Eu me sentia feliz, mais ainda faltava algo, era como se houvesse um buraco negro tomando conta do meu interior e que crescia a cada vez que eu respirava. Eu precisava arrumar um jeito de acabar com aquela agonia e eu sabia o que fazer só não tinha a coragem suficiente.

Jully resolveu quebrar o silencio assim que chegamos ao refeitório:

-E ai, o que vão pedir?

Eu não estava com um pingo de fome, mas mesmo assim resolvi pedir uma coca, o restante das garotas optaram por um sanduiche e um copo de suco...

Sentamos-nos na mesa de costume, o papo se baseava nos acontecimentos que rolaram na festa. Graças aos céus ninguém citou o “acontecimento” desagradável...

Megan realmente ficou com Mike, o que se tornou o assunto do restante da tarde. Eu me desliguei da conversa no mesmo momento em que elas começaram a falar sobre “A pegada” dele. Deixei minha mente vagar mais uma vez sobre os acontecimentos da minha noite, a imagem do seu rosto, seu sorriso enigmático, sua pele pálida.

Depois de muito pensar me resolvi, eu iria atrás dele, mas pra isso iria precisar de ajuda, e quem melhor que minhas companheiras de quarto pra isso? O grande problema seria fazer que elas acobertassem minha pequena fuga sem que eu entrasse em detalhes e também que aceitassem não contar nada nem pra Megan nem pra Ruby, não que eu não confiasse nas duas, mês eu acreditava que quanto menos gente soubesse melhor e mais fácil seria.

Esperei ate as 18 h pra conversar com elas. A espera estava me matando, eu estava prestes a explodir quando a Ruby decidiu ir para o quarto descansar.

Eu e as gemias nos dirigimos ao nosso quarto. Eu entrei e fechei a porta atrás de mim... Meu coração estava disparado, essa seria a hora da verdade, ou pelo menos metade dela.

-Garotas eu passei a tarde pensando em como eu poderia dizer isso pra vocês...

Jully me olhou desconfiadamente.

-O que esta acontecendo? Eu bem reparei que você estava muito distante...

-Olha eu preciso ir a um lugar, mas eu não posso dizer a vocês aonde ou com quem vou me encontrar, a única coisa que posso garantir é que é um assunto de vida ou morte.

- E onde exatamente eu e a Janny entramos nessa?

Ok, eu tinha despertado o interesse da Jully no assunto, como eu já havia começado teria de ir ate o fim.

-Eu gostaria que vocês me ajudassem a sair hoje à noite sem ser pega...

Jully me olhava como se eu tivesse acabado de dizer “oi eu sou a mulher bomba e vou explodir tudo aqui”

-Ally você tem noção da loucura de suas palavras? Imagine o que aconteceria se nos te ajudássemos e por azar algo te acontecesse? Nos não saberemos onde você esta, com quem ou qualquer outra coisa. ISSO É LOUCURA.

Ela estava praticamente gritando, sua pele branca corou levemente perante sua ira.

-Você não querer nos contar o que aconteceu ontem é uma coisa, mas outra bem diferente é você querer que nos acobertemos uma fuga insana desse tipo.

-Em primeiro lugar não grite e em segundo, por favor, eu não estou pedindo que você acoberte um assassinato, mas sim que me ajude a sair daqui, serão apenas umas horas...

-Eu já disse que não, Ally eu te amo porra, será que você não consegue ver? Você é como uma irmã pra mim, eu me sinto obrigada a te proteger.

-Eu não estou pedindo sua proteção, pelo menos não do tipo que você quer dar... Mas tudo bem, apenas saia do meu caminho e eu irei.

-Você não vai a lugar nenhum, se sair desse quarto eu juro que vou te dedurar.

-Você não faria isso...

-Pague pra ver.

O sangue fervia por minha veia, quem ela pensava que era pra me proibir de algo? Ela não era minha mãe. Eu me sentia como uma criança que é privada de suas traquinagens. Lagrimas teimavam em sair dos meus olhos, tentei barra-las, mas foi em vão...

Durante toda a discussão Janny se manteve totalmente calada, ela tinha a face calma e quando se manifestou foi como se a ira da irmã não a houvesse atingido.

-Jully, por favor... Ally eu entendo que você queira ter seus segredos, mas você também tem que entender que nos queremos cuidar de você, então façamos o seguinte, você já é bem grandinha pra saber o que é certo ou errado, se acha realmente necessária essa escapulida nos não iremos interferir, é claro que com algumas condições, primeiro, você deve levar o celular consigo e mante-lo LIGADO- Nesse momento ela deu um ênfase maior que o esperado no ligado- você deve nos ligar pelo menos de hora em hora pra nos avisar que esta tudo ok, caso você não nos contate deduziremos que você se encontra em apuros e nos dirigiremos imediatamente ate a diretoria para relatar tudo aos supervisores, arcando com as consequências de termos sidos cúmplices nesta pequena fuga. Estamos de acordo?

Tanto Jully quanto eu não esperávamos por essa espontaneidade, eu não conseguia achar uma resposta apropriada pra tudo aquilo e eu duvidava que fosse diferente pra Jully...

Com muito esforço Jully se manifestou, enquanto eu me mantive a espreita da nova onda de ira que emanava dela, desta vez dirigida para a irmã:

-Você esta realmente disposta a deixar que ela se arrisque sem fazer nada para impedir?

-Eu não acho que vá mudar algo tentar impedi-la, vai Ally?

Sacudi a cabeça em negativo e continuei a olhar da face de uma para outra, como dois seres tão iguais na aparência podiam ser tão diferentes no espírito?

-Eu não estou disposta a arcar com nada, não quero ser responsável pelas loucuras de uma garota mimada.

Aquilo realmente me feriu.

-Tudo bem Jully, você não é obrigada a nos ajudar, te peço apenas que não interfira.

-É claro que vou interferir.

-NÃO, VOCÊ NÃO VAI. Casso você faça algo que possa prejudicar os planos, eu me sentirei na obrigação de contar para mamãe sobre aquele verão que passamos nas Bahamas ano passado, acho que ela vai adorar saber o que realmente aconteceu não é?

-Isso é chantagem.

-Sim cara irmã, mas você não me deixa alternativa...

-Tudo bem façam como bem entenderem, mas se algo der errado não me critiquem por eu dizer “eu avisei”.

-Não vai dar errado, e se der fique tranquila, seu nome será mantido bem longe.

Eu me sentia culpada, eu havia acabado de colocar as gemias uma contra a outra, o que estava acontecendo comigo?

Jully foi se deitar enquanto eu e Janny continuamos a bolar u plano para minha fuga.

Eu esperaria ate as 22: hs pra sair, colocaríamos travesseiros em minha cama, assim caso houvesse vistoria ninguém perceberia minha ausência. Depois de tudo planejado decidi que eu tinha algo a fazer antes que eu saísse.

-Ju, será que nos podemos conversar?

Ela se manteve deitada com as cobertas sobre a cabeça, tomei isso como um sim.

-Minha intenção nunca foi fazer você e sua irmã discutir. Acredite, eu queria que houvesse outro jeito de fazer as coisas, mas não há, vocês são as únicas pessoas em quem confio, e eu não posso sair daqui sem o seu perdão.

Nesse momento ela levantou a cabeça e olhou pra mim, seus olhos estavam marejados pelas lagrimas silenciosas que escorriam, mas pelo olhar que ela me deu eu pude ter certeza que seu ódio já havia partido, e no lugar, eu podia ver uma pontada de arrependimento. Sem nenhuma palavra ela me abraçou e ficamos assim por um tempo, ate que ela quebrou o silencio e sussurrou:

-Promete que vai se cuidar? Que não vai se meter em nada que possa te machucar?

-É claro que prometo.

-Ally eu odeio brigar com você, mas é que, sei lá, eu não consigo ver minha melhor amiga se metendo em encrenca e não dizer nada, você me entende ne?

-Sim eu entendo!

-Então você me perdoa pelo acesso de fúria?

-Sim, afinal, amizade é isso!

Começamos a rir, e foi nesse misto de alegria que Janny nos encontrou.

-Bem pelo que eu vejo o mau humor já passou não é?

-Não pense que te perdoei irmãzinha, chantagem é algo muito feio, ainda mais quando se vem de sua outra metade.

-Não seja hipócrita Ju, por favor, ambas sabemos que você é a rainha da chantagem. Agora chega pra La que eu quero deitar ai.

Jully sorrio para a irmã e se afastou para que ambas pudessem caber na minúscula cama de solteiro. Eu me mantive sentada na cabeceira apreciando a harmonia que ali habitava, elas realmente se completavam...

A hora passou depressa, e assim que consultei o despertador sobre a cômoda constatei que já era a hora de sair e encarar o desconhecido.