Shadows of the past
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Por um tempo eu resolvi me permiti aproveitar a celebração com as pessoas que eu conhecia. Eu finalmente era uma guardiã e tinha a marca da promessa. Tentei pensar apenas nisso e não na parte onde agora a qualquer momento eu poderia sair da proteção das wards e meu ex-namorado-agora-inimigo apareceria para me matar. Fora esse detalhe, eu tinha uma vida a parte e hoje eu celebraria ela com a maioria das pessoas que eu amava.
Era nisso que eu estava pensando enquanto falava com a Tasha Ozera no salão. Ela em especial me lembrava Dimitri por terem sido antigos amigos e por terem toda uma historia juntos. Nós estávamos falando sobre Lissa e Christian, minha melhor amiga e seu namorado, que haviam brigado e estavam vivendo um momento constrangedor de estranhos conhecidos. Sorte a deles que pelo menos ainda tinham um ao outro e se amavam apesar de tudo.
– Quando você vai consertar isso? — Tasha estava parada perto de mim, balançando a cabeça para o afastamento de Christian. — Esses dois precisam voltar a ficar juntos.
– Eu sei disso. Você sabe disso. Mas eles parecem não serem capazes de colocar isso na cabeça.
– Bem, é melhor você trabalhar nisso — ela disse. – Se Christian for para a faculdade do outro lado do país, será tarde demais — Havia uma nota seca – exasperada – na voz dela, quando mencionou Christian indo para a faculdade.
Lissa iria para Lehighm uma universidade perto da Corte, devido a um acordo com Tatiana. Lissa poderia frequentar uma universidade maior do que os Moroi normalmente frequentavam, em troca de passar algum tempo na Corte e aprender sobre o comércio real.
– Eu sei — eu disse exasperada. — Mas porque sou eu que tenho que consertar isso?
Tasha sorriu
– Porque você é a única com força o bastante para fazer eles serem razoáveis.
Eu decidi ignorar a insolência de Tasha, na maior parte porque ela conversar comigo significava que ela não estava falando com Abe, meu pai.
Olhando ao redor da sala, eu de repente endureci. Ele agora estava conversando com a minha mãe. Eu conseguia ouvir pedaços da conversa deles, apesar do barulho.
– Janine — ele disse animado — você não envelheceu um dia. Você poderia ser irmã de Rose. Você lembra daquela noite na Capadócia?
Minha mãe riu. Eu nunca ouvi ela fazer isso antes. Eu decidi que nunca mais queria ouvir. — É claro. E eu lembro o quão ansioso você estava para me ajudar, quando a alça do meu vestido rasgou.
– Meu Deus — eu disse. — Ninguém para ele.
Tasha parecia não estar entendendo até que viu do que eu estava falando.
– Abe? Ele é bem charmoso.
Eu rosnei.
– Com licença.
Eu fui em direção aos meus pais. Eu aceitei que uma vez eles tinham tido um romance – um que levou a minha concepção – mas isso não significava que eu queria vê-los o reviver. Eles estavam lembrando sobre uma caminhada na praia quando os alcancei. Eu prontamente empurrei o braço de Abe para longe. Ele estava próximo demais dela.
– Hey, posso falar com você? — eu perguntei.
Ele parecia surpreso, mas deu de ombros.
– Certamente. — Ele deu um sorriso sabe-tudo para minha mãe. — Conversamos mais depois.
– Nenhuma mulher está segura por aqui? — eu exigi, enquanto eu o afastava.
– Do que está falando?
Paramos perto do ponche.
– Você está flertando com todas as mulheres desta sala!
Minha acusação não o afetou.
– Bem, tem tantas adoráveis mulheres aqui... é sobre isso que você queria conversar?
– Não! Eu quero falar sobre você ameaçando meu namorado. Você não tinha direito de fazer isso.
Suas sobrancelhas escuras se ergueram.
– O que, aquilo? Aquilo não foi nada. Só um pai cuidando da sua filha.
– A maioria dos pais não ameaça estripar o namorado de suas filhas.
– Isso não é verdade. E de qualquer forma, não foi bem o que eu disse. Foi muito pior.
Eu suspirei. Ele pareceu ficar deleitado com minha exasperação.
– Pense nisso como um presente de formatura. Estou orgulhoso de você. Todos sabiam que você seria boa, mas ninguém sabia que você seria tão boa. — Ele piscou para mim. — Eles certamente não esperavam que você destruísse a propriedade deles.
– Que propriedade?
– A ponte.
Eu franzi.
– Eu precisei. Era a forma mais eficiente. Deus, aquele desafio foi uma merda. O que os outros fizeram? Eles não lutaram no meio daquela coisa, lutaram?
Abe balançou a cabeça, adorando cada minuto do seu conhecimento superior.
– Mais ninguém foi posto nessa situação.
– É claro que foram. Todos nós enfrentamos o mesmo teste.
– Não você. Enquanto planejavam os testes, os guardiões decidiram que você precisava de algo... extra. Algo especial. Afinal de contas, você esteve lutando no mundo real.
– O que? — O volume da minha voz chamou a atenção de alguns outros. Eu abaixei, e as palavras anteriores de Meredith voltaram na minha mente. — Isso não é justo!
Ele não parecia preocupado.
– Você é superior aos outros. Fazer você fazer coisas fáceis não teria sido justo.
Eu enfrentei várias coisas ridículas na minha vida, mas isso era o máximo.
– Então eles me fizeram dar uma de dublê na ponte maluca? E se eles ficaram surpresos por eu ter cortado ela, então o que diabos eles esperavam que eu fizesse? De que outra forma eu deveria sobreviver àquilo?
– Hmm. — Ele acariciou seu queixo distraidamente. — Eu honestamente acho que eles não sabiam.
– Oh, pelo amor de Deus. Isso é inacreditável.
– Porque você está com tanta raiva? Você passou.
– Porque eles me colocaram numa situação que nem eles sabiam como sair. — Eu dei a ele um olhar suspeito. — E como você sabe sobre isso? Isso é assunto de guardiões.
Uma expressão que eu não gostava nem um pouco, apareceu no rosto dele.
– Ah, bem, eu estava com sua mãe ontem à noite e –
– Whoa, okay. Para aí — eu interrompi. — Eu não quero ouvir o que você e minha mãe estiveram fazendo ontem à noite. Eu acho que isso seria pior que a ponte.
Ele sorriu.
– Os dois estão no passado, então não é preciso se preocupar. Aproveite seu sucesso.
– Não acredito que Janine sabia disso e não me contou. Não acredito que ela concordou com isso. – eu olhei para minha mãe que agora estava falando com Stan do outro lado da sala.
– Rose, ela é sua mãe. Tudo bem em não me chamar de pai, mas tenha respeito por ela, okay? – ele parecia anormalmente serio – Ela passou por muita coisa e não merece que você aja assim com ela.
Eu olhei para ele incrédula.
– Wow, do que você está falando, velhote? Não é como se você tivesse ficado e assumido as coisas e nosso relacionamento tem melhorado – atualmente nós nos falávamos com frequência e não trocávamos farpas como costumávamos antes. Quer dizer, bem... eu não a ofendia mais em publico.
Ele passou a olhar para ela de uma maneira não romântica, mas... nostálgica, que eu não consegui entender.
– O que acha de irmos conversar lá fora? Agora que você já é oficialmente uma guardiã e maior de dezoito anos, existem algumas coisas que eu preciso esclarecer sobre a nossa família.
Quando Abe terminou a nossa conversa, eu fiz uma lista mental de coisas que eu já havia feito:
1º — Fugi da St. Vladmir e passei dois anos no mundo lá fora sendo a guardiã da minha melhor amiga.
2º — Enfrentei Victor Dashkov e sua filha Strigoi enquanto eles tentavam aprisionar Lissa.
3º — Vi um dos meus melhores amigos morrer na minha frente.
4º — Enfrentei Strigois sozinha.
5º — Abandonei o amor da minha vida em uma caverna, aonde ele foi transformado em Strigoi.
6º — Viajei para o outro lado do mundo em uma missão de mata-lo.
7º — Fui capturada e mantida em cativeiro por um Strigoi – duas vezes.
8º — Matei – pelo menos eu achei que tinha matado – o amor da minha vida.
9º — Descobri que meu pai era uma espécie de mafioso e que eu já havia o conhecido enquanto estive na Rússia.
E mesmo assim, nada – eu repito – NADA do que eu já fiz me preparou para o que Abe tinha acabado de me contar.
Aparentemente toda a minha vida – pelo menos até os 4 anos havia sido tirada de mim. Abe e minha mãe não tinham tido apenas uma relação curta, mas sim um relacionamento de cinco anos. Primeiro minha mãe tinha decidido continuar trabalhando como guardiã ao mesmo tempo em que namorava ele e só quando ela engravidou de mim, ela resolveu parar. Como um relacionamento entre uma dhampir e um Moroi seria alvo de fofocas – tanto quanto o meu e de Adrian é atualmente – meu pai então comprou uma casa em Moscou, longe da Corte e das outras pessoas que eles conheciam, para os dois e resolveu que teria uma vida com ela, apesar do que todos achavam. Eu nasci e cresci por um tempo nessa casa, até que minha mãe engravidou pela segunda vez. O problema era que apesar dos genes de dhampir serem mais fortes do que o comum e protegerem o bebê, minha mãe se recusava a parar com os treinamentos de guardiã e continuava cuidando de mim ao mesmo tempo. Nunca pedindo ajuda, como só ela seria orgulhosa o suficiente para fazer. Abe que foi excluído de sua própria família por estar em um relacionamento com ela, passou arranjar sua própria forma de conseguir dinheiro, viajando pela Rússia fazendo negócios e arranjando alguns inimigos ao longo do caminho.
Quando o bebê chegou, minha mãe estava no sétimo mês de gravidez e meu pai não estava na cidade. Mesmo assim conseguimos chegar até o hospital e essa criança – uma menina nasceu – e como foi antes do previsto, ela precisaria ficar no hospital por um tempo. Em meio a isso eu fiz três anos e eu realmente me apeguei a minha irmã. Segundo Abe, todos os dias eu queria ir vê-la e eu realmente me importava com ela. E tudo parecia ir muito bem, até que deu tudo errado. Um dos homens com que Abe fazia seus “negócios obscuros” resolveu se vingar dele e sequestrou minha irmã do hospital. Isso fez com que minha mãe entrasse em desespero e os dois convocaram todos os amigos que ainda tinham para ir atrás do bebê. Eles procuraram por um ano inteiro e só acharam o homem que havia sequestrado minha irmã próximo à Omsk, sendo essa a ultima pista que meu pai tinha.
Isso destruiu minha mãe e o relacionamento dos dois. Ela passou a culpar Abe por isso e eles se separaram. Quando ela voltou para Pensilvânia, ele resolveu ficar em Omsk e se manter procurando por sua filha, mas nunca mais teve notícias dela. Enquanto isso minha mãe me matriculou na St. Vladmir, mas como eu me mantinha perguntando sobre minha irmã e sobre Abe, ela pediu a Sônia – minha professora e usuária do espirito que havia optado por se tornar uma Strigoi e ninguém sabia onde ela estava agora – para que me fizesse esquecer tudo isso e para que eu achasse tudo o que eu achava até hoje sobre meus pais. Janine também alterou meus documentos, tirando o nome de Abe da minha certidão e colocando a América como o meu local de nascimento. Então me deixou na escola e voltou a trabalhar como guardiã e hoje em dia tentava perdoar Abe, mas é claro que os dois nunca mais conversaram sobre isso.
O pior disso tudo, era que enquanto Abe me contava as minhas memorias começaram a voltar e não foi nada agradável. Era como se muitas imagens estivesse girando e minha mente, sem uma ordem só... aparecendo como se sempre estivessem ali, o que pelo visto, estavam.
– Rose? – Abe me perguntou e eu o encarei, saindo do meu estado de choque – Faz quase cinco minutos que você não fala nada. Isso deve ser um recorde e eu estou começando a me preocupar... Eu devo chamar sua mãe? Lissa, talvez?
Eu balancei a cabeça em negativa. Eu mesma precisava contar a Lissa sobre isso, mas não agora. Eu considerei todas as coisas que tinha para lidar no momento e cheguei à conclusão de que eu estava tendo uma oportunidade de falar a sós com Abe, então eu não poderia perder a oportunidade de perguntar o que eu precisava.
– Abe, obrigada por ter vindo. Até aqui, quer dizer. Você não precisava, assim como não precisava fazer maioria das coisas que fez por mim na Rússia. Agora só não me faça mais nenhum favor com Adrian, ok? Eu quero dizer, eu fico feliz por você ter vindo para me dar apoio, mas isso é mais do que o bastante.
Abe me deu um olhar astuto, me lembrando que por baixo daquela presunção ele era de fato um homem astuto e perigoso.
– Você esteve mais do que feliz por me fazer te fazer um favor depois que retornou da Rússia.
Eu sorri. Ele tinha razão, já que tinha sido capaz de mandar uma mensagem para dentro de uma prisão de segurança máxima. Mesmo que tivesse levado a nada, ele ainda ganhou pontos.
– Ok. — eu admiti. — Isso foi bem incrível. E sou agradecida. Eu ainda não sei como você conseguiu aquilo. — De repente, como um sonho que você lembra um dia depois, eu lembrei da ideia que tive logo antes dos testes. Eu abaixei minha voz.
– Você não foi lá, foi?
Ele bufou.
– É claro que não. Eu não colocaria um pé naquele lugar. Eu simplesmente usei meus contatos.
– Onde é esse lugar? — eu perguntei, esperando soar desinteressada.
Ele não foi enganado.
– Porque você quer saber?
– Porque estou curiosa! Criminosos condenados sempre desaparecem sem rastro. Sou uma guardiã agora, e eu nem sei nada sobre nosso próprio sistema prisional. É só um prisioneiro? Tem vários?
Abe não respondeu imediatamente. Ele estava me estudando com cuidado. No negócio dele, ele suspeitava dos motivos de todos. Como filha dele, eu provavelmente era duplamente suspeita. Estava nos genes.
Ele deve ter subestimado meu potencial para insanidades porque ele finalmente disse:
– Tem mais de uma. Victor está numa das piores. Se chama Tarasov.
– Onde é?
– Agora? — Ele considerou. — No Alasca, eu acho.
– Como assim, “agora”?
– Ela se move conforme o ano passa. Agora é no Alasca. Mais tarde, será na Argentina. — Ele me deu um sorriso bobo, aparentemente se perguntando o quão astuta eu era. — Sabe por quê?
– Não, eu – espera. Luz do sol. — Fazia perfeito sentido. — O Alasca tem sol sem parar por quase todo ano – mas noite sem parar no inverno.
Eu acho que ele ficou mais orgulhoso do que eu percebi do que dos meus testes.
– Qualquer prisioneiro tentando escapar teria dificuldades. — No sol, nenhum Moroi fugitivo iria muito longe. — Não que alguém possa escapar com aquele nível de segurança. — Eu tentei ignorar o quanto isso parecia um agouro.
– Parece que eles a colocaram bem ao norte do Alasca, então — eu disse, esperando descobrir a localização exata, indiretamente. — Você tem mais luz desse jeito.
Ele riu.
– Nem eu posso te dizer isso. Essas informações os guardiões mantém secreta, enterrada em seus quartéis.
Eu congelei. Quartéis...
Abe, apesar de ser normalmente observador, não notou minha reação. Os olhos dele estavam observando alguém do outro lado da sala.
– Aquela é Renee Szelsky? Ora, ora... ela cresceu bem através dos anos.
Eu mal humorada o mandei embora, em grande parte porque eu queria ir atrás desse novo plano na minha mente – e porque Renee não era alguém que eu conhecia muito bem, o que fez com que ele, cantar ela, não fosse tão pavoroso.
– Bem, não deixe eu te impedir. Vá atrair mais mulheres para sua teia.
Abe nem enrolou. Sozinha, eu deixei meu cérebro girar, me perguntando se meu esquema em desenvolvimento tinha alguma chance de sucesso e agora com mais um assunto inacabado. As palavras dele tinham acendido um novo plano na minha mente. Não era muito mais louco que os outros. Do outro lado da sala, eu encontrei os olhos verde jade de Lissa de novo. Com Christian fora de vista, o humor dela melhorou. Ela estava se divertindo e estava excitada com as aventuras que nos esperavam, agora que estávamos livres no mundo. Minha mente voltou a pensar naquelas ansiedades e sobre tudo o que eu ouvi mais cedo. Podemos estar livres agora, mas a realidade ia nos alcançar em breve. O tempo estava passando. Dimitri estava esperando, observando. Eu me perguntei, brevemente, se eu ainda receberia suas cartas semanais, agora que estaria partindo da escola.
Eu sorri, me sentindo meio mal por estragar o humor dela de novo e sem saber como começar a falar sobre tudo que eu havia conversado com Abe, inclusive quando contasse que agora podemos ter uma chance bem real de soltar Victor Dashkov.
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