Sex, Universe, And Rock N Roll
38 Morte de James - Parte 1 de 3
Notas iniciais
Esses capítulos serão bastante diferentes por que... ah, vocês vão ver kk :3
Boa leitura!
Nada.
Absolutamente nada estava à frente de James.
E ele sentia como se fosse nada também.
O peso que sempre carregou do seu corpo não estava mais ali. Ele estava leve, nem sabia se tinha corpo.
(...)
Então decidiu olhar para ele mesmo, para verificar se tinha corpo ou não.
Mas não conseguiu.
Não conseguia se mexer.
(...)
Era essa a sensação de estar morto então? Você sentia como se estivesse... Morto.
O professor decidiu olhar para frente, ver onde estava.
Tudo o que via na sua frente é... Nada. Não enxergava nada.
Nem uma cor.
Sabe quando você fecha os dois olhos e tudo o que vê é nada? Parece que vemos preto, mas na verdade não vemos nada mesmo.
Ele queria parar de fazer aquilo, de estar morto.
Mas ao mesmo tempo queria ficar a eternidade toda ali, naquele descanso, sem nenhum corpo para preocupar-se.
(...)
Então ele decidiu descansar, e tentou fechar os olhos.
Mas não tinha olhos.
(...)
Mas há quanto tempo estava ali? 5 segundos? 5 anos? Não tinha a mínima idéia do tempo.
(...)
Continuou ali. Parado. Com a mente tranquila, se é que tinha uma.
Até que de repente, de uma hora para outra, um telão se acendeu.
O telão era enorme, ou pequeno. James não conseguia distinguir o alto e baixo, grande e pequeno onde ele estava agora. Mas era um telão, que exibia uma tela branca. Até que ele começou a exibir um filme, e o professor se assustou. Queria gritar, mas não conseguia. Então teve de assistir o filme calmo e tranquilo, como estava antes.
***
“Ai, ai... tudo o que eu queria era me aposentar, ficar numa casa tranquila e olhar para a carinha dos meus netos. Eu ainda vou ter isso!” disse o jovem no telão. Era um cara muito jovem, nem devia pensar em netos ainda. A cena mudou.
Agora mostrava um garoto e uma garota. Os dois adolescentes. Provavelmente eram namorados, pois estavam de mãos dadas, deitados na grama, e lá longe estavam várias pessoas fazendo festa. A garota disse para o garoto:
— Você gostaria mesmo?
— De que? – ele respondeu, olhando para ela.
— De construir uma família comigo! Uma vida! Casarmos! Vivermos juntos para sempre!
— É... – o rapaz pensou, e olhou para o céu – tenho vontade de fazer isso sim, ficar a minha vida inteira com você. Mas...
— Mas o que? – ela perguntou.
— É que nos encontramos faz pouco tempo sabe... acho que é um pouco cedo pra pensar nessas coisas não?
— Nunca é cedo – a garota respondeu, e a cena mudou.
Eram o mesmo casal, só que não mais adolescentes. Já estavam mais velhos, maduros e tudo mais. Os dois estavam sentados na mesa da sala de jantar, enquanto um menino de uns 12 anos lavava louça, e outro menor brincava correndo pelado pela casa. A mulher olhou no fundo dos olhos do rapaz, pegando na sua mão:
— Meu bem... eu queria tanto ter uma menininha...
E James quis gritar de novo naquela cena. “Mamãe e papai”
- Mas você sabe querida – ele disse – o médico falou que engravidar agora é um perigo imenso! O seu organismo está frágil e... – ele parou de falar quando viu as lágrimas nos olhos da mulher. Ele levantou, deu a volta na mesa e a abraçou. Logo ele disse – vamos dar um jeito linda... não se preocupe.
A cena mudava, e James pensou “mamãe... queria que eu fosse uma menina?”
Agora mostrava a mesma sala, mas estava um pouco mais vazia, não tinha ninguém brincando ou lavando a louça. Os dois estavam de pé, pareciam que estavam brigando:
— Eu não aguento! – o pai de James gritou – eu vou pedir o divórcio sim!
— Não! – ela gritou suplicante, mas seu tom de voz logo mudou para um tom ameaçador – não ouse me deixar sozinha!
— Ora, por que temos de continuar juntos?! Porque eu devia te aturar pelo resto da minha vida!? Por que eu... – mas a mulher o interrompeu:
— Por que eu estou grávida.
E a cena mudou novamente. Mostrava agora um parque, daqueles parquinhos públicos cheios de playgrounds. O pai de James embalava o futuro professor num balanço, e falava com ele, mesmo sabendo que a criança ainda não entendia nada.
— É James... ainda bem que eu e a sua mãe não nos divorciamos não? – ele balançava James, pensando aquelas coisas alto – nenhum de nós queria aquilo... foi apenas um “contratempo” como dizem não?
Ele olhou para o filho, percebendo que ele não estava entendendo nada. Então o pai disse:
— Não se preocupe filhão, um dia você vai entender tudo isso – deu um sorriso, e empurrou o balanço.
Agora a cena já mostrava James com 10 anos. Ele estava de frente com um garoto alto e forte, que o olhava com uma cara de fúria. Havia várias e várias outras crianças em volta deles, gritando “Briga! Briga!” James nunca tinha brigado daquele jeito, queria sair correndo mas não podia. Então o outro garoto deu uma surra nele. O futuro professor ficou todo roxo, recebeu socos em todo o corpo. Alguns professores chegaram para acabar com a briga, mas alguns amigos do valentão que estava batendo em James, o pegaram, levaram para o banheiro, e James terminou o dia com a cabeça na privada.
James com 14 anos. Estava na escola com uma “amiga” sua. O mais perto que ele já havia chegado de ter uma namorada. Estavam no intervalo, mas o sinal já tinha batido para todos entrarem para a sala. Os dois estavam com suas mochilas nas costas, e ela insistia:
— Vamos lá Jameszinho! Vamos antes que o professor chegue!
— Não... eu não posso fugir da aula assim!
— James...
— Os professores dizem que sou um aluno exemplar e... que tal se pegam a gente?! Que tal se...
— Você é um medroso James – ela o deixou lá, e fugiu da aula sozinha. James se arrependeu profundamente, pois naquele dia, sua “amiga” ficou com outro menino, e nunca mais olhou para James.
16 anos. James foi na casa de sua “namoradinha” para fazer um trabalho de escola. Nem estavam mais pensando em trabalho, estavam deitados no sofá assistindo televisão.
— Você quer James? – ela perguntou maliciosamente para ele.
— Quero o que? – ele rebateu.
— Ah... você sabe... – ela disse com uma voz extremamente sensual.
Naquele dia os dois perderam a virgindade. E James se arrependeu profundamente de não ter aproveitado mais aquele momento.
Mudando a cena, agora mostrava James na faculdade já. Cursando filosofia. O professor explicava algo muito interessante para a sala, então James recebeu um bilhetinho: “Vamos sair hoje?” e com a assinatura da garota que sentava ao seu lado. Ele respondeu que tinha de estudar. Foi ai que ele perdeu todas as chances com uma menina que o amava.
Nova cena. “Acho que até agradeço por estar aqui” pensou James, internado em um hospital. Ele tinha acabado de ser atropelado por um ônibus. Teria de ficar uma semana ali internado. E o pior de tudo, é que era o dia da sua formatura, mas ele até achou boa essa parte, pois não gostava de festas do tipo. Infelizmente, aquela festa foi demais e muito divertida.
James viajou para New York. Foi convocado por uma escola de lá, para dar aulas. Não deu aula lá nem por um mês, pois chegou a se apaixonar por uma aluna. E era uma coisa surreal um professor namorar com uma aluna claro. A ultima lembrança que tinha daquela época, é dele quase entrando na sala dela, hesitando na frente da porta. A porta da sala tinha uma janela, e por aquela janela ele viu as pernas da garota. “Não, não vou fazer isso”. Saiu, e no mesmo dia se demitiu.
Agora não era uma cena da vida de James, que ele estranhou muito, mas viu mesmo assim claro. Era o antigo diretor da escola em que James lecionava, antes de entrar o diretor Julio. O nome daquele diretor era Rodolfo, ou algo assim, pelo que James lembrava. O diretor estava em sua sala, com mais um professor. Ele falava:
— Não sei se contrato esse cara ai, o tal de James...
— Ah, eu ouvi dizer que ele foi sempre exemplar, fazia todos os trabalhos e tudo mais – disse o outro professor – contrate-o como um tapa buraco! Tipo... quando o outro professor de filosofia melhorar, você tira James e coloca o velho de novo!
— É, você tem razão! – disse o diretor Rodolfo.
“Então é isso que eu era. Um tapa-buraco” pensou James, vendo a cena mudar.
Mas então aconteceu algo estranho. As cenas começaram a passar mais rapidamente, mostrando James com 30, 40 anos, não aparecendo a parte em que ele saiu da Terra com Caroline. Como se nada daquilo tivesse ocorrido. Mostrou ele tendo a mesma rotina por uns 40 anos. Mostrou ele se aposentando, e morando sozinho quando velho. Sozinho não: com 4 gatos. E aos 80 anos, ele morrendo, de um ataque cardíaco.
“Essa foi a minha vida? Chata assim?!” ele pensou. Estava conseguindo pensar melhor agora. Estava conseguindo se mexer também, conseguiu enxergar suas mãos, sentir o peso do seu corpo. Ele olhou para o telão, que terminava com o funeral dele, com algumas poucas pessoas, falando sobre ele.
“É... as conversas com ele não eram tão interessantes.”
“Ele teve a mesma rotina por uns 30 anos!”
“Devia ter aproveitado mais a vida.”
“Pra ele, deve ter sido até uma benção morrer!”
Ele viu Caroline se aproximar do caixão. Ela apenas olhou para o corpo de James, não disse nada e saiu dali.
O desespero tomou conta de James. Era assim que iria morrer mesmo? Ia ter a mesma rotina por 30, 40 anos?! Entrou em pânico, tremeu de medo. Tentou gritar, mas não saiu som, e seus pulmões arderam de dor.
Ele viu que a imagem do telão estava congelada, e passavam os créditos finais. “Dirigido por: James Brandini. ‘Esta obra foi baseada em fatos absurdamente reais.’”
O professor sentiu que algo o puxava para baixo, e o telão desapareceu. Ele sentiu uma dor imensa e oficialmente, foi para o Inferno.
Notas finais
Monótona a vida do nosso professor hein?
Gostaram desse? Odiaram?
O próximo capítulo... está IMPERDÍVEL
Sério, vocês vão a-d-o-r-a-r *-*
Não percam!
Inté ;*
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