Sex, Universe, And Rock N Roll
1 O Discurso do Louco
Notas iniciais
“Não que eu ligasse para isso, mas as farmácias na minha cidade estavam aumentando. Drasticamente.
Cada dia que passava, era uma nova farmácia que aparecia. Entravam no lugar de lojas, escolas, apareciam em terrenos vagos, e em tudo mais. Logo, não haveria outra coisa na minha pequena cidade. Todas as pessoas começariam a comprar remédios sem a recomendação médica, e começariam a não ter mais doenças. Sem doenças, não haveria mais hospitais, deixando várias pessoas desempregadas.
E sem doenças também, as escolas começariam a ficar lotadas, pois várias e várias crianças não vão à escola quando estão doentes. Com mais crianças indo a escola, mais elas começariam a se formar como médicos no futuro. Mas como continuará sem doenças, isso gerará mais desempregos. Com desemprego, as pessoas não ganharão dinheiro, e não comprarão mais coisas, não irão mais ao mercado. Então os mercados começarão a falir, aumentando mais o desemprego.
Com os mercados falindo, as farmácias também falirão. Então, como a cidade ficou constituída 70% de farmácias, a pequena cidade irá auto destruir-se assim. Simples e não muito demorado.
Felizmente, nada disso aconteceu. Com o aumento das farmácias, a única coisa que aconteceu, foi que aquele xarope milagroso ficou mais caro.”
*
James Brandini era um pacato e dedicado professor de filosofia, numa escola estadual numa pacata cidade na Inglaterra. Aquela escola era praticamente boa, a não ser pelos seus alunos, a maioria irresponsáveis.
O professor de filosofia dava aula para mais de 6 turmas de 40 alunos cada. E ficava madrugadas corrigindo provas e preparando aulas. Madrugadas lentas e desconfortáveis para James. Ele tinha cabelos negros, era magro e dava aula no colégio a 5 anos
Ele estava na sala dos professores, tomando seu café e lendo uma revista sobre curiosidades. Os outros professores estavam conversando e contando piadas sobre os alunos. Então uma moça sentou ao lado de James e disse:
– Como vai professor?
Era Caroline, a professora de história. Ela era excepcionalmente bonita, embora James não ter muito interesse nela. Tinha cabelos loiros, um belo sorriso, e um corpo invejável com fortes curvas. Eram amigos, mas James não sabia muito sobre ela. Apenas que vários alunos jogavam cantadas nela e ficavam babando em suas aulas o tempo todo.
– Bem, e você? – Ele respondeu cordialmente, sem tirar os olhos da revista
– Muito bem Está ocupado hoje à noite? – Ela sorriu, fazendo-o tirar os olhos de uma matéria sobre o corpo da barata.
– Isso é um encontro?
– Mas é claro que não! – Caroline riu – Um amigo meu, Douglas Adams, me convidou para um jantar – A loira deu de ombros – Mas como ele vai com sua esposa, eu não queria ficar de vela... Entende?
– Ah, sim. Claro – James respondeu vagamente.
– Gostaria de me acompanhar? – Ela sorriu de novo.
– Ah – Ele hesitou – Claro!
– Mas que ótimo! – Caroline se levantou da mesa e prendeu os cabelos dourados – Muito obrigada, Jorge.
– É James – Ele corrigiu.
– Hm... Então tá, tchau! Preciso corrigir alguns exercícios. Incrível como os alunos se empenham tanto, quando estamos falando sobre Afrodite, a deusa do amor, não é mesmo? – E saiu rebolando, fazendo com que alguns outros professores quebrassem o pescoço para acompanhá-la. Provavelmente, imaginando-a nua em suas camas de noite, dando morangos e chocolates para eles.
***
James se arrumou bastante para ir naquele jantar. Tinha acabado de tomar banho, e colocou sua melhor calça, e uma bela camisa branca. “Não que eu esteja tentando impressionar Caroline, é só para ficar bonito.” O professor se enganava. No fundo, queria impressionar a moça. Há anos ele não ficava com uma mulher, e não fazia sexo. Os deveres de sua profissão sempre o impediam de ir a encontros e tudo mais.
Pegou seu carro, e foi buscar Caroline. A casa dela não era muito longe da sua. Chegou na frente, e buzinou. Imediatamente recebeu uma mensagem de texto dela: “Já desço! 5 min!” E James esperou pacientemente.
Depois de 20 minutos, Caroline entrou no carro, e James pensou: “eu devia ter me arrumado mais.”
Ela estava linda, com um vestido vermelho que realçava suas curvas, os longos cabelos dourados batiam na cintura fina e seus olhos... Ah, os olhos. Eram verdes e naquela noite, brilhavam como nunca.
– Está pronto, John? – Ela perguntou assim que se acomodou.
– S-sim. – James olhava para ela abobadamente. “Como é linda.” Ele pensava.
– Então... Vamos? – Ela apontou para o motor desligado.
– Ah. – Ele corou e pôs o carro para andar. – Então... De onde você conhece esse Douglas?
– Bem, ele é um amigo que me ajudou muito quando eu precisei sabe...
– Sim, entendo... – então se fez um silêncio constrangedor, daqueles quando não se tem assunto nenhum. Até que Caroline disse:
– Sabe, ele é meio esquisito.
– Como assim “esquisito”?
– Ele é o autor do livro “Guia do Mochileiro das Galáxias” e leva bem a sério que existem alienígenas e tudo mais – James deu uma risada e disse:
– Então ele é um daqueles velhos loucos, que vêem discos voadores?
– Não – e James parou de rir – ele é bem elegante sabe... e até já me convidou pra passear pelo Universo com ele.
– Sério? E o que você disse?
– O que você acha James? Ainda estou aqui na Terra não?
Ele ficou quieto, mas logo voltaram a conversar. Chegaram no restaurante que Caroline falou. James desceu correndo, e abriu a porta do carro para ela. “Nossa que gentil!” ela disse, e entraram juntos no restaurante.
Era um lindo e elegante restaurante, com muitas pessoas jantando, e uma grande fila de pessoas de pé, esperando um lugar para sentar. Olharam um pouco, e viram Douglas com uma mulher, sentados numa mesa. Douglas acenou para eles com uma toalha (sim, com uma toalha), então James e Caroline foram em direção da mesa.
– Olá, Douglas. – Caroline cumprimentou assim que chegaram perto da mesa.
– Carol! Quanto tempo! – A mulher morena que estava acompanhando o cara se levantou para abraçá-la. – Como engordou! – A moça sorriu e fez a loira dar uma voltinha. James tentou ao máximo não olhá-la.
– Obrigada, Marie. Você também está mais cheinha! – Ela sorriu. James não sabia como uma ofendia a outra e ficava tudo bem. Nota mental: Perguntar isso à Caroline, depois. – Douglas. Antonia. Esse é Jered. Meu colega de trabalho.
Cumprimentou os dois, mas não teve coragem de corrigir a professora. Ela estava tão linda...
– Então, Douglas. Você escreveu “Guia do Mochileiro das Galáxias”? – James perguntou após alguns segundos de silêncio.
– Ah sim, O Guia do Mochileiro é um livro fenomenal, mas para construir o romance, para apresentá-lo ao mundo, tive de estudar um pouco mais profundamente a Teoria da Relatividade, e todas essas coisas mais, vocês não sabem quantas equações tive de fazer em meu caderno, que tem uma história interessante esse meu caderno, ele é incrivelmente...
E Douglas continuou falando. Falando e falando muito, sem colocar um ponto no meio das frases. Acabaram de comer os aperitivos e ele ainda estava falando: “...não que o Ford seja tão esquisito, mas ele tem uma teoria para todas as coisas que ele vê e sente, por exemplo com os humanos, que ele acha que se eles pararem de falar, seus lábios grudam, o que é uma meia verdade por que...”.
O prato principal havia sido servido, e ele continuava falando. Nenhum dos três falava mais, e já haviam tentado interrompe-lo, mas não adiantava. Já terminavam de comer a sobremesa, e ele estava falando: “...é incrível, pois Thor nunca pensou em reivindicar um planeta ou qualquer outro território seu, pois ele tem aquele martelo, mas que não chega aos pés de Odin, que por uma imensa coincidência...”.
De repente, todos no restaurante estavam calados e olhando para Douglas falar. Nessa altura ele já estava de pé, parecia que estava fazendo um discurso. “...as pessoas tem de transformar algo extremamente simples em uma coisa complicada, como por exemplo...”. Caroline tentou várias vezes falar para Marie que ela e James tinham de ir, mas sempre que começava a falar, Douglas virava para ela e falava mais alto.
Então de uma hora para outra Caroline pegou sua bolsa, se levantou, pegou no braço de James e foi em direção da porta de entrada, com cuidado para que Douglas – que no momento estava de costas para eles — não visse os dois. Eles saíram e entraram no carro.
– O que foi isso? – disse James
– Olha, eu não sei, ele nunca falou assim...
– Desde o começo fiquei com vontade de ir embora. Nossa, quanto tempo passou! – James olhou no seu relógio e viu que eram 23:00 – vou te levar para casa... quer dizer... para sua casa claro.
– Não – ela colocou a mão no volante, e olhou nos olhos de James.
– O que vamos fazer então?
Ela olhou maliciosamente para ele e disse:
– Vamos fazer essa noite valer à pena.
Notas finais
Logo logo o segundo capítulo!
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