Shadows of the past
32 Capitulo 32
Capitulo 32
– Ana, querida... você tem visitas. – eu ouvi Oksana dizer pondo a cabeça para dentro do quarto.
Estávamos no final de Agosto, no final do verão e eu tinha vindo para casa para passar as férias com meus pais. Eu me perguntava quem mais faltava para vir me visitar, já que aparentemente todas as pessoas que eu conhecia resolveram fazer isso ao longo do ano. Quando eu cheguei aqui, em Junho do ano passado, Abe ficou comigo por uns dias, mas ele, Mark e Oksana pareciam me observar como se eu fosse uma bomba relógio. Então já que eles não conseguiam agir normalmente eu resolvi me trancar, mas isso só fez as coisas piorarem e então as visitas começaram. Primeiro Janine apareceu, mas não é como se ela soubesse o que dizer ou o que fazer, então ela era mais uma pessoa a me observar e depois ela precisou ir embora. Depois Rose veio e essa foi uma visita e tanto.
Dimitri e ela vieram à Rússia com uma suposta missão que tinham, mas eu não acreditei quando ela me disse isso. Eles passaram apenas três dias aqui e no primeiro ela veio conversar comigo, o que não saiu muito como planejado.
– Para alguém que se saiu tão bem nos testes e já passou por tanta coisa, eu imaginava que você fosse mais durona que isso. – ela começou.
– O que veio fazer aqui Rose? – eu disse enquanto me colocava de pé do banco que havia no jardim.
– O que você acha? Você surtou. Isso está me preocupando. – ela disse e dessa vez se aproximou sentando-se no banco que eu estava, o que me fez sentar novamente. – Ana, eu sei que deve ter sido horrível e isso vai ser algo que você não vai esquecer nunca...
– Você não sabe, nenhum de vocês sabem. Vocês não estavam lá. – eu disse, olhando para frente.
– Sim, eu sei. Eu já passei por isso e foi tão horrível quanto. – ela disse e então começou a me contar sobre seu amigo Mason que também foi morto por um Strigoi e o quanto isso afetou ela.
– Eu sinto muito. – eu disse por fim, mais por não saber o que dizer, afinal se eu soubesse não estaria nessa situação.
– Tudo bem, mas o meu ponto é que você não pode se isolar assim... Abe me disse que você tem planos de sair da St. Vlad-
– Abe é um linguarudo. – eu disse com uma careta.
– Ah, vamos lá... eu sei que ela era uma boa pessoa, vocês eram amigas, mas... você precisa superar!
Eu respirei fundo.
– Rose, não se trata disso. Eu só preciso de um tempo, está bem? Eu não quero voltar lá e ser novamente o assunto principal! – eu disse querendo encerrar o assunto. – Aquelas pessoas, todo mundo ali, vai querer saber o que houve, vai querer que eu conte o quão “forte” eu fui quando na verdade... Eu preferia ter ido no lugar dela! Essa foi a minha intenção ao fugir da escola! Eu ficaria e enfrentaria Rolan sozinha!
– Não fale besteiras! – ela disse se levantando e se pondo na minha frente. – Não pode mudar o que aconteceu! Eu sinto muito que ela tenha morrido, mas é isso! Não pode se trancar em outro continente e fugir!
– Quem diabos é você para dizer o que eu posso fazer ou não? – eu disse me levantando também.
E foi aí que Oksana apareceu e pediu para que Rose fosse embora e Rose que não tinha paciência como sua melhor característica foi, pisando firme enquanto eu voltava para o quarto antes de Oksana me dar um de seus sermões.
E então no outro dia veio Dimitri e ele escolheu uma abordagem mais pacifica, mas no final das contas tudo era a mesma coisa. Eu não devia me trancar, eu deveria voltar para a Corte e não sair da St. Vlad, Bea não gostaria que eu me deprimisse dessa forma. Mas o que eles sabiam? Todos os dias, com ou sem amuletos que Oksana ainda insistia para que eu usasse, eu tinha pesadelos com o que havia acontecido. E também tinham os dias do que eu chamava de “sonho vazio”. O que era na verdade Dane me observando. No começo eu era sugada para a praia, depois para o meu quarto na St. Vladmir e eu bati o pé quando Dane me pôs no nosso lugar, na biblioteca da igreja. Ele sabia o quanto isso me afetaria e eu gritei com ele a plenos pulmões para que me deixasse em paz, pois eu sabia que ele estaria ali me observando em algum lugar e então ele me tirou do sonho, o que fez com que eu me acordasse e chorasse até dormir novamente.
É claro que eu sentia falta dele. É claro que eu ainda sentia o que eu sentia por ele, mas era difícil perdoa-lo. Ele tinha escondido de mim algo importante. Eu não sabia se iria perdoa-lo ou se deixaria isso para trás um dia.
Aí então as visitas cessaram por um tempo, mas depois retornaram quando Yeva veio, mas assim que ela passou pela porta do meu quarto, eu lembrei do que ela havia me dito na noite de ano novo e me esforcei para não gritar com ela e começar a discutir.
– Veio dizer “eu te avisei”? – eu perguntei.
– Vim trazer pelmeni e borscht, sua mãe disse que você está emagrecendo rápido porquê come pouco. – ela disse entrando e se sentando em minha cama sem que eu convidasse.
– E você acha que vai me fazer comer? – eu disse cruzando os braços.
– Eu vim aqui com outro proposito. Se isso vai fazer com que você volte a comer... – ela disse dando de ombros.
Yeva estava com um xale cinza de tricô que parecia tão velho quanto ela e parecia estar com a mente distante, enquanto se mantinha em silencio.
– Você sabia desde o começo, desde a noite de ano novo. Você me avisou e eu não dei ouvidos. Foram as minhas escolhas que mataram ela, Yeva. Eu a fiz ir até o bar, eu deixei que Rolan conhecesse ela... – eu comecei, mas aos poucos as palavras foram sumindo.
– Sim. – ela disse simplesmente e depois de uma pausa continuou. – Suas escolhas foram ruins, mas já passaram. O custo foi alto, agora você está percebendo, mas se trancar não vai mudar nada. Não vai trazer ela de volta. Ela está morta.
Eu prendi os lábios enquanto encarava Yeva que me olhava fixamente. O olhar dela era sério e eu retribui com a raiva que as suas palavras me causaram, até que aos poucos eu fui percebendo que não havia o que falar além disso. “Ela está morta.” A imagem da ultima vez que vi Bea veio em minha mente. Eu descruzei os braços e agarrei o colchão com minhas mãos tendo dificuldade para respirar e então Yeva pôs seu braço enrugado e fino ao meu redor, pondo a mão em meu ombro.
– Está tudo bem em estar de luto, Anastacia. Mas não deve se martirizar por algo que já aconteceu. Você pode ficar aqui pelo tempo que quiser, mas não vai mudar o que você vai enfrentar quando voltar e eu sei que você vai voltar. – ela disse.
– Me deixa adivinhar, eu vou voltar porque você previu? – eu disse tentando não soar amarga, mas falhando.
– Sim, mas também porque eu conheço a criança que eu ajudei a criar. Você vai voltar porque você pertence aquele lugar da mesma maneira que você pertence a sua vida aqui. Eu sei que você é forte e quando criar coragem, vai voltar e enfrentar tudo isso de cabeça erguida. Essa é a Anastacia que eu conheço. – ela disse apertando meu ombro de leve.
E então eu a abracei de volta me deixando chorar porque era tudo o que eu podia fazer.
Depois da visita de Yeva, eu voltei a sair de casa para ir à igreja ou dar uma volta na cidade, mas mesmo assim pedi para que me matriculassem na St. Constantine.
A St. Constantine era uma versão russa da St. Vladmir. Ficava próximo a Moscou e Mitischi, em algum lugar de Losiny Ostrov e era uma grande e prestigiada escola europeia. Lá havia sido o lugar onde Mark e Oksana se conheceram e onde Dimitri também havia estudado, mas ser reconhecida por ser próxima a eles não foi tão ruim assim. A maioria das pessoas se sentia intimidada a vir falar comigo e eu até gostei. Não queria realmente nenhuma amizade ou contato no momento e entrei com horários normais. O problema é que eu estava acostumada a ter aulas extras, então eu mesma me propus a armar meus próprios horários além dos da escola, preenchendo meu tempo o máximo que podia, apesar de me levar a exaustão algumas vezes. Eu conversei com Patrick, o guardião responsável pelos treinamentos – ou como eu gostava de pensar a versão russa e sem humor ou expressões faciais do guardião Alto – e ele me autorizou a usar o ginásio e os equipamentos, mas todo esse esforço me causou um outro problema: eu logo consegui acompanhar os melhores do treinamento e sendo assim chamei mais atenção ainda.
Às vezes eu saia de fininho do quarto para ir à cozinha e escutava eles falando sobre mim e então eu não conseguia me conter e aparecia atrás deles de proposito o que causava diversos sustos. Eu tinha que admitir que era divertido saber as reações que eu causava.
E então eu consegui me manter ali o ano inteiro como uma sombra pela escola e depois de conseguir me tornar a melhor da classe e ter um histórico exemplar, as férias chegaram e eu tive que vir para casa, mas eu percebi que continuava sob observação, o que me dava nos nervos. Assim que cheguei, depois do jantar e logo após eu ter ido pro quarto, deslizei para a mente de Oksana e então a vi dizer.
– Mark, será que um dia ela vai consegui voltar a sorrir e parecer como antes? Ela parecia tão feliz... Claro que agora está melhor do que quando ela chegou aqui, mas agora ela parece... a mesma de quando vivia fugindo. Sempre trancada no quarto e quando sai do quarto parece trancada em si mesma... – ela disse enquanto entregava a louça a Mark que a guardava.
– Eu recebo noticias dela quase todos os dias. Ela está se saindo bem em tudo menos... em se relacionar com as pessoas. Patrick disse que ela até mesmo assusta alguns colegas de classe! Mas acho que ela sabe disso. – ele disse com um sorriso de lado e então abraçou Oksana. – Está tudo bem, querida. Nossa filha vai ficar bem.
E então eu percebi que eles iam se beijar e saí da mente de Oksana sacudindo a cabeça como se isso afastasse tudo.
E dessa maneira também me vi fazendo isso enquanto voltava à realidade da tarde de sábado e ouvia alguém bater em minha porta.
– Pode entrar. – eu disse tirando os fones de ouvido e passando a mão no cabelo.
Em uma olhada rápida no espelho eu vi que meu cabelo estava maior do que eu pensava e que eu ainda estava magra e apesar não ter mais olheiras, eu ainda aparentava estar abatida. Depois de tanto tempo em horário Moroi e sempre dentro de casa, eu estava quase com da mesma cor de Oksana, mas tudo o que eu estava pensando sobre minha imagem e o resto foram substituídos pela surpresa em ver quem havia aberto a porta do meu quarto.
Com apenas metade do seu corpo para dentro do meu quarto e com seus cachos volumosos e grandes olhos verdes estava Jill Mastrano.
– Depois de tanto tempo, eu esperava uma recepção mais calorosa. – ela disse com um sorriso. – Preciso dizer que me sinto até um pouco decepcionada.
E então eu nem sequer pensei em me controlar enquanto corria até ela e a abraçava.
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