She'd Fly
14 Capítulo 13 — Autocontrole zerado.
Notas iniciais
Março de 2013.
Edward.
"Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida."
Pablo Neruda.
Eu não sabia o quão faminto eu estava até sentir os lábios quentes de Bella junto dos meus. Toda e qualquer sensação de controle que eu sentia se esvaiu a partir daquela hora, apostava que até a racionalidade que eu tanto prezava também havia sumido. E ela nem tinha começando a retribuir ainda…
Afastei-me minimamente apenas para pegar fôlego, e, então, ela avançou, colocando uma mão dentro de meus cabelos e puxando meu rosto para o seu. Voraz como Bella costumava ser. Reprimi o sorriso vitorioso que queria brotar em meus lábios e fechei uma mão em sua cintura fina, puxando-a para mais perto ao mesmo tempo em que buscava os seus lábios.
Ela se ergueu nas pontas dos pés e eu abaixei meu rosto, erguendo uma mão para colocá-la em sua nuca — como se eu quisesse garantir a mim mesmo que ela só se afastaria quando eu quisesse. Apesar de todo esse tempo, Bella ainda sabia me beijar como ninguém mais conseguia fazer e eu chegava a quase odiá-la por causa disso. Lembro-me que, quando eu consegui finalmente esquecê-la, me perguntei o porquê diabos ninguém conseguia me beijar do jeito que ela fazia.
Eu não sabia bem o motivo, mas a única teoria que eu tinha era de que ela havia sido a primeira garota a qual eu beijei, então isso influenciava muito… A teoria era ridícula, eu sabia disso. Sabia também de que não me importava com aquele mísero detalhe — não naquela hora —, eu continuaria a beijar outras garotas.
Agora era outra história. Eu me importava até demais com o jeito que Bella me beijava. Tinha alguma coisa diferente… algo que eu passei três anos tentando descobrir o que era e nunca consegui. Era algo como se ela fosse mais livre que todas as outras, como se não precisasse pensar em o que fazer.
E, é claro, eu ficava malditamente excitado com aquela percepção.
Bella virou o rosto na direção oposta e voltou a afundar os lábios nos meus, tirando-me dos pensamentos sobre o volume crescente em minhas calças — eu só esperava que a calça fosse apertada o bastante para não mostrar. Eu quase gargalhei do pensamento. Era exatamente o que eu pensava quando tinha quinze anos e Bella, ingênua, me beijava ousadamente demais. Ela sequer sabia o que me causava, nem tinha a intenção de me deixar excitado.
Eu me sentia um depravado, naquela época, por ficar animado demais quando ela me beijava. Quão tolo eu era…! Sentia-me um depravado por querer ver o que tinha por debaixo da blusa dela e da calça também, me sentia um depravado por ter pensamentos impróprios com ela. Mas, droga, Bella não fazia de nada para manter o meu autocontrole.
Não que ela tivesse consciência que estava o arrancando.
Ela se separou, arfando pesadamente, e eu não consegui somente me afastar para respirar também. Eu não consegui porque estava no mais alto nível da irracionalidade que se poderia alcançar. Somente o som da respiração desregulada dela era o suficiente para me deixar excitado. Foi aí que eu percebi o quão… desesperado — essa seria a palavra certa? — eu estava por Isabella Swan.
Não era só querer fazer sexo. Era querer fazer sexo com ela.
Tudo bem que eu costumava — isso nos primeiros meses na Califórnia — me masturbar pensando nela, mas aqueles tempos haviam passado. Desde que eu consegui um lugar para me enfiar eu tinha parado com aquelas práticas nada saudáveis. Mas, somente naquela hora, com a respiração irregular dela batendo em meu rosto, eu percebi que eu não fora plenamente satisfeito em nenhum momento. Não aqui na Califórnia.
Mesmo com a respiração falha, voltei a beijá-la e fui recebido com mais voracidade que antes. Bella entrelaçou a mão em meu cabelo mais uma vez, puxando-o tão impiedosamente como costumava fazer antes, e eu, por minha vez, puxei a cintura dela para mais perto de mim ao mesmo tempo em que minhas costas bateram na geladeira. Era impossível, tão perto como estava, que ela não percebesse o meu enorme problema.
Franzi meu cenho, tentando buscar a querida racionalidade dentro de minha mente, mas tudo que eu conseguia pensar era no quanto eu a queria. Não tinha nenhuma racionalidade. Só tinha a respiração entrecortada de Bella, sua mão que apertava minha camisa entre seus dedos, o desejo incontrolável que eu estava sentindo por ela.
Droga! Se nós fossemos para a cama, ela provavelmente iria se retrair de novo e eu não sabia se estava com paciência o suficiente para lidar com a indiferença que ela assumiria.
Eu não conseguia ser completamente justo e racional tão excitado daquele jeito, talvez tenha sido aquele fator que me fez deslizar as mãos para a barra da camisa de Bella, puxando-a para cima sem sequer pensar se ela me permitiria fazer isso. Quero dizer, quem se importava com a ponderação? Não eu, não naquela hora. Eu sempre fui inconsequente quando se tratava de Bella.
De qualquer jeito, ela deixou que eu tirasse a blusa e depois inclinou o pescoço para o lado quando eu afundei meu nariz nele, meus braços fechados ao seu redor, puxando-a para o mais perto possível. Eu estava literalmente desesperado. Até podia sentir a adrenalina correndo por minhas veias, podia sentir o sangue correndo em disparada para as minhas calças. Fazia tempo que eu havia deixado de tentar me controlar — não conseguiria se tentasse.
Bella estava cheirosa, eu percebi quando me permiti respirar em seu pescoço. Seu corpo virou gelatina em meus braços e eu teria sorrido internamente se eu não me sentisse do mesmo jeito. Eu senti a pulsação acelerada dela quando beijei o seu pescoço, bem em cima de sua jugular que pulsava em disparada. Se tinha uma coisa que eu me lembrava bem dela era que ela era completamente vulnerável a beijos no pescoço. E eu costumava adorar o quanto ela se derretia em meus braços.
Eu ainda o fazia.
Ela infiltrou as mãos por debaixo de minha camisa, espalmando-as em minhas costas. Outra coisa que percebi foi que eu simplesmente não soube na Califórnia o prazer de ser tocado tão singelamente como ela o estava fazendo. Eu estava me cegando porque não conseguia achar coisa melhor, então me contentava com o que tinha.
Eu não costumava sentir falta de Bella, eu sentia falta dela. Continuava o fazendo.
Ela se agarrou ao meu pescoço quando eu a puxei para cima, segurando-a em meus braços enquanto ela entrelaçava as pernas em minha cintura. Encaminhei-me às cegas para o balcão que ficava ao lado da geladeira em que eu estava encostado antes e a sentei nele, sentindo-me apressado demais para perceber que havia coisas quebráveis a uma pouca distância.
Alguma coisa de vidro caiu no chão, fazendo-me abrir os olhos para procurar. Fora uma xícara de porcelana que Esme havia me dado assim que me mudei para a Califórnia e a ironia da situação me fez soltar um sorriso.
Quando eu ainda estava em Seattle, eu e Bella costumávamos ser bastante… apressados e numa dessas explosões de pressa e desejo o único lugar que conseguimos chegar foi ao sofá maior da sala. Em meia euforia de arrancar as roupas dela, meu braço acabou batendo no enorme vaso chinês que Esme tinha ganhado de Carlisle alguns meses antes. O vaso era lindo, para ela, e caríssimo, pelo o que eu havia escutado. Como a maldita peça de decoração inútil era instável ele acabou quebrando e se espatifando em cinco pedaços ao bater no chão.
Bella, então, sorriu travessamente. Do mesmo jeito que estava fazendo naquela hora quando eu voltei meus olhos para ela. Os olhos azuis estavam mais brilhantes que nunca e, sem conseguir me conter, esmaguei meus lábios com os dela mais uma vez. E mais outra quando o ar faltou em meus pulmões rápido demais.
Só quando eu passei a mão por suas costas desnudas e esbarrei com o fecho de seu sutiã foi que me dei conta de que a blusa já se encontrava fora dela. E eu estava tão absorto que sequer percebera aquele importante e maravilhoso detalhe. Separei meus lábios dos dela, encostando minha testa na sua com a desculpa de que eu precisava respirar e abri meus olhos, deparando-me com os seios médios e, infelizmente, ainda cobertos de Bella. Eles pareciam ainda mais atraentes do que antes.
Senti-me zonzo de desejo como na primeira vez que dormimos juntos, senti-me incrivelmente estúpido por querê-la tanto com tão poucas coisas. Eu parecia um virgem ou desesperado por sexo quando, na verdade, eu estava desesperado por ela. Que maldito e patético hipócrita eu era! Alguns meses antes eu poderia jurar que ela havia enlouquecido, e, no entanto, desejava-a como o inferno naquela hora.
— Me diga, pelo amor de Deus, que você não quer parar. — Eu pedi, arfando pesadamente.
Se ela quisesse, eu tinha certeza que duas coisas me aconteceriam. Primeira: Eu ficaria completamente louco. Segunda: Minhas bolas ficariam azuis de tão excitado que eu estava. Entretanto, para a minha total e completa felicidade que não parecia temporária, Bela enfiou a mão dentro de meu cabelo, acariciando o meu couro cabeludo com as unhas.
— Não quero. — Ela disse simplesmente, a voz rouca só servindo para me excitar mais ainda.
Tentei reprimir o sorriso que assaltou o meu rosto, mas não consegui. Tudo que eu consegui para não demonstrá-lo muito foi puxar as pernas de Bella para mais perto de mim e inclinar meu rosto na sua direção para voltar a beijá-la. Quando senti as coxas dela se apertando ao meu redor, percebi que eu não conseguiria titubear por nem mais um segundo. Por que mais eu estava esperando? Ou ponderando? Eu não tinha mais nada a pensar, não conseguiria voltar atrás ou simplesmente soltar-me dela e dizer que estava na hora de dormir.
Ela puxou a minha camisa para cima e eu ajudei a tirar, voltando meus lábios o mais rápido possível para o pescoço dela ou qualquer espaço de pele que estivesse disponível e alcançável enquanto ela jogava a camisa em qualquer lugar. Por que diabos eu me sentia tão desejoso? Tinha certeza que aquele anseio todo não era normal. Ou talvez eu tivesse me desacostumado, eu não sabia bem. Pouco me importava. Tudo que eu sabia naquela hora era que Isabella estava me pondo à loucura sem muito esforço.
Eu a queria tanto. Tanto.
Bella estremeceu em meus braços restritos, soltando um gemido baixo e rouco quando eu mordi sem dentes o seu pescoço alvo e cheiroso. De alguma forma e apesar de todo esse tempo, eu sabia exatamente o que Bella gostava. E ela sabia ainda mais sobre mim. Sempre soube.
Desabotoei com uma mão o seu sutiã preto e o deixei em um lugar que eu não me interessei em ver. Não quando os seios dela estavam desnudos ao alcance de minhas mãos e olhos… A casa e toda a terra poderiam explodir e eu não me importaria.
Envolvi meus braços ao seu redor e a puxei para o meu peito, levantando-a do balcão. Ela aproveitou a proximidade para depositar beijos úmidos na parte de trás de minha orelha esquerda, em meu pescoço, meu ombro descoberto e por todo o lugar que ela conseguiu alcançar com seus lábios curiosos. Eu não poderia ficar mais excitado.
Sem soltá-la, fechei a porta de meu quarto atrás de mim e caminhei até a cama. Tratei logo de tirar a calça jeans que Bella vestia enquanto estava sentado. Demorei mais que o normal, ela não estava ajudando em nada ao raspar as unhas pelo meu couro cabeludo, deslizando-as por meu pescoço e costas em uma carícia a qual lhe era característica. Ela também sabia o quanto eu gostava daquilo.
Puxei o jeans por suas pernas impacientemente e quando eu terminei, foi a vez dela de me despir. Eu iria tirar a minha calça sem sua ajuda, mas me parei ao vê-la avançar em minha direção, colocando uma mão em minha nuca para conseguir puxar meu rosto em sua direção, beijando-se impetuosamente. E, embora eu quisesse me livrar logo da maldita calça, a correspondi, puxando-a para perto de mim o tanto que ela deixou.
Sua mão saiu de minha nuca para migrar para os botões de minha calça que continuava me apertando o suficiente para me fazer ficar impaciente com a hora que eu me livraria dela. Foi impossível que suas mãos não batessem acidentalmente em minha ereção e foi impossível também não sentir contra o meu rosto o arfar nervoso dela.
Eu a puxei para o meu peito mesmo com a calça ainda presa em minhas pernas e Bella se sentou bem em cima de minha ereção que estava ansiando para qualquer atrito que fosse. Ela gemeu contra os meus lábios e todo e qualquer pensamento coerente saiu de minha mente ao escutar aquele som. Ataquei seus lábios sem qualquer tipo de calma ou hesitação, apertando-a contra o meu peito.
A sensação de seu torso nu junto com o meu era uma das melhores que eu nunca queria esquecer.
Ela passou um braço ao meu redor e me puxou ainda mais para si, separando seu rosto do meu para conseguir pegar algum ar. Não perdi nem sequer um milésimo de segundo para enterrar meu rosto em seu pescoço e fechar meus lábios contra um pedaço de pele maciça que ficaria marcado no outro dia. Bella era minha. Eu queria que todo mundo tivesse conhecimento disso. Eu havia ido embora, mas ela nunca havia saído de minha posse.
Ela gemeu mais uma vez e era especialmente naqueles momentos que eu percebia as vantagens de morar sozinho. Quando ainda estávamos em Seattle tínhamos que fazer o máximo de silêncio possível porque seria seriamente desconfortável que nossos pais soubessem o que estávamos fazendo dentro do quarto. Não que eles não imaginassem ou deduzissem, mas era melhor que fosse apenas uma hipótese do que uma certeza.
Aqui, não. Bella poderia gemer quão alto ela quisesse. Ninguém escutaria nada a não ser eu. Mesmo com todo esse espaço livre, ela não era indiscreta. Talvez fosse aquilo que me atraía nos gemidos dela: A discrição e moderação. Também tinha o tom que ela usava, sussurrante e rouco, confidente. Malditamente excitante.
— Edward… — Ela me chamou como costumava fazer. Por que essa demora toda? Eu preciso de você, ela dizia em um tom de súplica. — Por que essa demora toda?
Beijei a sua bochecha quente quando eu me inclinei para frente, colocando-me por cima dela a fim de conseguir tirar a sua calcinha. O cheiro da excitação dela era definitivamente o melhor que eu já havia sentido em toda a minha vida e eu não estava falando aquilo só porque estava incoerente. Eu me perguntava o porquê diabos Bela ser melhor em tudo, mas talvez — e somente talvez — o problema fosse comigo que a superestimava. Não sabia.
Não lembro bem como eu me livrei de minha cueca boxer, só me lembro da ótima sensação de estar dentro do calor e umidade de Bella, as pernas dela entrelaçadas com força a minha cintura enquanto meu rosto estava enterrado em seu pescoço, sentindo o cheiro doce do cabelo dela em meu nariz.
Eu até pensei na proteção antes de me afundar nela, juro que a responsabilidade passou por minha mente e eu até ponderei sobre abrir a gaveta do criado-mudo que estava cheia de camisinhas. Descartei alguns segundos depois. Eu não queria ser responsável com ela e me privar da melhor sensação de toda a minha vida. Como eu disse, a coerência era a última coisa que passava por minha mente quando eu estava muito excitado.
Prensei meus lábios no pescoço dela, reprimindo os gemidos que eles queriam soltar. Tudo com Bela era tão melhor… poderia ser ridículo de se pensar, mas eu poderia ficar para sempre dentro dela e não reclamaria. Ou talvez toda noite eu pudesse voltar a me afundar em seu calor, eu não me cansaria nem mesmo se passassem mil anos.
Eu também não me cansaria de escutar os gemidos baixos e sussurrantes dela, nem de sentir suas unhas deslizando entre minha nuca e minhas costas, arranhando-me sem muita força. Eu não me cansaria de tê-la ou de apreciar os seios médios, alvos e rosados. Apreciar o modo como seu estômago plano se mexia irregularmente por causa de sua respiração. E tinha também as coxas que pareciam não ter nenhuma imperfeição juntamente com as nádegas que eu lembro ter uma leve fixação quando estava em Seattle. Ainda a tinha, na verdade. O corpo todo de Bella havia sido feito para ser admirado.
Beijei os seus lábios levemente antes de colocar um braço por baixo de suas costas e a puxar para cima juntamente comigo. Sentado na cama, encaixei-me de novo nela e esmaguei meus lábios contra os seus, beijando-lhe enquanto escutava os suaves gemidos de prazer preencher os meus ouvidos. Segurei a cintura dela com as duas mãos restritivamente para que ela não colocasse tanta rapidez nos movimentos, eu estava perto o suficiente do ápice e longe o suficiente de me sentir satisfeito.
Eu parei de me mover, tirando os meus lábios dos seus. Ela gemeu de descontentamento, mas sua descontentação sumiu em questão de segundos quando eu beijei a sua clavícula e toquei-lhe os seios. Naquela hora, quando ela se inclinou em minha direção para que eu continuasse com as carícias, perguntei-me se ela tinha dormido com alguém nesses quatro anos. Esperei que não, o sentimento de monopólio tomando conta de toda a rara coerência. Ninguém sabia o modo como ela gostava de ser tocada, eu esperei que ela só tivesse ensinado a mim.
Bella escondeu o rosto em meu pescoço quando eu voltei a me mover, gemendo contidamente, investindo os quadris também contra os meus e castigando os meus cabelos e costas. Eu não conseguia me lembrar da última vez que eu havia sentido tanto prazer. Ah, claro que conseguia. Foi com Bella, em Seattle, provavelmente em uma das nossas aventuras dentro do carro ou na escola. Eu me sentia verdadeiramente ridículo por me lembrar do passado com cobiça.
Deixei aqueles pensamentos de lado quando Bella gemeu o meu nome, encostando o queixo no começo de meu ombro. Beijei-lhe a clavícula mais uma vez e depois afundei meu rosto em seu pescoço atraente e alvo, perfeito para marcas.
Não sei por quanto tempo ficamos presos àquela ótima sensação, mas, se foram horas, eu tinha a certeza de ter sido as melhores de toda a minha vida. Bella chegou ao ápice antes de mim, alguns segundos apenas e ainda desfrutava dele quando cheguei ao meu. Eu não tentei nem sair de dentro dela quando cheguei ao orgasmo, estava absorto demais para realizar a proeza e o meu autocontrole estava completamente zerado.
Eu me deixei cair na cama com a respiração pesada e artificial. Ela ficou por alguns minutos em cima de mim, o rosto encostado em meu peito enquanto provavelmente escutava as batidas descompassadas de meu coração. Bella se levantou depois, apoiando a mão em meu peito para erguer o corpo gloriosamente nu a fim de sair da cama. Foi uma atitude reflexa agarrar seu pulso, impedindo-a.
— Para onde você está indo? — Perguntei, franzindo o cenho.
— Tomar banho. — Ela respondeu como se fosse óbvio.
— Eu vou com você. — Ofereci-me.
Observar Bella tomando banho era a coisa mais interessante que eu havia feito recentemente. Ela usou o meu xampu e pressionou os olhos na minha direção, a espuma escorrendo por seu rosto fino e corado, perguntando-me se eu iria continuar parado, olhando-a, por muito mais tempo. E depois ela gargalhou com o meu rosto cético. Se eu soubesse que sexo a faria ter um humor melhor, teria a levado para cama no primeiro dia que ela esteve aqui.
Eu simplesmente não consegui me controlar quando vi Bella se enxugando com uma toalha. Porque, porra, ela estava tão provocante… Não pensei duas vezes antes de puxá-la mais uma vez e pegá-la em meus braços, caminhando para a cama. Como da primeira vez, não houve resistência alguma.
Daquela vez estávamos menos fervorosos, seus beijos estavam mais lentos e seus gemidos, mais baixos assim como suas mãos que exploravam lentamente as minhas costas e o meu cabelo. Eu também a toquei, tocando a parte interna de sua coxa até encontrar a sua intimidade que implorava por algum mísero toque. Ela gemeu ao mesmo tempo em que me beijava, apertando seus dedos dentro de meu cabelo e inclinando os quadris para cima desejosamente.
— Porra, Bella. — Vociferei contra os seus lábios.
Não continuei com os toques íntimos por muito mais tempo, não o suficiente para que ela tivesse um orgasmo, mas logo estava a penetrando. Seus braços estavam mil vezes mais restritivos daquela vez e suas coxas, apertadas como se a cama estivesse a puxando para baixo e ela só tivesse a mim para se segurar. Eu não me incomodei com aquilo, ao contrário: Apertei-a em um abraço assim como ela estava fazendo e prensei meus lábios contra os seus fortemente.
Por um momento pensei que estivéssemos mais uma vez em Seattle, na casa de Esme e na minha cama enquanto espremíamos os lábios para que nenhum gemido alto demais escapasse. Era quase inútil, mas tínhamos sorte algumas vezes quando Esme, Carlisle e Alice decidiam visitar a Capital. Ou quando eles estavam em seu próprio quarto, distraídos demais para perceber algum barulho fora do comum.
Eu estava a olhando quando ela chegou ao ápice e eu não sabia como ela podia me excitar tanto só fechando os olhos com força e mordendo o lábio inferior, soltando um longo e sussurrante gemido. Bella puxou a minha nuca para baixo e afundou seus lábios nos meus em um beijo arfante e impetuoso. Não demorei muito tempo para voltar a me derramar dentro dela, os gemidos sendo abafados pelos lábios que não me deixaram nem sequer por um segundo.
Eram duas horas da madrugada quando eu percebi que Bella estava dormindo, então, tentando não fazer movimentos bruscos demais, peguei o edredom que estava nos pés da cama e nos cobri, virando-me para o lado oposto que ela estava.
Dormi em segundos e o dia pareceu amanhecer em segundos também, o meu despertador apitando antes que eu pudesse sequer dormir de verdade. Resmunguei ao abrir os olhos, estendendo a mão para bater no botão que cancelava o despertador, mas eu só alcancei o ar. Eu estava deitado para o lado oposto da cama e tudo que eu fiz foi passar um braço ao redor de um corpo que eu não reconheci instantaneamente.
Era Bella, eu reconheci por causa das costas, dos cabelos castanhos que caíam revoltos pela cama, pela tatuagem de âncora em sua nuca e pelas memórias que explodiram em minha mente. Havia sido uma boa noite. Eu suspirei pesadamente, perguntando-me o porquê diabos eu estava virado para esse lado da cama e tão próximo assim dela. De qualquer jeito, ao sair da cama, apreciei mais uma vez sua nudez.
Eu me arrumei automaticamente, evitando abrir a janela para que o sol não batesse no rosto lívido de Bella e fazendo o mínimo de barulho possível mesmo sabendo que, mesmo se um meteoro atingisse a terra, ela não se acordaria. Ela tinha um sono bem pesado.
Estava engolindo um pão com geleia quando Alice apareceu em minha porta, não apertando a campainha ao perceber que eu já tinha a percebido. Revirei meus olhos, terminando de engolir o pão e procurando a chave que deveria estar em cima do balcão. Franzi meu cenho ao lhe olhar. Ela deveria… Claro que não estava. Ontem eu saí derrubando quase tudo tinha em cima do balcão para apoiar Bella nele.
Estava no chão, perto da minha camisa que eu chutei com o pé para o canto mais isolado da cozinha. Quando Alice se fosse eu trataria de arrumar as coisas.
— Edward. — Alice me cumprimentou, entrando sem eu nem mesmo ter convidado.
Ela abriu a boca para falar algo, mas então franziu o cenho e virou-se para mim com um sorriso malicioso no rosto.
— É um ótimo lugar para se colocar um sutiã, se quer mesmo saber. — Alice murmurou, apontando com o rosto na direção da cozinha.
Olhei para onde ela estava apontando. Preso a um pote de biscoitos estava o sutiã preto de Bella que eu havia deixado em qualquer lugar na noite passada, absorto demais para me dar ao trabalho. Senti as minhas orelhas arderem e me perguntei quão vermelho estaria o rosto da dona do sutiã se ela estivesse presenciando a cena.
— Creio que vocês passaram a ter algo no dia anterior, não é?
— O que você veio fazer aqui, Alice? Eu tenho de ir para o trabalho. — Resmunguei.
— Ih, Edward, você não deveria estar de mau humor. — Ela retrucou.
Eu revirei meus olhos com impaciência.
— Você leu minhas cartas? — Ela perguntou, sentando-se no sofá com as pernas cruzadas.
— Só as três primeiras. — Respondi a contragosto. — Mas, Alice, eu não tenho interesse em…
— Eu tenho certeza de que você vai querer ler a quarta, Edward. — Alice inclinou o rosto para o lado, sugestivamente. — Aliás, espero que tenha guardado em ordem cronológica porque vai ser uma bagunça se…
— Alice. — Eu a interrompi raivosamente, trincando os meus dentes. — Me diga logo de uma vez o que tem de tão importante nessa carta.
Ela deu de ombros. Não me falaria.
— Onde a Bella está? Quero falar com ela.
— No meu quarto. Bata antes de entrar. — Avisei.
Para a minha sorte, eu guardava as cartas de Alice em ordem cronológica, sim. As mais velhas estavam em cima e as mais recentes embaixo, todas presas em elásticos eventuais os quais eu achava sempre que o carteiro me enviava uma nova que não cabia no mesmo espaço que outras. O primeiro lote de cartas começava a partir da quarta carta que ela me mandara porque eu já tinha lido as três primeiras e estas eu havia jogado no lixo.
Eu não soube muito bem o porquê de guardar as cartas de Alice, era incrivelmente mais simples apenas jogá-las no lixo ou pedir para o carteiro o fazer.
Por estar atrasado, me despedi de Alice sem muitas palavras e revirei os olhos quando ela me lembrou de que naquela noite eu teria de comparecer ao jantar que ela havia inventado com Carlisle e Esme. E, agora, com Bella a qual também não poderia faltar. Talvez eu fingisse que estava doente ou, talvez, eu pediria para Bella fingir que estava doente, então eu, como a boa pessoa que era, ficaria em casa cuidando dela.
Comecei a ler a carta somente quando estava no estacionamento do trabalho, três minutos antes de estar completamente atrasado. Eu tinha certeza de que conseguiria ler a carta em menos de um minuto, o assunto não deveria ser tão importante como Alice me fizera crer que era. Ela sempre exagerava mesmo.
Edward Cullen,
Por que diabos você não responde minhas cartas ou liga para dizer que leu? Estou cansada de toda a sua displicência para comigo e nossos pais. Sem falar na Bella. Por que você não liga para ela, Edward? Eu quase consigo sentir a frustração que ela sente quando o celular toca e não é você que está a telefonando. Se quer mesmo saber, essa sua decisão de ir para a Califórnia foi a mais infantil de todas. Você simplesmente não podia lidar com Carlisle por aqui? Eu teria mil opções mais agradáveis que, com toda a certeza que tenho dentro de meu coração, deixaria todo mundo mais feliz. Inclusive eu. Eu teria as ditado para você se você tivesse me deixado falar. E, se as mil opções ainda não lhe parecessem agradáveis, eu ficaria feliz em inventar mais.
Edward, eu sinto a sua falta de verdade. Todos sentem a sua falta. A Bella — e estou destacando o nome dela — sente a sua falta. Ela precisa de você agora mais do que nunca.
Olha, eu realmente não iria te falar isso, mas você precisa saber. Se você ligasse para a sua ex–namorada, iria pelo menos ter conhecimento. Mas, não! Nem a consideração ou a mínima preocupação você tem para discar o número dela e falar. Tenho plena convicção que só ouvir a sua voz, mesmo por telefone, iria fazer o dia dela ficar mil vezes melhor do que está — e não está lá essas maravilhas.
Um mês atrás — o tempo que eu demorei a escrever essa carta —, eu estava com a Bella e Esme, no shopping. Estávamos fazendo um programa de garotas para tentar animar a sua ex que estava cada vez mais deprimida — não por causa de você, embora essencialmente. Renée está pior. Mil vezes pior. Ela só teve aquela melhora temporária para depois se isolar novamente, culpando Bella por tudo que aconteceu a Charlie.
Edward, eu… eu estou muito triste. Estou contendo minhas lágrimas nesse exato momento em que escrevo essa carta. O que será de Bella quando eu for para a França com Jasper? Não quero deixá–la sozinha de maneira alguma, mas, você sabe como a Bella é, ela garante que ficará bem e que as minhas preocupações são incoerentes porque ela já é uma adulta. Ela diz isso tudo com os olhos marejados.
Você sabe. Ela sente a sua falta. Você, ao menos, sente falta dela também ou já arrumou alguma saia nova? Eu realmente quero e não quero essas respostas, tudo ao mesmo tempo. Tenho medo de me decepcionar com você. Mais do que já estou. E, digo verdadeiramente, que já estou em meu limite. Não entendo por que eu apenas não paro de te enviar essas cartas patéticas e que você provavelmente nunca abrirá. Não entendo, Edward. Não entendo, muito menos, porque você não atende minhas ligações ou deixa Esme passar o telefone para mim quando peço para falar com você.
De qualquer jeito, eu estou falando sozinha nesse exato momento. Por esse motivo, creio que eu estar a escrever isso não significa que eu quebrei a promessa que fiz a Bella. Ela pediu para que eu não falasse a ninguém. E eu não estou falando, estou escrevendo.
Quando estávamos no shopping, Bella passou mal. Ela disse que provavelmente havia sido algo que ela tinha comido, mas eu já havia percebido que algo tinha mudado na minha amiga. Você perceberia também se estivesse aqui. A Bella estava pálida, Edward, e as mãos dela estavam geladas quando eu as segurei. E ela tremia. Parecia prestes a entrar em uma crise de choro bem no meio do shopping.
Ela estava devastada por uma coisa que eu não conseguia nem… juntar as peças para perceber o que era. Quero dizer, eu não queria acreditar porque… Porque era irreal demais. Forcei–a para me dizer o que estava acontecendo depois de ligar para Esme, que havia parado em uma loja de roupas masculinas, que estávamos na livraria. Então, eu a levei para o lugar mais afastado da praça de alimentação e pedi para que ela me contasse.
Eu juro para você que nunca a vi chorar daquele jeito que ela o fez, bem na minha frente. E você sabe como eu sou quando as pessoas choram junto de mim… eu não me aguento e acabo chorando junto. Foi ridícula a cena porque, enquanto eu tentava a consolar — mesmo sem saber o porquê —, eu também chorava desesperadamente com o rosto encostado no ombro dela. Eu já disse que ela estava mais magra? Pois é, ela estava. Tanto que o osso de seu ombro estava se sobressaindo.
“Eu acho que eu estou grávida, Alice”, ela me disse com os olhos baixos como se aquele fato a fizesse ser a pior pessoa do mundo. Eu já sabia, pensei. O Edward ficará feliz em saber disso, eu pensei. Será que ele voltará? “Mas”, ela agarrou minhas mãos, olhando–me com os olhos transbordando de súplicas silenciosas “Você não pode contar a Edward. Você não pode contar a ninguém”. E eu pensei: Como eu vou contar ao Edward se ele nem fala comigo?
E sabe o mais incrível de tudo isso, Edward? Ela não planejava abortar. Apesar de mal poder sustentar a si própria e sustentar a sua mãe, apesar de só ter dezoito anos e não ter namorado nenhum, ela não iria abortar. Nem mesmo cem anos lutando por ela fariam você merecer Isabella Swan. E sabe o absurdo? Foi você quem foi embora como se nem ao menos percebesse que a melhor garota que iria encontrar em toda a sua vida estava bem a sua frente.
Eu insisti para que nós fizéssemos um teste de farmácia, só de garantia. Deu positivo. Três vezes, Edward! Às vezes eu queria que fosse você a presenciar, como um observador oculto, tudo que eu presenciei de Isabella Swan. — as crises de choro, os sorrisos forçados, as expressões dela, o modo como ela falava com a própria barriga, Edward! Eu queria que você visse a merda que fez com uma garota que tinha tudo para ser perfeita. Você a deixou grávida! E eu tentei ligar, Edward, tentei ligar umas mil vezes para você. Até que eu cansei quando foi uma garota a atender ao seu celular. Eu não o conheço mais, eu pensei. Nunca o fiz.
Eu pensei em falar para Esme sobre a gravidez de Bella, mas ela nunca me permitiu, sabe? Acho que ela passou a ser três vezes mais orgulhosa. “É meu filho, Alice, eu a falo quando eu me sentir confortável.”. Meu filho. Meu filho. Ela fazia questão de destacar que o filho era dela. E somente. Como se ela tivesse o feito sozinha. Não estou a criticando, estou a elogiando, na verdade. Eu a admirei tanto por ser daquele jeito, cheguei a pensar que queria ser como ela era quando fosse um pouco maior.
Esme só soube sobre o filho de Bella quando ela o perdeu. Foi espontaneamente. Ela estava na casa de nossos pais, estava se despedindo de Esme com um sorriso forçado quando ela começou a sangrar. Do nada. Você pode imaginar a cena? Pois bem, foi mil vezes pior. Uma coisa que você nunca poderá imaginar, no entanto, foi o desespero presente na expressão de Bella quando ela percebeu o sangramento. E não era um daqueles sangramentos comuns a grávidas ou essas coisas. Nunca em toda a minha vida eu vou conseguir descrever.
Carlisle logo soube o que era quando tudo que Esme sabia fazer era chorar. Eu fiquei repetindo que ela estava grávida e que tínhamos que levá–la ao hospital o mais rápido possível enquanto Carlisle tentava acalmar Esme — a qual, você sabe, nunca foi a mais controlada emocionalmente de todas. E Bella? Bella havia caído em meus braços — sendo muito maior que eu — e tudo que ela conseguia choramingar, com a dor, era “Meu filho, meu filho, meu filho”. Eu nunca soube como consegui ficar composta naquela situação porque, agora, eu estou chorando. Ela me pediu para salvar o bebê, Edward! Mas como eu poderia o fazer se… se ele só tinha apenas meses de vida?
Eu sinto muito por isso. Sinto muito por Bella ter passado tudo que ela passou. Ela nunca mereceu tamanho sofrimento. Sempre que eu tento a falar isso, ela desvia os olhos e abana a mão em minha direção. Como se eu devesse me abster disso. Como eu poderia o fazer se ela não o fazia?
Mas tudo que eu queria era que você estivesse presente para perceber o quanto a machucou. Mesmo longe — mas será que ainda resta compaixão em você? Ou, contrariando o lado que deseja que você sofra, queria que você nunca tivesse ido para Califórnia alguma. Você seria feliz aqui, Edward. Você sabe que seria.
Às vezes você deveria parar de ser tão orgulhoso. As coisas seriam melhores. Bom, de qualquer jeito, quero que saiba que eu estou aqui, com Bella e no hospital. O médico disse que ela estava bem, estável, não ficaria com nenhuma sequela. O feto era novo demais para… eu não entendi o resto, sinto muito, eu só conseguia pensar no quão devastada Bella estará quando acordar e perceber que perdeu a única coisa que a ligava com você.
Não posso esperar que ela esteja bem: Sei que não estará. Nenhuma mãe fica bem ao saber que perdeu o filho que ela costumava falar carinhosamente. Ela tinha até discutido nomes! Você acredita nisso? Seria Emma se fosse uma garota e Henry se fosse um garoto. Ela perguntava ao bebê qual nome ele gostaria de ter. Era uma visão adorável, até imagino como você sorriria quando visse.
Tudo que eu posso e devo esperar nesse momento é que você leia essa carta assim que possível e, pelo menos, envie suas condolências a uma mãe a qual perdeu um filho.
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