Seus olhos são como o céu azul - Scorose
2 De baixo do visco
Scorpius estava literalmente se sentindo ansioso. Não conseguia parar de pensar em mil maneiras de dizer o que sentia a Rose. Escrevia tantas cartas de amor, que percebeu, enfim, que era péssimo com poemas e dizer o que sentia. O que havia de errado com ele, quando se tratava da ruiva? Parecia ter perdido o jeito com as garotas. No Quadribol, quando precisava jogar com a Grifinória, acabava perdendo o pomo de ouro, apenas por olhar para a ruiva, que era atilheira do time. Estava literalmente babando por ela. O pessoal do time da Sonserina queria esgana-lo, por ter perdido suas partidas com a casa rival, mas Scorpius não conseguia explicar que estava perdendo sua cabeça por causa de uma garota.
O Natal havia chegado finalmente para ele e Scorpius precisava de um tempo para respirar. Conversar com seu pai poderia ajuda-lo a afastar o pensamento obsessivo que tinha por Rose. E que estava o deixando muito irritado. Se concentrar parecia cada vez mais difícil. Até mesmo os deveres de casa estavam negligenciados.
Chegou em na mansão Malfoy, aparatando da estação, até sua casa. Foi recebido por Hermione e seu pai. Era estranho ver os dois juntos e não sua mãe Astória. Mas, ela havia morrido quando ela tinha oito anos de idade, devido a sua maldição de sangue. E desde então, seu pai estava um pouco depressivo e solitário. Quando ele resolveu assumir seus sentimentos com Hermione, ele parecia mais feliz e alegre. Algo que nunca havia visto em seu pai antes.
— Oi pai, oi Mione — ele abraçou cada um deles.
— Que bom vê-lo, querido — Hermione disse, com um sorriso.
— Filho, vai lá se trocar que vamos direto para Toca, tudo bem? — seu pai disse.
Scorpius já passou vários natais na Toca, devido a sua amizade com Alvo. Mas, seria a primeira vez que passaria lá, com seu pai. Ele já estava namorando com Hermione há dois anos e o primeiro Natal, eles passaram na mansão Malfoy, somente eles, Hugo e Rose. Ele estava indo para seu quarto, quando Rose o parou no corredor. Ela parecia mau humorada.
— Por que não me esperou na estação? — ela perguntou.
— Porque eu achei que você iria direto para a Toca — ele respondeu, tentando passar por ela, mas ela ficou na frente dele. O que havia de errado com Rose?
— Você fingiu não me ouvir, quando saiu do trem, Scorpius. Conta outra. Estava me ignorando deliberadamente?
De fato, Scorpius estava muito distraido. Não escutou ninguém chama-lo. E ele tentou explicar isso a ruiva, mas ela continuava com um mau humor do cão.
— Rose, não faz isso. Não fiz de propósito — ele tentou segura-la pelo braço, mas ela se esquivou, com um olhar irritadiço. Seus olhos azuis reluziam, mas não eram de felicidade por vê-lo.
— Você sempre vai ser mimado, mesmo. Só pensa em si mesmo — ela acusou.
Ele engoliu seco. Aquilo ele não iria suportar. Poderia gostar de Rose, mas não seria mal tratado.
— Escuta, Rose, você esta faltado com respeito comigo. Quando eu nunca fiz isso com você — ele disse, entredentes — Então, é melhor para de uma vez com essa sua birra e entender que eu não fiz nada de propósito!
Ela abriu e fechou a boca. E de repente algo aconteceu. Algo que ele não esperava. Algo que ele não sabia lidar bem. Lágrimas. Lágrimas de uma garota sensível e irritada.
— Scorpius, você é um idiota! — ela gritou e saiu correndo, na direção contrária.
Scorpius suspirou, passando a mão pela testa. O que havia de errado com ela? Rose o feriu em seus mais caros sentimentos, ao chama-lo de mimado e acusa-lo de só pensar em si mesmo. Na verdade, ele só pensava nela, o tempo todo. Ele engoliu seco, com um bolo se formando em sua garganta. Por mais que soubesse que não estava errado em ficar indignado, se sentiu muito culpado pelas lágrimas que causou na ruiva.
Ele se trocou, colocando uma camiseta branca em um blazer preto, combinando com uma calça jeans escura e tênis de lona preto, com cadarço branco. Passou um perfume, que ganhou de Hermione, no primeiro Natal que passaram juntos. Ele queria na verdade, impressionar Rose, mas sabia que não iria conseguir muita coisa naquele Natal. Ela deveria estar odiando ele.
Enquanto isso, Lily, na Toca, tentava pensar em uma maneira de colocar a amortentia no suco de Scorpius e Rose. Eles viriam em breve para o jantar de Natal e ela não havia conseguido pensar nisso. Hugo havia sugerido em fazer isso dentro da escola, mas Alvo disse que seria mais seguro no Natal.
Produzir a poção fora fácil para Lily, que era tão estudiosa quanto Rose. O mais difícil fora conseguir os cabelos dos dois. Mas, nada que Alvo não conseguisse, com Scorpius dormindo e ela, com Rose dormindo. Ela precisou cortar um fio do cabelo da ruiva e torcer para que Rose não acordasse no momento exato.
— E ai, tudo pronto, Lily? — perguntou Alvo, na porta do quarto dela — Eles já estão entrando. E pela cara de Rose, ela esta bem irritada com algo.
Lily já sabia da história que estava deixando Rose irritada.
— Ela esta assim por causa do ex-namorado. Ele estava trocando cartas com outra grifinória. Alicia tirou Rose do sério, pois esfregou na cara dela o namoro. Então, Rose vai ficar assim o restante do Natal.
— Bom, pelo menos a amortentia vai resolver essa questão — Alvo disse — Mas, fica por sua conta, Lily. Eu não vou chegar perto do dragão.
Lily respirou fundo, resginada. Como faria tal coisa, ela não fazia ideia.
Na sala de estar, os Weasleys estavam aproveitando a lareira e conversando. Molly estava terminando de cozinhar, na cozinha, com Gina, enquanto Hermione tentava quebrar o gelo com os amigos, Harry e Rony, quanto ao seu namoro com Draco Malfoy. Rony olhava para o ex-comensal, com raiva. O divórcio entre ela e Rony acontecera a três anos, mas ele ainda acreditava que poderiam reatar. Harry, por outro lado, parecia mais tranquilo e tratava Draco com cordialidade. O restante dos Weasleys olhavam com estranheza para Draco. Só o respeitavam por gostarem de Scorpius e por ele ser um medibruxo muito competente.
Scorpius resolvera ficar longe daquela reunião estranha, que parecia que caminharia para um duelo entre Rony e Draco. Scorpius não desejava ficar no meio do fogo cruzado e ter que apartar algo. Simplesmente caminhou para o jardim, apesar do grio intenso. A neve não caia no momento, mas o chão estava coberto.
Scorpius ficou recostado na parede da casa, tomando um chocolate quente, respirando fundo. Ele escutou a porta da varanda se abrir e se deparou com Rose, com um gorro com guirlandas de Natal. O coração dele acelerou e ele engoliu seco, desviando o olhar.
— Ah, é você — ela disse, parando ao lado dele, com uma caneca de chocolate quente fumegante.
— É, sou eu. Algum problema? — infelizmente, Scorpius estava na defensiva, depois de como foi tratado por Rose, na mansão Malfoy.
— Eu sei que fui grosseira com você — ela admitiu — Eu só não queria pedir desculpas.
— Ó, que alívio que você percebeu isso — ele foi irônico, propositalmente.
— Ei, eu sei quando erro. Só estava envergonhada — ela disse, claramente ofendida — Não estou legal, Scorpius. Desculpe ter sido idiota com você.
— Desculpas aceitas — ele disse, pois ela ter tido aquilo o deixou com a guarda baixa — Mas, o que você tem?
Ele olhou para ela, de soslaio. Ela estava com o nariz vermelho e os olhos também. Parecia tensa.
— Nada. Só problemas de relacionamento — ela disse, olhando para a própria xicara.
— Entendo — ele disse, mesmo sem entender nada — Quer falar sobre isso? Eu sou todo ouvidos.
Ela o fitou, surpresa. E sorriu para ele. O estomago dele deu um salto. Ver o sorriso dela o deixava embasbacado. E com corpo inteiro desejando abraça-la e beijar aqueles lábios carnudos e avermelhados. Mas, ele nunca faria aquilo. Se sentia covarde, realmente.
— Quer me ouvir reclamar do meu ex-namorado? — ela perguntou, surpresa — Pois, meu problema é esse, Scorpius.
Ele fez uma careta de desgosto. Como queria socar aquele cara, por ter namorado a garota dos seus sonhos, por tanto tempo.
— Bom, podemos falar mal dele, se quiser. Eu o achava muito feio — ele disse, falando a sério, mas deu um sorriso brincalhão.
Isso a fez rir, fracamente.
— Ele não era feio. Bom, comparado a você...ele era — ela disse, corando.
Scorpius respirou fundo. Será mesmo que estava ouvindo direito?
— Espera, Rose Weasley me acha bonito? — ele perguntou, um pouco convencido.
— E não tem modéstia — ela disse, fazendo uma careta para ele — Mas, sim, você é bonito. Muitas garotas acham você lindo de morrer, mas que só quer saber dos seus livros. Um rato de biblioteca sexy.
Ele gargalhou, quase derrubando o chocolate quente.
— Eu sou um rato de biblioteca sexy? Bom, acho que me sinto lisonjeado — ele disse, rindo.
— Não vai se acostumando com isso, Scorp — ela disse, um pouco irritada — Só porque é bonito, não precisa ter toda essa marra.
— Ah, mas eu vou ficar agora, com a comparação do rato. Isso é realmente um elogio ótimo — ele disse, com ironia.
— Não bem isso. Você é bonito. Lindo...eu...arg...
Ela corou e fitou a própria caneca. E ele gostou de como as coisas estavam indo. Ela notava ele, o que era ótimo. Só precisava fazê-la se apaixonar, então, se declarar.
— Você também é linda, Rose, se quer saber. E não deveria chorar por causa de um ex-namorado babaca — pronto, ele disse, mesmo corando violentamente.
Ela o fitou, surpresa. Estava com a boca aberta. Fechou-a, em seguida.
— Uau, estamos cheios das revelações, hoje — ela murmurou.
Começou a nevar em seguida, fazendo com que os dois não precisassem responder a nada daquilo. Estavam de fatos, constrangidos. Entraram pela porta da varanda e Rose olhou para cima, vendo a formação de um visco. Literalmente o visco não estava ali. Alguém havia produzido ele, enquanto eles entraram. Ela olhou para Scorpius, desconfiada.
— Olha, Scorp, tem um visco aqui — ela disse, apontando para o teto — Quem será que colocou aqui?
Scorpius olhou para cima, sem demonstrar nada. Na verdade, ele pensou que poderia ser Alvo, em algum lugar. Seu amigo disse que iria ajuda-lo, se visse alguma oportunidade para isso. Riu, descontroladamente.
— O que foi? — Rose perguntou.
— Estou achando que alguém queria pregar uma peça em nós dois — ele confessou — Mas, sabe, não custaria você me beijar de baixo do visco.
Ele queria se bater ao dizer aquilo. Estava mesmo sendo um paquerador meia boca? Ela o fitou, boquiaberta.
— No rosto. É claro. No rosto — ele tentou consertar.
— No rosto, sei — ela disse, parecendo se recuperar da surpresa — Então, se abaixe um pouco.
Ele a obedeceu, pois era muito mais alto que a ruiva e se inclinou para ela. Seus rostos ficaram muito pertos um do outro e Rose mergulhou nos seus olhos azuis acinzentados. Nunca havia reparado que ele era tão lindo de perto. Aproximou os lábios, para dar um beijo em sua bochecha, mas, não conseguia parar de encara-lo. E ele também a encarava, com um olhar intenso.
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