Notas iniciais
Oie lindezas, faz muito muito tempo que eu não posto nada nem escrevo nenhuma fic e eu tô muito feliz de voltar.

Ainda mais voltar participando desse desafio maravilhoso do nosso QGDramione.

Nesse desafio as autoras não precisavam fazer só One Shot, então eu resolvi dividir a minha fic em uma Short. Segundo as regras do desafio, posso postar até 5 capítulos, mas ainda não defini quantos serão, então aguardem @_@

Sem mais delongas, aproveitem.

Se você conhece a história da Rainha da Neve sabe que ela é dividida em contos, o primeiro conto fala sobre um espelho que refletia apenas o que era mau e ruim, tudo que era belo e agradável que fosse refletido se tornava feio e desprezível. O conto diz que esse espelho foi quebrado em milhões e bilhões de pedaços, uns maiores, uns menores, mas a maioria deles tão pequenos quanto grãos de areia, esses pedacinhos entraram nos olhos e corações das pessoas e essas se tornaram malvadas, mesquinhas e egoístas.

E é assim que a história começa, fragmentos do espelho penetraram os olhos e o coração de um garotinho que era bondoso e gentil e tornou-se malcriado e cruel, acabou sendo raptado pela Rainha da Neve. A história tem um final feliz, sua amiga parte em sua procura e quando o encontra chora de felicidade retirando o fragmento de seu coração, isso o faz chorar, removendo o fragmento de seus olhos. Os dois voltam para casa e vivem felizes para sempre.

Acontece que a vida não é como nos conto de fadas. Pessoas ruins existem e lágrimas não são capazes de aquecer seus corações. O mundo real é cruel.

O som de vidro se quebrando chama a atenção do garoto que imediatamente para de escrever e sai de seu quarto pra checar o que estava acontecendo. Ao descer as escadas ele se depara com uma cena que pra ele já é algo comum. Seu pai, bêbado, um copo quebrado, sua mãe chorando e acuada contra uma parede enquanto ele grita com ela.

— Você acha que pode falar assim comigo!? Eu não estou bêbado! Eu só quero relaxar depois de um maldito dia no trabalho! A última coisa que eu preciso hoje é chegar em casa e ter que ouvir essas incessantes reclamações sobre o quanto eu bebo ou deixo de beber. Agora vai lá e me compra outro uísque o meu ‘tá acabando.

Ele se afasta e só então os dois notam o garoto nas escadas. Sua mãe envergonhada vai em direção da cozinha e desaparece pela porta. O rapaz faz menção de ir atrás dela, mas seu pai entra na frente.

— Garoto! – o cheiro forte de álcool exala a cada palavra – Vai ali me comprar uísque e uns charutos porque a imprestável da tua mãe não serve nem pra isso.

O homem então se afasta e segue pra sala onde se serve de mais um copo e senta no sofá pra continuar assistindo a televisão. Sua mãe volta da cozinha e lhe entrega algumas notas. Ela claramente estivera chorando, pois apesar de seu rosto já estar seco, seus olhos estavam um pouco inchados.

— Mãe... – ele começa falando baixo, mas ela o interrompe.

— Draco, é melhor você fazer como seu pai mandou. Vá, tome cuidado e não demore.

Ele sabe que ela se preocupa com ele, mas também sabe que o pedido para que voltasse logo se devia o fato de ter medo de ficar sozinha com o marido. Ele costumava ser agressivo quando bebia, apesar de nunca ter sido violento fisicamente. Draco sabia que isso era só uma questão de tempo e vivia implorando à mãe para que saíssem de casa e fossem pra longe de Lúcio ao que ela sempre respondia dizendo que ele estava exagerando.

Draco sobe de novo as escadas e pega seu casaco pra ir até a loja de conveniência mais próxima comprar as coisas que Lúcio lhe pediu. Já fazia anos que Draco não o chamava de pai e isso inclusive havia lhe trazido problemas e várias vezes ele ficara de castigo. Assim que passa pela porta de casa, ele puxa o capuz do casaco de moletom pra cobrir sua cabeça e assume uma postura de poucos amigos. O garoto já estava acostumado com isso, quando teve idade pra entender o que acontecia em casa ele passou a se fechar para o mundo, não sabia como lidar com as coisas, pois era novo demais na época e definitivamente não queria que as outras pessoas soubessem, tinha vergonha. E também não queria que elas tivessem pena dele. Ele se sentia sempre sob constante pressão, isso havia afetado seu temperamento e lhe rendido várias idas a diretoria por causa de brigas na escola.

Apesar de gostar de estudar, o colégio que antes era um lugar acolhedor acabara por se tornar um pesadelo, motivo pelo qual ele constantemente faltava às aulas e nas poucas vezes em que se fazia presente, procurava passar a menor quantidade de tempo possível. Costumava matar as aulas no observatório, ou caminhando nas trilhas que haviam na floresta que rodeava a parte norte da cidade. Era quando ele tinha alguma paz. Ficar sozinho com seus pensamentos naqueles lugares era libertador, era onde ele se sentia ele mesmo. Ele costumava ler, estudar, desenhar e por vezes, cantar. Adorava música, era ela que lhe trazia alívio quando tinha que ficar em casa. Quantas vezes quando mais novo ele havia apenas colocado os fones pra não ouvir as gritarias e reclamações de Lúcio? Quantas e quantas vezes a música havia conseguido lhe fazer adormecer a noite, mesmo que depois de ter chorado por horas? Ele não se orgulhava disso, queria ter mais coragem pra enfrentar o pai e defender sua mãe, mas ele tinha medo de se meter e acabar deixando-o apenas mais irritado, tinha medo de provocá-lo e ele acabar dando uma surra em Narcisa. Tinha medo que isso acontecesse porque também não seria capaz de responder por si mesmo se algum dia Lúcio encostasse um dedo que fosse em sua mãe.

Caminhava pensando em todas essas coisas e acabou chegando à loja sem perceber. Só se tocou por causa de um velho bêbado que estava encostado num dos postes da rua que lhe parou pra pedir uns trocados. Ele apenas o fitou com cara de poucos amigos e espantou o velhote dali. Ao entrar na loja e pegar os charutos e o uísque o balconista lhe deu uma olhada inquisitiva.

— Tem idade pra comprar isso garoto? – perguntou quando Draco se aproximou do balcão para fazer o pagamento.

— Você não cansa Tony? Dia sim, dia não, eu venho aqui comprar esses malditos charutos e repor o uísque do babaca do meu pai, e você sempre vem com esse papo.

— Sei que não são pra você garoto, mas ainda assim você sabe que se os tiras aparecem quem se ferra sou eu não é? Se eles me pegam vendendo bebida e cigarros pra um menor de idade, eles não pensam duas vezes em fechar essa merda.

— E o que você espera que eu faça. Magicamente envelheça? – disse meio sorrindo e entregando a Tony os itens no caixa.

— Identidade falsa? Assim quem se ferra é você e não eu. – o balconista passa os dois itens na leitora e dá uma risada alta.

— C’mon Tony, porque quer me causar problemas?

— Eu te faço a mesma pergunta Malfoy. – ele faz uma pequena pausa enquanto ambos riem e olha o valor no monitor. – São cinquenta pratas.

Draco lhe entrega o dinheiro e sai com sua sacola da loja. Tony é uma das poucas pessoas que conseguiam fazê-lo rir e apesar dos motivos que o levavam até a loja, ele gostava de trocar essas poucas palavras com o homem de vez em quando.

No caminho pra casa ele volta a pensar na conversa que tivera naquela tarde com a diretora McGonagall e sua professora de artes Srta Trelawney.

**

— É inadmissível! Vocês podem não dar tanto crédito assim pra minha disciplina, mas o Sr Malfoy aqui também não facilita em nada a minha vida. Ele é um mau exemplo para todos os seus colegas, vive faltando às aulas, só aparece em dia de prova e ainda assim tem as maiores notas da turma. Faz essa escola parecer uma piada. Os outros professores podem passar a mão na cabeça dele, mas eu não vou tolerar isso! O ano letivo está quase no fim e ele já está reprovado por faltas.

A mulher estava vermelha pela ira e andava de um lado pro outro na sala enquanto Draco estava sentado em uma cadeira na frente da diretora.

— Profª Trelawney, eu entendo suas reclamações. Acredite em mim, não é a primeira vez que ouço algo do tipo. Eu vou conversar seriamente com o Sr Malfoy sobre sua situação, mas acredito que possamos tentar chegar a um meio termo aqui.

— Meio termo? Meio termo!? Francamente diretora, não há meio termo aqui. Esse rapaz vive se metendo em confusão...

— Vivia. – Draco a interrompe antes que ela termine a frase.

— O que disse? – Ela o encara, incrédula pela audácia.

— Vivia. Eu não me meto em brigas desde que comecei o ensino médio.

— E você acha que isso é algo pra se orgulhar? – A incredulidade dá vez à raiva e a professora parece ainda mais vermelha.

— É claramente uma melhoria Sibila, sei que você não aprova, mas isso prova que nossos esforços não foram à toa. – ela lança um olhar desaprovador na direção de Draco – Ficar faltando às aulas é realmente algo péssimo, mas você há de convir que há casos e casos.

— Só porque a família dele já foi dona de metade dessa escola? Você vai me perdoar Minerva, mas eu realmente não me importaria nem se o pai dele fosse o presidente. Ele precisa de limites e precisa ser responsabilizado pelos seus atos.

— Draco, será que você pode se retirar? Eu preciso falar em particular com a profª Trelawney.

Ela lhe dirigiu um olhar, um olhar que ele odiava, um olhar de pena. Ele sabia o que viria a seguir. Minerva contaria a professora de artes a real situação da família dele e Sibila também ficaria com pena. Ele socou a parede com raiva, assustando alguns alunos que passavam pelo corredor. A diretora já havia tentado ajudar, conversara com Narcisa, tentara conversar com Lúcio e até havia chamado o serviço social algumas vezes. No fim das contas ele continuava na merda. Só que ele também não podia só reclamar da diretora, na realidade a situação nele na escola só não estava pior por causa dela. Quando ficou claro que as coisas não iriam se resolver ela mesma sugeriu que ele não frequentasse a escola, ele não sabia como exatamente ela havia convencido os professores, mas eles concordaram em lhe enviar os materiais para estudo e se ele tinha dúvidas ele podia entrar em contato para que eles lhe explicassem.

Funcionava pra ele porque assim podia ficar em paz estudando sozinho, fosse em seus cantinhos pelas trilhas da floresta, fosse no observatório, algumas raras vezes em casa, quando o pai não estava. Os outros professores pouco se importavam, mas Sibila Trelawney tinha que fazer caso. Ela era nova na escola, uns dois anos apenas, e era a primeira vez que Draco havia caído na turma dela, ou qualquer outra turma de artes. Ele não tinha tido aulas da disciplina nos anos anteriores e só tinha entrado na turma por insistência de Minerva de que ele tinha que ter pelo menos o conhecimento básico.

Depois de pelo menos quinze minutos encostado na parede do corredor, do lado de fora da sala, a professora Trelawney bota a cabeça pela porta.

— Draco? Pode entrar.

Ele esperava pela pena, esperava que ela fosse ficar constrangida, sem saber como agir perto dele. Era essa a reação de todos que descobriam como era a vida dele.

Mas pra sua surpresa o tom de voz dela apesar de baixo e muito mais calmo, não tinha aquele tom de quem se desculpa. Quando ele entrou na sala, não sentiu nada de diferente na atitude da professora e isso o deixou intrigado.

— A diretora e eu entramos em um... consenso. Eu não vou reprová-lo, mas isso está condicionado a sua participação na peça que iremos apresentar. Durante o último mês nós debatemos e conversamos sobre os contos infantis, contos de fadas e a influência deles no desenvolvimento das crianças. Houve todo um preparo e uma conversa filosófica envolvida e no final decidimos por apresentar uma peça para as crianças do orfanato da cidade. A turma escolheu A Rainha da Neve. Você tem que participar dos ensaios e da peça, e eu quero você como o protagonista masculino. Estamos entendidos Sr Malfoy?

**

Draco havia pensado um pouco e na hora não viu problemas em aceitar a proposta da professora, mas agora que já tinha passado mais tempo e ele pensava direito, mais e mais ele achava aquilo uma péssima ideia. Chegou em casa, entregou a sacola pro pai e foi ver como sua mãe estava. Ele sempre se surpreendia com a capacidade da mãe de fingir que nada havia acontecido e acreditava que ela fingia apenas pra deixá-lo mais tranquilo.

Subiu de volta para seu quarto e deu uma olhada nas coisas que havia escrito, ele não tinha um diário, achava coisa de menina, mas gostava de escrever seus pensamentos em um velho caderno. Era como botar pra fora parte do peso que ele sentia, gerava um certo alívio e como ele não tinha amigos com quem conversar, era o que o impedia de explodir sempre que se sentia mal. Tinha sido sugestão da diretora e foi o que o ajudou com as brigas na escola. Bom isso e o fato de ele estar sendo “educado em casa”.

Guardou seu caderno e arrumou tudo pra dormir, teria um dia cheio pela manhã e tinha que ter uma boa noite de sono pra aguentar o que ele sabia que seria um péssimo dia na escola.

Notas finais
Eu espero que tenham gostado desse comecinho, logo posto o resto.

Se quiserem ler dramiones maravilhosas acompanhem o perfil do QGD e esperem pelas próximas postagens do desafio.

Beijo amoras.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.