— Idol-sama! – mais uma das mil fãs de Hanabusa-san gritou.


Como sempre, ele olhou para ela e fingiu que atirou.


- Baka... – eu murmurei para que apenas Shiki-kun me ouvisse.


Andávamos como sempre. Eu até havia me acostumado com todas as garotas gritando os nomes dos meus colegas da night class. Mas, naquele dia, foi diferente...


- Shiki-sama! – uma garota que me era desconhecida gritou.


Virei-me automaticamente para ver a reação de Shiki. Diferente de sempre, ele pareceu atordoado.


- Shiki-sama! Olhe pra mim! – ela voltou a gritar.


Um impulso um pouco assassino me invadiu e eu caminhei até a garota, mas Shiki me segurou.


- Rima-chan... Não arranje briga. Finja que não aconteceu nada. – percebi o braço dele hesitando sobre meus ombros.


Continuamos andando até nossa sala, onde me sentei. Os músculos do meu corpo estavam flexionados. Senti os dedos de Shiki tocando-me os ombros.


- Relaxe... Por que está tão nervosa? Uma garota chamou minha atenção. E daí? – a voz dele soava provocativa.


Rosnei, apanhei a mochila e dela tirei um pacote de biscoitinhos recheados.


- Tome – atirei-lhe um biscoito, mas ele o pegou com a mão.


- Isso não parece gentil, Rima – ele se aproximou.


- O que não lhe parece gentil? – engoli em seco com a proximidade dele.


- Você sabe o quê... – ele sentou ao meu lado e abriu a boca. – Quando estiver pronta.


Nenhum dos outros prestava atenção em nós. Os olhos dele estavam fechados e eu me continha para não agarra-lo.


Peguei um biscoitinho e encaixei em sua boca. Quando meus dedos tocaram em seus lábios, uma onda de eletricidade transpassou por meu corpo.


- Doeu? – ele me perguntou, irônico.


Tinha doído. Tinha doído me afastar de seus lábios, esquecer o biscoito e apenas o biscoito em sua boca.


- Não – eu respondi, sussurrando.


As aulas se arrastaram terrivelmente lentas. Fiquei observando Ruka e Akatsuki com as mãos dadas. Durante o tempo que ficaram fora, os dois haviam resolvido toda a história entre eles. Kaname e Yuuki também estavam de mãos dadas.


Quando finalmente acabaram as aulas, eu saí mais rápido que os outros. No caminho para o meu quarto, porém, Shiki me alcançou.


- Fugindo de quem, Rima?


- De ninguém – minha voz vacilou.


- Posso entrar? – ele acenou pro meu quarto.


- Ahh... Claro. Eu acho... – aquela resposta soou estranha.


Ele abriu a porta e a segurou para mim. Entrei e lhe apontei o sofá, mas ele acenou negativamente e jogou seu corpo ao lado na cama.


- Tem algo pra me dizer, Shiki? – eu tentava me conter para não me atirar nos braços dele.


- Não. E você?


Antes que eu respondesse, ele deixou cair um papel onde estava escrito “me beije”. Nossos olhos se encontraram.


- Não precisa se não quiser... É só pra vo...


Não o deixei terminar a frase. Colei nossos lábios do mesmo jeito que vi Ruka fazer com Akatsuki. Não queria largá-lo, não queria afastá-lo, mas fui forçada a fazê-lo.


-... cê saber – ele continuou a frase inacabada.


Rocei meus lábios nos dele.


- Desculpe fazê-la esperar tanto...


- Desculpe fazê-lo esperar tanto...


Uni nossos lábios de novo. Só depois de beijá-lo foi que percebi: estava desesperada por aqueles frios, duros, vampirescos, sérios e deliciosos lábios. E que agora eram só meus.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!