço, puxando-me para baixo o bastante para ficar em sua mesma altura. Abracei-a também, liberando a cintura de Bella de meu aperto.

— Oi, mãe. Por favor, não chore quando for falar com a Bella. Aja normalmente. — Pedi a ela só para que ela escutasse.

— Você não perde esse vício, Edward? A primeira coisa que você fala para mim é uma ordem! Não magoe os sentimentos de uma mãe que está feliz por estar vendo seu filho pródigo depois de tanto tempo.

Eu sorri.

— Está bem. Só faça isso por mim, sim? — Separei-me de seu abraço, deixando um beijo em sua testa.

— O que eu não faço por você? — Perguntou, apertando a minha bochecha.

— Mãe? — Eu a chamei ao perceber que todo mundo estava ocupado ao falar com Bella. Esme virou-se para mim, já sorrindo. — Por que não me falou sobre o bebê? — Disparei.

Os olhos verdes de Esme se arregalaram e ela ergueu uma mão com unhas pintadas de vermelho para tocar o meu braço, por cima da camisa.

— Querido, eu… — Ela gaguejou. — Não era minha escolha.

Eu assenti.

— Eu sinto muito. — Sussurrou ela.

Eu iria dizer que não tinha problema, mas as palavras soaram inadequadas demais porque, sim, tinha problema. Um problema imenso o qual me atormentaria sempre que possível, afinal — era a milésima vez que eu pensava naquilo — se eu tivesse ficado, o bebê ainda estaria vivo e saudável, com quatro anos.

— Edward! — Alice exclamou para mim, abraçando-me. — Fico feliz que vocês estejam bem, sabe.

— Eu sei ser compreensível de vez em quando. — Murmurei para minha irmã e ela sorriu como se duvidasse da veracidade.

Jasper não viera porque estava doente — não se acostumara com o clima, ela disse, disparando a falar no quanto sentia muito por seu marido estar daquele jeito. Eu escutei pacientemente, faria qualquer coisa para evitar olhar na cara de Carlisle que sempre desviava os olhos para mim, pronto para falar alguma coisa. Eu sabia que anos haviam se passado desde a última vez que ele mostrara ser desprezível, mas eu não podia me impedir de detestá-lo.

A imagem de ele dando um beijo cheio de lascívia em uma mulher loira nunca sairia de minha mente.

— Edward. — Ele me cumprimentou, por fim, quando Alice foi tagarelar algo com Bella.

— Carlisle. — Cumprimentei de volta.

— Filho, o seu pai estava ansioso para fazer essa viagem. — Esme disse, tocando o meu braço com os dedos gentis. — Sabe, estávamos, nós dois, com muita saudade de você.

Eu sorri forçadamente, compelindo-me a ser gentil apenas por causa de Esme.

— Talvez até devêssemos prolongar a viagem por duas semanas. — Carlisle propôs.

— Ah, essa é uma ideia encantadora! — Ela esticou os lábios em um sorriso.

Franzi o cenho. Aquela era uma péssima ideia.

— Isso é ótimo. — Eu me forcei a dizer.

Quando eu me sentei à mesa, ao lado de Bella, pareceu proposital que Esme tivesse colocado Carlisle logo a minha frente. Era um jeito educado de coagir uma pessoa a conversar com a outra. Não funcionaria se fosse por mim.

— Então… — Minha mãe começou a falar, um sorriso conspirador nascendo em seu rosto. — Como foi que isso — Ela apontou com o rosto para mim e para a Bella — aconteceu? Quero todos os detalhes possíveis!

— Nos esbarramos na rua. — Bella murmurou.

— Isso eu já sei, ora! Quero saber o resto.

— Eles se reapaixonaram quando se esbarraram, mãe. — Alice brincou.

Bella, disfarçando o pânico muito bem, olhou para mim.

— Então o Edward me convidou para tomar café porque era, claramente, uma coincidência que estivéssemos na mesma cidade. — Ela inventou, falando lenta e hesitantemente.

— Espera! — Alice interrompeu. — Vocês falaram que não tinham nada quando eu cheguei…

Eu sorri ao olhar para Bella e sua expressão, agora um pouco mais descontrolada, de pânico.

— Eu a pedi em namoro ontem.

— Ah, é mesmo? — Minha irmã parecia incrédula.

— É — O olhar que Bella mandou para ela a queimou mentalmente. —, é mesmo.

— Eu estou tão feliz que vocês estejam juntos de novo! — Minha mãe exclamou, sorrindo docemente ao pegar a mão de Bella que estava apoiada na mesa despreocupadamente. A mão direita. — Você faz um bem enorme para o meu filho, Bella. Eu só tenho o que te agradecer por reaparecer.

Bella assentiu, sorrindo cordialmente, mas suas bochechas estavam coradas de vergonha e ela não sabia o que dizer. E eu muito menos. Não ousei sequer abrir minha boca para falar alguma coisa.

— E — Minha mãe continuou a falar, quase como se estivesse apreciando a nossa vergonha. — Eu fico mais tranquila sabendo que você, Bella, tem alguém. Sei que o Edward vai cuidar de você.

Eu observei a mandíbula dela se tencionar e depois relaxar em um sorriso doce para quem não estivesse prestando atenção no modo como ela engoliu em seco, inspirou com força e piscou os seus olhos várias vezes.

— O que vamos pedir? — Eu indaguei, mudando de assunto.

Carlisle tentou puxar assunto comigo e eu respeitei o seu esforço, esquivando-me de suas perguntas com o máximo de discrição que consegui. Esme tentava ajudar de vez em quando, puxando assunto sobre jogos de beisebol os quais ela raramente ia. Era gentil da parte dela o fazer, eu apenas… Eu não gostava do meu pai. Nunca gostei, sempre o achei grosseiro demais com a minha mãe, detestava o modo como ele gritava com ela e acabei o detestando, afinal de tudo.

Eu sabia que pessoas podiam mudar para melhor, sabia também que era hipocrisia de minha parte dizer isso e não acreditar na mudança de Carlisle.

Apesar de Carlisle, tudo se passou normalmente, Bella estava envolvida em uma conversa com Alice da qual eu não fazia nenhuma questão de participar. Esme, por outro lado, estava falando sobre os seus planos para o meu aniversário que só era em Junho e Carlisle estava prestando atenção em nossa conversa com interesse já que minha mãe fazia questão de introduzi-lo.

Eram onze horas da noite quando Alice anunciou que tinha de ir embora por causa de Jasper e todo mundo se despediu, prometendo que sairíamos mais uma vez antes que eles fossem embora.

Bella estava calada quando fomos para o carro e eu estava cansado o suficiente para não me esforçar a puxar algum tipo de assunto, somente a observei dedilhar a cicatriz em seu pulso direito com a ponta dos dedos, pensativa.

— Por que você não vem para a banheira comigo? — Eu a convidei, parando na entrada da cozinha.

Ela deixou o copo no qual bebia água em cima da pia e virou-se para mim.

— Estou cansada, Edward.

— Bom — Eu sorri tortamente —, eu não estava planejando te seduzir.

Bella soltou um sorriso incrédulo enquanto me olhava.

— É mais fácil ser ao contrário, na verdade. — Eu continuei.

Ela já estava parcialmente imersa dentro da banheira quando eu fui para o banheiro. E aquela era uma daquelas vezes em que eu me perguntava como diabos ela conseguia ser tão… daquele jeito. Eu sabia que, mesmo estando cansado do dia infernal, ainda teria fôlego o suficiente para ir para cama com ela e ficar lá por várias horas a fio.

Bella havia prendido o longo cabelo em um coque no alto de sua cabeça e estava com os olhos fechados quando adentrei o banheiro, banhando-se e passando espuma por seus ombros e pescoço. Se ela quisesse, eu poderia fazer aquilo. Não era esforço algum. A pele dela era chamativa para mim, eu precisava tocá-la.

Quando eu dormi com ela pela primeira vez, eu achava que era o fato de eu ser virgem que me fazia incrivelmente desejoso por ela. Depois, quando dormi pela segunda vez com ela, percebi que não era aquilo, então outra hipótese se formou em minha mente: Eu era desesperado daquele jeito porque ela era a única garota com quem eu tinha dormido. Depois, ao dormir com outra garota, notei que não era nada que eu soubesse sobre.

A banheira que tinha no banheiro principal era enorme e cabíamos sem muito esforço, mas me sentei perto dela, fazendo-a abrir os olhos azuis diretamente para mim.

— Pensei que demoraria mais alguns séculos para vir. — Ela reclamou.

— Eu precisava me controlar o suficiente para entrar numa banheira onde você está nua e não fazer nada. — Eu disse, mas na verdade eu só tinha demorado porque estava tentando arrumar um jeito de arrumar o cesto de roupa suja que transbordava. No dia seguinte eu iria para a lavanderia, era o que eu sempre me dizia.

—A ideia genial foi sua. — Bella acusou, passando uma mão molhada em seu rosto.

— Não me arrependo.

Ela me olhou com os olhos pressionados e suspirou, os abaixando para a água espumosa que cobria os seus seios.

— Eu posso te perguntar uma coisa?

— Você já o está fazendo.

Bella se permitiu sorrir breve e levemente,

— Olhe, você não precisa me tratar bem apenas por causa do… bebê que eu perdi. — Ela disparou. — E eu não consigo entender o porquê, de repente, você se tornou novamente o Edward que eu conhecia antes…

— Você se faz muitas perguntas desnecessárias.

— Não deveria? — Retrucou, erguendo as sobrancelhas. — Primeiro, eu tive que me acostumar com você me chamando de louca…

— Bella. — Eu a repreendi.

— Eu só… Eu só não consigo entender você.

— Fui um idiota no começo. — Admiti e espalmei uma mão em seu rosto ruborizado. — Sinto muito. Não estou te tratando bem por causa do bebê, estou fazendo isso porque é o certo.

— Não me culpe por achar que isso é inacreditável. — Pediu ela, sussurrando e inclinando o rosto na direção da minha mão que já estava migrando para sua nuca.

Ela flexionou suas pernas de encontro ao seu peito e aproximou-se da ponta onde eu estava, colocando as duas mãos em meu rosto e puxando-o de encontro ao seu. Apesar de eu querer puxá-la para um beijo impetuoso, contentei-me em beijar-lhe calmamente de volta e deslizar minha mão por suas costas e cintura.

Bella acariciou o meu pescoço e, cedo demais, desgrudou os lábios úmidos e mornos dos meus.

Quando eu a olhei, observando-a sorrir brevemente de lábios fechados, percebi que fui um tolo por muito tempo. Deixar Seattle fora a decisão mais ridícula e infantil que já tomei em toda a minha vida, Califórnia e Academia de Policiais não eram nada comparadas a garota a qual estava, agora, com o rosto a centímetros do meu, sorrindo como se eu nunca tivesse sido idiota com ela.

Percebi também que se eu não houvesse vindo para Califórnia, fotos minhas e de Bella não estariam na mesa do Tenente Mason. Parecia irônico que, cada decisão errada que eu tomasse, afetasse-a diretamente. Era até injusto também uma vez que ela não tinha conhecimento de nada. Tudo culpa minha.

— Bella, eu… — Hesitei e ela abriu os olhos, desencostando a testa da minha para poder ver meu rosto. Encostei minha nuca na beirada da banheira e olhei para o teto branco, ponderando. — Eu me meti em coisas… pesadas antes de você chegar. Dentro da ADPSF.

— Como assim? — Bella passou a mão pela linha de meu maxilar carinhosamente.

Eu suspirei, sabendo que não deveria nem sequer ter iniciado esse maldito assunto.

— É complicado. — Falei, mas ela já tinha entendido o que eu queria dizer.

— Nós poderíamos fugir. — Ela disse com jocosidade, encostando a testa no alto de meu ombro.

— Isso é serio, Bella. — Resmunguei.

— E quem disse que eu não estava falando sério?

Eu sorri, levantando o meu rosto para olhá-la.

O problema de ficar com Isabella Swan era que você se viciava nela em poucos dias e depois queria fazer de tudo para agradá-la da melhor maneira possível. E não acabava por aí, ela também tinha efeitos alucinógenos: Ficar com ela dava a impressão que, aos poucos, tudo se acertaria em um passe de mágica quando, na verdade, era ao contrário.

Eu acariciei a sua nuca e deslizei a mesma mão por sua espinha.

— O que você acha de termos algo? — Eu perguntei.

— Uma péssima ideia. — Murmurou ela.

Quando eu a olhei, tinha um sorriso brincalhão pairando em seus lábios.

— Mas você sabe que eu nunca fui sensata.

Eu sorri e ela me beijou brevemente — breve demais para toda a vontade que eu sentia. Fui controlado só daquela vez, esforçando-me para conter minhas mãos que corriam pelas pernas delas, desejosas em puxá-las para o meu colo de uma vez por todas.

Ficamos na banheira apenas por alguns minutos a mais, saindo quando Bella falou que seus dedos estavam começando a ficar enrugados por causa da água. De qualquer jeito, ela dormiu no meu quarto, uma de suas pernas se entrelaçando as minhas, assim como costumava dormir antes quando ia para a casa de Esme. Mal parecia a garota que, em Janeiro, dormia agarrada às suas próprias pernas e perto da parede.

Os cabelos dela ainda tinham o cheiro do meu xampu e sua mão macia que corria por minhas costas descobertas ainda era a melhor coisa que me fazia dormir.

— Senti sua falta, Edward. — Eu a escutei sussurrar baixo o suficiente para não exigir uma resposta.

E certamente eu também sentia falta dela. Sentia falta da sensação boa que eu sentia ao ficar com ela, mesmo em silêncio, sentia falta do Edward que eu era quando ela estava por perto. Um Edward bom e que não precisava esconder nada ou fazer alguma coisa por obrigação. Era como se eu, finalmente, tivesse acertado em alguma coisa ao menos uma vez porque estar com ela era o certo a se fazer.

Para mim, pelo menos.

Com ela respirando calmamente em meu peito vi que não tinha condições alguma de dizê-la para se mudar para a casa de April ou qualquer outro lugar porque ficar comigo não era mais seguro o bastante. Parecia um sacrilégio dizer que tínhamos que nos ver escondidos ou qualquer outra dessas coisas. Como sempre fazia, apenas empurrei a situação com a barriga, sendo extremamente displicente e egoísta.

Fomos para a lavanderia assim que nos acordamos e eu, para variar, percebi o porquê de gostar tanto de ficar com Bella. Nada parecia ficar tedioso, não quando ela estava sorrindo e dizendo que detestava fazer aquilo ou até mesmo jogando os braços ao redor de meu pescoço ao se esticar nas pontas dos pés e me beijar brevemente nos lábios. Depois, ela apontava discretamente com os olhos para uma senhora que sempre parecia ficar chocada com a nossa demonstração de afeto e, então, nós ríamos da expressão dela.

Eu percebi que tinha algo errado quando saí para comprar os hambúrgueres que ela havia pedido. Bella não tinha ido comigo porque estava tomando banho e ela me prometeu de que se eu chegasse rápido o suficiente, ainda podia entrar no chuveiro com ela. Então é claro que eu praticamente corri.

Não cheguei muito longe, no entanto.

Do outro lado da rua tinha um carro escuro, vidros escuros e tudo o mais. É claro que eu não estranhei, carros escuros andavam de um lado pro outro o tempo todo, um que estivesse estacionado no outro lado da rua — mesmo sendo contramão — não era novidade nenhuma. Passou a ser uma novidade, porém, quando o vidro escuro se abriu e o cano de uma arma se mostrou pela pequena abertura.

Eu teria corrido de volta para casa ou me abaixado e estava prestes a o fazer quando senti o impacto da bala em algum ponto do meu corpo que eu não percebi.

Tudo ficou escuro antes que eu sequer batesse no chão.

Notas finais
Por favor, ainda não se desesperem. Mantenham a calma no coração. Tudo acontece por uma razão... Beijoss! Venho postar o mais rápido possível.