Los Angeles, quatro de fevereiro de 2008

Elizabeth trocava as músicas em seu mp3 por não saber fazer outra coisa naquela ocasião. Estava completando 18 anos naquela data e seus tios estavam levando-a para um lugar totalmente desconhecido.

— Será que um de vocês poderia, por favor, falar para onde eu estou sendo arrastada?

— Não fique assim Liz. — A tia da garota falou — Esse lugar vai ser bom para você.

— Ele voltou, não foi?

Silêncio. E Elizabeth, infelizmente, sabia o que este silêncio mortal significava.

Seu pai havia encontrado-a de alguma forma e iria querer tomar satisfações. Tais satisfações seriam matá-la, com toda certeza. Ora, este era o único motivo pelo qual os tios animariam bancar uma viajem do Tennessee até Los Angeles no dia do aniversário da garota.

— Respondam! — Ela falou, impaciente — Voltou?

— Sim. — Seu tio foi claro e objetivo.

A garota se jogou no banco. Não era possível. Passara os últimos onze anos sem ter notícias do pai para ele voltar do nada? O que ele iria fazer agora? Já não bastou o que fez para a mãe dela?

Sua mãe. Suzanne Parker. Sempre usando o nome de solteira, uma vez que nunca quis usar o nome de casada. Sempre que pensava na mãe, a velha imagem de Suzanne chamando-a de raio de Sol e cantando uma boa canção de ninar aparecia em sua mente. Como em um impulso, levantou a manga esquerda da blusa de frio até os cotovelos e viu as marcas que seu passado lhe causou — a maioria das marcas ela havia causado nela mesma, mas a mais próxima do cotovelo havia nome e sobrenome. Jeremy Turner, seu pai.

— E eu estou em Los Angeles para...

— Foi a única maneira que encontramos para te proteger Liz. — Sua tia se pronunciou — Espero que você nos entenda no futuro. E esperamos que todos os traumas que você teve durante a vida sejam curados.

— Como assim tia Maggie?

— Percebemos faz um tempo que tudo o que aconteceu com você houve um efeito negativo. — Seu tio falou — Você teve problemas com bebidas, drogas e baixa auto-estima.

— Se eu estive com problemas, entendam que eu consigo resolver. — Rebateu — Onde eu estou indo?

— Clínica de reabilitação Mayden. — Seu tio falou — Vai ficar lá até arrumarmos uma forma de colocarmos seu pai atrás das grades e até conseguir estabilizar sua vida.

— Eu não quero ir! Se eu for para esse lugar prefiro que meu pai me encontre e me mate. Irá doer menos.

— Não fale assim Elizabeth! — Maggie se pronunciou autoritária — Você apenas... Vai.

Sentiu lágrimas descerem e as viu cair em seu aparelho de som. Então era isso? Seu pai dava sinal de vida e ela iria fugir? Ainda mais depois de tudo o que ele fez para sua mãe?

Chegaram no local. As grandes grades negras abriram para o carro entrar, haviam dois homens — os quais Elizabeth julgou serem os seguranças — na porta de entrada da clínica.

Seu tio estacionou o carro e Elizabeth saiu, correndo para a saída.

— Liz, não! — Maggie falou — Você vai ficar nessa clínica.

— Eu não quero fazer isso! — Ela protestou — Por que você e o tio Frankie não me contaram nada?

— Você ia recusar! — Frankie falou — Elizabeth...

— Eu não!

— Liz...

O resto da cena foi como um trovão, seu ato não foi analisado pelo cérebro, apenas parou para prestar atenção no que havia feito quando os seguranças do local seguraram seus braços e viu seu Frankie abraçando Maggie de lado. Liz sentiu mais lágrimas caindo e tampou sua boca com as mãos. Frankie continuava ao lado da esposa, olhando para Liz.

— Tia Maggie eu não... Eu nunca...

— Você... Me bateu. — Foi a reação da mais velha.

Elizabeth ficou calada e em choque. Enquanto os seguranças a levavam, sua imagem foi ficando cada vez mais turva. A garota apenas voltou para a realidade quando trancaram-na em uma sala branca com uma cadeira. Debateu-se para sair de lá, mas era um pouco tarde demais.

Notas finais
Olá pessoas, o que acharam do prólogo? Tenso e depressivo, eu sei, mas relaxa que a outra cena depressiva acontece depois, beeeeem depois. Sei que com o prólogo não dá para concluir quase nada, mas espero que gostem e que acompanhem :*