Manhã de Quinta-Feira – 1 de Agosto de 2030
O Despertador indicava 9:00 em ponto, com um som alto o suficiente para acordar um sonho pesado. Estava encima de uma pequena escrivaninha que estava ao lado de uma cama. Nesta mesma cama, surgia saindo dos cobertores uma mão e alcançava com dificuldade o despertador, até tocá-lo para enfim desligar o alarme irritamente. Braços de um rapaz tiravam o cobertor de seu corpo e o ajudaram a se assentar na cama, como apoio. Coçou os olhos e deu um longo bocejo.
Seu Cabelo castanho estava muito bagunçado. Enfim, se levantou, indo para o banheiro. Lá, escovou os dentes, tirou as roupas e entrou debaixo daquela ducha, deliciando-se com uma temperatura perfeita. Pouco tempo depois, uma voz eletrônica parecia resmungar. Ela ia se aproximando cada vez mais e enfim chegava também ao banheiro, chamando a atenção do garoto.
— Bom dia, Jack. – falava um robô em forma de um coelho branquinho
— Bom dia, Punch. – o garoto respondeu enquanto lavava sua cabeça.
Punch era como Jack chamava o companheiro eletrônico. Era um A.T.- Assistente tecnológico- concedido de graça para todas as pessoas no país, pela poderosa empresa LightTech. Conforme a personalidade do dono muda, a do A.T. também.
— Ei, Jack. Quer alguma notícia? Tem algumas coisas interessantes por aqui.
— Nenhuma. As aulas voltam hoje. – rapidamente falou o garoto à Punch.
— Sente saudades de alguém, Jack?
— Não é isso. – Jack concluiu- É porque finalmente estou terminando o primeiro grau de ensino. Logo, vou para o ensino médio.
— Isso é bom, né? – O Coelho dizia sem ao menos entender o que estava acontecendo
— Não tenho intimidade com ninguém. – o garoto descrevia devagar- Só com uma mulher com quase 50 anos de idade que eu converso virtualmente. Não tenho amigos.
— Ah, falando nisso ela mandou uma mensagem. Posso reproduzir?
— Por favor. – Jack então saía do banho e pegava uma toalha. Ele a enrolou em seu corpo e então olhou para baixo, em direção ao coelho.
— “Ei,Jack, é a Aria. Passei para te dar boa sorte no primeiro dia de aula. Mas não se esqueça, novo começo pode chegar à qualquer segundo. Boa sorte com sua nova vida.”
— Ué? Nova vida? – Jack se perguntou intrigado – Será que ela sabe de algum evento?
— Creio que não, parceiro. – o coelho respondeu – Ainda que saiba nada tem tanto peso para influenciar sua vida nas notícias.
O garoto foi andando em direção ao quarto, onde se vestia. Colocou uma calça preta, uma camiseta branca e por cima, uma camisa com um zipper, da mesma cor da calça. Foi até a escrivaninha e pegou ao lado do despertador um par de luvas de couro,vestindo-os também.
— Ei, parceiro, será que tem alguma coisa haver com a destruição do mundo? – Punch perguntava subitamente ao garoto – E se for algo relacionado ao seu sonho?
— Meu objetivo. – Jack corrigiu o coelho rapidamente – Sonhos são coisas tipo “Felizes para sempre”. Eu não quero isso. Quero “Todos mortos para sempre”.
— Ei, parceiro... Ainda acho que não pode fazer isso. – o coelho se lamentava com palavras em baixo som. Tão baixo que passou por despercebido por Jack
Jack terminou de se vestir. Pegou uma mochila ao lado da porta de seu quarto e desceu as escadas. Tão rápido que quase não se viu a silhueta masculina e feminina – sentadas lado-a-lado na sala. Mas foi suficiente para acenar.
— Volto depois das 8 da noite. – dizia o garoto saindo de casa, ao lado do coelho artificial.
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