CAP XXIX

-por que sempre tenho que passar por isso

apesar do trabalho que tinha para se disfarçar e assim conseguir comprar seu adorado pudim, estava contente por poder em breve saborear sua sobremesa favorita, com um sorriso satisfeito no rosto e a mercadoria dentro da mochila de colegial que levava, ja estava abrindo a porta do seu apartamento, quando uma voz fria e feminina soou a suas costas, não precisou virar-se para saber quem era.

a duas semanas havia recebido um telefone de sua mãe, desde que fugira de casa não tivera contato com os pais embora constantemente contratava alguem para obter informações sobre eles, conhecia o quão orgulhoso seu pai era e sabia que uma vez que ele traira seu pai ao fugir de casa esse jamais lhe perdoaria e tão pouco permitiria que sua mãe o perdoasse, por isso havia perdido toda e qualquer esperança de que seus pais um dia voltassem a lhe aceitar como seu filho.

quando ouviu a voz de sua mãe não pode evitar que seu coração acelerasse a com uma leve esperança de perdão, porem a preocupação evidente em suas palavras demonstravam que não era por sentir saudades que ela havia ligado, sentiu o sangue ferver ao ouvir de sua mãe que uma mulher esteve procurando por kyoko e pelo o que sua mãe recordava aquela não era outra senão a mãe da garota.

desde aquele momento passou a ter a certeza de que logo a mãe de kyoko viria atras da garota, pelo o que se recordava aquela mulher sempre havia maltratado a filha e por fim a abandonado, então por quais motivos voltaria agora?...a unica coisa que lhe ocorria era que com a fama cada vez maior de kyoko sua mãe vinha exigir da filha alguma forma de compensação pelo tempo que desperdiçou de sua juventude cuidando da menina, uma vez que se recordava que entre sua mãe e a de kyoko havia um grande diferença de idade significando que a mulher não passava de uma adolecente quando teve kyoko.

-se não o filho dos fuwa, voce ficou muito bonito shoutaro

com esforço pos seu melhor sorriso no rosto e voltou-se de frente para a mulher, não conseguiu reconhecer sua aparencia mais certamente aqueles olhos castanhos claros lembravam muito os olhos de kyoko

-a senhora é muito gentil,

-é muito grosseiro chamar uma mulher jovem e
bela como eu de senhora, especialmente se não a reconhece

-me desculpe

disse o loiro cerrando discretamente o punho, como sentia vontade de bater naquela mulher e exigir que outra vez desaparecesse no mundo como havia feito antes.

-não me convida para entrar?

-desculpe mais não pegaria bem a uma mulher bonita e respeitavel adentrar sozinha o apartamento de um homem solteiro

-homem?

o sorriso irônico da mulher a sua frente apenas fez com seu desejo de soca-la aumentasse.

-voce não passa de uma criança ainda, por sinal muito ingrata, sabe o quanto seu pobre pai sofre por sua rebeldia, por sua culpa ele não é nem a sombra do homem bonito e atraente que foi.

-desculpe mais não estou interressado em coisas do passado, se me der lincença tenho coisas mais importantes a fazer

shou adentrou o apartamento e ja estava para bater a porta quando a voz da mulher o deteve

-se fechar essa porta vou a imprensa e conto tudo o que sei sobre voce, seu nome verdadeiro, o modo como deixou sua casa, como foi ingrato com seus pais e explorou minha filha.

a porta se abriu novamente deixando a mulher adentrar o local

-é um belo lugar o que voce tem aqui

-diga logo o que quer ?

-ah enfim se recordou quem eu sou

-a mulher que maltratou e abandonou kyoko

-a mãe dela

-nunca agiu como tal

disse o loiro com seu tipico sorriso sinico no rosto

-não me oferece uma bebida

-não é bem vinda aqui, diga o que quer e vá embora

a mulher caminhou ate o sofá onde sem qualquer convite sentou-se confortavelmente, cruzando as pernas bem torneada e atraentes de uma forma sensual que faria muitos homens cair de joelhos ao seus pés, mas a expressão no rosto do cantor ao se sentar no sofa do lado oposto ao dela, estava longe de ser agradavel, na verdade podia se sentir o nojo que o rapaz sentia em ter de olhar para a mulher.

-com essa atitude e expressão voce jamais seria um bom dono de hospedarias

-por que esta aqui?

-recentemente soube que minha querida filha esta tendo muito sucesso como atriz por isso pensei em lhe fazer uma visita, não quero que com toda essa fama ele se torne uma ingrata como voce e esqueça da sua querida mãe, mas infelizmente ela não mora mais na espelunca onde vivia com um casal de velhos, como minha querida kyoko sempre adorou voce tenho certeza que sabe onde ela estava vivendo agora.

shou não pode evitar sorrir, embora aquela mulher parecesse saber muito sobre a vida de kyoko no presente ela não sabia do detalhe mais importante.

-kyoko me odeia agora

foi a vez da mulher sorrir

-eu sei que voces brigaram e ela quer se vingar de voce fuwa, mas sei tambem que voce a considera uma pose sua por isso não deixaria que algo que lhe pertencesse ficasse perdida por ai.

-ainda que fosse assim, por que acha que eu entregaria algo que é minha propriedade a voce, que sempre a fez sofrer?

-por que sou a mãe dela, tenho legalmente direito sobre ela

-ela não é um objeto

a voz do rapaz saiu em tom mais grave do que ele queria, mentalmente se amaldiçoou por não poder agir com a mesma frieza que aquela mulher demonstrava

-esta mesmo apaixonado por ela não esta shoutaro fuwa?

o loiro nada respondeu, se não usasse as palavras certas com aquela mulher podia apenas deixar aquela situação ainda mais complicada, foi quando sentiu o celular tocar em seu bolso.

-minha empresaria preciso atender

-tudo bem, não quero prejudicar sua carreira, ao menos que me de motivos para isso

shou se levantou seguindo para a cozinha onde falou rapidamente com shouko, ja estava guardando o celular quando algo lhe ocorreu, não sabia se seria util mas por fim decidiu deixa o aparelho ligado em modo de gravação de voz dentro do bolso da jaqueta, e assim retornou para junto da mulher

-enquanto estava cuidando de sua carreira algo realmente lucrativo para ambos me ocorreu, ate onde esta disposto a ir para proteger sua querida amiga de infancia, ou devo dizer sua amada?

-o que quer dizer com isso?

-apesar de haver crescido e se tornado muito atraente voce continua o mesmo idiotinha de antes...vou dizer isso de um jeito que voce entenda, quanto esta disposto a pagar para que eu deixei kyoko em paz.

-dois meses

-ela podera voltar em tempo de ter o bebê

-hum...como sabe sobre isso?

lory perguntou fitando o cantor a sua frente, aquela era uma informação que ate o momento havia se mantido em segredo, kyoko havia conseguido esconder isso ate de sua melhor amiga, então como o rapaz descobrira?

-ela passou mau, não se alimentava direito e não parecia muito a vontade com cheiros fortes durante a gravação dos clipes.

-só com isso conseguiu chegar a essa conclusão?

-sim

-a gravadora sabe sobre a gravidez?

-o dono da gravadora disse não se importar com isso

-hum...por que não, os trabalhos que um mulher gravida podem fazer são limitados, por que tanto interesse na mogami san?

-ela é uma mulher muito interessante

lory fitou o contrato em suas mãos, de fato aquele era um grande contrato, o valor pago era superior ao anterior, as horas de gravações seriam menores, não havia nada que faria aquele contrato não aceitavel, porem tinha uma pequena questão a ser resolvida.

-se puderem alterar essa clausula não vejo por que mogami não aceitaria

reino fitou a clausula do contrato indicada pelo presidente.

-nada pode ser alterado nesse contrato

-sendo assim não posso garantir nada, deixarei que a proposta seja apresentada a ela

reino se despediu deixando o escritorio do presidente da lme, havia feito sua parte do plano do fuwa agora era vez do loiro fazer sua parte, o que o vocalista do vie ghou não sabia era que o desagradavel encontro que shou estava tendo naquela mesma manha so dificultava tudo.

-é isso que acha que a kyoko vale?

-ela não é um objeto que possa ser vendida, mas esse é todo o dinheiro que disponho no momento

-quero o dobro

-hum...não tenho todo esse dinheiro

a mulher se levantou do sofá seguindo para a porta

-então não tenho por que continuar perdendo meu tempo aqui, ja vi que não sabe onde a kyoko está por isso irei procurar por ela usando meus proprios meios

-espere

-hum...?

-posso conseguir essa quantia mais preciso de um tempo

-uma semana

-é pouco

-é o tempo que tem

-me de sua palavra que deixara kyoko em paz ate lá e terá seu dinheiro em uma semana
ela sorriu

-como pretende conseguir o dobro em uma semana?

-isso é um problema meu,

-voce alem de bonito é decidido gosto disso, nos vemos em uma semana shou fuwa

a mulher deixou o apartamento, shou trancou a porta deixando-se cair sobre o sofa retirou do bolso o celular encerrando a gravação, não sabia como aquilo poderia ser util e tão pouco tinha tempo de pensar nisso agora, sem pensar duas vezes discou o numero que a duas semanas havia gravado no celular.

-conseguiu o contrato?

-ja apresentei na lme

shou desligou o telefone na cara do outro sem qualquer cerimonia ou arrependimento, não eram amigos nem nada do genero, não tinha por que ser educado com aquele cara, se estavam trabalhando juntos naquele plano eram por interesse pessoais de ambos, por isso não seria de modo algum simpatico com ele.

-kyoko estupida, espero que ao menos reconheça o que estou fazendo por voce e me agradeça decentemente.

apos ligar para o motorista deixou o apartamento.


nunca em sua vida havia adquirido gosto em comprar roupas, sempre escolhia as mais confortaveis e baratas, porem agora sentia uma grande alegria em comprar aquelas pequenas peças de roupas, ela e ren haviam decidido saber o sexo do bebê no dia do nascimento do mesmo, por isso as roupas eram compradas em dobro, havia reclamado com ren por isso, mas o moreno insistia de que fosse assim, vencida ela apenas teve de concordar com ele.

não podia deixar de sentir um pouco de inveja ao ver as mulheres dentro da loja que com seus filhos no colo sorriam felizes, ainda faltavam quatro meses para o seu bebe nascer, mais ela ja desejava poder te-lo em seus braços, no começo havia sido realmente dificil aceitar a ideia que seria mãe, não por que ela não quisesse ter o bebê e sim por que não se senti capaz de ser mãe, jamais havia conhecido o amor de uma mãe ou de um pai, nunca soubera quão terno e reconfortante era o colo materno, ou o quanto um pai era capaz de se sacrificar por seu filho.

porem agora graças a ren e seus "pais" julie e kuu hizuri havia compreendido que o amor de um pai ou de uma mãe não era algo que um homem ou uma mulher era obrigado a dar a seu filho, o amor paterno era algo fornecido a criança gratuitamente por que um filho é gerado de um ato de amor entre duas pessoas, é um pedaço de cada um que embora independente sempre carrega em si traços do pai, é uma continuação deles, a realização de um lindo sonho de se ter uma familia.

agora que esperava um filho compreendia por fim o que era ser uma mãe, o que era sentir amor pelo pequeno ser que crescia dentro de si, por isso não conseguia deixar de pensar no por que sua mãe a abandonara?...por que ao invez de ama-la ela a odiava?...tudo o que podia pensar era que na verdade sua mãe a odiava, que ela nunca foi desejada, que sempre fora um peso para ela, que fora a razão de destruir a juventude de sua mãe.

foi desperta de seus pensamentos pelo toque do seu celular, sorriu ao ver o numero que ligava, porem o sorriso sumiu ao ver pela janela, kanae a fitando com uma expressão de poucos amigos enquanto ouvia a voz da morena dizendo.

-é por isso que anda fugindo de mim mo?

kyoko largou a cesta com as roupinhas no chão e ja estava para fazer uma de suas exageradas vernias quando a voz ainda mais irritada foi ouvida

-não se atreva a me pedir desculpas ai de dentro, te espero na praça de alimentação do shopping

-sim moko chan

kyoko pagou pelas compras e deixou a loja.

Notas finais
obrigado pelos comentários.