Notas iniciais
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Monna – Ilha de Wight

06/01/1506

04:52

Era uma visão privilegiada aquela. A cidade se acendia pouco a pouco sob os olhos do príncipe inglês, que observava atento cada pedacinho de luz no horizonte.

Ele estava de pé, logo em frente a grande janela de seu quarto, os dedos tocando levemente o frio vidro, o azul de seus olhos perdidos sob as estruturas sendo gradativamente iluminadas. Um sorriso singelo escondido no canto de seus lábios.

– Bom dia querido – uma voz feminina e doce se fez ecoar pelo quarto, atraindo a atenção do jovem, que a encarou abrindo seus lábios, exibindo seus dentes brancos e alinhados.

– Mamãe – cumprimentou fazendo reverência com a cabeça, observando a mulher que se aproximava devagar, logo em seguida voltando sua atenção ao cenário a fora.

– O amanhecer é lindo não é? — ela disse, tocando o ombro do filho que permaneceu ali, respirando profundamente, tranquilo, sereno.

– Uma das coisas mais belas que já vi minha mãe. — respondeu sincero, finalmente deixando seu olhar pesar sobre a mulher, terna, mas ao mesmo tempo com um semblante preocupado. — Tudo bem?

Ela suspirou, tocando com a mão livre seu peito e desviando o olhar, levando-o até outro ponto do quarto.

– Tudo — respondeu simplesmente, caminhando na direção da mesa, abrindo a tampa da jarra prateada e despejando seu conteúdo numa taça de cristal. — Tome, beba. — ofereceu virando-se para o príncipe, que sorriu com a oferta, esticando a mão enquanto sua mãe se aproximava, entregando-lhe a taça e permanecendo ali, logo ao seu lado, enquanto o observava beber gota por gota do conteúdo da bebida, não demorando muito para deixar o copo completamente vazio.

– Está chegando a hora. — disse ela, desviando seu olhar para cada teto, cada casa, não desejava encarar seu menininho, não naquele momento.

– Então é com isso que a senhora está preocupada? — perguntou se virando para a mulher, que soltou um suspiro em afirmação.

– Mamãe! — chamou-a, deixando o copo numa mesa de canto logo ao lado da janela e segurando suas mãos finas e enrugadas. Ela o encarou, mantendo seus olhos preocupados. — Não precisa preocupar-se, vou ficar bem! — ele a tranquilizava, acariciando as costas de suas mãos com seus polegares. — É só uma viajem a África afinal de contas, não demorarei a voltar, ficará tudo bem, majestade.

– Sei que vai meu menino, sei que vai. — ela sorriu, puxando-o para si num abraço amoroso, protetor, cheio da saudade que ela sentiria dele.

Duas batidas, o aviso final.

– Está na hora. — ela suspirou, cansada, soltando-se do rapaz e caminhando até a porta, sendo seguida pelo mesmo.

O caminho até o lado de fora do castelo foi silencioso, nenhuma palavra foi dita até a chegada aos longos e escancarados portões do castelo. Um homem, alto, cabelos já grisalhos, vestes formais e reais, olhos castanhos profundos. Ele se virou lentamente para poder receber a rainha e o príncipe, que desciam as escadas calmamente.

– Kenna — disse ele simplesmente, esticando seu braço e recebendo a rainha com carinho, acariciando seu rosto delicado.

– Edward — ela cumprimentou sorrindo-lhe com tristeza.

– Meu pai — disse o príncipe logo atrás, sorridente.

– Louis — o rei se apressou a recebe-lo, numa reverencia simples.

– A carruagem está a caminho? — perguntou o príncipe.

– Na verdade, já está aqui. — ele respondeu, fazendo um gesto simples que exibia o veículo.

– As malas já foram guardadas? — mais uma pergunta, simples e direta.

– Todas em seu devido lugar — o rei disse mais uma vez, com um sorriso no rosto, conformado e triste.

– Então, hora de partir? — soltou um longo suspiro sem seguida.

– Hora de partir — concordou o mais velho, recebendo as costas do príncipe, que seguiu para fora do castelo, observando a carruagem. Virou-se novamente a tempo de ver uma lágrima escorrendo dos olhos de sua mãe.

– Vou sentir sua falta, mas fique tranquila, logo estarei de volta — ele disse enquanto atravessava seus braços ao redor da pequena rainha, abraçando-a com cuidado, enquanto a mesma deixava um longo suspiro de tristeza escapar de seus lábios enquanto o retribuía com força.

– Vou sentir tanto, mas tanto sua falta meu menino! — ela dizia deixando as lágrimas caírem. Louis limpou cada uma delas.

– Seja bravo meu filho — o rei disse, atraindo a atenção do rapaz, que o abraçou logo em seguida. — Seja bravo!

– Eu serei — confirmou, soltando-se de seu pai, caminhando em seguida até a carruagem, pronto para entrar, mas logo ouvindo seu nome ser chamado, não muito longe dali.

Deixou sua cabeça virar, vendo um rapaz moreno, olhos azuis, alto, robusto, parecido com ele mesmo, correndo em sua direção, carregando um bebe no colo. Louis se voltou para os dois, com um sorriso sincero nos lábios.

– Max! — gritou deixando o homem lhe alcançar e enlaça-lo num abraço desajeitado, fazendo-o rir.

– Não acredito que iria partir sem se despedir de seus próprios irmãos. — comentou com a voz embargada pelo choro. O mais novo se afastou brevemente, observando os olhos vermelhos e marejados do outro.

– Está chorando? Não seja uma menininha Max. — ele brincou, recebendo um soco no ombro do mais velho.

– Olha como fala comigo, rapaz — brincou também, rindo logo em seguida. A bebê no colo de Max então se moveu, abrindo a boca num bocejo sonoro. Seus cabelos e sobrancelhas claras, quase brancas, seus olhos azuis cintilavam sob a luz do céu amanhecido.

– Olá, Meg — ele cumprimentou, segurando a mão da pequena, que apertou um de seus dedos. — Se comporte enquanto eu estiver fora irmãzinha, não de muito trabalho pra mamãe, certo?

Um suspiro alto vindo da rainha, que apertou a mão do rei com uma força que nem mesmo ela sabia ter, mas ele não se incomodou.

Louis beijou a testa da irmã, se despedindo com um aceno de sua família e entrando na carruagem.

Max abraçava Megan em seu colo, sentindo seus olhos arderem. Kenna encarava a carruagem cada vez mais longínqua, deixando as lágrimas caírem furiosamente por seu rosto, se aproximou de seu esposo, abraçando-o e logo sendo retribuída. Edward permanecia ereto, firme, mesmo que dentro de si, uma força esmagasse seu coração em pedaços.

"Seja bravo Louis, seja bravo!"

☩ ☩ ☩

O caminho era turbulento, as pedras da trilha faziam a carruagem balançar, mas Louis não se importava. Estava acostumado com isso. Seus olhos estavam fechados, seu pescoço pendido para trás enquanto sua boca se entreabria, respirando calmamente. Estava cansado, muito cansado.

Um baque mais alto o fez ficar ereto e atento ao redor, num súbito momento de lucidez. O veículo parou de se mover, fazendo-o jovem príncipe levantar uma das sobrancelhas, confuso.

– Com licença, algum problema? – perguntou abrindo a pequena fresta que o permitia conversar com o cocheiro, mas pode perceber que já não havia ninguém sentado ali. – Senhor...? – perguntou novamente.

E então foi surpreendido por par de botas caindo logo em frente à fresta, fazendo um barulho alto que o fez recuar assustado. Olhou para os lados tentando entender o que se passava, a carruagem começou a balançar.

– O que está acontecendo... Senhor? – chamava, esperando uma resposta que não viria. – O que está... – tentou perguntar, se levantando bruscamente assim que mais um balanço foi causado, mas seu corpo cedeu, seus olhos estavam turvos de cansaço, ele simplesmente se deixou cair, com a mão encostada na testa, tentando manter-se acordado, mas era quase impossível.

A porta se abriu, e antes que sua visão escurecesse por completo, cabelos longos e escuros puderam ser vistos, assim como um par de olhos cintilantes e acinzentados.

Notas finais
Bom, minha segunda interativa, realmente espero que gostem e participem!Você gostaria de fazer parte da tripulação? NOME: SOBRENOME: IDADE: (até no máximo 20 anos) APARÊNCIA: FOTO:(precisa ser um famoso, beleza?) PERSONALIDADE: HISTÓRIA: (incluindo como entrou pra tripulação) PORQUE ENTROU PRA TRIPULAÇÃO: MATA SEM PIEDADE? () SIM () NÃO PERDOARIA UMA DIVIDA? () SIM () NÃO Por enquanto é só isso, mandem as fichas por comentários, ou por MP, se mandarem por MP avisem nos reviews, ok?? Bem-vindas a Seven Seas!