CAP XXXIX

ajoelhou-se junto da fria e bela lapide, pela face agora empalidecida do moreno as lagrimas teimavam em rolar, havia jurado a si mesmo que não choraria, que se manteria forte, tinha sobre o leito, doravante perpetuo de sua amada dado sua palavra que seguiria em frente, ainda que para isso fosse preciso arrancar do peito seu coração e enterra-lo junto das pessoas mais amadas em sua vida.

a chuva começara a cair molhando em poucos instantes as vestes do homem que depositava sobre o tumulo um pequenos urso de pelucia ja muito surrado, embora nunca usado por seu legitimo dono, aquele ser inanimado servira de consolo ao coração ferido, em noites de profundos delirios tal brinquedo lhe dera a certeza de que tudo o que vivera não havia sido somente um sonho, de consolador o pequeno ser de pelucia passava então a cruel carrasco ao recorda-lhe que de todo o sonho acalentado nada mais restara.

jamais poderia entregar aquele pertence a seu real dono, nunca o veria sorrir com alegria ao receber aquele pequeno mimo, primeiro de muitos que ainda viriam, jamais voltaria ao ouvir o que ouvira pela primeira e ultima vez naquela noite, o choro de seu amado filho fora silenciado tão logo se fez presente, a luz que o tirava definitivamente de suas trevas fora-lhe roubada, ja não havia mais nenhum filho por quem se sacrificar, nenhuma mão gentil, amada e feminina de sua esposa a afagar seus cabelos ou sussurrar seu nome, não haveriam discussões, nem a chance de despertar no meio da noite para trocar fraudas ou preparar a mamadeira, não havia mas uma esposa e nem um bebe, sua vida agora era repleta de silencio e escuridão

uma trovoada ao longe rompeu o silencio como se para trazer o moreno a realidade, suas lagrimas agora misturavam-se a chuva que caia sobre a terra salpicando o branco marmore de barro, com redobrado cuidado retirou do bolso o lenço com o qual limpou os respingos, como se estivesse a limpar a face do filho ali adormecido, terminado a tarefa levou o lenço sujo ao bolso interno da jaqueta, foi quando encontrou a carta que escrevera horas atras, desdobrando-a com cuidado começou a le-la

-meu amado filho...escrevi esta carta para voce, mesmo sabendo que não podera le-la sei tomaras conhecimento do seu conteudo atraves das lagrimas de sangue que meu coração derrama por ti e por sua mãe.

gostaria de dizer que meu desejo hoje seria voltar o tempo e mudar tudo o que aconteceu, mas saiba que com isso não quero disser que me arrependo de tudo o que vivi ao lado de sua mãe e por pouco porem valioso tempo ao seu lado, voces dois foram como um lindo cometa que cruzou o meu caminho sempre escuro, eu estava mergulhado em solidão mas sua mãe me resgatou de la, me deu uma razão para sorrir e um motivo para viver, mesmo que agora tudo me tenha sido levado, não me arrependo.

sabe meu filho os sentimentos não se medem com formulas matematicas nem se mede atraves de dias ou horas, sentimentos como os que eu tenho por voce e sua mãe não possuem tempo limite para acabar, eles são eternos, o meu amor por voces é imortal, eu sei que jamais o terei em meus braços, não poderei te ensinar a dar os primeiros passos, nem como agir na escola, não serei eu a lhe empurrar em sua primeira bicicleta e incentiva-lo a continuar pedalando ate que apreenda a seguir sozinho, não lhe darei conselhos sobre as mulheres.

o rapaz sorriu mergulhado em sua propria dor

-eu nunca entendi direito as mulheres, na verdade teria de pedir conselhos a sua mãe sobre elas, alias sua mãe era linda e muito gentil, voce teria muita sorte se encontrasse alguem como ela...eu sei que ela esta ai ao seu lado agora, mas sei o quanto ela era reservada por isso talvez não tenha lhe contado muito sobre ela, mas saiba meu filho que assim como eu, não...acho que muito mais do que eu, sua mãe o amou, ela esperava ansiosa pelo seu nascimento, seu enxoval esta todo la no seu quarto esperando por voce, mesmo que voce nunca possa ir ate la, eu deixarei tudo como esta para que voce saiba que sempre estara em meu coração e que aguardo ansioso o dia em que poderemos nos abraçar, nesse dia mesmo que voce ja não seja como eu me lembro irei abraço-lo, o tomarei em meu braços e te darei todos os beijos contidos durante o tempo que estivemos afastados.

dizem que a cada novo nascimento o céu cede uma de suas estrelas para que possamos ama-las e protege-las, mas voce meu filho foi mas que uma estrela para mim, foi todo um universo, foi metade do meu mundo e agora que ja não tenho voce e nem sua mãe eu ja não tenho nada, meu mundo ja não existe e minha existencia é vazia.

se ainda vago pela terra é por que ainda tenho um dever a cumprir, prometi a sua mãe que não encurtaria minha vida, sabe meu filho sua mãe sempre foi muito esperta e mesmo a beira da morte usou de sua genialidade para me prender a vida, mas ela sabia que um dia quando menos se esperar meu corpo ira parar, deixarei de me mover, me alimentar e a escuridão me envolvera ate a gentil dama chamada morte me receber em seus braços e levar-me-a para junto de voces, ate la peso que não se esqueça do seu velho pai que te ama muito.

sei que por todos os dias que ainda me restam irei despertar no meio da noite acreditando ouvir o seu choro, me levantarei em silencio acreditando que assim não despertarei sua mãe, então seguirei para o seu quarto e somente quando me aproximar do berço vazio é que serei atingido pela realidade, pegarei seu travesseiro e manta e abraçarei como se abraçasse voce, colocarei seu mobile de bebê tocando e ficarei a chorar em silencio ate que rendido a dor e ja sem força o sono venha vencer-me.

hora terei os mais doces sonhos, onde voce e minha esposa amada estarão ao meu lado sorrindo e acreditarei que essa é a realidade, outras porem verei novamente as cenas de suas partidas, sua mãe que mesmo sangrando me lançava um sorriso e lutava com todas as forças para trazer-te ao mundo, terei de suportar outra vez ver o sorriso dela aos pouco se desfazendo com um rosa que perde suas petalas, verei a vida de-la escapando por entre meus dedos sem que possa fazer nada.

verei novamente seu pequenino corpo ainda sujo pelo sangue de sua mãe, outra vez irei tentar pega-lo em meus braços no inutil desejo de protege-lo, mas então novamente sera levado ao berros para longe de mim e da proxima vez que eu o vir estara imovel como se dormisse, irei beija-lo e desejar com todo o meu coração que despertes, mas ao contrario de meu desejo que havera de despertar serei eu, então compreenderei que deixei o sonho para mergulhar em meu mais longo e sofrido pesadelo.

debruçado em meio ao terra molhada queria desejava com todo seu coração que naquele momento a natureza se compadecesse de si e aliviasse a dor que sentia, almejava com toda sua alma que um raio o atingisse e desse fim aquela existencia sem proposito, não havia mas chances para ser feliz, na verdade não desejava ser feliz, sorrir seria nada alem do que martirizar seu proprio coração, desejava a morte mas essa divertia-se com sua dor.

seu corpo tremia agora com o frio, mas isso pouco lhe importava queria se deixar vencer não resistiria mas, não havia motivos para lutar ou viver

-voce promete, vivera por mim e para o nosso filho

levantou-se pensando ouvir a voz dela, fitou o tumulo ao lado o mesmo continuava frio e triste.

-ele foi o consolo e o seu prazer mas por que...por que tão cedo ele teve de falecer?...por que?

-voce promete

a voz dela ecoou novamente em sua mente, cerrando o punho em uma tentativa de conter sua dor, viu a imagem do sorriso dela, seus olhos brilhando ante a espectativa da promessa, o braço ainda com o soro se levantando fraco e pequeno dendo se erguendo

-promete

não pode evitar erguer sua mão e entrelaçar seu dedo mindinho ao dedo invisivel a sua frente como fizera semanas atras

-eu prometo

-aishiteru

-aishiteru.

a imagem se desfez como fumaça e ele retornou a realidade, lutando contra sua propria vontade de permanece ali para sempre se levantou a apos breves momentos de silencio fez uma profunda reverencia em agradecimento e partiu sumindo em meio a noite sem estrelas.

Notas finais
OBRIGADA A TODOS QUE ACOMPANHAM A FIC, AGRADEÇO MUITO PELOS COMENTÁRIOS