Shape Of My Heart
45 Capitulo 45
Notas iniciais
Na casa de Bob, no corredor dos quartos, AJ está segurando Luna no colo enquanto caminha com ela nos braços.
Luna – (rindo, enquanto AJ está andando, sendo carregada por ele) – Alexander, me coloca no chão, eu vou cair!
AJ – (andando) – Relaxa, meu amor. Eu te amo e sempre vou cuidar bem de você para que você não se machuque.
Luna – Eu te amo.
AJ – Eu também.
Eles chegam na porta do quarto dela.
AJ – Pronto, meu amor. Chegamos.
Luna – Me coloca no chão, Jay.
AJ – Espera.
AJ dá um chute de leve na porta do quarto e ela se abre. Eles entram no quarto e Luna está sendo carregada por ele.
AJ – Pronto.
Luna – AJ, você é maluco.
AJ – Por você.
Luna sorri.
AJ – (levando Luna até a cama) – Agora vem. (ele a deita no colchão). Deita, meu amor. Sonha com os anjos.
Luna – Eu vou sonhar com você.
AJ – Então eu posso dormir tranquilo.
Ele ajeita o cobertor por cima dela e lhe dá um selinho na boca.
AJ – Você é linda.
Luna – Você. Você me faz linda.
AJ inclina o corpo por cima dela e os dois se beijam. Eles se soltam e AJ fica olhando pra ela.
Luna – Que foi?
AJ – Eu tô aqui... olhando pra você e pensando em tudo o que a gente já viveu até aqui. Na nossa história, na nossa infância...
Luna – É. Eu também me lembro vagamente. Apesar de tudo nós fomos crianças muito felizes, você não acha?
AJ – Acho. A gente não se via há muitos anos, não é?
Luna – É. A Denise sempre bloqueou a nossa aproximação.
AJ – Eu sei. E eu te peço desculpas pelos transtornos que ela faz você passar. Pelas preocupações e principalmente por aquele tratamento com você no telefone.
Luna – Esquece isso, Alex. Já passou. O que importa é que a gente tá junto.
AJ – Sabe que... pensando bem... é como se ela já soubesse que depois de crescidos nós nos apaixonariamos.
Luna – Você acha?
AJ – Acho.
Luna – Eu quero ficar com você pra sempre, Alexander.
AJ – Eu também.
Luna – Tanta coisa aconteceu com a gente nesse tempo que nós ficamos afastados... eu morei fora, você começou a namorar...
AJ – É. A Amy foi muito importante pra mim. Depois que ela morreu eu passei um bom tempo dentro de uma nuvem negra. Eu me olhava no espelho e sentia em mim uma energia ruim. Uma atmosfera negativa. Você chegou e mudou isso. De alguma maneira você me recuperou. E eu sempre serei grato a você por ter me devolvido a alegria de viver.
Luna – A sua mãe talvez imaginaria. Mas e você? Alguma vez passou pela sua cabeça que nós poderiamos ficar juntos?
AJ – Sinceramente? Não. Mas é o mistério mais bonito da minha vida.
Luna – É. A vida as vezes prega algumas peças na gente. É uma caixinha de surpresas. Mas eu quero desvendar cada mistério dessa caixinha.
Luna e AJ se beijam.
Na casa de Julia, na sala, Julia e Howie estão andando até a porta.
Julia – Mãe, o Howie já vai. Tá tarde e eu vou acompanhá-lo até em casa. Tchau.
Howie – Tchau, dona Jennifer. Foi um prazer conhecê-la. O jantar estava ótimo.
Jennifer – O prazer foi meu. Tchau.
Howie – Obrigado.
Julia está saindo, quando de repente...
Jennifer – Espera, Julia. Você está levando o celular? (Howie observa)
Julia – Sim, mãe. Estou.
Jennifer – Não esquece de ligar quando chegar lá e quando estiver a caminho de casa também.
Julia – Tá bom, mãe.
Jennifer – (pega uma blusa do sofá) – E a sua blusa? (Howie abaixa a cabeça) – Coloca, porque tá frio.
Julia – Mãe, não precisa. Eu tô bem assim.
Jennifer – Coloca, Julia. Tá frio e o tempo está fechado. Provavelmente vai chover e se você não estiver bem agasalhada pode pegar uma gripe.
Julia – Mas...
Howie – (em tom de voz meio triste) — Coloca, Ju. Sua mãe está dizendo. Uma boa mãe sempre quer o melhor para os seus filhos.
Julia – Howie...
Jennifer – Desculpe, Howie. Eu não tive a intenção.
Howie – Não, Jennifer. Não se preocupe.
Julia – Deixa, mãe. Eu tô bem sem blusa.
Jennifer – Tudo bem, Ju. Tchau.
Julia – Tchau, mãe.
Julia e Howie saem.
Na casa de Isabella, no quarto dela, ela está deitada na cama, quando alguém bate na porta.
Isabella – Entra.
É Laura. Isabella, que está deitada do lado contrário a porta, não a vê.
Laura – Bella?
Isabella olha pra Laura.
Isabella – Ah, Laura... é você?
Laura – (andando) – Sim, Bella, sou eu.
Laura pula na cama de Isabella, se sentando. Isabella se senta também.
Isabella – O que você quer, Laura? Fala logo, eu tô com sono.
Laura – Conversar.
Isabella – Conversar sobre o quê, Laura?
Laura – Sobre você, sobre a exposição... como foi? Você não falou nada.
Isabella – Eu já disse que foi legal, Laura. O Kevin é uma ótima companhia.
Laura – Só isso?
Isabella – Do que você tá falando?
Laura – Tem certeza que foi só “legal”? Que não aconteceu nada que você gostaria de me contar? Eu pergunto porque você chegou toda nervosa, agitada...
Isabella – Não foi nada, Laura. Quer dizer, foi sim. É o cansaço, o estresse. Você sabe que eu ando muito estressada ultimamente.
Laura – Sei. Mas me responde uma coisa, Bella: o que você acha dele?
Isabella – Ele é legal, Laura. É como um irmão mais velho pra mim.
Laura – Só como um irmão, Bella?
Isabella – Como assim, “só”, Laura? É só amizade. E a amizade dele pra mim é muito importante.
Laura – Mas você nunca pensou nele de maneira diferente?
Isabella – (em tom sério, um pouco brava) – Diferente como, Laura? Do que você tá falando? Eu não tô entendendo aonde você quer chegar.
Laura – Diferente, Bella. Sei lá, como um ficante, um namorado...
Isabella – Que namorado, Laura, você tá louca? É claro que não. Ele tem namorada, esqueceu? E eu respeito muito a relação dos dois.
Laura – Tá bom, Bella. Mas é uma namorada que nem aparece. O que aconteceu com eles?
Isabella – Eles brigaram, foi isso. Mas eu acho que ele ainda gosta dela. (se deitando) – Laura, me deixa dormir?
Laura – Nananinanão. Antes você vai me dizer qual foi o motivo da briga.
Isabella – Eu sei lá, Laura? Eu já perguntei pra ele o que aconteceu, mas ele não quer falar sobre isso. O meu dever como amiga é respeitar a vontade dele. E tem mais: eu não moro com eles, não sei o que acontece na vida deles quando não estou por perto. E o motivo do desentendimento deles não é da minha conta.
Laura – Tem certeza, Isabella? E se o motivo da briga deles fosse você? Você já parou pra pensar que talvez eles tenham brigado por sua causa? E que talvez ele não se sinta confortável pra falar sobre isso porque tem medo de te perder?
Isabella – Me perder? Laura, não fala besteira! Em primeiro lugar nós nao somos namorados. Em segundo não se perde algo que nunca se teve. E em terceiro eu só fui sozinha na exposição com ele porque você pediu. Se fosse só por mim eu teria cancelado o passeio.
Laura – Isso seria uma desfeita com o coitado.
Isabella — Laura, me faz um favor? Pára. Pára de ficar enchendo a minha cabeça com essas ideias malucas. Tá bom, ele é legal, se preocupa comigo, outro dia até foi pra cima do Nickolas por minha causa, mas...
Laura – O quê? Ele brigou com o Nickolas pra te defender? Como você não me contou isso, dona Isabella?
Isabella – Não contei porque eu sabia que se eu contasse você ia fazer essas suposições absurdas que está fazendo agora.
Laura – Tá vendo, Bella? Nunca nenhum garoto saiu no braço com outro por minha causa. Acorda, maninha! Esse cara tá caidinho por você e talvez nem ele mesmo tenha percebido. E eu vou te dizer... é uma pena que você não goste dele de outro jeito porque vocês formariam um casal lindo.
Isabella – (abaixa a cabeça) – Laura, pára com isso. Se você continuar com essa conversa, amanhã eu não vou conseguir nem olhar pra cara dele de tanta vergonha.
Laura – Ah não, Bella. Primeiro você vai me contar tudo, tintim por tintim dessa história.
Isabella – Não foi nada demais, Laura. Ele só se doeu pelo que aconteceu comigo e pelo Nickolas ter transado com a Vanessa, foi só isso.
Laura – Só isso, Bella? Você chama o fato dele ter ido pra cima do Nickolas de “só isso”? Pra mim é muito mais. E você, depois dessa demonstração toda de afeto, o que você fez?
Isabella – Nada. Eu só agradeci ele por ter me defendido e fiz o curativo dele.
Laura – Ai, que fofo...
Isabella – Laura, não tem nada de fofo. E se você quer saber, é uma reação normal depois de tudo o que ele me viu passar por causa daquelas mensagens anônimas. Você queria o quê, que ele desse um prêmio pro Nickolas?
Laura – Ai, Bella... qual é o seu problema? Baixa autoestima? Você se acha tão incapaz de interessar um homem, de despertar um sentimento num homem? (ela pega um espelho e coloca na frente de Isabella) – Você já se olhou no espelho? Já reparou como é bonita? Como é linda?
Isabella – Nem tanto, Laura. Você é muito mais glamorosa e interessante do que eu.
Laura – Mas é em você que ele sempre prestou mais atenção. Mais em você do que em qualquer outra garota. Por exemplo, naquela noite que a gente foi na discoteca... você estava linda. E eu percebi que ele não tirou os olhos de você a noite inteira. Lembra da nossa infância? Quando a gente morava em Vancouver, no Canadá? Todos os meninos do colegio queriam ficar com você. E aquele ficante que você tinha há dois anos, o Vitor? Ele gostava muito de você que eu me lembro. A mamãe até torcia por vocês dois.
Isabella – Eu gostava dele também. Mas não deu muito certo porque ele queria namoro sério e eu não estava apaixonada. Sei lá, eu acho que tava meio que esperando pelo meu grande amor.
Laura – O Nickolas?
Isabella – Talvez.
Laura – Você ainda gosta dele, não gosta?
Numa rua, Howie e Julia estão caminhando um ao lado do outro.
Julia – Tá frio, né? (sobre o clima)
Howie – É, eu também acho.
Eles chegam na porta da casa dele.
Howie – Pronto, chegamos. Obrigado pelo jantar, Julia. Sua casa é muito aconchegante. E a sua mãe é muito simpática.
Julia – De nada.
Howie – Tchau.
Julia – Tchau.
Howie se vira e pega sua chave para abrir a porta, quando de repente...
Julia – Howie?
Ele se vira.
Howie – Fala.
Julia – Você não vai me dar um abraço de despedida?
Howie vai até Julia e lhe dá um abraço apertado.
Howie – Tchau, Julia. Boa noite.
Julia – Desculpa.
Howie – Desculpa? Pelo quê?
Julia – Pela minha mãe. Eu sei que você ficou comparando o cuidado dela comigo e o da sua com você. Eu não queria te deixar desconfortável.
Howie – Relaxa, Julia. A culpa não é sua. E nem da sua mãe. O dever dela é cuidar de você.
Julia – Eu te adoro, Howie.
Howie – Eu também, Ju.
Eles se abraçam de novo e Julia dá um beijo no rosto dele.
Julia – Tchau, Howie. Fica bem.
Howie – Tchau.
Howie se vira e entra em casa.
...
Na sala, Howie chega. As luzes estão apagadas. Howie caminha até o sofá sem fazer barulho, se senta no sofá e se lembra:
Howie e Julia estão saindo da casa dela, quando de repente...
Jennifer – Espera, Julia. Você está levando o celular? (Howie observa)
Julia – Sim, mãe. Estou.
Jennifer – Não esquece de ligar quando chegar lá e quando estiver a caminho de casa também.
Julia – Tá bom, mãe.
Jennifer – (pega uma blusa do sofá) – E a sua blusa? (Howie abaixa a cabeça) – Coloca, porque tá frio.
Howie se deita no sofá lentamente, chorando.
Na casa de Isabella, no quarto dela...
Isabella vira o rosto para o lado.
Laura – Pode falar, Bella. Eu sei que você ainda não esqueceu aquele traste.
Isabella – (cai uma lágrima dos olhos dela, mas ela a seca rapidamente) – Não, Laura. É verdade, eu não esqueci. Mas não se preocupe. Eu vou continuar tentando tirar ele da minha cabeça até conseguir. Nem que leve mil anos, mas eu vou esquecer.
Laura – Então é por isso que você não tenta olhar para os outros garotos? É por isso que você não tenta olhar pro Kevin?
Isabella – Que Kevin, Laura! Pára de falar isso dele, ele nem ta aqui pra se defender. Ele nunca disse nada, nunca fez nada, nunca tentou nada. Você tá pirando.
Laura – Ai, Bella... você nao respondeu a minha pergunta sobre o seu problema, mas tudo bem. Eu respondo por você. Sabe qual é o seu problema? Sabe qual? É que você não quer enxergar o que tá bem aí na sua frente. Que ele gosta de você. Que ele brigou com a Danielly porque na verdade é da sua companhia que ele gosta. É a sua companhia que ele quer. É você, Isabella. Você. Você.
Isabella vai até a porta.
Isabella – (esticando o braço pra fora) – Laura, sai.
Laura – Mas...
Isabella – Sai, Laura. Eu tô cansada de ouvir suas loucuras. Eu não tô pedindo, eu tô mandando.
Laura – Poxa, Bella... mas eu tô falando numa boa. Eu não falo por falar, são as atitudes dele que me fazem ter essa suspeita. Pensa, Bella. Pensa bem: ele brigou com a Danielly e parece que não gosta de falar no assunto. E outra: outro dia mesmo ele tava lá na sala, olhando as suas fotos antigas, fazendo mil perguntas sobre a história das fotos em relação a você, sei lá, um interesse meio estranho na sua vida.
Isabella – (com voz de choro) – Pára com isso, Laura. Pára, é chato, você não pode ficar falando das pessoas assim por trás, não é legal. Não tá certo você ficar queimando o filme dele comigo desse jeito. Isso pode até estragar nossa amizade.
Laura – E tem outra.
Isabella – Tá, mas eu não quero saber qual é a “outra”, não interessa, sai! (chorando)
Laura – Deixa eu falar. Lembra quando você foi estuprada, que eu queria te levar pra morar na fazenda?
Isabella – Pára, Laura. (chorando)
Laura – Pois é. Ele fez de tudo pra que eu desistisse da idéia. E eu confesso que desisti porque ele praticamente implorou pra que eu não te levasse.
Isabella – Acabou? (chorando)
Laura – Bella, não chora.
Isabella – Acabou, Laura?
Laura – Cabou, Bella. Desculpa, não tá mais aqui quem falou. Dorme bem, tá bom? Te amo.
Laura dá um beijo no rosto de Isabella e sai. Isabella bate a porta com força e se senta na cama chorando.
No dia seguinte...
Na casa de Nick, na sala de jantar, Nick chega. Marina está organizando a mesa.
Marina – Bom dia, Nick.
Nick – (se sentando na cadeira) – Bom dia, Marina.
Marina – Você melhorou? Sua cara está ótima.
Nick – Melhorei, Marina. Eu não consegui dormir essa noite. Pensei a noite toda nas coisas que você me disse.
Marina – E...
Nick – E resolvi que não adianta ficar chorando pelos cantos. O que eu tenho que fazer é lutar pela Isabella. Lutar para reconquistá-la, pra recuperar a confiança dela. Porque eu sei que o amor eu ainda tenho. Por mais que ela se faça de durona eu sei que ela ainda gosta de mim.
Marina – Nickolas... eu sei que você ainda gosta muito dela, que está arrependido das coisas que fez, mas... será que não seria melhor você tentar esquecê-la? Partir pra outra?
Nick – Não, Marina. Eu sei que ela foi feita pra mim e eu pra ela. Eu soube disso desde a primeira vez que os nossos olhares se cruzaram. Se todos querem nos ver separados é porque tem algo muito forte entre nós. E eu não vou deixar que nada separe a gente. Não vou deixar que nada nem ninguém a tire de mim. Ela é minha. Só minha. E ninguém vai amá-la como eu amo.
Marina – Eu gosto de te ver assim... com esse tom determinado, confiante...
Nick – Esse tom determinado vem do amor que eu sinto por ela. Eu sei que ela vai me perdoar, Marina. Ela vai voltar pra mim, mais cedo ou mais tarde. Eu tenho certeza.
Na casa de Isabella, na sala de jantar, Laura também está tomando o seu café da manhã. Vanessa também está sentada na mesa. Regina está colocando o suco no copo de Laura.
Regina – (sobre a quantidade no suco) – Assim tá bom?
Laura – Tá ótimo, Regina. E a Isabella, não vai descer?
Regina – Não sei. A porta do quarto dela ainda está trancada.
Laura – É estranho a Bella não ter descido ainda. Ela sempre gosta de acordar cedo...
Regina – Quer que eu vá chamá-la?
Laura – Não. Não precisa. Eu mesma vou lá.
Laura se levanta e sai.
No quarto de Isabella, ela está saindo da suíte com o corpo enrolado por uma toalha e os cabelos molhados. Ela tira a toalha lentamente, estando apenas de calcinha e sutiã. Isabella pega no guarda roupa uma blusinha branca e uma calça preta e veste as roupas em seu corpo. Em seguida, pega o pente e começa a pentear os cabelos, quando se lembra:
(Voz de Kevin) – Você se preocupa tanto com a Laura assim? Por que você faz tanta questão que ela fique com o Brian?
(Voz de Isabella) – Porque ela gosta dele. E porque eu já sofri demais. E se eu não posso ser feliz no amor... que pelo menos a Laura possa ser.
(Voz de Kevin) – Você é linda.
Outra recordação:
(Voz de Laura) — Outro dia mesmo ele tava lá na sala, olhando as suas fotos antigas, fazendo mil perguntas sobre a história das fotos em relação a você, sei lá, um interesse meio estranho na sua vida. (...) Lembra quando você foi estuprada, que eu queria te levar pra morar na fazenda? Pois é. Ele fez de tudo pra que eu desistisse da idéia. E eu confesso que desisti porque ele praticamente implorou pra que eu não te levasse.
Isabella solta o pente e vai até a cama. Ela se deita e abraça um travesseiro, quando Laura abre a porta, que está encostada.
Laura – Bella?
Isabella olha pra ela.
Isabella – O que você quer?
Laura – Você não vai descer? A Regina está te esperando pra tomar o café da manhã e você está atrasada pro colégio.
Isabella – Eu não estou com fome, Laura. (com a voz triste, mas não chorando)
Laura – Bella, olha pra mim.
Isabella – Me deixa, Laura.
Laura – Tá assim por causa da nossa conversa de ontem?
Isabella – E se for?
Laura – Tá bom. Talvez eu tenha falado muita besteira. Mas Bella, eu só falei o que eu acho. É o que eu observo e...
Isabella – Chega, Laura. Eu já fiz o que você queria, não é? Já saí com o Kevin ontem a noite. Agora você, por favor, será que dá pra fazer a minha vontade e parar de falar essas coisas? Eu não gosto. Só de pensar numa coisa dessas eu sinto calafrios.
Laura – Tudo bem. Quer saber, você tá certa. Eu tô viajando.
Isabella – Que bom. É melhor assim.
Laura – Então agora você desce?
Isabella – Tá bom. Eu desço.
Laura – Isso!
...
Na sala de jantar, Isabella e Laura chegam. Vanessa está sentada na mesa.
Isabella – Bom dia, Regina.
Regina – Bom dia, Bella. Pensei que não sairia do quarto hoje.
Isabella – Engano seu, Regina. Eu sempre gosto de tomar meu café com vocês. Com você e com a Laura.
Vanessa – Obrigada pela parte que me toca, Bellinha. Mas me conta: como foi o seu passeio com o Mr. Body Beautiful ontem a noite?
Isabella – Não é da sua conta.
Vanessa – Vocês se beijaram muito?
Regina – (ao mesmo tempo) – Vanessa, pára com isso?
Vanessa – Ou será que resolveram partir logo pros finalmentes? Quem sabe da exposição pra casa de jogos e da casa de jogos pra um motel?
Isabella – Cala a boca. (um pouco brava)
Vanessa – Talvez ele tenha resolvido te ajudar a superar o trauma num estupro mais romantizado... talvez com juras de amor.
Isabella – Eu não admito que você compare ele ao seu cumplice!
Vanessa – Olha só... já tá defendendo o cara? Olha que o Nickolas não vai gostar nada disso.
Isabella – O que o Nickolas gosta ou não... o que ele pensa ou não não me interessa.
A campainha toca.
Laura – Eu atendo.
Laura sai.
Regina – Vanessa, pára de provocar.
Vanessa – Eu odeio essa garota, mãe. E você sabe muito bem porquê.
Laura chega segurando um buquê de rosas vermelhas na mão.
Laura – Bella, chegou isso pra você.
Isabella – Flores? Pra mim? (ela vai até as rosas) – Que lindas.... (Isabella pega as rosas)
Laura – De quem serão? Do Kevin ou do Nickolas?
Isabella – (dá um sorriso tímido) – Eu não sei. Mas são lindas. E eu adoro rosas vermelhas.
Regina – Tem um cartão. Nele deve estar escrito quem mandou.
Isabella – Deixa eu ver.
Isabella pega o cartão e o lê.
“Bella...
Talvez você não queira receber essas flores depois de tudo o que eu te fiz. Mas mesmo que não as aceite, eu ofereço a você para que se lembre que não importa o que tenha acontecido, o meu amor continua sendo seu. Com todo o coração....
Nickolas”.
Isabella – São do Nickolas.
Vanessa – (para Regina) — Tá vendo? Está aí o motivo do meu ódio. Mas não é só pelo Nickolas. Não. (para Isabella) — Eu te odeio simplesmente porque te odeio. E o que aconteceu com você é muito pouco perto do que pode acontecer se você continuar cruzando o meu caminho. Maldita. Maldita.
Vanessa sai.
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