Shark
17 Capítulo 17 - Chegada à ilha
Notas iniciais
- Eu estou… vendo terra… — Vicent sussurrava para ele mesmo. – GENTE, EU ESTOU VENDO TERRA!
Bárbara subiu em um gesto rápido para as costas dele e botou sua mão por baixo da testa também, olhando para a mesma direção que Vicent.
- É a Nova Zelândia?! É a ilha que a gente precisava chegar!? – Ela estava totalmente eufórica.
- Auckland, Bárbara, é Auckland! – Eu gritava, com muita alegria à mistura, corrigindo Bárbara.
- Não, Karl, não é Auckland. – Vicent se libertava de Bárbara. – Receio que não… Auckland é uma cidade muito povoada. Muito povoada… e isso está cheio de árvores… nada de prédios. – Ele sacudia Bella, que estava prestes a cair no mar. – Você viu o que fez, sua puta?! VOCÊ ESTÁ VENDO O QUE FEZ?!
Então Bella se deixou afundar em lágrimas, e se sentou no barquinho. Depois, secou suas lágrimas, enquanto ria sarcasticamente e em tom de vitória, pelo que nós olhámos para ela pasmados.
- Vocês estavam pedindo… especialmente você, seu estagiariozinho de merda, senhor Karl. – Ela apontava seu dedo (com uma unha enorme, verdade!) para mim. – Depois que você vendeu aquela droga de gravação, seu safado, o meu marido pediu o divórcio na hora!, daí eu segui vocês e vos guiei até essa ilha remota, do lado das Ilhas Kermadec. – Ela se levantava em uma expressão vitoriosa. – Eu tenho a carta de condução marítima, eu seu guiar essa joça, eu planeei tudo!, agora nós vamos viver todos juntinhos naquela ilha de merdinha!
- Bella, você é uma idiota!, vai estragar SUA vida só para sacanear a nossa também?! – Vicent ameaçava que a jogava borda fora. – Não, mas você não vai conseguir fazer isso direito! Logo vão descobrir o que você fez, vão nos resgatar e você vai apodrecer na cadeira, moça! Melhor que remedeie tudo… e rápido!
- Vamos… ninguém quer falar também que tirou o curso de medicina e não falou nada pra ninguém?! – Eu gritava, tentando acalmar os ânimos. – É que, caso não tenham reparado, literalmente, EU FUI COMIDO!
Todo mundo se calou, e ninguém soube se preocupar com meu ferimento ligeiro grave.
- Vamos atracar na Ilha Shark. – Bárbara levantava a cabeça, quebrando todo silêncio.
- Ei, como uma loira psicológica sabe o nome de uma ilha no fim do Mundo? – Vicent encaixava seus óculos no nariz. – Ah, acabei lembrando… nós nem malas trouxemos para esse barquinho, ficou tudo lá no barco.
- Hellooow?, eu falei que era a ilha Shark porque, caso eu saiba, shark é tubarão em inglês… e essa ilha é rodeada de tubarões. – Ela apontava para todo o redor da frente da ilha, que estava repleta de barbatanas de tubarão saindo pela água, e nadavam ferozmente, como quem queria comer.
- Como nós vamos desembarcar aqui? – Bella tremia de medo dos tubarões.
- Pensasse nisso, não é, dona esperteza. – Vicent dava um soco no topo da cabeça dela. – Se eles quiserem nos comer, eu não terei qualquer problema em me desfazer de você para alimentar os bichinhos.
- Hahaha, o senhor chefe tem tanta graça. – Ela olhava para o Vicent com ódio… muito ódio. Soltei uma risada também.
Em breve, o nosso barco havia chocado contra a areia do fundo, e fomos obrigados a sair do barquinho, rezando para que nenhum tubarãozinho nadasse em águas pouco fundas, dali de perto da terra.
- Certo, será que tem nativos aqui? – Vicent falava, enquanto puxava, com a ajuda de Bárbara, o barco, comigo e com a Bella lá dentro. – Eles provavelmente poderiam nos ajudar.
- Eles devem falar chinês. – Bárbara largava o barquinho em uma sombra, e botava meu braço por cima do ombro dela, para que me carregassem até a areia. – Eu sempre vi programas de índios e esses negócios, e eles sempre falam línguas estranhas.
- Eles não falam chinês, Bárbara. Isso pertence à Nova Zelândia, devem falar um mestiço de inglês com uma cultura própria deles. Além de que, sempre podemos comunicar através de gestos. – Vicent pegava em uma ligadura que tinha na areia e botava na minha perna.
- Vocês não estão cheirando algo… diferente? – Bella botava o nariz no ar, e seguia por entre a vegetação. – Cheira a… animal.
- Que tipo de animal? – Eu a seguia, seguido de Vicent, e apoiado em Bárbara.
- Cheira a carne e… leão?! – Ela corria. – Cheira a leão! Eu tive um leão quando era pequena! Ele era pequeno, e eu reconheço esse cheiro! Me sigam!
- Ela está louca… como ela teve um le…
-… e como pode um leão estar em um clima desses?! – Vicent interrompia Bárbara, com o igual tom de interrogação dela.
Então, perdemos Bella de vista.
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