Eu precisava admitir que comecei a rir alto quando vi o que tinha acontecido e foi só até Nolan vir falar comigo, que eu realmente entendi o que aconteceria e então perceber que todos os alunos começaram a dar gritinhos e darem espaço. Logan que estava dançando próximo de Dane com Gwen, agora também ria feito um idiota e Gwen parecia tentar não rir, já que sua amiga estava furiosa.

– Ela vai mata-lo, Ana! – eu ouvi Nolan dizer.

A bochecha esquerda de Dane estava com um corte próximo ao olho e ele estava cambaleando enquanto Jessica gritava:

– Nunca mais encoste em mim, sua aberração! – e então ela lhe deu mais um soco, dessa vez do lado direito, enquanto Dane estava tão bêbado que não conseguia ter uma reação, caiu sentado.

E então eu fui até Jessica, a imobilizando e lhe segurando pelos braços e pescoço, agarrando-a por trás, enquanto Logan levantou Dane, pondo o braço em seu ombro.

– Me deixe! Ele é um idiota! – ela disse tentando escapar e me fazendo voltar a rir.

– Pare com o teatro, Jessica! Você mesma me pediu para ajudar com ele, quando comecei a estudar aqui! – disse Logan rindo, enquanto Dane limpava seus cortes com a mão.

– É ele é um idiota, mas ele está bêbado. Você pode mata-lo amanhã. – eu tentei dizer.

– Você também está! Eu vou contar tudo para a diretora! Me solte! – ela disse gritando.

– Ana! Solte ela! – eu ouvi Jill gritar comigo e soltei Jessica mais pelo espanto em pensar que Jill estava achando que eu estava realmente machucando Jessica sem motivo, mas então Jessica aproveitou que eu a tinha soltado, se virando e então tentando me dar um soco.

Eu segurei seu punho a tempo e ela tentou me socar com o outro e dessa vez eu não me controlei e sem pensar lhe dei uma cabeçada, que atingiu sua boca e pelo que eu pude sentir, um de seus dentes cortou minha sobrancelha. E então Eddie segurou Jessica antes que ela caísse no chão e Jill me puxou para seu lado, bem na hora que três guardiões apareceram e em seguida nos escoltaram para fora da festa.

Éramos um grupo de 10 pessoas em fila para um interrogatório com Kirova. Os guardiões nos deram garrafas de agua ao perceberem que maioria de nós não estava sóbrio e gaze molhada com soro fisiológico foi distribuído entre as pessoas que estavam com machucados. Jill e Eddie foram chamados primeiro e eu não conseguia deixar de achar tudo o que estava acontecendo hilário.

– Cara, eu não sabia que você era uma bêbada tão divertida! Aguardo ansiosamente por essa viagem, nós vamos nos divertir bastante! – Nolan disse, rindo pelo visto de mim.

Depois de Jill e Eddie, Gwen e Logan foram chamados, depois Jessica e a garota que estava com Dane, que descobri se chamar Giulia e depois Nolan e Matt, restando apenas Dane e eu ali.

Ele estava quieto e seu rosto com certeza estava começando a inchar nos locais onde ele tinha sido acertado. Nós estávamos sentados lado a lado no corredor que dava para a sala de Kirova e ao lembrar mais uma vez do que tinha acontecido eu me esforcei para não rir, colocando as duas mãos tapando a boca.

– Sabe que isso tudo é culpa sua, certo? – ele disse e apesar de seu lábio cortado, seu sorriso ainda me causava diversas sensações.

– O que? Você ter beijado Jessica, você ter apanhado de Jessica ou nós 10 estarmos totalmente ferrados? – eu disse rindo.

– Você beijou aquele dhampir para me fazer ciúmes. – ele disse, segurando uma gaze e pondo no seu lábio inferior cortado.

– Não sei do que você estava falando, eu só estava dançando. – eu disse rindo. – Talvez Jessica tenha lhe batido com força demais.

Ele sorriu, mas se aproximou de mim, segurando meu rosto com uma mão e olhando para minha sobrancelha, fazendo com que eu prendesse a respiração.

– Isso está horrível. Você precisa ir à enfermaria depois daqui. – ele disse, pegando outro pedaço de gaze e começando a passar em meu rosto, onde o sangue havia escorrido. Aparentemente eu havia sangrado mais do que tinha percebido e sentir os dedos de Dane passarem pelo meu rosto me causou arrepios.

– Eu gostaria de estar sóbrio, para pode lhe curar. – ele disse depois de um tempo.

– Você deveria estar sóbrio. – eu comecei, mas não tinha intenção de acusa-lo.

– E você deveria não fugido, mas isso é o que você sempre faz. – ele disse e então me encarou e eu não conseguia desviar meus olhos dos seus.

– Dane... – eu comecei e então resolvi quebrar o contato, pegando outra gaze e começando a passar em sua bochecha de leve, me aproximando de seu rosto. Ele estremeceu quando eu encostei e então eu soprei de leve mais por costume.

– Com a quantidade de álcool que nós tomamos hoje, eu tenho quase certeza que esses cortes estão esterilizados. – ele disse me fazendo rir e rindo também.

E então eu terminei de limpar seu ferimento, mas me mantive ali, enquanto ele me observava, até que ele se aproximou e me beijou e eu não consegui deixar de retribuir.

Eu não percebi o quão intensamente sentia falta de Dane até tê-lo assim, próximo a mim. Sua mão segurou minha nuca e minhas mãos seguraram sua roupa enquanto eu o puxava para mim e nos beijávamos até eu sentir sua boca deslizando pelo meu pescoço até onde a fantasia começava, até que eu ouvi alguém pigarrear.

– Então, pode me dizer o que diabos esta acontecendo aqui? – disse Rose, que ainda estava com sua roupa formal de guardiã e não parecia nada feliz em me ver nessa situação.

Eu não fui ponteada, nem nada parecido. Muito pior do que meu corte, foi o sermão que levei de Janine, que também foi chamada por Kirova, já que a diretora não costumava se dar muito bem com Rose.

– Você está tentando ser expulsa de proposito? – perguntou Janine de braços cruzados enquanto a enfermeira limpava minha sobrancelha. Eu não respondi e então ela continuou. – Agressão, desordem e tudo isso estando bêbada! Eu esperava esse tipo de comportamento da sua irmã, mas...

– Obrigada, mãe. – eu ouvi Rose dizer e então Janine virar para ela.

– Ah, por favor. Eu recebia ligações intermináveis da diretora praticamente toda semana. – ela disse e Rose deu de ombros enquanto sorria lembrando.

– Mãe, eu sinto muito. Eu não tinha intenção de agredir ninguém. – eu disse tentando não rir de mais nada.

A enfermeira então terminou o curativo e depois escreveu uma receita entregando a Janine e saindo.

– Alberta também vai querer falar com você. Não acho que você entenda o quão importante era para ela ter sua ajuda nas aulas.

Ah, merda. Eu pensei enquanto lembrava das aulas que eu conduzia ao lado de Alberta. Isso deveria ser um privilegio de um aluno com histórico limpo e o mais capacitado da classe, por isso Bea era quem conduzia antes. Eu me levantei e me mantive encarando meus pés, enquanto Rose veio até a mim e me abraçou de lado.

– Janine, foi só um desentendimento, okay? Sempre tem alguém que traz bebidas para as festas daqui e dessa vez Ana exagerou, mas é isso. Se Alberta não quiser que ela conduza as aulas, quem perde é ela. – Rose disse enquanto olhava para mim.

Mas não se tratava só de Alberta ou do quanto eu tinha decepcionado ela e Janine. Eu me deixei sentir saudades de Bea e do quanto tudo teria sido diferente se ela ainda estivesse aqui.

Janine e Rose me deixaram no meu quarto e depois saíram. Eu pedi desculpas mais uma vez a Janine, mas dessa vez ela parecia mais calma e eu me sentia cada vez mais enjoada. Depois que elas saíram, eu corri até o banheiro e coloquei para fora tudo o que tinha ingerido essa noite e depois fiquei ali sentada no chão do banheiro.

Quando o alarme do meu celular tocou, parecia uma sirene do corpo de bombeiros em minha cabeça e eu engatinhei até ele, para que o barulho infernal parasse. Era domingo e eu precisava ir à missa, mas ainda estava vestida de Natasha Romanoff, com uma dor de cabeça absurda e me sentindo enjoada. Mesmo assim eu comecei a me levantar e tirar a fantasia.

Quando finalmente eu terminei meu banho e estava pronta para por roupas mais confortáveis que aquele macacão de couro, eu comecei a me vestir enquanto tentava apressadamente pentear o cabelo ao mesmo tempo e então me olhando no espelho, percebi a mancha roxa que estava em minha clavícula, do lado esquerdo.

Eu toquei o lugar, enquanto tentava me lembrar quando em meio a toda aquela loucura eu tinha sido atingida ali, mas não conseguia lembrar até que finalmente entendi que aquilo não era nenhum hematoma entre mim e Jessica.

– Eu não acredito nisso! – eu disse enfurecida para o meu reflexo no espelho.

Eu não sabia qual seria a punição por chegar atrasada na missa ou se teria uma, mas mesmo assim eu me dirigi até a igreja, usando óculos escuros à noite e com uma das camisas do meu uniforme e mais um suéter cinza, a única maneira de conseguir tapar o chupão que tinha em meu pescoço e que com certeza ficaria ali por mais uns dois ou três dias.

No final da missa, eu esperei por Jill conversar com todos que a cumprimentavam e então fui até ela que parecia não ter participado de festa nenhuma ontem.

– Bom dia, Ana. – ela disse propositalmente em voz alta e me fazendo estremecer.

– Sabe que eu não posso xingar em solo sagrado, certo? – eu respondi. – O que aconteceu com vocês? Eddie se meteu em problemas?

– Não. Kirova pediu para que nós falássemos sobre o que tinha acontecido e nós demos a nossa versão. Eu e Eddie ficamos livres, já que só chegamos depois que tudo já tinha acontecido e depois disso ele foi embora. – ela disse com um sorriso aberto.

– E onde vocês estavam antes? Quer dizer, vocês sumiram da festa... – eu disse estreitando os olhos enquanto Jill corava levemente e passava a olhar em outra direção.

– Bom dia, senhoritas. – disse Nolan, que estava impecavelmente arrumado, mas também usava óculos escuros e falava baixo. – A diretora Kirova disse que precisava falar com nós cinco, não você, Jill. Ah, os benefícios de ser uma princesa!

E Jill deu um sorriso complacente para nós dois, enquanto seguimos até o escritório de Kirova, onde entramos Logan, Dane e Jessica.

– Como vocês não estavam em condições de lembrarem de nada importante ontem, eu resolvi chama-los para informar suas devidas punições hoje. Dessa maneira, vocês já podem sair daqui e irem cumpri-las. – ela disse com um sorriso que não parecia nada bom. – Vejo que os malefícios do álcool ainda estejam lhe afetando, não é mesmo? Então eu serei breve. Vocês prestarão serviço durante os fins de semana por um mês para as crianças da escola. Serão responsáveis pela recreação de final de semana delas e também pela segurança. Começarão hoje mesmo, inclusive. Vocês terão a missão de ensina-las algo de útil e educativo. – ela pausou e então olhou para cada um de nós. – E eu deixo claro que eu não serei tão bondosa se isso voltar a acontecer ou se vocês fizerem algo dar errado enquanto cumprem sua punição. Agora retirem-se.

Foi só todos nós sairmos do escritório para o corredor para Logan comentar:

– Okay, quem vai dar aulas de como não ser pego pela diretora quando crescer para as crianças? – ele disse levantando a mão e fazendo Nolan e Dane rirem.

Jessica, que não tinha dado uma só palavra desde que nos encontramos na entrada para a sala de Kirova saiu furiosa, caminhando a frente.

– Cara, Gwen está bem furiosa comigo por eu ter falado sobre Jessica. – continuou Logan, enquanto caminhávamos e Nolan seguia segurando meu braço, enquanto saíamos em direção à área onde as crianças estudavam.

O sorriso cruel de Kirova agora fazia total sentido enquanto nós sentíamos nossa cabeça explodir e setenta e cinco crianças gritavam e corriam de um lado para o outro. O Padre Andrew era o encarregado de nos ajudar, mas Logan e Dane tiveram a maravilhosa ideia de por todos eles num só local, já que segundo eles “seria mais fácil controlar eles, se todos estivessem juntos”. Olhando agora o caos que estava o parquinho que eles usavam, estava bem óbvio que nada ali seria fácil.

A tarefa era clara. Nós seriamos uma espécie de babás e recreadores ao mesmo tempo, cuidando por cinco horas das crianças de quatro a seis anos. Era nosso dever também cuidar para que eles não se machucassem que em meio a isso, aprendessem algo de útil.

A única coisa boa nisso tudo, era que o nosso almoço era junto às crianças e elas tinham um melhor cardápio.

– Então, juntar todos eles definitivamente não foi a melhor ideia. – eu ouvi Dane dizer ao se aproximar de mim, enquanto eu terminava minha sobremesa.

Eu balancei a cabeça e Dane se sentou ao meu lado, aproximando o rosto do meu.

– Wow, o que está fazendo? – eu perguntei, me afastando.

Ele parou e me encarou, como se eu fosse a pessoa que estivesse agindo estranho.

– O que aconteceu ontem, não muda nada, Dane. – eu disse e então comecei a me levantar, até que ele segurou meu braço e eu pensei em faze-lo soltar, mas o contato me fez parar.

– O que está dizendo? Eu achei que... Nós nos beijamos. – ele disse me encarando.

– Você me beijou. – eu disse e então comecei a olhar ao redor, evitando olhar. – E da próxima vez que você deixar alguma marca em mim, eu vou garantir de deixar duas ou três nada agradáveis em você.

Ele então soltou meu braço, pois Padre Andrew estava passando próximo a nós dois e eu aproveitei e saí dali, fazendo o possível para evita-lo pelo resto do dia.

Eu sabia que tinha sido injusta quanto à parte de ter dito que ele que tinha me beijado, porque bem, eu não tinha feito nada para afasta-lo. Mas esse tinha sido só mais um grande erro na noite de ontem. Eu não deveria ter nem sequer aceitado sua brincadeirinha de “quem pode mais” naquela festa, pois foi graças a isso que agora eu estava aprisionada por um mês com ele, Jessica e os outros a cuidar da vida de outras pessoas quando eu não conseguia sequer cuidar da minha própria.