She is Only 18
5 Capítulo 5 - Come along and go along with me
Diana’s POV.
Eu tinha motivos suficientes para classificar aquele final de semana como o melhor… O melhor em muito tempo. Eu não era tão dramática a ponto de classificá-lo como o melhor da minha vida, mas o meu coraçãozinho traiçoeiro e palpitante me deixava à beira da mudança de ideia.
Josh e eu tocávamos sem parar e recusávamos até os convites de Daniel e Ben para nos juntarmos a eles nas refeições. Alguma coisa estranha acontecia quando tocávamos juntos, alguma energia desconhecida e maravilhosa fluía e eu desconfiava que não fosse encontrar outra pessoa com quem pudesse ter tamanha cumplicidade musical. E ele parecia sentir o mesmo, porque cada vez que era chamado por Dan ou Ben, ele ia com a expressão de quem estava sendo chamado pra forca. Isso me deixava lisonjeada, mas ao mesmo tempo desconfiada e assustada. Estava com medo de estar ficando ligada demais a Josh, e ele a mim.
Ele estava em uma fase delicada, pois a banda estava quase na reta final da produção do novo disco (sobre o qual eu não ousei perguntar) e eu não achava que esse fosse o melhor momento para Josh se envolver com alguém. E ele com certeza pensava da mesma forma. Bastavam cinco minutos sem estar com ele e eu começava a remoer essas questões. No entanto, bastavam cinco segundos com ele e essas preocupações eram apagadas da minha mente.
Josh só ficaria no Rio por mais uma semana, e na segunda feira todos voltamos às nossas rotinas. Eu tive que ir para o trabalho, Benjamin teve que voltar à faculdade e Daniel teve que voltar para a empresa. Josh era o único com tempo livre, então alugou um táxi e ficou passeando pelo Rio, entrando em lojas de instrumentos e discos, gastando com isso mais do que um ser humano normal gastaria. Qual não foi a minha surpresa ao sair do trabalho e vê-lo encostado ao táxi, do outro lado da rua. Antes mesmo de chegar até ele, eu estava rindo de puro nervoso.
— Como descobriu onde eu trabalho?
Ele deu uma risadinha, parecia um pouco orgulhoso da façanha de ter me encontrado em uma cidade enorme e desconhecida.
— Tenho alguns contatos.
Revirei os olhos.
— Benjamin, é claro. Então, o que faz aqui?
— O que acha que faço aqui? Vim colaborar com a sua total irresponsabilidade profissional. – ele deu uma risadinha nervosa. – Tenho uma coisa para você, mas só darei se você aceitar o meu convite.
Automaticamente enrubesci de desconforto. Eu nunca ganhei nada que não fosse da minha família ou dos irmãos, então não sabia muito como ser agradecida. Mordi o lábio.
— Não posso aceitar ao convite antes de saber do que se trata, não é?
Ele deu uma risada alta e rouca, que eu nunca tinha ouvido antes. Isso me encorajou a sorrir também.
— Benjamin me deu a chave da outra casa, para eu poder ensaiar. Pensei em trabalhar no material novo da banda, mas não acho que estou suficientemente concentrado essa semana. – ele me lançou um olhar de esguelha, enrubesci mais ainda. – Então... Bom, aquele material que criamos há alguns dias não sai da minha cabeça, então... Era nisso que eu estava com vontade de trabalhar.
Ele retorcia os dedos e essa seria uma visão engraçada para mim se eu não estivesse envolvida até o pescoço no contexto. Mordi mais ainda os lábios e o encarei. Ele ergueu as sobrancelhas e me encarou de volta, como se implorasse para eu responder logo.
— Josh, eu... Eu amo tocar com você, de verdade. – os olhos dele brilharam discretamente à menção da palavra “amo”. – Mas eu não quero realmente trabalhar nisso, você sabe, no sentido literal de trabalhar.
Ele suspirou. Depois virou-se para o taxista, pagou-o e o dispensou.
— Venha, vamos andar um pouco.
Começamos a andar pelas calçadas. Notei que ele estava ficando mais e mais à vontade em andar a pé quando notou que as pessoas ainda não o reconheciam. Imaginei como seria para ele andar no Rio depois do mês de setembro, quando aconteceriam os primeiros shows dos Peppers no Brasil em quase uma década.
— Olhe, eu sei que você não deseja fazer da música o seu ganha pão. – ele falou enquanto andávamos. – Mas você é extremamente talentosa e promissora. E você é tão jovem.
Olhei pra ele meio confusa. Sim, eu era jovem, mas o Josh só era uns seis anos mais velho que eu. Será que ele achava que era uma adolescente? Já tinham me falado que eu parecia bem mais nova, e o fato de eu ser bem baixinha contribuía nisso. Tentei não rir da cara dele.
— Josh, exatamente quantos anos você acha que eu tenho?
Ele parou de andar bruscamente e eu quase esbarrei nele. Não consegui ler a expressão dele, mas estava claro que ele realmente achava que eu era bem mais nova.
— Dezoito...?
Fiquei encarando ele por uns cinco segundos, sem reagir. Quando não consegui segurar mais soltei uma gargalhada alta, que acho que o assustou (minha gargalhada assustaria qualquer pessoa com gestos tão contidos quanto os do Josh). Ri até ficar quase sem fôlego.
— Josh, eu tenho 25 anos. De onde você tirou essa história de 18? Que garota de 18 anos mora sozinha em um apartamento em Laranjeiras e tem emprego fixo cujo salário cobre todas as suas despesas? Você acha mesmo que minha mãe seria doida de me largar sozinha aqui se eu fosse uma adolescente?
Ele ficou totalmente desconcertado e eu ri mais ainda. Não entendi muito bem esse lance da idade, mas aí me veio à cabeça a possibilidade de o Josh gostar de mim de outra forma. Isso foi o suficiente pra me fazer parar de rir.
— Qual o propósito dessa conversa? – acabei soando mais agressiva do que gostaria.
— Se você não quer viver disso, tudo bem. Mas não devia esconder seu talento dos outros. Quando conheci John, cheguei à conclusão de que talento não é um presente que é dado somente a você. Ele tem que ser dividido com as outras pessoas.
Parei de andar e olhei para ele. Aquele comentário me tocou profundamente, pois eu sempre tive a mesma opinião. E foi por causa do John. Josh me olhou com um pouco de ansiedade e eu previ que o propósito da conversa estava chegando. Ele respirou fundo e me olhou dentro dos olhos, algo que ele raramente fazia. Fiquei mais nervosa ainda.
— Me deixe mostrar o que compomos para John.
Eu me senti girando dentro de uma bola de neve em plena avalanche. É claro que não ia deixá-lo mostrar nada a John! O cara era o meu maior ídolo, eu jamais acharia que estava tocando e compondo bem o bastante para que ele ouvisse. Não, eu jamais teria coragem. E foi isso que disse a Josh, quase gritando.
— Calma, calma. – ele segurou minhas mãos e eu parei de falar imediatamente. – Tudo bem, esqueça o John. Mas me prometa que vai mostrar isso às outras pessoas.
Pensei por um momento, sentindo as mãos grandes dele envolvendo as minhas.
— Antes de a gente ir, preciso saber. Por que você ficou tão preocupado com a minha idade?
Ele respirou fundo e consegui perceber um misto de vergonha e culpa. Bom, eu sentiria culpa no lugar dele se eu fosse um homem de 31 anos que achava estar atraído por uma garota de 18.
— Eu não me sentiria à vontade de estar tão próximo de uma garota tão mais nova do que eu. Não é certo. Principalmente se a gente acabasse se envolvendo...
Senti minhas bochechas esquentarem, essa conversa realmente poderia ter sido bem menos bizarra se não fosse pelo lance de idade. Pelo menos ele tem consciência disso também. O que na verdade é o mínimo.
— Tudo bem. Agora vamos tocar, você me deixou nervosa demais. E já que aceitei o seu convite, você ainda tem algo para me dar.
Ele riu, e pegou de novo a minha mão. Pensei em soltá-la eu mesma, mas a sensação era muito boa para que eu pudesse rejeitá-la. E de mãos dadas fomos ao estúdio improvisado na Barra.
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