She Looks So Perfect

18 Capítulo 18 - Between burnt cakes and drunks disobedient


Capítulo 18 — Between burnt cakes and drunks disobedient

No dia seguinte, eu acordei cedo por escolha própria. Era um dia especial, que eu estava esperando desde que conheci eles. O aniversário de 20 anos de Ashton. Daqui nove dias seria o de 18 anos de Luke, mas isso pensaríamos depois. Quando Misery, do The Maine, começou a tocar às nove horas da manhã, eu levantei num pulo para me trocar. Coloquei uma roupa bem confortável — um short jeans, que já foi uma calça e uma regata branca — e fui acordar Allie.

E como não sou uma pessoa legal, e muito menos normal, peguei minha guitarra no fundo do guarda-roupa e a conectei ao amplificador. Comecei a tocar as notas, como meu pai me ensinou a fazer baseado em seus solos nos shows. Logo ouvi um barulho oco na parede que separava meu quarto do dela. Provavelmente um sapato.

— Já entendi, praga, agora já chega! — ouvi sua voz abafada.

Continuei o solo durante alguns segundos antes de interrompê-lo, apenas por provocação. Eu ri, guardando a guitarra de volta ao guarda-roupa. Desci as escadas correndo e já comecei a preparar os ingredientes necessários para preparar o bolo que eu e Allie lutamos para procurar as coisas sem que os meninos soubessem. Talvez Luke e Michael desconfiassem, mas eu não disse nada diretamente e eles, porque seria fácil de Ashton descobrir. Não planejamos algo grande, porque eu tinha quase certeza que os meninos fariam algo próprio para eles, então faríamos mesmo só um bolo e alguns docinhos.

— Já separou as coisas? — perguntou Allie, aparecendo na cozinha e pegando uma maçã no fruteiro.

— Já estão aí em cima da bancada. — respondi, abaixando para pegar panelas e formas no armário da pia.

— Compramos o suficiente para caso dar errado? — ela perguntou, e eu ri.

— É claro! — eu disse rindo, lavando as panelas. — O suficiente para umas cinco receitas, já que suas habilidades culinárias são bem questionáveis.

— Praga! — ela resmungou, e eu me abaixei no tempo exato para evitar que uma maçã atingisse minha cabeça.

Eu ri ao colocar a maçã arremessada de volta ao fruteiro. Allison sempre fazia isso quando eu falava da sua comida.

— Olha o desperdício, garota! — brinquei.

— Você já comeu alguma coisa? — Allie perguntou, mudando completamente de assunto.

— Ahn, sim. — menti. Eu poderia comer alguma coisa mais tarde.

— Você sabe que não sou só eu que me preocupo, não sabe? — ela comentou, parando ao meu lado para juntar os ingredientes da massa numa tigela.

Suspirei. — É, Luke fica no meu pé para eu comer com frequência.

— O que está rolando entre você? — ela perguntou, e eu quase engasguei com a minha própria saliva.

Abaixei a cabeça, envergonhada e desconfortável.

— Não está rolando nada. Somos apenas amigos. — respondi a mesma coisa que dissera a meu pai dois dias antes.

Mas eu já não sabia com tanta certeza.

— Eu sei que não é verdade, e você também sabe. — ela falou, soltando a tigela e virando-se para mim.

Provavelmente queria olhar em meus olhos atrás de algum indício do que eu estava sentindo, como ela sempre fazia. Tomei a tigela que ela ignorou, e comecei a mexer os ingredientes apenas para manter as mãos ocupadas.

— Eu já não sei de mais nada, Allie. — admiti por fim.

— Mas o que você sente? — ela perguntou, pegando a batedeira no armário.

Dei de ombros, e senti um peso em meu peito ao pensar em Luke.

— Eu sempre o amei como meu ídolo, você sabe. — comecei a dizer, sem pensar muito. Allie assentiu, incentivando-me a continuar. — Mas depois que o conheci como pessoa, algo mudou. Ele é muito mais do que eu esperava, e eu já não consigo me imaginar sem a presença dele.

— Já pensou em dizer a ele que é fã ou que é filha do tio Angus? — ela perguntou, colocando uma mão sobre meu ombro.

— Eu não posso, Allie. — suspirei derrotadamente. — Não quero que eles pensem que estou apenas me aproveitando da fama dele e do meu pai, ou algo do tipo.

— Tudo bem, Charlie, acaba que você está certa.

Sorri tristemente e despejei a massa na batedeira. — Melhor terminarmos o bolo do Ash.

Allie abriu um sorriso natural, e eu logo a acompanhei.

— Que comece a bagunça!

~*~

Acordei no meio da madrugada ouvindo alguém gritando meu nome. Pisquei os olhos várias vezes, tentando me orientar. Vi o relógio digital na minha cabeceira marcando quarto e quinze da manhã e eu resmunguei alguns palavrões enquanto me jogava no chão numa tentativa falha de me levantar. Lembrei-me do bolo de Ashton que fizemos durante o dia e de como precisamos de todas as cinco receitar para o bolo ficar descente e não tão queimado.

Só de lembrar o quão cansada eu fiquei, minha vontade de trucidar quem quer que fosse que me chamava ficou ainda maior.

Me arrastei até a janela e olhei para fora. Luke estava logo abaixo, gritando meu nome a plenos pulmões enquanto Michael tentava puxá-lo para dentro de casa. Do outro lado da rua, Calum arrastava um Ashton quase desacordado. Arregalei os olhos ao ver a situação dos meus amigos e coloquei um calça para ir até eles. Quando saí do meu quarto, porém, encontrei Allie já vestida no corredor, com duas mochilas em mãos.

— Aqui a sua. — ela disse, entregando-me uma das mochilas, que eu realmente reconheci como sendo minha.

— Para quê isso? — perguntei, enquanto descia as escadas e ela vinha atrás de mim.

— Vi num fc do Twitter que eles tinham saído com os garotos do One Direction para uma balada. — ela explicou. — Desconfiei que ao menos um deles passaria da conta e já deixei nossas mochilas preparadas para passarmos a noite por lá. E você sabe como australianos são alcoolatras. Mas temos que tirar eles da rua antes de serem multados por essa regra estúpida de não poder andar bêbado na rua.

— Obrigada, praga, você é um anjo na minha vida. — eu disse, e dei-lhe um beijo na bochecha antes de sairmos de casa.

— Precisa de ajuda? — perguntei a Michael, que segurava Luke pelos braços enquanto tentava fazê-lo se calar.

Em comparação a Luke, Michael parecia extremamente sóbrio.

— Eu não recuso. — disse Mike, sorrindo envergonhado.

— Allie, você pode ajudar Calum com Ashton? — perguntei a ela, que logo saiu em direção à casa deles.

Aproximei-me de Luke, que estava desequilibrado e fedendo a álcool. Segurei seu braço ao redor do meu ombro e senti boa parte de seu peso caindo sobre mim. Michael apoiou a outra parte contra si e, juntos, arrastamos Luke pela rua até sua casa.

— Charlie? — ouvi a voz arrastada de Luke ao meu ouvido e seu hálito de cerveja invadiu meu olfato.

— Você nunca me chama de Charlie. — falei, torcendo o nariz.

Luke soluçou. — Você sabe que é muito bonita?!

Corei, mesmo sabendo que era apenas efeito do álcool.

— Ah, Luke, cale a boca. — resmungou Mike. — Você está bêbado.

— Estou são o suficiente para... — ele soluçou novamente, interrompendo sua fala. — ... apaixonado.

Travei o maxilar, ignorando sua última frase para que meu coração não fosse despedaçado.

— Só cale a boca, Luke. — disse Michael, abrindo a porta com a outra mão e me ajudando a levar Luke para dentro.

Não vi sinal algum de Allie, Calum ou Ashton, mas quando passamos pelo corredor do segundo andar, ouvimos um chuveiro ligado e vozes vindo do quarto que deduzi ser do Ash. Arrastamos Luke até seu quarto e Mike pegou alguma roupa em seu guarda-roupas enquanto eu levava o bêbado alucinando para o banheiro.

— O que está fazendo, Charlie? — Luke perguntou quando comecei a puxar sua blusa para cima.

— Tirando sua blusa, não está vendo? — eu disse, rindo da careta que ele fez.

Eu sabia que seus pensamentos eram maliciosos, mas era engraçado vê-lo tentar transmitir isso pela expressão.

— Eu sempre soube que você queria ver meu corpo nu! — exclamou Luke, enrolando a língua um pouco.

Em situações como essa eu teria corado, mas tudo o que consegui fazer foi rir.

— Okay, Luke, vamos fingir que sim. — eu disse, e me abaixei para desabotoar seu cinto.

Michael entrou no banheiro com uma muda limpa de roupa e me ajudou a tirar as calças de Luke. Engoli em seco ao ver a cueca box vermelha que Luke usava e fiz de tudo para não olhar para aquela região. Respirei fundo e me virei para Michael.

— Você pode colocar ele no chuveiro enquanto pego minha mochila lá embaixo? — perguntei.

— Claro. — ele falou, e sorriu levemente.

Desci as escadas, vendo que os outros já tinham se acomodado nos quartos, e peguei a mochila que eu joguei no canto do sofá enquanto passava por ali. Até que ouvi gritos de Luke vindos do segundo andar. Suspirei e logo voltei para seu quarto. Deixei a mochila do lado da cama e fui ao banheiro para socorrer Mike. Quando entrei, Michael estava quase encharcado e Luke tremendo embaixo da água gelada.

— Não me deixa, Charlie. — ouvi-o resmungando.

— Pode deixar que eu assumo daqui, Michael. — eu disse.

— Tem certeza? — ele perguntou.

— Sim, eu cuido dele a partir daqui. — garanti.

Michael sorriu, agradecido, e depositou um beijo em minha testa antes de sair pela porta. Virei-me para Luke e mordi o lábio ao ver a água escorrendo por seu corpo. Sim, ele era mesmo magro como eu já dissera, mas era o tipo de magro musculoso que me chamava a atenção. E, devo dizer, o esforço para não agarrá-lo estava sendo grande; Luke tinha um corpo que qualquer garoto invejaria. Balancei a cabeça para afastar esses pensamentos e fui ajudá-lo. Mesmo com a água gelada, Luke parecia estar quase dormindo. Peguei seu shampoo e espalhei por seu cabelo, tentando não me molhar muito. Luke assustou-se e arregalou os olhos ao me ver à sua frente, mas abriu um sorriso meio sóbrio, meio alucinado.

— Ei, calma, sou eu. — eu disse, enxaguando seu cabelo.

— Eu sei. — ele falou, rindo. — Eu sempre sei quando é você, Charlie.

Sorri, envergonhada, e passei um dos cremes que tinha ali apenas para não ter que falar nada. Depois que passei a bucha em seu corpo — morrendo de vergonha e com medo de morrer por falta de sangue em qualquer do corpo que não fosse o rosto — sequei meus braços e enrolei uma toalha ao redor de seu corpo. Fechei o chuveiro e o ajudei a se secar.

— O resto é com você. — eu disse, apontando para a calça de moletom cinza e a box preta que Michael tinha deixado na pia. — Vou esperar no seu quarto.

— Não vai não! — Luke pediu, segurando meu pulso para que eu não me movesse.

— Ei, ei, ei! — eu disse, tentando acalmá-lo e tirar dos seus olhos um brilho desesperado. — Eu não vou a lugar nenhum. Só vou te esperar no quarto enquanto você troca de roupa.

— Mas... Mas...

— Luke, são só dois minutos.

— Tudo bem.

Ele abaixou a cabeça tristemente e eu senti meu coração se apertando — mas, mesmo assim, eu saí. Não estava muito disposta a vê-lo se trocando. Ao menos não se eu quisesse me manter sã. Não muito depois, Luke saiu do banheiro, sem camisa e secando os cabelos loiros. Jogou a toalha de qualquer jeito de volta no banheiro e se deitou na cama.

— Deita aqui, Charlie. — ele resmungou, sua voz um pouco sonolenta.

Eu ri baixinho e peguei algumas cobertas e um travesseiro extra em seu guarda-roupa. Cobri Luke, que resmungou alguma coisa que me foi inaudível e afundou a cabeça em seu travesseiro, apagado.

— Boa noite, loirinho. — sussurrei baixinho, e acabei dando um selinho em seus lábios.

Eu corei, com medo de que ele acordasse — mas ele não acordou. Não me arrependo; aquele poderia ser minha única oportunidade que eu teria. Estendi algumas cobertas no chão e me deitei. Não era exatamente confortável, mas era melhor do que nada.

Notas finais
Pontos culturais: ~O álcool é proibido em público, inclusive em praias, e você é multado caso seja visto bêbado pelas ruas.