Sexta-feira 13

5 Capítulo 3: Festinha da Lauren


Notas iniciais
Dedicado a K_Jumbie. Obrigada pela recomendação. x3
E obrigada pelos reviews, meninas. (LL)

Capítulo 3

Festinha da Lauren.

Tom desceu as escadas em direção a cozinha. O loiro passou por Georg, que estava na mesa tomando café da manhã sozinho. Olhou o relógio que marcava onze horas e supôs que por isso. Geralmente o café era servido às nove.

Começou a cantarolar I want to break free do Queen enquanto abria a geladeira e tirava de lá um copo de vitamina já preparado. Usar camiseta parecia não fazer parte de seu cotidiano quando se encontrava em casa, já que como sempre estava sem.

Puxou uma cadeira e sentou-se com força nela, observando o que Georg tinha na mesa.

-Queen? — Georg riu debochado. -Porra, em. — passou manteiga em sua torrada enquanto Tom pegou um pedaço de bolo.

-Ah, cala a boca. Você usa chapinha, não tem moral pra me zoar. — O loiro suspirou e bebeu de uma vez tudo o que havia no copo.

Bafejou alto e pegou a jarra de leite, pondo mais no copo.

Georg assentiu negativamente.

-Hoje a Lauren vai fazer uma festa na casa dela. Vamos?

-Lauren? Que Lauren? — Georg ergueu uma sobrancelha.

-Lauren... Aquela puta rica... Ah! Deixa pra lá. Lembrei agora que você não tava lá no dia. — disse o louro, gesticulando com a faca na mão.

-Que dia?

-O dia em que eu a conheci. — Tom fez uma cara de que isso era obvio.

-Suponho que não... Então...

-Mesmo assim. Não importa. Você quer vir?

-Eu não conheço a mina. Ela vai ficar nervosa?

-Claro que não. Essa vadia... Depois de um pouco de heroína e uns três cigarros de Maria ela já fica louca e não sabe de mais nada. Posso chamar toda a comunidade sem-teto pra vir junto que a puta nem repara.

Tom tirou um maço de cigarro do bolso e acendeu um, guardando a caixa depois. -E aí, vem?

-Vou.

-Ótimo. — Tom sorriu. Levantou-se e deu umas palmadas nos ombros de Georg. Foi em direção à pia com oito fatias de pão na mão e os dois envelopes de presunto e mussarela.

Preparou os pães com o recheio dentro e abriu o amário debaixo, vendo que a torradeira estava quebrada.

-Porra, Ge. Quem fodeu a desgraçada da torradeira?

-Não sei. Hoje fui preparar e já estava assim.

-Puta merda. Se foi o Gustav eu vou contar pro David e esse retardado vai ter que comprar outra.

-E se foi o Bill? — Georg olhou pra trás, com uma sobrancelha erguida maliciosamente.

-O Bill? — Tom olhou-o de volta. -Você já viu a cara dele? Magro, pálido. Esse não deve usar a torradeira. Vai saber se ele come algo.

Tom abriu a geladeira e tirou dela quatro ovos e o envelope de carne de hambúrguer. Pegou duas panelas, ligou o fogão e colocou óleo nas duas. Quebrou os quatro ovos, pondo-os numa panela, e depois tirou quatro carnes do envelope, pondo-as em outra.

Foi preparando tudo enquanto fumava. -Vai querer hamburguer, Georgão?

-Não, valeu.

-Ok. Vigia as panelas aí pra mim que eu vou pegar o ferro de passar pra torrar essas porras.

Georg riu. Tom era louco.

Se levantou e terminou de fritar as carnes e os ovos. Desligou o fogão e logo Tom voltou com o ferro de passar. Ligou-o e o deixou em pé na pia. Abriu os pães e com uma colher meteu em cada um uma carne e um ovo. Após fechá-los, pressionou o ferro em todos eles, amassando-os contra a pia, e depois virou-os do outro lado, fazendo a mesma coisa.

A fumaça do ferro misturava com a de seu cigarro. Tom pegou um prato, bateu a pólvora de seu fumo contra um dos pães sem ser intencional, mas também sem se importar com o que fez. Colocou os quatro pães um encima do outro no prato e pegou-o. Olhou para Georg que já nem se chocava com a quantidade de comida que o maior costumava comer.

Tragou o cigarro, segurando-o apenas com a boca e depois pegou-o com uma mão, continuando a segurar o prato com a outra. -Ei, Georg.

-Fala.

-Você já terminou de rangar? — disse enquanto ia para a mesa e se sentava, pondo o prato sobre ela.

-Já.

-Ah, legal. Você vai subir pro quarto agora?

-Vou. Vou tomar banho e sair.

-Ok. — Tom sorriu. -Já que você vai subir, me faz um favor. — O loiro colocou a mão no bolso da bermuda e tirou dele um papel dobrado. -Bate lá na porta do Bill e entrega isso pra ele. É o endereço da festa.

Georg sorriu. -Vai chamar ele pra ir? Estou surpreendido. — o castanho riu. Se aproximou de Tom e pegou o papel.

-Vou. Sabe como é. Góticos também precisam se “socializar”. — Tom ergueu as sobrancelhas e as abaixou.

-Você nunca foi caridoso. — Georg bateu o papel contra a palma de sua mão.

-É. Mas vai ser legal ver como ele atua numa festa. — Tom riu.

-Com certeza. — retribuiu Georg e riu. Bom, vou subir. Bom rango.

-Valeu. — Tom sorriu.

O castanho foi em direção às escadas, sumindo das vistas de Tom. O loiro suspirou e olhou para seus pães. -Merda, esqueci a coca. — Tom bufou e se levantou novamente em direção à geladeira, a abriu e pegou uma coca-cola de um litro e meio que tinha uma etiqueta branca e grande onde estava escrito “Tom” com a letra do loiro. Voltou a se sentar e começou a devorar o seu “pequeno” café da manhã.

***

Bill fechou o chuveiro. Pegou a toalha pendurada ao seu lado e secou o rosto, fazendo o mesmo com o corpo depois. Se enrolou nela e colocou a troca de roupa que havia pegado, como sempre preta.

Depois foi até a pia e escovou os dentes. Logo se maquiou. Arrumou o cabelo do jeito que costumava deixá-lo e saiu do banheiro com a intenção de cair na cama e prolongar o seu sedentarismo.

Quando chegou à sua cama, viu nela um pedaço de papel aberto sobre o lençol. O pegou curioso.

Hoje, sábado, às dez da noite vai começar uma festa have nesse endereço que vai até as quatro da manhã da segunda-feira. Vê se aparece, vai ser legal. Tom.

-Caralho. Que patético. Das dez da noite do sábado até a madrugada de segunda-feira. Ou seja, faltarão na faculdade na segunda e pra terça-feira vão pra aula de ressaca.

Bill suspirou e olhou o relógio que marcava seis horas da tarde. -Bom, foda-se. Eu vou e quando der três horas da manhã eu vazo.

O moreno abriu o guarda-roupa e puxou de lá uma camiseta preta, uma jaqueta, uma calça jeans e um coturno.

Sem escolher, empurrou pra fora do armário algumas pulseiras e o fechou desajeitadamente.

Deixou tudo encima da cama e saiu do quarto, indo para a rua. Andou por ela por algum tempo e entrou numa loja de incensos.

Lá comprou velas, bonecos e umas outras coisas.


***

Às dez horas, os portões da casa de Lauren foram abertos para que os seguranças começassem a supervisão da multidão que já estava animada, bebendo e fumando do lado de fora da casa. Seus pais não estavam em casa, e certamente se estivessem não permitiriam o que aconteceria nos próximos três dias.

A loira saiu pela porta da varanda fechando o laço do roupão branco transparente que usava sobre um biquíni de mesma cor. Tinha seus cabelos marrons longos, soltos e lisos. Usava muitos acessórios, pulseiras, colares e um bonito chinelo.

Era verão e fazia um calor razoável para europeus. Algo como vinte graus. A piscina estava cheia e a água cristalina refletia a luz do luar e as luzes que enfeitavam aquele espaço.

Ali seria a festa. Com um DJ convidado especialmente para o evento, na parte da frente da casa, com cinco seguranças evitando penetras, muitas drogas, sobre a grama e com direito a se jogar na água.

Ficou feliz ao ver que a festa era um sucesso e que esperando para entrar em sua casa havia seguramente mais de cem pessoas. Soube que fez bem ao pedir para os garotos conhecidos da faculdade a ajudassem na divulgação da festa. Estava cheio e iria bombar.

Saiu correndo até o portão e colocou-se do lado de um dos seguranças.

-Um cigarro. — pediu a moça a um dos homens vestidos de negros. Passou o braço pelo ombro do outro segurança que estava ao lado e roçou sutilmente um dos seios no peito do engravatado.

-Acende. — pediu ela outra vez. E o mesmo segurança sacou o isqueiro e acendeu o cigarro que já estava na boca dela. Lauren fumou com o seu habitual jeito sexy e olhou ao redor.

-Escuta bem, criançada. Ninguém vai por o pé aqui dentro se não especificar quem foi que chamou. Não quero saber de nenhum penetra. — A loira voltou a fumar. Virou as costas e entrou em casa, jogou o cigarro para trás enquanto andava novamente em direção a grama. Buscou o DJ e sussurrou algo em seu ouvido.

O homem ligou a música e as pessoas gritaram do lado de fora. Ela deu uma risada histérica e feliz.

-Que comece a festa! — exclamou o mais alto que podia e começou a dançar.

Os seguranças foram deixando as pessoas entrar. Barrando uns muitos poucos, passando a maioria. As pessoas estavam loucas, corriam e já começavam a dançar. Iam em direção às mesas onde estava a bebida e as drogas e logo já estavam todos se chapando como podiam.

A castanha encontrou com suas amigas e as abraçou rindo histericamente, quando essas correram até si.

-Aaai, bando de piranha! Eu já to louca!

As outras duas riram. Levaram Lauren pro meio de uns rapazes bem de corpo e ela começou a dançar com eles. Logo já beijava um deles, enquanto seguia dançando com o outro. E logo mais cenas assim eram comuns. Tudo já estava no lugar.

Depois de algum tempo, Tom chegou com quase uma hora de atraso. Lauren viu-o chegar com um sorriso sarcástico após passar pelos seguranças. Ele vinha em sua direção e ela agora estava sentada entre os dois rapazes.

-Ooooi, Tom! — ela gritou.

O loiro se apressou. Sorriu fraco e lhe encarou. -Oi, puta.

-Toomm.. — ela se levantou e puxou um pedaço da camisa dele. -Não me chama assim perto dos outros.. — disse manhosa e riu um pouco.

Tom riu. -Você sabe que é carinhosamente, putinha.

Ela riu de volta.

Sempre admirei a maneira do Tom dizer o que realmente pensa fazendo com que soe a brincadeira.

-Mas não fala isso perto dos outros. Isso é pra quando a gente estiver entre quatro paredes.

Tom soltou um novo espasmo de riso. Ela deu um demorado beijo em seu pescoço e Tom olhou os caras que estavam com ela antes.

-Já estava ficando entediada sem você aqui. — ela comentou.

-Não acho que você estivesse tão entediada. — ele abriu um sorriso sacana e Loren percebeu o porquê.

A loira girou os olhos para o mesmo local que Tom olhava, vendo os garotos que lhe acompanhava e nos seus lábios se expôs um sorriso.

-Hm... Tá com ciuminhos de mim, é?

-Ciuminhos? — Tom sorriu largamente. -Você estava com eles?

-Não, claro que não. — ela respondeu.

Tom riu curto e bobamente. Sabia que ela mentia, mas sabia também que podia tê-la sempre que quisesse. Ela não se dava valor. Puxou-a pela cintura e iniciou um beijo agressivo, puxando a língua dela pra dentro de sua boca e apertando o corpo dela contra o seu enquanto roçava seus genitais. Mordeu-lhe o lábio com muita força e abriu os olhos, olhando qual seria a reação dela.

Ela os abriu também, logo, mais cedo do que Tom o esperava e olhou-o um pouco dolorida. Tom os soltou.

-Tá vendo como eu não preciso ter “ciuminhos” de você? — Tom sorriu e os seus olhos ganharam um ar adorável apesar de tanto sarcasmo reunido. Havia falado com ela com voz de criança.

Lhe deu um forte tapa na bunda seguido de um apertão e se distanciou, dando as costas pra ela e olhando o que estava rolando pela festa. Logo foi até a mesa de bebidas e drogas, onde pegou uma taça e logo um pouco de tudo para mais tarde.

Atrás de si, ouvia Lauren um pouco indignada e certamente soube que ela estava um pouco humilhada depois disso. Mas não lhe importava. Podia comê-la quando quisesse já que dela isso era o único que lhe interessava, essa era a triste e verdadeira realidade.

***


Os seguranças estavam fechando a porta quando Bill chegou e colocou o seu pé à frente com um sorriso estampado para a dupla.

-Pensando em fechar? — disse o moreno, reluzente.

-Exato. — um deles respondeu.

-Foda-se. Tenho o convite e quero entrar.

-Como você se chama? — disse o rapaz de terno, olhando a lista onde todos os nomes pareciam já estarem riscados.

-Você quer saber o meu nome? Você tá me zoando?

-Não. — o careca respondeu simplesmente e Bill riu irônico.

Se aproximou dele, ficando totalmente sério e tocou o braço do homem, fazendo-o olhar dentro de seus olhos.

Sua outra mão foi até a livreta do segurança e Bill a pegou com calma e colocou-a por dentro de sua jaqueta.

Ao entrar, desconectamos nossos olhares do rapaz e ele rapidamente “acordou”, sentindo-se assustado e perdido.

-O que foi isso? Por que você entregou a lista pra ele? — perguntou-lhe seu companheiro.

-Ele.. ele havia sido convidado.

-Tem certeza?

-Fecha a porta. Ele era o último nome na lista.

E os dois fecharam os portões.

***
Uma garota loira bonita estava beijando outra, morena, um pouco mais alta e com a pele bem bronzeada. Tom estava do lado da loira. Tinha a mão sobre uma de suas pernas e observava o beijo assim como um garoto moreno, com traços fortes, um pouco sul-americano ou filipino observava e passava as mãos pelas costas da garota morena.

Quando as duas terminaram a pegação, a loira beijou Tom e a morena beijou o garoto que lhe acariciava antes.

Quando alguém passava perto daquela rodinha o mais forte que se sentia era o cheiro de maconha exalando do cigarro de três dos presentes.


Uma ruiva muito bêbada aproximou-se do sul-americano após ter feito sexo oral num cara perto da piscina. Sentou-se no colo do garoto e enquanto Tom seguia beijando a loira, a ruiva tirou da mão dele o seu precioso cigarro de maria.


-É melhor você não pegar isso não. – falou Tom, após separar-se do beijo rindo. Voltou a dar um chupão na língua da garota.

-Por quê? – olhou-o desafiante e fumou o cigarro, soltando a fumaça na cara do de dreads em seguida. O moreno tossiu um pouco.

-Porque o seu papaizinho não sabe fumar. — Tom apontou para o moreno.

O garoto sentiu as bochechas queimando.

-Não, bebê? Eu te ensino. É assim, olha... — A garota pôs o cigarro dentro da boca e fez um biquinho deixando ele todo pra fora, já estava rindo à-toa.

-Ele não bebe, não fuma, não fó, não fó, não fó, não fó, não fóóó... — cantarolou algum louco que passava por detrás deles e por acaso os ouviu.

-Panaca. — Tom soltou involuntariamente e ainda rindo. Apertou a perna da moça que estava em seu corpo e respirou fundo.

Puxou de dentro da calça uns enroladinhos e olhou o moço. -Esse daqui é ainda mais foda. — disse Tom. -Perfeito pra sua primeira vez. — ele sorriu.

O garoto parecia ainda mais constrangido, não estava a fim. -Parece ruim, mas você vai ver o quanto você vai se sentir bem.


A ruiva riu sem nexo, desesperadamente. Tom olhou-a inexpressivo e todos os demais fizeram o mesmo, caindo na gargalhada depois.

E o moreno ergueu a sobrancelha. -Bem... Um só não vai me foder, verdade? O que é isso?

-Um só não. Três, talvez. — Tom sorriu sarcástico. Tirou o isqueiro da caixa e acendeu o cigarro para o seu “colega”, entregando-lhe o fumo depois.

O garoto pôs na boca e assim que colocou se engasgou.

-Desista. — disse uma das garotas. -Você não sabe. — E os demais riram.


-E você sabe? – Bill entrou na roda e roubou o cigarro da garota tragando uma longa vez e engolindo toda a fumaça. Sentou-se em frente a Tom.


-De onde esse cara veio? – disse a outra garota.

-Do teu rabo. – Bill ergueu o braço por cima das almofadas e sentou-se, acomodando-se.

-Grossa! – disse a garota que estava com Tom, com a visão um pouco confundida. Homem ou mulher? Será que ela já estava tão bêbada assim?

-Só tem uma coisa grossa aqui, e tá entre as minhas pernas, vadia. – Bill continuou a fumar o cigarro que havia roubado e agora de forma cínica, soltando a fumaça pelos ares e olhando os outros cantos da festa como se estivesse assistindo de camarote.


-Já chegou chegando, Billete. – disse Tom. -Tem que ser assim, Machu Picchu. Tem que ter atitude pra sobreviver.

Bill revirou os olhos. -Faça-me rir, Tom. Está bêbado?

-Claro que não. É preciso muito para me embebedar. — o loiro sorriu.

-Seria interessante ou bom pra você se já estivesse. — o moreno olhou-o nos olhos e puxou Tom pela mão com força fazendo-o levantar-se. O loiro riu levemente.

-O que você está fazendo?

Bill aproximava os dois corpos e tocou a cintura de Tom com suas duas mãos. Os dois começaram a manter contato visual. -Te puxando pra dançar, não percebeu? — o moreno sorriu de lado e Tom arregalou os olhos, forçando o corpo pra trás.

-Vamos, Tomi. Tá todo mundo tão bêbado e gay hoje que eu duvido muito que alguém note. — Bill mordeu os lábios.

Tom olhou envolta, dando atenção ao que o moreno disse. Havia garotos se beijando por todas as partes e meninas fazendo o mesmo. Também haviam héteros se pegando, mas Bill... Bill era tão delicado.

Tom sorriu para o mais alto e agarrou-lhe a cintura. -Isso aí. — Bill sussurrou, colocando as mãos envolta do pescoço de Tom.

-O que você quer, aparecer? — o loiro perguntou entre os dentes.

Bill assentiu negativamente, mas Tom não viu. O puxou pelo pulso para o centro da pista. -Se é pra aparecer, vamos aparecer direito.

-Doido. — Bill assentiu negativamente.

Voltaram pra posição anterior e voltaram a dançar. Tom apertou as mãos na cintura de Bill, sentindo um pouco de suor escorrer por sua face.

Bill sentiu o seu equilíbrio ameaçado devido a força que Tom punha em seu corpo. Apertou as unhas na nuca dele e o loiro acercou demasiadamente o nariz contra o seu. As respirações se chocaram e, em consequência, os lábios estavam muito próximos. Bill virou o rosto.

Tom riu. -Vai se fazer de difícil agora? — disse o loiro, abrindo os olhos.

Bill riu em resposta e apenas seguiu se movendo.

-Vai né. Pensa que vai. — o de dreads sorriu sacana e apertou mais Bill, fazendo-o suspirar por um pequeno momento.

-Você quer me beijar, é? — Bill perguntou.

-Hm... Nah... Não era bem isso que eu queria.

-Tem certeza?

-Não sei. Talvez eu fosse chegar a te beijar. Você é bem.. apetecível.

Bill gargalhou. -“Apetecível”.

-É. — Tom sorriu e mordeu os lábios. Bill o envolveu mais pelo pescoço e começou a respirar ali, já que seu rosto se encontrava no momento na curva do mesmo. Tom fechou os olhos levemente, olhando o chão e a parte de trás do corpo do moreno. Sentiu-o dando selinhos repetidamente em seu pescoço e segurou um de seus pulsos. -Droga. — Tom murmurou.

Sentiu também a risadinha mansa que Bill deu contra sua pele e as cócegas que as unhas dele fazia em sua nuca que podiam facilmente ser interpretadas como arrepios. Quando sentiu a língua quente e o piercing frio sobre seu pescoço, Tom deixou o ar sair pela boca em abundância e curvou a cabeça para o lado.

Bill se afastou de novo. E dessa vez se soltou de Tom.

-Ei! — disse o loiro, pegando-o pelo pulso. -Onde você vai?

-Embora.

-Ah, não... Por que?

-Porque já é mais de meia-noite, quase três da manhã.

-E o que isso tem a ver? Você fica.

-Tem a ver que Cinderelas vão embora à meia noite. — Bill riu atontado e se largou novamente de Tom. Apenas sorriu e mandou-lhe um beijo enquanto o olhava por cima do ombro e ia embora. No relógio marcava 02h30min.

E Tom veio por trás dele e puxou-o de novo. Bill suspirou.

-Fica... Fica, vai... — o loiro disse de um jeito sexy.

-Tom Kaulitz me pedindo pra ficar?

-Por que não?

-Eu fico se você for trazer um drink pra mim. — Bill piscou um olho. Sua maquiagem estilo “gatinho” era adorável. Tom não resistiu.

-Ok.

Tom foi buscar, mas quando voltou viu que foi tonto. Estava segurando um copo fino de vodka com limão quando se deu conta de que Bill em menos de um minuto saiu daquela festa.

Bebeu todo o conteúdo e jogou o copo no chão, emburrado. Olhou ao redor, a fim de se certificar de que ele tinha saído mesmo, excluindo a possibilidade de que ele ainda pudesse estar pela festa; e, foi passando os olhos, que o loiro se deu conta de que a “Cinderela” tinha deixado cair o “sapatinho de cristal” que o levaria até ela. Havia no chão uma foto com anotações.

O loiro ergueu uma sobrancelha lá pro alto de sua testa e riu sem mostrar os dentes.

Catou a foto do chão.

-Há, há. Billie.

Tom virou a foto. -Salém? – disse Tom pensando alto. Havia um gato negro na foto com esse nome escrito embaixo e com um endereço.

Tom não pensou duas vezes em sair dali e ir diretamente para onde indicava a foto. Ainda que Bill não estivesse naquele local, não importava. Apenas descobriria algo dele. E se era algum podre, melhor ainda.

***

Já era tarde para um “pseudo-moça” tão lindo sair por aí sozinho pelas ruas, mas Bill não se importava. Ele desceu as ruas depressa como um fugitivo. Parou no ponto de táxi pegando o primeiro que lhe abriu a porta. No carro mandou que o motorista fosse à um endereço que ele já sabia de cor, então não sentiu falta da foto esquecida.

Chegou rápido, não era tão longe assim do local. Pagou o táxi e pisou na calçada de uma praça, logo começando a gritar como um desesperado entre as ruas mortas.

-Salém! Salém! Onde você está? – dizia procurando-o e com mais alguns gritos, pôde ouvir um miado.

Um gato preto de pelos muito brilhantes e olhos transparentes pulou no colo de Bill.

-Ah, bom menino. – Bill acariciou-o e deu-lhe um beijo na cabeça.

Após, observou ao seu redor, notando se não havia ninguém ao redor. Não havia. Levantou-se depressa e começou a descer um morro que havia uma esquina depois da praça, o mais depressa que podia com o gato em seu colo.

Depois de quase vinte e cinco minutos correndo, Bill chegou com Salém onde tanto queria. Era há pelo menos quinze quilômetros da festa e realmente ele ficou bem soado com a correria.

Bill então olhou o seu relógio. -Faltam cinco minutos. – sussurrou.

Já mais calmo, subiu uma colina pequena e entrou em um terreno baldio. Após, soltou Salém de seu colo e olhou para o céu. A lua estava muito mais brilhante que em outras noites, e ele tinha certeza de que não era impressão, muito menos coincidência.

Para não perder tempo, Bill começou a tirar de dentro de seus bolsos e de sua blusa alguns utensílios que precisava pra aquele momento colocando em cima de uma grande pedra.

Pouco a pouco estavam ali uma faca pequena, fósforos, velas e outro crucifixo maior e mais grosso do que o que ele costumava usar em seu pescoço.
Bill acendeu todas as sete velas e virou o crucifixo de cabeça pra baixo colocando-o entre as chamas. Com a faca cortou alguns pelos de Salém e em seguida os seus dois tornozelos. Aguardou que eles pingassem e fez outro corte por cima dos ossos que ficam acima dos pulsos, também deixou que pingassem. Olhou para seu gato e recolheu seus pelos molhando-os com os pingos que caíram no chão.

Bill esfregou os pelos de Salém na pedra, e deixou que coagulassem com seu sangue. Às 03h00min em ponto seu relógio disparou e Bill imediatamente colocou suas mãos perto do fogo.

Sua pele já branca pareceu ficar ainda mais iluminada quando os olhos dele se perderam na luz, ficando totalmente foscos. Ele suspirou fundo e sentiu minha presença o envolvendo por completo.

-Olá. — lhe disse, antes de “abraçar” o corpo esguio de Salém. O gatinho deu um último miado delicado e eu olhei Bill nos olhos, observando que eles já estavam normais.

Ele tirou as mãos de perto do fogo e esticou suas pernas, expondo-as para mim e convidando-me. Com meu pequeno corpo, subi em seu colo. Bill começou a me acariciar. “Meus” pelos negros deslizavam por sua mão preguiçosamente numa carícia muito gostosa.

-O que você quer? — ele me perguntou sussurrando.

Só um pouco de carinho. — quis responder. Não sei se ele “ouviu”, ou sentiu, mas a carícia aumentou.

Fechei os meus olhos emprestados e me acheguei mais a ele que seguia dando-me carinho. Abri os olhos e o olhei firmemente. Você tem que acelerar. — pensei de novo.

Bill sentiu batedeiras. Você tem que acelerar – pensei outra vez. E o rosto dele entrou em pânico. Ele me segurou. -Salém! — falou alto. -Salém, volta!

Não!

-Salém! — Bill voltou a dizer. E sua boca foi por cima de uma vela e a soprou. O unhei e miei irritado, evitando que ele soprasse as outras velas, mas ele seguiu mesmo assim. -Salém! — dizia desesperado, e eu sai do corpo do gato.

O gato estava agitado e com medo. Olhava Bill, querendo se afastar. Bill tocou o próprio peito. Quando olhou para o lado, deu de cara com Tom observando-o e se assustou ainda mais.

-O que você está fazendo aqui? — perguntou muito nervoso. -Desde quando você está me observando?

-Calma. — Tom disse quase sussurrando. -Faz pouco tempo que cheguei. Agora, exatamente.

-E por que não disse nada?

-Justamente porque cheguei agora. — o loiro franziu as sobrancelhas e observou o local discretamente. Quando viu que o ambiente era esquisito, reencorporou-se e olhou para os seus próprios pés.

Salém fugiu. -Salém! — Bill gritou outra vez. -Volta, bebê! Eu te amo! Sinto tanto sua falta! — e eu sabia mais do que nada que aquelas frases eram sinceras.

-É seu gatinho?

-É sim. — disse Bill. -Ele não gosta mais de mim.

-Por que? — Tom perguntou espontâneo.

Bill se levantou incomodado. -Não sei. — mentiu.

Fixou os olhos nos de Tom por um tempo e quando o loiro se sentiu intimidado com o contato riu nervosamente. -Bu! — disse Tom, quebrando a tensão.

-Imbecil. — Bill disse firme. -O que você está fazendo aqui? Quem te falou pra vir aqui? Como soube onde eu estava? — perguntava sério.

-Ei. Calma, panterinha. — Tom mordeu os lábios. -Pra que tantas perguntas assim com o tio Tom se tudo o que a gente quer é o amor?

Bill bufou.

-Ok. — Tom sorriu sorrateiramente. -Digamos que eu tenho bom faro. Senti seu cheiro. — explicou como se algo fosse comum. -Você é minha presa, Billa. — Tom piscou um olho.

-Idiota. — o moreno deixou uma risadinha escapar.

-Idiota? Hm... — Tom olhou para os lados, respirou fundo olhando pro céu. -Sozinho aqui com essas velas de mandiga, por quê?

-Não te interessa!

-Claro que me interessa.

Bill desistiu de brigar. Seu coração batia lentamente e ele observava a barriga coberta de Tom. Talvez fazia isso porque lhe dava um pouco de timidez olhar seu rosto. Assumir que estava olhando seu rosto, e, automaticamente, que se interessava por ele.

Encostou suas mãos no muro, apoiando suas costas lá, sorrindo muito levemente. Mas apenas isso já foi suficiente para o mais velho. Tom aproximou o seu corpo ao de Bill de forma perigosa e encarou aqueles olhos, sem um pingo de medo pela primeira vez.

Puxou o queixo dele pra cima e continuou fixando-os.

Bill se arrepiou totalmente. Pela primeira vez havia um olhar fixo no seu por tanto tempo e aquilo.. o excitou. Tom passou os lábios sobre os seus e quando Bill avançou pra beijá-lo, se distanciou e tocou a boca do moreno.

Bill deixou uma risada baixa escapar. Passou a ponta da língua pela expansão do dedo indicador de Tom bem devagar, babando-o.

-Bill... — Tom murmurou.

Ele deu um beijo na ponta do dedo terminando aquele gesto.

Tom pegou a mão dele e colocou-a em seu quadril. Mordeu levemente e puxou o lábio debaixo de Bill. O moreno fechou os olhos controlando a respiração.

-Você é mau... — disse o moreno.

-Você é mais. — Tom riu.

Arrastou sua boca e mordeu levemente também o queixo do mais alto. Deu um casto beijo ali e subiu para os lábios. Beijou-os e Bill amoleceu os seus, correspondeu-o.

Quando Tom começou a acariciar suas costas, comecei a sussurrar coisas para Bill. Ele distanciou-se do loiro e o empurrou. -Tom, espera.

-O que foi? — Tom perguntou assustado.

-Sai daqui! — ele disse. -Saia! Sério! Estou falando muito sério! — Bill disse arregalando os olhos.

-Ahm? Por quê?! — Tom perguntou ainda mais desentendido. -Fiz algo?

E Bill levou as mãos até a cabeça e puxou os próprios cabelos, enlouquecido.

Tom não estava entendendo nada.

-Essas... esses sussurros... Tom, saia daqui. — Bill clamou outra vez.

E Tom arregalou um de seus olhos. -Você é louco. — afirmou com um murmúrio. -Muito louco. — o loiro foi de afastando.

-Tom, — Bill olhou-o suplicamentemente epegou-o pelo braço.

O loiro assentiu negativamente.

-Seja o que você tiver, não sirvo pra babá.

-Tom. — Bill olhou-o com os olhos pequenos, tristes e brilhantes.

O loiro puxou seu braço da mão de Bill e deixou de olhá-lo. -Não sirvo. — disse caminhando pra longe.


-Droga! — Bill gritou sem se importar de Tom ouvi-lo. -Ah! — gritou nervoso outra vez.

E Tom caminhava sem olhar pra trás e pensando no quão estranho e perturbado Bill era.

Meu menino passou a noite ali. Como um mendigo sentado na rua, esperando o dia amanhecer e nem eu mesmo sabia o porquê dele não ter ido pra casa.

Faltavam dois dias para que David voltasse à República. Havia sido avisado a festa e avisado de que nenhum dos meninos estaria lá até que a mesma terminasse. Mas para Bill, saber que ao voltar veria o mais velho o confortava de algum jeito. E após o sol nascer, ele não pensou demais sobre voltar para República. Apenas se levantou, caminhou e foi.

O que viria depois não lhe importava. Ainda que eu já soubesse.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.