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8 Chapter VII - Beyond The Blood Bond
Notas iniciais
Eu estava sentada no sofá da sala enquanto ouvia as risadas dos amigos de Stefan vindo da mesa de jantar. Eu estava quieta. Havia esse energia dentro de mim... renovando cada centímetro do meu corpo. Eu estava feliz, isso era claro. Mas eu também estava assustada... Beijar Rachel me deu dimensões maiores do meu sentimento. Eu estou lutando por ela mas eu estaria realmente preparada para tudo? Estaria eu pronta para tentar com todas medidas que eu tivesse em mãos?
Lembro-me da textura de seus lábios e suspiro frustrada. Deus, eu a beijei. Mas sei que ela ainda está confusa. Ela tem sentimentos por mim, porém ainda ama Finn. E ainda há toda essa incógnita sobre o futuro dela e o meu...
Ouço o sofá afundar do meu lado e encontro Lincoln sorrindo para mim. Lincoln era um dos melhores amigos de Stefan. Ele era negro, sem cabelos, muito alto e forte. Eu sabia que ele trabalhava na Polícia Estadual de Ohio. Dos amigos de Stef, ele era o mais próximo de mim. Não que eu não gostasse dos outros, mas Lincoln tinha uma humildade especial que me fazia gostar dele gratuitamente.
"Você parece feliz, huh?" — Ele sorri malicioso para mim e eu bufo.
"Stefan já abriu a boca?" — Pergunto, sem acreditar.
"Não, mas parece que você sim." — Ele diz e então começa a rir da minha cara. Eu fico corada e amaldiçoo meu padrinho mentalmente.
Ao fundo, ouvi as risadas de Stefan conversando com Hayden e Marshall. Eu suspirei, em meio a felicidade e o medo... Eu me sentia em casa. Eu me sentia protegida por Stefan e me pergunto já que tenho tudo o que eu preciso... Por que continuo tão melancólica? Com tanto medo de seguir em frente e não conseguir?
Lincoln percebeu que eu não estava completamente animada.
"Oh-oh." — Ele cantarolou. — "Tem alguma coisa errada com sua garota, loirinha? Pelo que Stefan me contou, o beijo teve um final feliz, não?"
"Sim, ele teve." — Eu sorri um pouco, lembrando.
"Então porque você está assim... parecendo que levou um chute na bunda?" — O cara adorava me zoar. Soava impossível ele ter 33 anos.
"Porque acho que vou levar um. Quer dizer, eu... Eu não sei de nada, entende? Tudo sobre mim e Rachel é um grande ponto de interrogação. Eu sei que a beijei hoje e preciso ser paciente... Mas é impossível não ficar frustrada em saber que amanhã não será a mesma coisa."
Lincoln pareceu me analisar por alguns segundos.
"Você está com medo, não está?"
Eu não falei nada.
"Você acredita no que sente por ela? Você realmente acredita, que se você a tivesse agora como sua namorada, você não a faria nada menos do que a garota mais feliz do mundo?"
"Sim." — Eu digo, somente. Então respiro fundo. — "Mas tenho dúvida sobre algo..."
"E o que é?"
Suspirei pesadamente antes de continuar.
"Eu sou apaixonada por ela. E isso é a coisa mais forte que já senti na minha vida, entende? Mas antes de tudo, eu a amo. Eu a amo porque ela tem o maior coração do mundo, porque ela acredita em mim e foi a única pessoa a me estender a mão. Eu a amo por causa do seu gênio forte, da sua voz e do seu jeito de me dar lição de moral. Mas eu... Eu.." — Eu parei por alguns segundos, lembrando do beijo. — "Este amor que eu sinto... Eu não sei se ele é romântico como minha paixão. Não sei se ele não é apenas amor de amigo."
Lincoln sorriu suavemente para mim.
"Você é apaixonada por ela, mas não sabe se a ama, certo? Só sabe que a ama como amiga..."
"Isso."
"E qual é o medo sobre isso? Você sabe... Você irá construir uma relação mais específica com ela agora e irá descobrir coisas novas sobre seus sentimentos. Trata-se disso: você descobrir que ama ou não. Porque se você descobrir que a ama sem nem ao menos ter tentado conquista-lá, você já teria perdido Rachel. Consegue entender isso?"
Eu conseguia. Assenti com a cabeça e ele me deu um tapinha nas costas.
"O meu medo é que... Finn tem essa certeza. Finn afirma que a ama mais que tudo e eu acredito nisso. E eu tenho medo de, como eu não ter a mesma certeza que ele... Eu acabar ficando insegura demais para Rachel e ela escolher ele ao invés de mim."
"Quando Finn namorou Rachel pela a primeira vez ele já sabia que a amava? Ele já a amava, naquela época?"
Não. Ele namorou e terminou com ela bem antes disso acontecer. Não respondi Lincoln, então ele teve sua resposta. Ele me entregou um copo de whisky e eu o virei garganta abaixo. Stefan estava alguns metros de mim e ele podia muito bem brigar comigo por causa disso, mas ele é muito calmo sobre essas coisas. Além do mais, eu estou em casa e estou frustrada. Whisky é a única coisa que funciona para mim no momento.
"Me dê uma dica de como conquistar uma garota. Eu não tenho ninguém para perguntar sobre isso e Stefan adora me deixar na mão." — Eu digo rapidamente e Lincoln riu.
"Não há muito para te dizer agora... Bom, você pode estar com medo e insegura mas não deixe ela sentir isso. Veja bem, não estou dizendo para você mentir para ela. Seja honesta sobre como você se sente, mas nunca ande para trás. Faça que ela sinta que você está enfrentando os seus próprios monstros para estar pronta para ficar com ela."
"Lincoln, eu te amo." — Ele riu bastante alto.
"Seu padrinho está faltando com você, garota?"
"Está sim. Acho que preciso de um novo."
Senti um copinho vermelho de plástico no meu ombro esquerdo. Ele foi jogado em mim.
"Eu ouvi isso!" — Stefan disse, se aproximando do sofá.
Joguei o copo de volta nele.
"Você me agrediu!"
"Você machucou meus sentimentos!"
Lincoln começou a rir mais. Hayden e Marshall que entraram na sala o acompanharam.
"Você vai ficar de castigo, mocinha!" — Em um movimento rápido, ele me jogou sobre os ombros e começou a andar pela a sala.
"STEFAN! Deus, eu odeio você bêbado!"
"Respeite seu padrinho!"
"Me põe no chão!"
–
Cheguei na escola hoje e encontrei Finn me esperando no meu armário. Me aproximei cautelosa, com um pouco de medo do que poderia ouvir. Ele não parecia estar estressado, ele parecia normal, porém bastante alerta. Fiquei um pouco nervosa em sua presença.
Eu beijei a garota que ele amava ontem.
"Finn?" — Chamei a atenção dele, que olhava para o lado contrário que eu estava, mais exatamente para o fim do corredor. Ele me encarou e sua expressão se tornou um pouco preocupada.
"Quinn, eu... Preciso falar com você. Podemos ir para outro lugar?" — Ele pergunta, ainda olhando em volta. Começo a me preocupar, porque ele está agindo de um jeito muito estranho.
"Claro." — Eu digo. Ele segue até o auditório. Vou atrás dele.
Nós chegamos lá e ambos pusemos nossas mochilas em cima do piano. Finn parecia nervoso.
"O que está acontecendo?"
Ele suspirou.
"É o Puck. Ele está... louco. Irritado. Está muito puto comigo e com você."
Fico completamente confusa e sei que minha face expressa exatamente isso. Finn se adianta para explicar.
"Ele acha que estamos juntos. Puck fez o maior drama para Blaine e Kurt e ambos vieram falar comigo. Ele acha que estamos magoando Rachel mais uma vez."
"O quê? Isso é uma estupidez completa."
"Eu sei, eu sei..."
Me lembro de Santana ter dito que a escola ainda mantinha os olhos sobre mim e Finn. Esperando pelo o Casal de Ouro renascer. Conto isto para ele.
Finn ri suavemente.
"Se eles soubessem..." — Ele limpa a garganta e retoma a fala. — "O problema é que... Kurt e Blaine foram confrontar Rachel também... O que resultou em três pessoas altamente falantes discutindo na frente da casa de Rachel."
Franzo o cenho.
"Quando isso aconteceu? Eu deixei Rachel em casa ontem e Kurt e Blaine não estavam lá."
O rosto de Finn amuou um pouco. Fiquei um pouco corada ao perceber que falei sobre passar um tempo com Rachel na frente dele. Não que isso era errado, ou que ele tinha o direito de ficar magoado com isso. Mas era inevitável... Ambos queremos a mesma mulher e momentos assim terão que ser razoáveis se quisermos manter a amizade.
"Aconteceu um pouco tarde, umas... oito horas da noite, mais ou menos. Quando Kurt chegou em casa com Blaine, eles decidiram me atacar verbalmente também."
Inevitavelmente, fiquei irritada. Muito irritada.
"Eles não tem o direito de fazer isso!" — Eu bufo. — "Kurt deixou de ser amigo da Rachel e agora está querendo opinar sobre a vida dela? Isso é tão..."
"Hipócrita? Foi o que eu disse á eles. Eu briguei com eles e os mandei pedir desculpas. Ela não ficou muito feliz e até agora não consegui acha-lá aqui na escola..."
Meu maxilar está trincado. Estou irritada, porém não muito. Mas bem que queria tacar um pouco de fogo no topete atrevido de Kurt, apesar de achar que a intenção do garoto era arranjar uma desculpa para se reaproximar de Rachel.
"Acha que Rachel está magoada?" — Finn me perguntou.
Penso por alguns segundos.
"Não. Ela não está, acho que ela deve ter gostado da atenção." — Finn pareceu ponderar.
"Porque exatamente você precisou me trazer aqui para falar isso?" — Perguntei.
"Porque a história não acaba aí. Puck quer brigar comigo."
Ah, não mesmo...
"Você está brincando, não é?"
"Eu queria estar. Ele acha que estou fazendo isso de propósito só para provoca-ló. Eu achei que Puck tinha amadurecido, mas algo o fez retroceder."
Eu também achava isso. Meu sangue esquentou. Finn se aproximou alguns passos.
"Só... tome cuidado, okay? Ele pode estar cercando você... "
"É em você em quem ele quer dar porrada." — Eu digo um pouco humorada. Finn sorriu de lado.
"Uns garotos do time de futebol já disseram que não vão deixar ele exagerar no campo." — Ele apontou para si mesmo, presunçosamente. — "Eles tem que proteger o Quarteback."
Eu dei uma risadinha. Ele sorri para mim e fiquei feliz que a situação toda não está nos afetando por completo. Pelo menos, ainda não.
"Srta. Fabray? Hudson?" — Nos viramos e encontrando Mrs. Pillsbury nos encarando surpresa. — "O primeiro período irá começar logo, não deviam estar aqui."
"Estamos indo." — Finn assobiou e pegou sua mochila de cima do piano, fiz menção de fazer o mesmo.
"Espere, Quinn..." — Ela faz sinal para Finn continuar e ele me olha, cuidadoso. Dou de ombros, sem saber o que ela queria. Finn sai e eu encaro Emma, ela parece bem nervosa. — "Eu vim aqui para procurar Will mas já que lhe encontrei posso falar com você eu mesma, já que sou orientadora e é meu dever eu tenho que fazer isso. Eu não deveria estar tão nervosa assim..."
Ela começou a murmurar e meu cenho foi se franzindo cada vez mais.
"Miss Pillsbury, você poderia dizer logo o que está havendo?" — Ela me encara e então sorri sem graça.
"A Professora Corcoran está lhe esperando na sala diretoria. Ela disse que gostaria de conversar com você."
O mundo parou.
Completamente.
Gostaria que Finn tivesse continuado aqui.
"O que ela quer?" — Me surpreendo quando ouço minha voz. Ela saiu completamente arrastada.
"Não sei exatamente, mas ela parece animada em querer falar com você. Sinto que as intenções dela são as melhores." — Ela fala rápido e antes que eu pudesse pensar duas vezes, agarro minha mochila e marcho para a sala do diretor.
–
Estou sentada na frente de Shelby há aproximadamente 15 minutos. Eu não tive coragem de dizer uma única palavra. Sinto que ela também está nervosa. Ela está diferente, parece mais velha ao mesmo tempo que parece bem mais bonita. Não sei quanto tempo se passa, mas seus olhos estão me encarando indecifráveis.
Então Shelby sorriu para mim. Estremeci ao perceber o quão Rachel e ela são parecidas.
Deus, Rachel... Como vou dizer isso á ela?
Não posso pensar nela agora, se não meu nervosismo não vai passar. Eu limpo a garganta e só tenho coragem o suficiente para dizer uma única palavra.
"Beth?"
Shelby sorriu um pouco mais.
"Sim. Ela está bem, se você estiver pensando que aconteceu algo a ela..."
Eu engulo seco ao lembrar de minha filha. Parece errado eu pensar no título de "minha filha" em frente á Shelby mas sinto que tenho o direito de reivindica-lá assim, mesmo que só para mim.
"Explique." — É tudo o que eu falo. Ela respira fundo.
"Beth está perto de completar um ano e meio de idade. É preciso fazer exames... Exames normais para a segurança do bebê e é necessário saber sobre o gene dela. É necessário saber sobre sua saúde também."
Ela explica e eu entendo. Para a saúde de Beth e para fazer exames precisos, é necessário que eu esteja presente.
"Então você quer que eu... Faça algum tipo de relatório sobre doenças passadas na família?" — Pergunto. Minha voz está calma demais e estou muito controlada, porém o leve tremor em minhas mãos me entrega completamente. Shelby sorri.
"Sim, isso seria muito bom... Mas não é tudo o que eu quero com você." — Ela se levanta e eu faço o mesmo, paramos em frente uma da outra.
"O Vocal Adrenaline estava fazendo um treino físico em um complexo onde o plantel das Cheerios também estava. No começo não fui muito bem recebida, mas consegui entrar em uma conversa educada com Sue Sylvester." — Ela explica e eu penso no que isto tem haver comigo. Ou com Beth.
"Sue falou coisas incríveis sobre você. Sobre como você estava se esforçando para passar em uma faculdade, desenvolvendo habilidades próprias e ficando mais madura para lidar com grandes decisões. Isso me fez muito feliz, Quinn." — Ela diz e minha respiração começa a sair um pouco do compasso normal. — "Ela também disse que você está morando com o seu padrinho e lidando com isso melhor do que ela poderia imaginar."
Sinto vontade de chorar. Não só por Shelby mas por Sue... Ela falou tudo isso sobre mim e significa que ela tem prestado atenção em mim nos últimos tempos.
"Eu realizei que talvez... Você já estivesse pronta para vê-la mais uma vez."
Eu paralisei. Uma lágrima solitária desde do meu olho esquerdo e eu não me importo em seca-lá. Shelby pousa uma mão em meu ombro e dá um aperto.
"Isso é sério?" — Ela assente. Então, eu a abraço. Eu a abraço muito forte, porque isto é mais do que tudo que já sonhei. Ela me deixaria ver Beth outra vez, mesmo eu já tendo a traído no passado. Uma segunda chance se apresentando para mim quando ainda acho que não sou merecedora.
Eu me afasto dela e passo as mãos em meu rosto, na tentativa de secar qualquer lágrima que tenha caído.
"Não sei se estou pronta, Shelby. Eu... Deus, isso é muito mais do que já quis." — Ela sorri atenciosa.
"Sim, você está. Olhe... Eu terei uma apresentação com o coral fora da cidade e queria deixar Beth em seus cuidados. Um dia inteiro para vocês duas. Eu voltaria de noite, quando você já a tivesse posto para dormir e assim... Assim nós iríamos perceber se você está realmente pronta para uma interação duradoura com ela ou não."
Um medo mais velho que o mundo se apossa de mim.
"Um dia inteiro? Shelby... Eu não se sou capaz de cuidar dela por tanto tempo sozinha e..."
"Você pode levar alguém para ajudá-la. Claro, eu preciso saber quem é e... Já pensou em levar seu padrinho... Qual o nome dele mesmo?"
"Stefan. Eu posso pedir para ele mas... Ele é muito ocupado..."
Shelby se vira e começa a mexer em sua bolsa, tira um cartão da Carmel e me entrega.
"Aqui está meu telefone. Me ligue quando decidir, mas por favor não negue... Sei o quanto isso é necessário para você. E eu adoraria proporcionar isso á minha filha, mesmo que ela ainda não tenha noção disto."
Eu respiro fundo, tentado acalmar meus nervos.
"Sim... Eu irei ligar." — É tudo o que consigo dizer. Shelby sorri para mim pela a última vez e sai da sala do diretor. Logo em seguida, ainda meio aérea, faço o mesmo.
Sigo para a minha próxima aula com a cabeça extremamente dividida. Não posso negar ver minha filha mas... O que aconteceria com minha relação com Rachel se eu fosse obrigada ser mais presente na vida de Beth e, consequentemente formar uma amizade com Shelby? Rachel ainda é muito magoada sobre isso e não sei como ela irá reagir.
Meu corpo formiga em uma inquietação e uma pontada de medo. Estou andando meio desnorteada quando esbarro em alguém. Gregg.
"Quinn!" — Ele diz e pega um livro meu no ar antes que ele encontre o chão. — "Você anda esbarrando muito nas pessoas por aí."
"Gregg." — Sorrio minimamente. Ele faz o mesmo. — "Me desculpe."
Ele sorri educado.
"Amanhã sairá o resultado de Yale, você vai estar presente no ginásio quando formos anunciar o resultado?" — Ele diz, e quase consigo sentir uma preocupação dele sobre mim.
Me lembro disso e um gosto amargo vem na minha boca.
"Talvez." — Respondo, sem conseguir encara-ló. — "Agora tenho que ir. Foi bom vê-lo, Sr. Sulkin." — E me afasto antes que ele pudesse falar algo mais.
A velha dor de cabeça volta e preciso voltar a organizar meus pensamentos e sentimentos rapidamente antes que uma implosão aconteça dentro de mim
Assisto ás aulas e não encontro Rachel nos corredores. Digito uma mensagem, preocupada porém ela não responde. Está chovendo pesadamente sobre Lima e recebo um outro SMS de Stefan avisando que ele iria me buscar na escola, para que eu não tivesse que enfrentar a chuva para voltar para casa. Fico feliz com a atenção e penso que, por muito tempo, o que definiu a minha relação com Stefan foi o laço de sangue. Hoje existe muito mais que isso entre nós.
Suspiro ao pensar em Beth...
Me sento em uma mesa do refeitório. Há alguns alunos além de mim, provavelmente por causa da chuva também.
"Quinn?" — Ouço uma voz tímida e me viro em sua direção.
É a imagem mais linda do mundo.
Rachel está em pé em minha frente, logo atrás da mesa. Ela veste uma saia preta e uma camisa rosa clara que vai até os pulsos. Ela está corada e mordendo os lábios de forma inocente, mas que mexe comigo. Lembro de que ontem aquele mesmo lábio estavam entre meus dentes.
"Rachel." — Eu sorrio para ela e a encaro de forma terna. Ela se senta ao meu lado e seu olhar muda.
"Você está bem? Parece que andou chorando..."
Um leve choque passa pelo meu corpo ao lembrar que preciso contar á ela sobre o episódio de Shelby mais cedo.
"Aconteceu..." — Eu sussurro, seu olhar fica mais preocupado e me adianto. "Foi uma coisa boa, fique tranquila..."
Ela sorri para mim. Não canso de pensar o quanto seu sorriso é bonito. Sua imagem é como uma droga para mim. Eu poderia olhar para ela por um milhão de anos.
"Posso saber o que é?"
Eu suspiro pesadamente.
"Pode..." — Fecho os olhos antes de encara-lá novamente. — "Shelby esteve aqui hoje, no colégio..."
Seu olhar fica triste e machucado, mas não é tanto quanto eu achava que ficaria. Ela encara o chão.
"Eu já sabia disso. Eu a vi no estacionamento, passei o dia fugindo dela..."
Então foi por isso que ninguém conseguia encontrá-la.
"Você não precisava ter feito isso. Ela estava atrás de mim." — Seus olhos vem até mim, surpresos e alertos.
"O que ela queria? Quinn..." — Eu respiro fundo e então sorrio.
"Parece que ela quer que eu reencontre a minha filha." — Eu rio enquanto meus olhos lacrimejam de emoção e Rachel me agarra em um abraço forte. Lhe aperto em meus braços e me perco em seus cabelos, respirando o mais fundo que posso para sentir seu cheiro. Eu vejo sua pele se arrepiar. Sorrio satisfeita com o efeito.
Nós afastamos, mas muito pouco. Seu rosto está perto do meu e meus olhos alternam entre lhe encarar nos olhos ou em seus lábios. Minha respiração engata e acontece o mesmo com ela. Uma risada mais alta vem de um grupo próximo de outros estudantes, nos trazendo de volta para a realidade. Ela se afasta, completamente corada. Eu não perco o ritmo e lhe encaro. Meus olhos verdes estão brilhando em provocação e isso faz com que ela erga uma sobrancelha.
Eu a encaro por alguns segundos mas meus olhos voltam a ficar tristes.
"Você está bem sobre isso? Sobre Shelby?" — Pergunto preocupada.
Sua expressão se desfaz um pouco.
"Vê-la... Não me faz bem. Nem um pouco, na verdade... Eu gostaria de esquecer essa minha relação de sangue com ela, mas volta á bater em minha porta. Gostaria de reduzir isso á nada, mas ainda sim é alguma coisa." — Ela fala, sussurrando.
"Se você quiser... Eu não tocarei no assunto novamente." — Ela ergue os olhos.
"Eu sei o quanto você está feliz por Beth. Você não precisa se privar de compartilhar isso comigo. No final, eu estou feliz por você também." — Ela sorri e eu penso o quão incrível a mulher na minha frente pode ser.
Ela está machucada e isso é visível. A frieza de Shelby em relação á ela é dolorosa para ela. Mas de qualquer jeito, ela prefere me manter confortável por estar feliz por Beth, a filha que sua mãe escolheu ter. Rachel fez isso para eu me sentir melhor, mas estou parecendo um lixo para mim agora.
Me aproximo dela e passo uma mão pela sua cintura.
"Vem cá." — Ela se aproxima e ficamos lado a lado. Inclino meu rosto para o seu e meu nariz roça sua bochecha, ela suspira.
"Quinn, os outros..."
"Eu não me importo. Eu quero beijar você agora." — E ela me encara. Consigo sentir um poder vindo dos seus olhos cor de café e eles me atingem em cheio.
Colo meus lábios no dela e a beijo carinhosamente. Meu peito se rasga em felicidade. É uma sensação tão nova e eu a quero sentir de novo e de novo.
Rachel coloca uma mão no meu maxilar e acaricia, para logo depois me puxar por ele e aprofundar o beijo. Não devo fazer isso, mas penso se estou fazendo o certo em beija-lá agora. Talvez eu estivesse indo rápido demais. Talvez eu estivesse sendo injusta com Finn.
Finn já a beijou milhares de vezes.
Essa é a sua vez agora.
Eu quebro o beijo e estou meio ofegante quando a encaro. Ela cora e então olha o redor. O refeitório está vazio.
"O que será que aconteceu para todos sumirem?"
"O apocalipse, talvez." — Rachel diz e eu começo a rir. Ela desfere um tapinha no meu ombro.
–
Estamos na frente de sua casa. Fico corada que ontem mesmo fomos pegas pelo o seu pai, mas Rachel está bem tranquila sobre isso. Stefan está me esperando no carro e ele foi em gentil em se oferecer para levar Rachel em casa também... Sem deixar de ficar sorrindo maliciosamente para mim toda hora.
"Está entregue." — Eu digo e ela sorri.
Um silêncio rápido acontece entre nós.
"Seu padrinho está sabendo de alguma coisa?" — Rachel pergunta com um tom travesso. Eu fico corada.
"Talvez..."
"Hmmm você não disse nada á ele?" — Eu sorrio.
"Talvez. Devo ter comentado sobre alguma garota que eu estava roubando uns beijos." — Eu falo presunçosamente. Quero disfarçar meu nervosismo, porque sei onde ela está querendo chegar. É um ponto delicado sobre nós duas.
Ela sorri mas seu sorriso se desfaz aos poucos.
"Acho que precisamos conversar." — Rachel diz e meu coração dispara.
"Vou conversar sobre o que você quiser." — Digo, disfarçando com tranquilidade.
O rosto de Rachel fica sério.
"Eu sei que a situação que nós estamos não é fácil e sei que você sabe também. Mas gostaria de esclarecer..." — Ela parece preocupada.
"Eu entendo. Eu realmente entendo." — Eu me aproximo um pouco e coloco uma mecha de seu cabelo para trás.
"Não faça isso. Sei que está com medo de alguma conversa." — Rachel diz e fico meio surpresa por sua sinceridade. Eu concordo positivamente com a cabeça.
"Está certo, então. Amanhã, ás 17 horas eu pego você em casa." — Eu digo com uma sobrancelha arqueada e Rachel sorri envergonhada.
"Você sabe... Eu pedi por uma conversa e não por um encontro." — Ela sussurra.
"Aproveite, você ganhou os dois. Eu não costumo ser tão fácil." — Ela me encara cética mas depois sorri.
"Então acho que devo ir... Stefan está me esperando."
"Vá. Vejo você amanhã na escola."
"Tchau Quinn." — Uma terceira voz surge de repente. Tomo um susto e levanto minha cabeça para o alto para encontrar o dono da voz. Hiram Berry estava dando tchauzinho para mim da janela do segundo andar.
"Papai!" — Rachel grita e então mais rápido do que eu poderia descrever, entra pela a porta e desaparece dentro de casa.
Eu sorri largamente. Aceno para Hiram.
"Tchau, Sr. Berry!"
"Me chame de Hiram, menina! Eu já disse isso!" — Ele grita de volta mas então uma mão aparece em seu ombro, tentando afasta-lo da janela. Começo a rir ao perceber que é Rachel.
"Desculpe, Hiram!"
"Venha jantar qualquer dia desses!" — O rosto dele esta vermelho, provavelmente porque está se segurando para não rir da própria filha.
Dou as costas ainda rindo da situação e entro no carro. Stefan está rindo.
"Viu a confusão em que me meti?"
"Você está muito ferrada, sobrinha."
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