Shark
2 Capítulo 2 - Outro atraso?!
Notas iniciais
- Senhor, sério, meu apartamento é arrendado e é uma coisa podre mesmo. Você não ia conseguir tirar de lá nada. – Eu não estava nem um pouco de medo. Afinal, a arma era de plástico mesmo.
- Olha que eu disparo! Me dá suas chaves logo! – O cara não soltava meu braço, e ainda persistia em botar sua arma apontada a meu pescoço.
- Cara, acha que eu não entendo que isso é de plástico? Eu não vou te passar chaves nenhumas! – Eu pontapeei seu pinto, e ele se deitou no chão.
- Plástico, é?! – Ele se levantava com muitas dores. Então, retirou uma outra arma do bolso e disparou contra uma velha que ia passando do outro lado da rua.
Eu tentei correr para salvar a velha, já que ela estava coxeando e com a perna jorrando sangue, mas o bandido me pegou por um braço, esticou sua mão no meu bolso e me levou meu celular e minhas chaves. Tentei gritar, esperando ajuda, só que ninguém pegou o cara. Agora… não tinha chave nem sequer para entrar em casa… mesmo que ela estivesse pelada. Também não tinha celular para explicar tudo para o arrendador. E… como eu ia saber as horas? Com certeza eu já estava atrasado para o trabalho. Corri desenfreadamente até a paragem, que nem estava muito longe dali, e rezei interiormente para que não tivesse perdido o ônibus.
- Como explica seu atraso, Karl? – O chefe estava sentado em sua poltrona, calmo e sereno, e fazendo gesto para que me sentasse na sua frente.
- Eu fui assaltado…
- Isso não é um motivo. Se você tivesse sido assaltado, você teria dado tudo logo para o bandido e teria corrido para seu ônibus. Daí nada mais. Não é motivo para chegar atrasado. – Yuta se levantava e olhava para a janela. Era o 34º andar, dava para ver toda cidade dali. – Sua casa é aqui perto?
- Claro que não, se não, eu não viria de ônibus.
- Não me responda de jeito rude, que você está em uma posição complic…
- … Posso? – Vicent espreitava com a cabeça dentro da sala, e batendo na porta levemente.
- Pode. Eu estava discutindo sobre o atraso de Karl. – Meus olhos brilharam. Seria esse cara a minha salvação? – Talvez você, como chefe desse estagiário, possa defender a posição dele.
- Posição? – Ele riu baixinho.
- Posição, sim. O negócio em que ele está enterrado até o pescoço. – O chefe havia carregado a entoação da última frase.
- Ah, é que eu achei que posição…
Agora eu entendia. Até que teve alguma graça. Mas o cara é pervertido para caramba.
- Sim, pois, Vicent, não venha com suas piadas. – Ele desviava os olhos da paisagem. – O que interessa aqui é que já é a 11ª vez que o seu estagiário está cometendo esses atrasos.
- Você falou 11ª? – Ele ria baixinho de novo. – 11… Um atrás do outro…
- Pois, não sei, de coisas gays é você que entende. – O chefe estava brincando com a situação também, aproveitando para tirar sarro de seu melhor trabalhador.
- Mas eu ouvi falar que você andou fazendo desses com a Cristhina ultimamente. A não ser que… oh! Chefe! Desculpe desencobrir sua verdadeira orientação sexual! – Vicent já se havia acomodado em uma cadeira, do meu lado.
- Bom, chega disso! – O chefe se sentava na poltrona dele de novo. Eu assistia a tudo, sem falar nada. – Vicent, você sabe a promoção que eu tinha reservada para você.
- Sim, chefe. – Os olhos dele brilhavam. – E uma coisa não impede a outra, não é?
- … que promoção é? – Eu, pela primeira vez, estava interessado em meu trabalho.
- Seria três semanas na Nova Zelândia. Lá tem uma enorme empresa que faz parceria com a gente. – Ele entrecruzava os dedos. – E lá eles estão precisando trabalhadores de alto nível e que trabalhem muito… ou que pelo menos estejam dispostos a fazer isso. – Ele se levantava e rodeava nossas cadeiras. – Eu havia convidado Vicent, e ele tinha que convidar outra pessoa. E ele convidou você.
- Não sei se hei-de agradecer ou de bater em você. – Eu sussurrava no ouvido dele.
- Descansa, amigo. A parte melhor vem aí! – Ele botava o braço em cima de meus ombros. Não sei porquê, com aquele “abraço”, eu me senti protegido para o resto da vida inteira.
- Claro que para recompensar uns dias de trabalho, que nem são muitos, eles vos dão oportunidade de ir na praia, passear por lá, ir a uns hotéis com… “serviços especiais”, e tudo mais ainda… e de graça! – O chefe se sentava novamente.
- Nossaaaa!! – Meus olhos, agora sim, brilhavam.
- Então, você quer ir comigo? – Vicent se levantava. – Somos só nós dois, e muita diversão!
- Vamo´logo! – Eu me levantei e o abracei. Eu realmente precisava de um abraço reconfortante. Para disfarçar, dei umas leves pancadas nas costas dele.
Notas finais
Beijo ;*
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