Notas iniciais
Poesias de minha autoria.

Victor não sabia o que está acontecendo com ele. Apenas que dói muito. Ele não consegue respirar e isso apenas aumenta a angústia dele. E agora? Ele tem que se apresentar em minutos. Mas sua condição atual o impossibilita. Ele não consegue escutar seu técnico, Yakov Feltsman, que grita bem ao lado dele. Ele soca a parede, em completo desespero quando de repente,um par de mãos cobre seus olhos, o assustando.

— Está tudo bem. Se concentre na minha voz. Nada vai dar errado hoje. Respire pelo nariz e conte até 3, solte pela boca contando novamente. Vamos repetir o processo aumentando aos poucos a contagem até onde puder. Isso. Está tudo bem. Hoje você vai brilhar e nada vai dar errado. Acredite em si mesmo. Confie em si mesmo. Muito bem. Permaneça de olhos fechados e se concentre na minha voz. Respire fundo. Continue assim. Muito bem.

As mãos se afastam dos olhos dele e Victor percebe que ele havia se acalmado, ainda repetindo o processo.

— Vitya? — Ele escuta seu técnico e o olha. — Você está bem?

— Yakov? Eu… — Ele olha em volta, procurando a dona da voz que o ajudou. — Quem me ajudou?

— Eu não conheço. Mas pelo visto ela conseguiu te ajudar. — Yakov diz,de braços cruzados. — Ela saiu apressada. Estava preocupado com você e por isso não consegui reagir a tempo de agradecer.

— Como ela é? — Victor pergunta, se sentindo mais tranquilo, ainda ouvindo a voz delicada dela na mente.

— Ela estava usando óculos escuros, e tinha o corpo coberto por um casaco de frio preto, um gorro na cabeça e fones de ouvido grossos no ombro. Não pude ver mais detalhes. — Yakov responde, franzindo a testa ao estranhar o fato de alguém usar óculos escuros dentro de um prédio.

— Entendo. Já está quase na hora. Eu estou pronto. — Victor decide ir para a arena.

~x~

Seguindo o som da música e da platéia, me sento em um dos assentos, ao lado de uma mulher alta e de longos cabelos castanhos que grita alto. Ela ergue os fones e os aproxima dos ouvidos quando escuta.

— Yuuri, para onde você foi?

— Muito barulho, Minako-sensei. Muito barulho. — É o que respondo, colocando os fones, abafando assim os sons ao meu redor. — Pichit irá se apresentar usando uma de minhas composições. Estou ansiosa.

— Eu também. Eu também.

“Senhoras e Senhores. Phichit Chulanont,da Tailândia. Com a canção [Magia da Música]”

Escuto o piano e o violino tocar, e logo escuto minha voz, sorrindo por ela ter dado certo no meio de tantas falhas.

Balance todo o seu corpo de acordo

Com o ritmo ditado pelo barulho

Deixe a música agitar sua vida

Não importa a hora, nem o humor

Liberte tudo de ruim que está guardado

Dance, como se tudo dependesse disso

Ignore as gotas de suor e o cansaço

Pule, cante, rodopie, ria até o fim

Aproveite a beleza que a música tem

Contagie todos com a sua vontade

De ser feliz, de sonhar, de se libertar

Balance todo o seu corpo de acordo

Com o ritmo ditado pelo barulho

Deixe a música agitar sua vida

Não importa a hora, nem o humor

Balance todo o seu corpo sem parar

Quebre o tempo, o espaço, voe sem parar

Se cair, levante-se e continue assim

Acredite no verdadeiro poder da música

Não importa aonde, nem quando, nem como

Basta colocar um disco e abrir suas asas

Esqueça tudo e deixe seu corpo seguir

Deixe a magia da música purificar você

Pule, cante, rodopie, ria até o fim

Aproveite a beleza que a música tem

Contagie todos com a sua vontade

De ser feliz, de sonhar, de se libertar

Esqueça tudo e deixe seu corpo seguir

Deixe a magia da música purificar você



Escuto os aplausos, deduzindo que meu amigo conseguiu fazer um bom programa.

“Uma bela canção.”

“Composição e vocal: S.K.Y.”

“Você quer dizer a cantora está viralizando na internet?”

“Sim. Ela tem músicas bonitas que variam do pop romântico, funk e rap. Mas nada se sabe dessa moça misteriosa.”

— Minako-sensei, você está upando músicas nossas no Youtube sem minha autorização de novo? — Pergunto, abaixando os fones.

— Mas elas são belíssimas, Yuuri! — Escuto.

— Tire tudo. E da próxima vez, pedirei ao Pichit para divulgar suas coisas. Não se esqueça que eu tenho ‘aquelas' fotos no meu celular e no meu notebook. — Digo, escutando fazer ‘tch'.

— Droga Yuuri. Você é cega mas não deixa de ser esperta!

Solto uma gargalhada, não conseguindo escutar o resultado de meu amigo.