Shark
14 Capítulo 14 - Entrando para o barco
Notas iniciais
- Óia sow, eo naum teno que dawere explications pra vóssês. – Com certeza essa garota era mais brasileira que eu.
- “Olha só” falamos nós!, porque você não é inglesa coisa nenhuma! Aliás, você deve ser aquela que esteve me olhando durante todos os voos, do Brasil até aqui! – Eu apontava o dedo no nariz dela, totalmente estressado com toda essa farsa. – Vamos, quem é você?!
- Vicent, essa não é nossa paragem? – Bárbara apontava para a frente, sussurrando para Vicent.
- É sim. – Ele pegava nas suas malas. – Karl, deixa ela mesmo. Vamos.
Então, a garota fez um gesto para que eu passasse, eu peguei nas minhas malas e saímos todos do ônibus. Cheirava a sal, maresia, peixe. Tresandava petróleo também. Quando saímos, eu notei que a garota estava saindo também. Ela nos estava perseguindo. Não querendo arrumar barraco, eu deixei ela nos seguir, sem falar para os outros dois que estávamos sendo seguidos.
- Aaaah, isso aqui é MA-RA! – Bárbara abria os braços e se confortava com a brisa marítima que lhe batia na cara. As aves gritavam nos céus.
- Agora temos que achar qual o barco. Certo, Vicent? – Eu mantinha um olho na garota. Mas, ela havia sumido!
Olhei para todos os lados, e não achei aquela manta em lado nenhum. Depois, notei que no chão estava aquela manta, e na frente dela, estava uma mulher de cabelos negros, que dava instruções para um marinheiro. De seguida, lhe entregou uma boa fortuna e entrou para dentro do barco. Será que ela iria no mesmo cruzeiro que nós?
- Vicent, aquele é o nosso barco? – Eu apontava, trémulo, para o barco em que ela havia entrado.
- É. – Ele puxava Bárbara e eu para irmos no barco. – Temos que ir falar com o marinheiro para termos a certeza!
O marinheiro era um cara que eu com certeza não iria querer ver como um inimigo, pois ele tinha ar de quem fazia ginásio todos os dias do mês. Era muito forte, moreno e com o cabelo ruço de pegar tanto sol. Os olhos dele brilhavam e refletiam o mar em dia de tempestade.
- Boa tarde, senhor! – Vicent estendia a mão. – Nós somos os empresários que iremos trabalhar na Nova Zelândia, como o meu chefe já deve ter falado para vo…
-… sim, entrem. – Ele o interrompeu bruscamente, com uma voz grave e firme.
Bárbara andava se segurando atrás de mim, com medo do marinheiro, que nem um gatinho assustado com as trovoadas. Ela soluçava e pedia para que eu não a largasse nem sequer um segundo. Vicent ia na nossa frente, acompanhado pelo marinheiro, falando de toda fauna que existia naquele vasto oceano. À medida que íamos entrando no barco, se avistavam mais pessoas, todas com aparência de fortuna e abastadas de dinheiro. Elas já se encontravam sentadas em suas poltronas de luxo, e aquele barco parecia um cruzeiro de excelência. Então, o marinheiro nos conduziu até aos quartos. Fomos passando por quartos sublimes, de extrema riqueza. Eram decorados com ouros e pratas, e diamantes que nem existem em alianças de casamento. À medida que íamos andando, os corredores pareciam mais escuros, e o cheiro a podre tresandava, quando chegámos ao nosso quarto, no fundo do convés.
- Nós dormiremos… aqui? – Vicent retorcia o nariz, enquanto o marinheiro se despedia de nós.
- Sim, qual é o problema? – O marinheiro pegava em um peixe podre, com as luvas, e o jogava para cima de Bárbara. – Gatinhas devem gostar de peixinho fresquinho.
Ela gritou bem forte a seguir que o peixe tocou na blusa dela. A roupa estava agora manchada, e Bárbara correu a meu socorro, se abraçando forte a mim. Os peitos dela roçavam no meu peito. Não que ela fizesse de propósito, é que os peitos eram realmente grandes.
- Bom, o meu chefe deve ter pago uma fortuna. Então, eu exijo que nós não fiquemos em uma despensa… um quarto de restos podres! – Vicent batia o pé, fazendo estremecer os pedaços de madeira que se seguravam os uns pregos já enferrujados, que seguravam toda aquela estrutura do quarto.
- Na verdade, o vosso chefe é meu amigo. Ele me pediu do fundo do coração que os albergasse no meu barco. Assim foi, eu vou deixei vir. Agora, se não querem dormir aqui, terão que dormir dentro da piscina dos hóspedes. – Ele riu em seco. – Mas têm sorte!, quando acontecem catástrofes nesse barco, esse quarto sempre se salva, enquanto todo o resto tem que ser evacuado. – Ele fechava a porta. – Boa noite!
- Não podemos nem sequer sair daqui para nos divertirmos lá fora?! – Vicent gritava do lado interior da porta.
- E o dinheiro, caro amigo? – Ouvíamos o marinheiro se afastando do quarto — Sem grana, não tem diversão!
Vicent se sentou do lado interior da porta e jogou as mãos ao cabelo.
- Quanto tempo será que vamos ficar aqui presos?! – Ele soterrava sua cabeça dentro de seus joelhos. – Nem sequer podemos admirar o mar!
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