Shadowhunters: Cidade das sombras
6 Capítulo 4: Pick Avenue
O dia seguinte foi uma droga para todos do instituto de Seattle. O tempo nublado e chuvoso não ajudou muito no humor de Melissa e Gabriel estava mais sarcástico do que nunca. Jam não trocou mais que quatro palavras a tarde toda com nenhum dos caçadores de sombras e nem com Jordan. O garoto passou a tarde toda na biblioteca com Julieta, que procurava saber mais sobre si mesma e esse mundo que ambos tinham se enfiado.
Como dito anteriormente... Uma droga.
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— Mantenha o foco! — Gabriel disse para Julie.
— Fica meio difícil com você encima de mim apontando uma faca para o meu pescoço! — A garota retrucou e ele sorriu malicioso.
O treinamento daquela tarde foi mais intenso do que o do dia anterior.
— Essa é a intensão. Você tem que manter a calma e se livrar da faca em seu pescoço. É simples!
Julieta bufou e pensou no lugar em que poderia acertar para que ganhasse tempo e conseguisse sair debaixo dele.
— Quando eu tiver prática eu vou te matar! — A garota disse irritada com o sorriso torto de Gabriel.
— Quero ver você tentando!
Ela tinha consciência de estar sendo observada por três pares de olhos curiosos. Jordan, Melissa e Jam, esperavam que algo acontecesse.
— Ótimo! — Ela respondeu e dobrou os joelhos, acertando bem entre as pernas do caçador de sombras.
Gabriel se segurou para não gritar, mas a dor o fez soltá-la e cair de lado. Julieta se viu livre e inverteu os lugares, parando encima do garoto segurando a faca contra a garganta dele.
Desta vez, foi ela quem sorriu.
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— Muito bem caçadores de sombras — Anne chamou a atenção de todos na mesa de jantar. — Ah... E Jordan. Desculpe. — Ela continuou, seguida por risos de Gabriel, Jam e Mel. — Como alguns de vocês já devem estar sabendo, hoje é a inauguração de uma nova Boate na Pick Avenue. E, é importante vocês irem.
— E porque é tão importante? — Jordan falou em um muxoxo sem entender por que a diretora daquele instituto estava mandando-os para uma boate, dias depois de terem sidos atacados por um demônio maior. Seja lá, o que isso significasse.
— Porque mundano — Gabriel começou a responder com certa irritação e Julie o encarou, fazendo-o mudar de tom. — O nome do lugar é "Boate do Inferno". Um lugar perfeito para se achar demônios e mandar esses desgraçados literalmente para o inferno de onde vieram.
— Gabriel! — Anne repreendeu as palavras do garoto e se voltou para Julieta e Jordan. — Se não estiverem bem o suficiente para ir, podem ficar.
Jordan soltou um riso irônico o suficiente para incomodar a todos na mesa. Se ele soubesse que no futuro iria descobrir um mundo totalmente novo que esteve a sua volta desde sempre e que iria acabar entrando de cabeça nele por causa de sua melhor amiga, diria que estaria ficando louco. Como se já não bastasse isso, a diretora maluca, queria enviá-los para uma missão suicida.
— Bem o suficiente? — Jordan repetiu com sarcasmo. — Como se desse para ficar bem depois de tudo o que passamos!
— Jordan! — Julieta disse gentilmente, tentando acalmar o amigo.
— Não, Julie. — Ele interrompeu negando com a cabeça. — Nós não vamos. Não vou deixar você sair no meio da noite. Se não percebeu, você é um imã para esses monstros há duas semanas e se sair desse instituto, será como se estivesse gritando "Venham me pegar! Eu estou aqui, esperando para ser devorada por vocês!" — Jordan parou alguns segundos para recuperar o ar enquanto encarava a amiga que estava boquiaberta. — Não. Esquece. Péssima ideia!
— Demônios não devoram você. Eles comem sua alma e depois jogam fora o corpo. — Gabriel disse sarcástico e recebeu vários olhares de repreensão, e os ignorou.
Uma tensão impressionante pairava entre os dois, como se estivessem se comunicando por pensamento. O que, a garota não duvidava ser impossível depois de tudo o que já havia visto.
Por um lado, Jordan tinha razão e Julieta sabia muito bem disso. Mas, por outro lado, ela sentia que deveria ir. Mesmo que isso significasse servir de isca para os demônios; para que os outros pudessem matá-los.
— A decisão não é sua, Jordan. — Ela falou desviando o olhos dos do amigo.
— Ele tem razão. — James se pronunciou, fazendo com que todos os olhares se virassem para ele. — O que?
— Aí! Já chega, tá bom? — Melissa explodiu de irritação se levantando de sua cadeira. — A decisão não é de ninguém aqui! Anne sabe o que é melhor e se ela acha que os mundanos devem ir então... Que seja!
— Eu não sou uma mundana! — Julie interrompeu o surto da garota. — E eu vou, sim! Não importa o que você diga. — Ela se virou para o amigo.
Jordan a encarava indignado. Como ela poderia preferir se arriscar e morrer só para ajudar um bando de caçadores de sombras — que até ontem eles não sabiam da existência de nenhum deles — do que ficar em segurança com o melhor amigo dentro do instituto?
— Então? Vamos ficar parados aqui ou vamos nos arrumar? — Melissa perguntou fazendo alguns gestos com as mãos.
— Arrumar? — Julieta perguntou confusa.
— É. Arrumar. — Mel respondeu. — Vamos!
****
Quinze minutos depois, Julieta estava com um vestido colado até o meio da coxa, vermelho e o seus cachos escuros presos em uma belo penteado feito pelas mãos ágeis de Melissa. Sem falar na bota de salto alto e fino que a deixou uns cinco centímetros mais alta e o batom vermelho que iluminou seu rosto pálido.
Quando ambas adentraram a sala de armas, os olhos dos garotos as analisaram da cabeça aos pés. Boquiabertos e espantado. E como sempre, Julie sentiu as bochechas corarem e cruzou os braços à frente do corpo para tentar esconder o máximo do seu colo que estava a mostra no vestido pequeno de Mel.
— Nossa. — Jordan suspirou e precisou ajeitar os óculos no nariz para não caírem.
— Estou parecendo uma daquelas meninas que deixam o número do celular no banheiro masculino! — Julieta disse tentando abaixar o vestido, mas sem sucesso.
— Obrigada. — Melissa respondeu passando reto, sem ao menos olhar para o garoto embasbacado. — E, ei! São minhas roupas!
A garota se dirigiu para a mesa onde havia adagas e lâminas Serafins de todos os tipos e tamanhos e se equipou com umas dez escondidas pelo vestido.
— Quantas você quer? — Jam perguntou para Julie, se referindo as adagas sobre a mesa.
— Eu não sei... De quantas se precisa? — A garota perguntou tentando não fazer muito contato visual com ele. Já estavam sentindo vergonha demais naquela roupa.
— A ideia é você não precisar lutar. — Ele respondeu encontrando os olhos dela. Tudo o que ela menos queria, mas sentiu-se bem quando encarou aqueles lindos olhos azuis brilhantes. — Mas, é por precaução.
James estendeu duas adagas para Julieta e ela as pegou. Um segundo foi o suficiente para ambas as mãos se tocarem e os olhos se encontrarem novamente. Sem graça, Jam desviou os olhos, fingindo arrumar as armas na roupa. Corada, Julie guardou as duas adagas dentro do vestido — em sua coxa, como Mel a ensinara mais cedo.
Jordan permanecia encostado em uma das mesas cheias de armas, de braços cruzados e emburrado. Não acreditava no que a amiga estava prestes a fazer. E também, tentava não olhar muito para ela com aquele vestido. Aquela não era a Julieta que ele conhecia desde os cinco anos. Aquela, era uma garota totalmente diferente. Desconhecida e disposta a se matar sem qualquer motivo.
— Ei, eu vou ficar bem! — Julie disse quando se aproximou do amigo. Ela sorriu para ele e pegou suas mãos. — Confie em mim.
— Eu confio em você! — Jordan respondeu apertando de leve as mãos dela. — É neles que eu não confio. E ainda acho que é uma péssima ideia.
— Estamos prontos? — Melissa perguntou olhando de soslaio para Jordan. Julieta se afastou do amigo com um pequeno sorriso e se juntou ao grupo de caçadores de sombras.
Gabriel colocou a última adaga escondida em sua calça e disse:
— Estamos.
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