Shadows... Of The Past.

5 Capítulo IV: Após as Trevas, a Esperança.


Notas iniciais
Olá, pessoal... Desculpa ter demorado tanto para postar esse capítulo, estava em um semestre difícil, trabalhos e estudos me sugaram.
Está pequenininho, mas espero que gostem. >D

Dois dias depois, Katerina teve alta da enfermaria. Os cortes na barriga dela estavam cicatrizando aos poucos, mas como ela já apresentara um estado de melhora bem elevado, a Enfermeira a dispensou. Ao sair, deparou-se com o pessoal do Departamento de Científico que olhavam pra ela estranhamente.

- Que bom que está melhor, Kat-san! – exultou Johnny, um cientista baixinho com óculos fundo de garrafa do qual Katerina não fora com a cara.

- Komui está esperando a senhorita na sala dele, parece que chegou o seu uniforme. – disse um rapaz alto e louro mais ao fundo da pequena aglomeração.

- Se for tão curto quanto essas roupas que a senhorita está usando... – disse outro garoto, mais atirado, com os olhos brilhando ao fitar a regata vermelha e o shorts preto largo que ela vestia, fazendo a garota ficar escarlate de vergonha. Não havia percebido que tinham tantos pervertidos naquele lugar. Kanda não olhava para ela do jeito que eles olhavam. Ou pelo menos não que ela tenha percebido, mas também, ele jamais seria indelicado com a ruiva.

- Caiam fora, agora! – exclamou, com o olhar assustado para os cientistas que avançavam para ela.

- Posso tocar nessas cicatrizes? – disse Johnny, estendo a mão para a barriga dela, curioso à medida que ela encostava na parede, sem saída.

- Não, saiam! Cross... Alguém! – gritou, desesperada. Nunca ficara em uma situação dessas e o nervosismo a fez esquecer da Inocência.

- Saiam agora de perto dela... – pediu uma voz sombria atrás deles.

- Err... Kanda? – Johnny virou-se, seguido dos outros cientistas.

- Eu não vou mandar de novo... – ameaçou o samurai, já com a Mugen em punho, pronta para ser ativada. – E você... – ele puxou Johnny pelo colarinho. – A próxima vez que fizer esse tipo de pergunta indecente pra ela, eu te deporto em pedaços dentro de uma caixa pra Nova Zelândia.

- Yuu, me tira daqui... – pediu a garota, em choque. Estava claro que mesmo magoada com ele, Katerina sentia falta da proteção do samurai.

- Tudo bem, Kate... Eles não vão te fazer mal. Eu os retalharei se tentarem... – disse o exorcista, tirando o seu sobretudo e jogando por cima dos ombros da ruiva, enquanto a conduzia para longe daquele local. – Você está bem? – perguntou, preocupado.

- Estou sim... Só fiquei nervosa... Que ridículo. Eu tenho as minhas Dragons. Por que não as empunhei? – indignou-se a garota, como se falasse mais para si do que para o samurai. – Que vergonha. Agi como uma garotinha indefesa patética. – ela cerrou os pulsos. – Eu vou voltar lá! – ela deu meia volta, mas Kanda a puxou pela cintura.

- Espera, espera... Calma. – disse o moreno, com um pequeno sorriso. – É absolutamente normal agir assim. Você, mesmo que não pareça, é uma garota. – brincou.

- Argh, Kanda, seu idiota! – exclamou a ruiva, tentando se soltar, inutilmente, dos braços fortes dele. – E me solta, quero dar uma lição naqueles pervertidos nojentos.

- Eu estou brincando, Kate. – defendeu-se Kanda, segurando-a com mais força. – Pára, garota. E onde pensa que vai com essa roupa? – e ele deixou escapar um rápido olhar para o que ela vestia por baixo do sobretudo dele. – O máximo que vai conseguir lá é ser estuprada. – zombou o rapaz, sem conseguir conter o riso de deboche ao olhar para a cara vermelha de raiva e vergonha dela. – Hey, só estou dizendo a verdade, não me olhe assim.

- Ahá, não tem graça! – alterou-se a ruiva, ficando tão rubra quanto a regata que usava, dando um tapa no braço dele que a circundava. – Quando foi que você ficou tão abusado assim? Deve ter andando muito com aquele ruivo idiota e pervertido com tapa-olho.

- E quando foi que você ficou tão... – ele parou de falar, lutando para não corar quando em seus pensamentos completava a frase... Linda desse jeito.

- Tão o quê? – quis saber Katerina, erguendo as sobrancelhas e fitando-o indagativa.

- Tão insuportável desse jeito? – mentiu Kanda, estreitando os olhos para a garota. E eles ficaram se encarando assim, por alguns segundos. Então, a expressão dele voltou ao normal. – Sabe de uma coisa? – perguntou, sério.

- O que é? – questionou ela, assumindo seriedade também. E dessa vez, ela não hesitou em olhar nos olhos dele.

- Eu... – o exorcista tentava procurar as palavras certas. Mas, nunca pensara que um dia pudesse estar fazendo isso. Ele nem havia pensado sobre isso, mas devia uma explicação a ela, por mais estúpida ou insana que fosse. – Senti sua falta.

Katerina empalideceu e seu coração quase parou com o choque. Era isso mesmo que ela tinha ouvido? Kanda sentira falta dela todo esse tempo? Ela não conseguia acreditar... Não queria.

- Você... – ela balançou a cabeça devagar, negativamente. – Não. Eu não quero ouvir, Kanda. Acho que nada que você possa dizer agora poderá apagar a dor que me causou.

- Você não entende... – começou Kanda, mas foi interrompido novamente pela ruiva.

- Não. É você que não entende. – afirmou a garota, convicta. – Você fez uma escolha. E eu entendo isso. Apenas acho que não precisava conquistar minha amizade pra depois jogá-la fora da maneira que você fez. – acrescentou, fria.

- Eu tive um motivo. – replicou ele, em mesmo tom. – Que talvez você não seja capaz mesmo de entender.

- Então, eu acho que essa conversa pode acabar aqui. – cortou ela, seca. Ela estava tentando perdoá-lo, mas ele não ajudava nem um pouco, lembrando-a do que fez. Ela sabia que permanecer com raiva dele ali na Ordem acabaria tornando a vida de ambos insuportável. – Bom, Komui quer me ver. E eu estava mesmo precisando coonversar com ele. Será que dá pra tirar suas mãos de cima de mim? – pediu em um tom ferino.

- Eu vou junto. Ele também quer falar comigo. – respondeu Kanda, em mesmo tom, soltando-a e começando a andar ao lado dela.

Eles caminharam em silêncio. Katerina colocara as mãos no bolso do sobretudo e olhava pra qualquer coisa menos para o samurai. Este, detinha-se em abrir os punhos da camisa branca que usava. Ficar ao lado dela o deixava nervoso. Então, finalmente chegaram até a sala de Komui.

- Bom dia, Katerina. Está melhor? – indagou o Supervisor, adiantando-se para ela e então arregalou os olhos. – O que está fazendo... Com essas roupas curtas e o sobretudo de Kanda? – perguntou, olhando de um pro outro e abafando um risinho malicioso.

- Deixa de ser idiota, Komui. Não é óbvio? – disse Kanda, esperando que o irmão de Lenalee percebesse, mas não era tão fácil assim do ponto de vista de outrem.

- Vocês estão... Juntos? – perguntou Komui, rindo alegremente.

- Nem que a minha vida dependesse disso e Kanda fosse o último homem da Terra. – respondeu Katerina, fechando os punhos e voltando a ficar vermelha, dessa vez de raiva.

- Então... O que significa... – começou Komui e foi cortado novamente por Kanda.

- Eu emprestei meu sobretudo pra Katerina, porque ela foi atacada por aqueles seus cientistas malucos por estar vestida desse jeito! Seu imbecil. – irritou-se o samurai. – Será possível que vocês veem malícia em tudo?! Agora fala logo, o que você queria com a gente, pois eu tenho mais o que fazer. – e ele se sentou no sofá, cruzando pernas e braços.

- Bem... – pigarreou Komui, indo direto ao assunto e assumindo a posição séria de um supervisor. – Chegou o seu uniforme, Katerina. – continuou, entregando uma caixa lacrada para a garota. – Seja bem vinda a Ordem Negra, oficialmente. E tenho já uma missão pra você. Ou melhor, pra vocês dois.

- Espere um pouco, Komui. – interrompeu Katerina, colocando o embrulho sobre a mesa dele. – Eu mudei de idéia. Não quero pertencer a Ordem. Eu vou embora.

- Como assim, vai embora? Seu pai, Cross não te treinou para ser uma Exorcista? – perguntou Komui, alarmado com a recusa dela. Kanda não estava muito diferente, espantara-se com a reação dela.

- Também pensei que você ficaria, Katerina. – falou Kanda, olhando para as costas dela, com uma expressão séria e ao mesmo tempo, levemente indignada.

- É, justamente, por causa do Kanda que eu não vou ficar. Será um inferno conviver com ele aqui. E não quero isso pra mim. – respondeu Katerina, ignorando o comentário do moreno.

- Eu notei mesmo que as coisas estão bem tensas entre vocês. Mas, não acho que seja motivo para você deixar de ser uma Exorcista. – argumentou Komui.

- Nesse caso, é sim. E se eu tenho que fazer uma missão com ele, aí mesmo que não vai dar certo. Quando o que eu mais quero é distância desse garoto. – retorquiu a ruiva. Cross entrava na sala, nesse momento.

- O que esse samurai de meia tigela está fazendo aqui? – Cross fuzilou Kanda com o olhar. – Não me diga que ía colocar os dois na mesma missão, tendo o Allen pra ir com ela! – indignou-se o homem.

- Ía, Cross. Não vou mais. Sua filha recusou ser uma Exorcista. – contou Komui, com um suspiro pesado. – E com ela na equipe, teríamos grandes chances de derrotar o Conde do Milênio. Mas, ela não quer, por causa do Kanda-kun.

- O que fez à ela, seu maldito?! Eu já não o tinha mandado se afastar? – rugiu Cross, avançando, perigosamente para Kanda que ficara de pé, com a mão no cabo da Mugen.

- E eu já lhe disse que isso... Não depende de você. – desafiou Kanda, fulminando o General com o olhar.

- Eu vou te mostrar se não depende... – alterou-se Cross, puxando sua pistola ao mesmo tempo em que Kanda desembainhava a Mugen. E para a surpresa dos dois, Katerina se meteu entre eles, empunhando uma das Cimitarras na mão direita que travara na espada de Kanda e a mão livre, usou para afastar o pai.

- Parem. É uma decisão minha, não precisam se matar por causa disso. – disse, com a cabeça baixa, então ergueu os olhos para Kanda. – Eu quero mesmo que se afaste de mim. Não depende de Cross, nunca dependeu. – continuou, fria. – Mas, é uma escolha minha, Kanda.

- Eu acho que eu não preciso dizer mais nada, então. Você ouviu a minha filha. – falou Cross, com um sorriso triunfante ao fitar o moreno.

- Cala a boca, velho idiota. Nunca precisei de você pra me defender, não é agora que vou precisar. – disse a garota, estúpida.

- Tudo bem, então... Katerina. – assentiu o samurai, guardando a Mugen. – Acho que não tenho mais nada o que fazer aqui. – ele deu as costas aos três e precipitou-se para fora da sala, deixando um Cross saltitando de alegria, acreditando ter afastado mais um garoto da vida da filha, um Komui confuso e uma Katerina profundamente, magoada.

- Bem... Eu também não tenho mais nada pra fazer aqui. Vou voltar para a Bulgária. – comunicou a garota, desativando sua espada. – E não adianta insistir, Cross.

- Mas, Kate-chan... – o ruivo abraçou-a, choroso, manchando as vestes dela de lágrimas. – Não pode ir embora, treinamos tanto juntos.

- Argh, me solta, velho insuportável! – irritou-se a moça, empurrando-o com força. – Você não manda em mim. Perdeu esse direito quando abandonou a família.

- Não vou deixar você voltar para a Bulgária, não depois de tudo que eu passei pra tirar você de lá! – teimou Cross, erguendo-a e colocando-a sobre o ombro direito. – Komui, pode levar o uniforme da Katerina para o quarto dela. E ela só sairá de lá assim que for para uma missão. E não ouse colocá-la em uma com o Kanda! – acrescentou, deixando a sala.

- Argh, seu imbecil. Dá pra me colocar no chão? – mandou Katerina, debatendo-se e socando as costas do pai. – Não serei uma Exorcista e não irei pra droga de missão alguma nem com o Kanda e nem com ninguém. Não há como me obrigarem. E se me levarem a força, não farei absolutamente, nada! Simplesmente, me deixarei morrer por qualquer Akuma ou Noah que aparecer. – revoltou-se a garota.

- Filha ingrata! Eu só quero o seu bem. Não quer se vingar da Lullubel? Não foi esse o seu propósito de se tornar uma Exorcista? Derrotar a pessoa que acabou com a sua família? – inquiriu o General, colocando-a no chão e olhando-a nos olhos. – Tem razão, eu não posso te obrigar... Mas, pense bem antes de sair daqui. Você ainda tem mais uns dias.

- Eu já me decidi. E não há nada que você possa dizer pra me convencer do contrário. – falou a ruiva, sumindo das vistas de Cross logo em seguida. Rumou para a Biblioteca, precisava se distrair e ainda tinha um tempo antes de partir. Encontrou Bookman e Lavi lá, absortos em alguns livros.

Não queria falar com ninguém, então, tratou de desaparecer entre as estantes. Enquanto caminhava, seus pensamentos voavam em direção a Kanda. Por mais que ela quisesse, não conseguia parar de vê-lo em sua mente. As imagens antigas, misturavam-se com o presente, deixando-a confusa e irritada ao mesmo tempo. Por que ele não sai da minha cabeça? Que inferno! Praguejava, mentalmente. Encostou-se em uma das estantes, pressionando as têmporas e fechando os olhos. Ele nunca se importou comigo. Dizia a si mesma, amargurada. E por que eu me importo ainda? Ele que vá para o inferno! Ela chutou a estante defronte, fazendo-a estremecer e derrubar alguns livros. Droga! Ela não podia continuar ali, a presença dele a afetava em um grau muito elevado. E também, o fato de poder vê-lo todos os dias a fazia enjoar... Ou talvez fosse outra coisa. Ela não sabia. E negaria reivindicar para si se soubesse.

Ao anoitecer, ela resolveu ir para o seu quarto que, para o seu azar, ela descobriu ficar ao lado do quarto de Kanda. Não se surpreendeu ao entrar no corredor e vê-lo recostado na parede defronte a porta de seu quarto.

- Ah, já sei... – e Katerina foi tirando o sobretudo dele, estendendo-o na frente do samurai. – Pega...

- Não. Não é isso que eu quero. – replicou o samurai, de braços cruzados, olhando fixamente pra ela. – Só quero fazer uma pergunta.

- Agora não, Kanda. Se o Cross aparecer as coisas não vão prestar... Eu não posso com ele e nem você. Já mandei você se afastar. – ela virou-se para entrar no quarto dela. Kanda segurou-a pelo pulso e a puxou para o quarto dele, antes que a garota pudesse evitar. – Mas, o quê você...

- Calma, só me escuta. Antes de cortarmos relações, eu preciso saber de uma coisa... – murmurou ele, de frente pra ela, segurando-a pelos ombros.

- O que é, então? – e Katerina suspirou, cansada.

- Por que vai desistir de ser uma Exorcista só por minha causa? Não acho que sou um motivo bom o suficiente pra isso... Fala a verdade. – pediu o samurai.

- Você é tapado mesmo ou só se faz? – perguntou Katerina, mas ao olhar confuso de Kanda, compreendeu. – É, é tapado mesmo. Olha, Kanda... Acredite ou não, você é um motivo forte o suficiente pra eu querer voltar para a Bulgária. Eu não suporto mais olhar pra você. Se eu permanecer aqui, vai ser um inferno. E eu não quero isso. – confessou. – Não quero passar o resto da minha vida brigando com você. Eu quero distância. Esquecer que você um dia existiu.

- Por mais estranho que possa parecer... Eu também não quero isso. Mas, no entanto... Não quero também que você vá embora. – disse ele, sincero. E estremeceu ao dizer tais palavras. Que droga é essa que eu estou dizendo, enlouqueceu, Kanda? Pensou. – Será que... Você consegue me perdoar? Eu ainda não posso te explicar os motivos, mas eu prometo que explicarei o mais breve possível. Eu só quero... O que nós tínhamos antes... A nossa antiga amizade.

- Eu não sei, Kanda. Eu acho que pela primeira vez... Eu deveria ouvir o Cross. E ficar longe de você... – Katerina baixou os olhos, então sentiu Kanda tocar sua mão, entrelaçando-a.

- Vai dar ouvidos àquele idiota? Olhe nos meus olhos. – pediu, erguendo o queixo dela com a mão livre. – Você ainda pode confiar em mim?

- Eu... – sussurou a ruiva, com a voz falhada. Não podia mais fingir que odiava o samurai. – Confio. – acrescentou.

- Vai ficar? – indagou Kanda, com as sobrancelhas levemente erguidas. – Não sei se consigo ficar anos sem a minha melhor amiga, novamente.

- Seu idiota... – ela sorriu. – O Cross vai infartar quando souber disso. – lembrou. – E você me deve uma explicação. Eu vou cobrar, não pense que pode simplesmente apagar o passado com um sorriso. – concluiu, soltando a mão do samurai.

- Eu sei, Katerina. – falou Kanda, assumindo novamente a expressão séria no rosto. – Eu não quero apagar o passado. Mas, posso fazer do seu presente o melhor. Eu vou explicar tudo... Apenas me dê um tempo. – acrescentou, fazendo a ruiva olhá-lo levemente espantada.

- Eu vou para o meu quarto. Não é de bom tom uma moça ficar no quarto de um rapaz... Mesmo ele sendo... – e ela olhou Kanda de cima abaixo, soltando uma risada abafada. – Você.

- O que quer dizer com isso? – Kanda estreitou os olhos para a garota, cruzando o braços. Era notável que ele estava intrigado com a colocação que a ruiva fizera.

- Entenda como quiser, Yuu. – e deixando a frase no ar, Katerina vestiu novamente o sobretudo do samurai e retirou-se do quarto. Arrependeu-se no segundo seguinte, pois acabara de encontrar Lavi.

O ruivo a olhou por quase um minuto, juntando as roupas que ela usava envoltas do sobretudo de Kanda ao fato dela ter saído do quarto do samurai. O silêncio era tanto que Katerina quase podia ouvir as engrenagens do cérebro do amigo funcionando.

- Kate... Você e o Kanda... – ele começou devagar, tentando não rir e manter a expressão séria, misturada ao tom de malícia em sua voz. Sem querer, seu olhar pousou sobre o corpo dela e ele amaldiçoou o amigo por ter conseguido uma garota tão linda. E as curvas dela... Nossa. Você é rápido, hein, Yuu... Pensou, rindo em seguida.

- O quê? Não... Pára! Credo, Lavi... – negou Katerina, assombrada com o comentário do ruivo, enquanto começava a andar ao lado dele, em passos lentos. – Eu e o Yuu somos apenas amigos. Quer dizer... Eu acabei de voltar a ser amiga dele.

- É, vocês estavam bem tensos mesmo... Achei que vocês íam se matar naquele dia. – lembrou Lavi, com um calafrio. – Mas, voltando ao assunto... – e o ruivo lançou um olhar travesso pra ela. – Por que está com o sobretudo do Yuu?

- Eu até tentei devolver, mas ele fez questão que eu usasse. Um bando de finders me atacaram quando saí da enfermaria... Eu travei. Aí, o Yuu me ajudou. – resumiu a ruiva, dando de ombros.

- Eu até faço idéia do porquê deles terem atacado você... – murmurou Lavi, com um pequeno sorriso. Seu olhar escapando para ela de vez em quando, afinal, ele não era tapado feito o Kanda. – Se quer um conselho... Andar com roupas curtas pela Ordem não é legal se o que você realmente quer, é afastar os olhares e comentários do pessoal. Porém, eu não me oponho. – e ele começou a rir. – Eu vou adorar ver você desse jeito, sempre...

- Ora, seu... – Katerina ficou extremamente, vermelha com o comentário de Lavi. – Colocaram essa roupa em mim. E eu jamais vou sair desse jeito pela Ordem. Sou uma garota de respeito. – e ela deu um tapa no braço do ruivo.

- Mas, eu nunca disse o contrário... – Lavi sorriu, travessamente. – Mas, não altera o fato de você ser... – ele não podia falar o que realmente estava pensando. – Gata. – concluiu.

- Para com isso, Lavi. Não tem a menor graça... – pediu a ruiva, ficando da cor de seus cabelos e lançando um olhar de soslaio ao jovem Bookman. Eles estavam em frente ao quarto dela. – Bem, se me der licença... – e a garota colocou a mão na maçaneta, mas travou no movimento seguinte do ruivo, ele havia se aproximado demais. – O quê...?

- Eu sei que não tem a menor graça, Katerina. – murmurou o ruivo, gravemente ao ouvido da jovem, envolvendo levemente a cintura dela com uma das mãos. – Um homem deve saber o momento para se falar sério. E se você quer saber... – ele sorriu fechado, tocando o rosto da garota com a mão livre e afagando-a brevemente. – Você é boa demais para o Kanda. – e dito isso, ele tocou o rosto dela com os lábios, longamente antes de se afastar, deixando a ruiva estática e sem ação por alguns segundos antes de irromper o quarto, mais rubra que seus cabelos.

O que ele quisera dizer com aquilo? Foi o que a jovem ruiva pensou. Ela não entendia muito de relacionamentos, nunca tivera um que não fosse inteiramente de amizade e seu único amigo verdadeiro até então, era Kanda Yuu. Sentiu-se frustrada por não esboçar nenhuma reação na hora, mesmo que fosse um tapa, afinal nenhum outro garoto ousou tocar o rosto dela daquela maneira... Tão ousado... Ela tornou a pensar, após jogar-se na cama. Seu olhar pousou na caixa perto da porta, seu uniforme. A ruiva não tinha a menor curiosidade em abrir, certamente seria um uniforme minúsculo, típico como o de Lenalee Lee.

Seus pensamentos logo voaram para o passado, assim que ela cerrou os olhos, era inevitável pensar em tudo que havia passado e a vontade crescente de sumir daquele lugar começou a aflorá-la. Tinha um objetivo. Vingar-se de Lullubel e havia uma esperança: Encontrar seu irmão que lhe tivera sido tirado há tempos atrás e sem querer, adormeceu pensando naquele que a fizera sofrer durante todo esse tempo em que estiveram afastados... O sentimento puro, tornara-se mágoa outrora e agora era indefinível.


Notas finais
Heil... Reviews, por favor! Estimulam a autora a continuar. ;]
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.