Shark

15 Capítulo 15 - No meio da bagunça


Notas iniciais
;D Aqui está, caros leitores, mais um capítulo.

- Quem fica no meio…? – Ela corava, e esfregava seus joelhos nas minhas pernas, enquanto abanava seus peitos contra meu braço direito.


- Como assim? – Vicent levantava a cabeça.


- É… vocês sabem. – Ela se sentava em um caixote de madeira velho. – Eu li um livro em que uma mulher e dois caras ficaram presos em uma arrecadação, e viveram o resto de seus dias fazendo tosta mista.


- Tosta mista? – Eu procurava não pensar perverso.


- Sim… sexo a três. Um em cima, um em baixo e um no meio. – Ela escondia suas faces rosadas com os cabelos, e encarava o chão. – Sei lá, para quebrar o té…


- … não vou andar no amasso com minha estagiária. – Vicent a interrompeu, aumentando o tom de voz.


- AH!, mas com o Karl você não se importa, né, gay?! – Bárbara se levantava de um pulo e apontava para mim e para o Vicent. – Pois bem, fica sabendo que o Karl é SÓ MEU!


Depois que ela falou isso, me empurrou bruscamente para cima de um enorme caixote de madeira podre e eu fiquei sentado lá. Ela se sentou no meu colo, virada para mim e botou seus braços em volta de meu pescoço. Se chegou mais para frente, até encostar sua virilha na minha barriga, e encostou seus peitos na minha cara. Então, ela encostou seu rosto no meu cabelo e ficou lá. Vicent, que estava sentado no chão, nada podia fazer. Não podia simplesmente empurrar Bárbara de lá e saltar para cima de mim. Eu estava com sono. Ela mexia meus cabelos encostados ao pescoço. Uma sensação tão boa. E eu não dormia… fazia uns dias. Quanto sono… adormeci. Encostei minha cara nos peitos dela, e adormeci, naquele travesseiro fofo.



- Ai!, Karl!, meu Deus!, você está bem, amor?! – Minhas costas doíam, eu não sei o que tinha acontecido.


Abri um olho, abri o outro. Eu estava deitado, não estava sentado, como quando adormecera. Olhei para o lado, Vicent estava abrindo os olhos também… provavelmente, acordara, que nem eu, com os gritos de uma voz feminina. Olhei para cima, Bárbara estava soluçando e choramingando, em cima de mim, com seus peitos enormes roçando no meu peito.


- Desculpa, Karl! Eu só queria beijar você!, mas como essa madeira estava podre, eu fiz força para frente, para te beijar, e isso ruiu! – Ela saía de cima de mim. – Você machucou suas costas, amor?!


- Está doendo sim… a culpa é toda sua!, quem mandou você tentar me beijar em meu pleno sono?! Isso é assédio! Eu não quero beijar você! Eu estava cheio de sono, e você me acordou, com suas brincadeiras bobas! – Eu gritava para ela, como um pai grita com uma filha, que partiu a jarra favorita da mamãe. Ela estava muito magoada, mais magoada interiormente que eu. Ela chorava. – Tá, Bárbara, desculpa eu estar gritando com você…


- Você é muito malvado! – Ela chorava litros e me abraçava, enquanto eu já estava sentado, longe dos destroços de madeira. – Me dá só um beijo!, só um beijo! O que custa?!


Vicent ficava sentado também, por trás de mim. Ele estava sem camisola, só de calças. Eu não queria olhar. Ou melhor, eu queria olhar, mas não podia. Quer dizer, eu podia, mas… ah!, vocês entendem! Eu simplesmente não podia fazer com que a Bárbara me achasse gay, não é!?


- Bárbara, aceite a escolha de Karl. Se ele não quer, ele não dá. – Vicent falava com aquela voz de desarrumado, e de apaixonado também. Aquela voz, e aquela figura que me fazia morrer de amores. – Bom, agora vamos dormir, porque já deve ser noite cerrada, porque a música lá fora não se ouve mais.


- Você quer… dormir comigo? – Bárbara sussurrava no meu ouvido. – Ou melhor, – Ela olhava nos meus olhos. – eu posso dormir com você?


- Boa noite. – Eu beijei ela levemente, para que ela não me incomodasse mais. Peguei nela, como um pai pega em uma filha, e a deitei depois dos destroços de madeira. – Durma bem, meu pequeno anjo. – Tirei meu casaco e botei em cima dela. Ela me retribuiu com um sorriso, que fala mais que mil palavras, e fechou seus olhos.


Fui me deitar para o outro canto do quarto, longe de meu chefe de estágio e de minha angelical colega de estágio. Fechei os olhos por breves momentos. Vicent tinha razão, a música não se ouvia mais. Quando estava quase adormecendo, senti alguém cutucando minhas costas. Me virei em um gesto rápido e estava quase falando “Bárbara”, quando vi o tronco masculino de Vicent. Eu corei rapidamente, e ele passou sua mão por meu rosto rosado.


- Eu também quero que você me deseje boa noite. – Eu estava morrendo de amores, Vicent estava falando com aquela voz sensível e estava muito lindo, com umas leves tonalidades de luz no seus rosto, que entravam pelas gretas de madeira das paredes. – E me presenteie com um beijo.


Então, eu, nada contra minha vontade, tudo com todo o gosto, beijei Vicent. Senti aquele aroma divinal e exótico dos doces lábios dele, e aproveitei aquele momento, como se fosse o último. Esqueci o cheiro a podre, esqueci o ambiente repugnante e me concentrei naquele rosto, rosto salpicado de luz, salpicado de uma criança infantil que ainda lá morava. Desencostámos os lábios e ele e eu nos tornámos em um único. Ele me abraçou, se enrolou em mim, eu me enrolei nele.


- Boa noite, meu pequeno amor. – Vicent beijava meu pescoço, e, de seguida fechava os olhos. Fechei os meus também.

Notas finais
;3 Vai demorar até aparecer um novo capítulo, mas o lemon está muito mais perto do que parece.