Seus olhos são como o céu azul - Scorose
1 "Azul rima com qual palavra?"
"Rosas são vermelhas, violetas são azul. Meu amor por Rose é como um..."
Scorpius parou de escrever com a pena, analisando seu poema incabado. Que palavra rimava com azul?
— Oi Scorp — disse Alvo, atrás dele.
Scorpius soltou um grito, recebendo um olhar repreensivo da bibliotecária. Era muito comum ele estar na biblioteca, lendo, estudando ou tentando ver Rose. Rose Weasley. A garota que não saia da sua mente, nem do seu coração. Se sentia um pouco idiota por estar tão apaixonado. Já havia dito ao seu pai que ele era muito piegas, quando falava do seu amor por Hermione Jean Granger.
— Se não fosse por meus erros, teríamos nos casado antes, Scorpius. Então, peço que não erre como eu fiz. Demorei dezenove anos para perceber isso — ele lhe dissera.
Scorpius revirou os olhos, pensando no quanto aquilo era tolo e patético. Dar seu coração a alguém que poderia machuca-lo? Nem pensar. Mas, quem disse que ele conseguia controlar suas emoções, quando Rose aparecia nas aulas conjuntas com a Sonserina? Ou quando ela entrava na biblioteca e sentava uma mesa afastada da sua e colocava sempre os cabelos ruivos atrás da orelha? Ou pior ainda, quando teve seu primeiro Natal com ela, com Hugo, Hermione e seu pai? Aquilo fora torturante. Ela estava linda, como sempre. Contudo, se tornou sua meia irmã. O que era péssimo, muito ruim mesmo.
— Quer me matar do coração, seu imbecil? — Scorpius sussurrou, irritado.
— Eu não quero matar você. Mas, as vezes, tenho vontade — Alvo também sussurrou, sentando ao lado dele — E como vai seu poema?
— Péssimo — ele confessou, riscando tudo que havia escrito com a pena — Que palavra rima com azul?
— Raúl? — Alvo tentou, recebendo um careta de Scorpius.
— Quê? Não. Precisa ser algo romântico.
Alvo revirou os olhos, pegando o pergaminho da mão de Scorpius e lendo o que ele havia escrito e riscado. Não estava ineteligível, pois o garoto tinha uma letra perfeita e inclinada.
— É isso que você vai mandar para Rose? Ela vai saber que isso é uma cópia de algo que já existe, só com uma pincelada dos seus versos. Precisa ser mais original.
Scorpius bufou. Como se Alvo entendesse de processo criativo. Escrever textos acadêmicos era fácil para ele. Difícil era escrever algo na inspiração. Ainda mais como os poetas escreviam, se inspirando em suas musas. Rose era quase sua musa, quando ela não agia com truculência, é claro. Ainda mais no Quadribol. Ela tinha um sério problema com competitividade. Algo que o animava, é claro. Gostava de competir com ela. Mas, ela não era exatamente uma musa inspiradora. E ele era um poeta meia boca. Então, não havia muito o que escrever.
— Eu acho que vou tentar falar com ela — ele disse, por fim.
— Não vai ficar com as mãos suadas de novo e dar meia volta e ir embora? Ou não vai trata-la como sua irmã, como fez da última vez que a viu com outro garoto?
Scorpius quis bater a cabeça de Alvo na mesa, mas se segurou. Não queria nem lembrar do ataque histérico que teve ao ver Rose aos beijos com um garoto do sétimo ano, da Lufa-Lufa. Ele a tratou como se fosse uma criança, que não poderia sair beijando ninguém, assim. Ela ficou semanas sem falar com ele.
Logo, viu a ruiva entrar na biblioteca. Ela tinha os cabelos cacheados, até a cintura em um tom cobre, que parecia reluzir. Ele queria tentar tocar aquela massa de cabelo, sentir seu cheiro adocicado, que quase ficou sem ar. Ela passou por eles e se sentou em frente aos dois, colocando alguns livros pesados em cima da mesa. Puxou da bolsa de tricô vários pergaminhos e lançou seus olhos para os dois, com um sorriso. Seus olhos eram da cor do céu, azul primaveril. Scorpius precisava anotar aquilo, mas não na frente dela, é claro.
— E ai, garotos? Como estão se virando para os NIEMS?
— Bem — Scorpius respondeu, com a voz tremula. Como poderia ser tão patético e envergonhado? Por Merlin, ele havia saído com outras garotas, enquanto ela namorava com um grifinório. Joshua Smith. Ele estava um ano a frente deles e depois que se formou, eles simplesmente terminaram. O motivo para isso? Um mistério para Scorpius.
— Pra mim está uma droga — Alvo respondeu, sincero. Do jeito despojado dele — Detesto poções agora.
— Como pode detestar, Alvo? É uma matéria super importante — Rose enfatizou, mordendo a ponta da pena. Scorpius queria tocar seus lábios como a pena fazia. E queria se socar mais uma vez por ser um tolo romântico.
— Há, fale por você, cérebro gigante — Alvo provocou a prima, deliberadamente. Sabia tirar Rose do sério, como ninguém.
— Escuta aqui, sua cobra mal criada, não fala assim do meu cérebro. Ele tem um tamanho normal, ao de qualquer ser humano. É que eu tenho mais massa encefálica que você — ela rebatou, com um sorriso irônico.
— Então, vamos partir para o insulto? Me diga como foi namorar o Smith? Ele tinha a cara cheia de acne e parecia um retardado.
— Alvo, você pegou pesado — Scorpius murmurou.
— Ah, mas não se preocupe, Scorp. Eu sei me defender dessa cobra criada — Rose disse, com um olhar assassino — Você vai ver só no próximo jogo, vou mandar acertar um balaço na sua cabeça, Alvo Severo Potter.
— Uuuuu estou morrendo de medo — Alvo provocou ainda mais.
Rose levantou da cadeira e foi até ele. Alvo se encolheu de repente. Até mesmo Scorpius.
— Se continuar a me provocar, vai acabar em sérios problemas. Vou falar com Angelina Dashwood que você tem bafo de dragão e medo de escuro.
— Você não se atreveria — Alvo disse, irritado — Não pode acabar com meu esquema com a Angelina. Ela é a garota mais gata desse castelo.
— Então, sossega esse veneno, Alvo — Rose disse, voltando a se sentar — Dá até pra ver a babá escorrendo, aqui ó — ela apontou para o canto da boca.
Alvo gargalhou. O que chamou a atenção de alguns alunos enfurecidos. Ninguém suportava mais aquele trio. Uma grifinória e dois sonserinos, só poderia dar confusão na certa. Eles continuaram a conversar, de forma mais civilizada possível. Mas, as risadas de Alvo incomodavam muito e eles foram expulsos da biblioteca.
E infelizmente, Scorpius não teve coragem de falar a Rose que gostava dela. Mas, ao que parecia, Alvo, Lily e Hugo iriam montar um plano infalível para fazê-los ficarem juntos. A amortentia. Era um plano arriscado, mas eles tentariam no feriado de Natal. Será que iriam piorar a situação de Scorpius, ou finalmente ele poderia ter a garota que gostava?
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